2 de jul. de 2024

Azzas 2154

          Azzas 2154 é a empresa formada a partir da fusão da Arezzo e Soma anunciada em fevereiro de 2024.
          A nova multinacional brasileira de moda arranca com faturamento de cerca de R$ 12 bilhões e portfólio de 34 marcas. Opera 2 mil lojas, 1,5 mil franquias e está presente em 22 mil pontos de venda multimarcas. Esse universo é dividido em quatro unidades operacionais: calçados e acessórios (incluindo Arezzo, Schutz e Vans), vestuário lifestyle feminino (incluindo Farm, Animale, Maria Filó, NV), vestuário masculino (incluindo Reserva, Oficina e Foxton) e vestuário democrático (incluindo Hering, Hering Kids, Hering Intimates e Dzarm).
          A empresa deverá propor um conselho de administração de destaque em assembleia de acionistas no final de julho de 2024. A companhia combinou executivos dos conselhos individuais da Arezzo e Soma e adicionou quatro novos membros: Guilherme Benchimol da XP Investimentos, Pedro Parente, presidente da EB Capital e futuro presidente da Azzas, Anna Chaia, ex-presidente da L' Occitane e Samsonite no Brasil e hoje mentora da Endeavor, e Sylvia Leão, que atuou como vice-presidente de recursos humanos em varejistas como Carrefour e Grupo Pão de Açúcar.
          Além dos fundadores de cada empresa, Alexandre Birman e Roberto Jatahy, o conselho também incluirá Edison Ticle, CFO da Minerva, e Ruy Kameyama, ex-CEO da BR Malls do conselho da Soma, além de José Ernesto Bologna, fundador da Ethos Sharewoods Desenvolvimento Humano da Arezzo. Azzas propõe um total de nove conselheiros.
          Segundo Jatahy, CEO da Soma, a união desse grupo garantirá o crescimento sustentável do negócio. “Reunimos algumas das principais figuras do mercado financeiro e da indústria da moda para garantir que a nossa nova empresa tome sempre as melhores decisões e continue a crescer de forma saudável. Uma equipe de alto nível será crucial para continuarmos com um bom desempenho”, acrescentou Jatahy.
          Criadores das marcas que compõem a Azzas e fizeram parte da gestão anterior, como Rony Meisler da Reserva, Fabio Hering da marca Hering, e Marcello Bastos, cofundador da Farm e Fábula, não participarão mais do conselho.
          A empresa definiu a liderança dos seus principais comitês. Edison Ticle coordenará o Comitê de Riscos, Auditoria e Finanças; Ernesto Bologna chefiará o Comitê de Pessoas, ESG e Remuneração; e o Ruy Kameyama liderará o Comitê de Integração e Estratégia.
          Com a conclusão da incorporação da Soma pela Arezzo, a Azzas estreou na B3 em 1º de agosto de 2024. ARZZ3 e SOMA3 deixam de ser negociados dando lugar a AZZA3.  A ação fechou em alta de 3,57%, precificada a R$ 50,39, com valor de mercado atingindo R$ 10,4 bilhões.
          A empresa se autodenomina como o maior grupo de moda da América Latina, com as seguintes marcas: Alexandre Birman, Alme, Anacapri, Animale, Arezzo, Baw, Brizza, Carol Bassi, Cris Barros, Dzarm, Fábula, Farm, Foxton, Hering, Maria Filó, NV, Oficina, Off Premium, Paris Texas, Reserva, Reserva Ink, Reserva Mini, Reversa, Schutz, Simples, Troc, Vans, Vicenza e ZZ Mall. Fundada em 2002 por Cristiana Barros, a Cris Barros integrou o grupo Soma em 2016, a convite de Jatahy, e permanece sob a liderança dele na divisão de moda e estilo de vida do grupo.
          Em 9 de dezembro de 2024, a Azzas 2154 anunciou que concluiu um estudo para revisão de portfólio e, como resultado, irá descontinuar as marcas Alme, Dzarm, Reversa (linha feminina da Reserva) e Simples, visando otimizar sua alocação de capital. A empresa acrescentou ainda que estão sendo avaliadas alternativas estratégicas para as marcas BAW, Paris-Texas e TROC, considerando o estágio de maturidade de cada uma.
          Em agosto de 2025, o Azzas 2154 uniu suas divisões de moda masculina e feminina sob o comando de Ruy Kameyama. Com a saída do executivo, a cisão volta: o braço feminino ficará com Roberto Jatahy, que foi sócio-fundador do Soma – e o masculino, com David Python, que já era presidente da Hering.
          A fusão da Arezzo com o Grupo Soma, em 2024, criou uma titã da moda nacional, com marcas como Farm Rio, Animale, Hering e Reserva sob suas asas. Quase dois anos depois, o sonho foi parar em briga na Justiça. Alexandre Birman, da família fundadora da Arezzo e CEO do Azzas, e Roberto Jatahy, que comandava o Soma, têm estilos de gestão diferentes e não se bicam. Pouco antes de meados de maio de 2026, a rixa culminou com Jatahy indo à Justiça do Rio porque Birman tirou a Reserva de seu guarda-chuva. O CEO entrou com recurso. A série de atritos entre os dois fez mal para o grupo: as ações do Azzas 2154 caem 51% em 12 meses. A saída mais provável seria a cisão. Mas Birman não pensa nisso e o acordo de acionistas dificulta esse desfecho.
          R$ 5,5 bilhões, é quanto a venda da Farm Rio pode render para a Azzas 2154 de acordo com uma previsão do J.P. Morgan. O banco divulgou essa previsão depois da Azzas contratar o outro Morgan, c o Stanley, para dar um destino para a marca de roupas.A Farm cresceu 22% de 2024 para 2025, contra os 7% da Azzas em si, e os fundadores Kátia Barros e Marcelo Bastos mantêm uma independência razoável da disputa entre Birman e Jatahy.
          No início de setembro de 2026, depois de meses de embate societário, que chegou a parar na Justiça, enfim veio o divórcio entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy na Azzas 2154. A empresa, criada em 2024 com a fusão da Arezzo com a Soma, será dividida novamente em duas companhias, que serão listadas na bolsa, e a Farm seguirá independente, tendo as duas empresas como sócias.
          Arezzo&Co e Soma passarão a ser empresas independentes listadas no Novo Mercado — o segmento de mais alto nível de governança corporativa da bolsa B3 —, contando com suas próprias estruturas de gestão e governança. Em outras palavras, as empresas que originalmente se uniram na fusão voltarão a operar separadamente. Com base nos trâmites usuais para esse tipo de transação, a reorganização poderá ser concluída no primeiro trimestre de 2027.
          Os grupos Birman e Jatahy realizarão uma troca de ações para se tornarem os acionistas controladores de suas respectivas companhias. Por meio da Arezzo&Co, Birman manterá a Hering e os negócios de calçados e bolsas — incluindo as marcas Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman e Carol Bassi. Além disso, a Arezzo&Co deterá uma participação de 57,4% na Farm.
          Jatahy e seu grupo, Soma, concentrar-se-ão nas operações das marcas Animale, NV, Maria Filó, Cris Barros e Reserva (bem como suas extensões, Oficina e Foxton), além de deterem uma participação de 42,6% na Farm.
          Após a conclusão da reorganização, o bloco de acionistas liderado por Jatahy deterá cerca de 26% da Soma. O bloco Birman deterá cerca de 32% da Arezzo&Co e manterá uma participação de aproximadamente 6% na Soma. Os acionistas minoritários deterão quase 68% de cada empresa, em proporção exata às suas participações acionárias atuais no capital social da Azzas. Nenhum cronograma foi divulgado além do acordo vinculante assinado em 2 de setembro (2026) pelos grupos Birman e Jatahy.
(Fonte; Valor - 02.07.2024 / Estadão - 01.08.2024 (em anúncio comercial / Reuters - 09.12.2024 / InvestNews- 23.04.2026 / 21.05.2026 / 23.06.2026 / Valor - 05.08.2026 Valor (Pipeline) - 02.09.2026 / Valor - 03.09.2026 - partes)

Nenhum comentário:

Postar um comentário