3 de set. de 2026

Instituto B55

          Um projeto desenvolvido a partir da experiência como empreendedores de três dos mais bem-sucedidos empresários do Brasil neste milênio, o Instituto B55 foi fundado em 2026.
          O B55 nasceu da união de esforços de Guilherme Benchimol, fundador da XP, David Vélez, do Nubank, e Andre Street, da Stone – que construíram do zero grandes empresas do setor financeiro e que hoje têm capital aberto –, com o também empreendedor Cristhiano Faé, que assumiu o posto de CEO da organização sem fins lucrativos.
          Faé fundou startups como Accera, W3BOX, Raisy e Scale Partners, além de ter participado como investidor e conselheiro da Neogrid, D1 e Seedz.
          “Cada um de nós quatro tínhamos, de alguma forma, já apoiado algum ecossistema de empreendedorismo. Eu, para empresas de tecnologia. O Benchimol, na XP, com imersões para empresas, criação de conteúdo e podcast. Andre investe muito em empresas e em educação pro bono, além de ser um grande mentor. E o Vélez é um grande investidor-anjo, em diversas startups, e tem uma fundação”, diz Faé. “Pensamos, então, em fazer algo com mais impacto e mais escalável. E, como CEO, o meu papel é o de colocar a bola no chão.”
          O B55 tem como meta se tornar o maior hub de empreendedorismo do Brasil. O nome do instituto faz menção ao código telefônico que identifica o país. O instituto começou a operar em
abril (2026), num espaço com área de 2 mil metros quadrados na Chácara Santo Antônio, bairro da zona sul de São Paulo. Mas, entre os planos do grupo, está a criação de um câmpus, com cerca de 100 mil metros quadrados e espaço para dormitório e para as startups operarem.
          O Instituto B55 funciona por meio de adesão como membro, e já conta (agosto de 2026) com mais de 100 participantes. Ao pagar uma mensalidade, o empreendedor tem direito a participar de aulas, de cursos, palestras, conversas de mentoria e receber a ajuda de uma rede de outros empresários de sucesso. O slogan utilizado é “de empreendedor para empreendedor”, e isso acontece no dia a dia. “Somos o copiloto do empreendedor”, diz Faé. “Numa startup, todo dia tem um problema novo, ou de sociedade, de vendas, ou de fluxo de caixa. Nós procuramos a melhor pessoa para ajudar em cada problema, por exemplo, como ajudar a se adaptar à reforma tributária.”
          Além dos quatro fundadores, o instituto já atraiu outros nomes conhecidos do mundo corporativo. São cerca de 40 embaixadores e 50 mentores, que ministram palestras, dão dicas, contam experiências e
buscam soluções para os membros do instituto. Entre os embaixadores, estão: Jorge Paulo Lemann, da
LTS Investments e 3G Capital; Jorge Gerdau, da Gerdau; Paulo Moll, da Rede D’Or; Cristina Junqueira, do Nubank; Artur Grynbaum, de O Boticário; David Feffer, da Suzano; Fabricio Bloisi, do iFood; Henrique Dubugras, da Brex; João Adibe, da Cimed; Mariano Gomide, da Vtex; Nizan Guanaes, do Grupo ABC; Frederico Trajano, do Magazine Luiza; Pedro Bartelle, da Vulcabras; e Francisco Mesquita Neto, do Grupo Estado.
          Já o time de mentores conta com Romero Rodrigues, que fundou o Buscapé; Augusto Lins, um dos fundadores e expresidente da Stone; e Flavio Dias, que foi CEO da Via Varejo e diretor executivo do Banco Original.
          Esses empresários e executivos participam de atividades no B55. Na última semana, por exemplo, Benchimol e Street fizeram mentoria com os membros do instituto, e houve palestras de Adibe, da Cimed, e do CEO da XP Investimentos, Thiago Maffra. Nos últimos dois meses, ainda aconteceram
apresentações de Paulo Moll e de Thiago Piau, CEO da Teya.
          Num primeiro momento, o instituto tem trabalhado com empreendedores donos de startups de médio e grande portes, em fase de crescimento, com todas as dificuldades comuns a essa etapa. “Existe muita empresa legal que já passou da arrebentação, mas chegou a um gargalo de crescimento, que pode
ser de preservar a cultura, de organização financeira, ou de formar e contratar pessoas”, diz Faé. “Muitos empreendedores são muito bons para colocar a empresa de pé, quando fazem um pouco de tudo, mas depois têm mais dificuldades para avançar para a organização não ficar do tamanho dele.”
          Os próximos passos do B55 serão voltados a lançar produtos e serviços para um público maior,
como empresários de startups de menor porte.
          O Instituto B55 organiza a sua primeira conferência, nos dias 29 e 30 de setembro de 2026, em São Paulo. O objetivo é reunir no B55 Conference, no Suhai Music Hall, 3 mil empreendedores para assistir a palestras com empresários de destaque nacional e internacional, ampliar suas redes de contato e até participar de salas de mentoria.
          A B55 Conference vai divulgar as atividades do B55 e pode aproximar novos empreendedores do instituto.
(Fonte: Estadão - 28.08.2026)

28 de ago. de 2026

Nexa Resources / Boliden

          A Nexa Resources, mineradora controlada pelo Grupo Votorantim, foi formada a partir da fusão da antiga Votorantim Metais com a peruana Milpo.
          Em maio de 2025, a Nexa entra na corrida para adquirir os ativos da gigante australiana BHP no Brasil. A unidade da Votorantim estava de olho em operações brasileiras de cobre e ouro compradas pela mineradora australiana. O processo de venda está sendo liderado pelo Santander.
          A BHP estava vendendo seus ativos de cobre e ouro no Brasil, adquiridos por meio da compra da Oz Minerals por US$ 6,4 bilhões em 2023, como parte de uma reestruturação mais ampla de portfólio. Entre esses ativos, o destaque é a mina Pedra Branca, no estado do Pará.
          Se bem-sucedida, a aquisição ampliaria o portfólio de minerais da Nexa para incluir mais cobre e ouro, expandindo-se além de seu foco atual em zinco e chumbo. Isso se alinharia à transição energética global, visto que o cobre é um metal essencial para veículos elétricos — um dos motivos citados pela BHP para a aquisição da Oz Minerals foi o aumento da exposição a minerais essenciais para a energia limpa.
          Sinergias operacionais também podiam ser consideradas. A Nexa possui experiência na operação de minas subterrâneas de médio porte na América do Sul — uma capacidade que poderia ser alavancada para otimizar as minas de cobre de escala relativamente pequena anteriormente pertencentes à Oz Minerals. A Nexa já opera a mina polimetálica de Aripuanã, no Mato Grosso, e outros locais no Brasil, o que poderia facilitar a integração geográfica e administrativa dos ativos da BHP.
          O projeto Pedra Branca é o principal ativo de cobre que a BHP está desinvestindo. Trata-se de uma mina subterrânea recém-desenvolvida com sulfetos de cobre e minérios de ouro. Notavelmente, a Nexa tem administrado ativamente seu portfólio, tendo recentemente alienado projetos de cobre de longo prazo, como Pukaqaqa, no Peru, para se concentrar em ativos essenciais e melhorar o retorno aos acionistas.
          Do ponto de vista financeiro, a aquisição desses ativos representaria um investimento significativo para a Nexa, mas parecia viável dentro de sua então atual estrutura de capital.
          A potencial entrada da Nexa nas operações brasileiras da BHP poderia remodelar o cenário de mineração local, particularmente no segmento de metais não ferrosos, marcando uma mudança de ativos de um peso-pesado global para um player regional. Essa tendência surgiu em outros negócios recentes, como a venda da Anglo American de suas operações de níquel no Brasil para a chinesa MMG, avaliada em até US$ 500 milhões.
          Contatada (em maio de 2025), a BHP afirmou que os ativos da Oz Minerals no Brasil permaneciam sob revisão estratégica e se recusou a comentar sobre especulações de mercado. A Nexa também se recusou a comentar, citando sua política interna de não abordar rumores ou especulações.
Em área de concessão da Nexa Resources, milhares de pessoas estavam explorando ouro sem licença.
          O negócio da Nexa com a BHP não evoluiu.
          A Nexa Resources registrou um lucro líquido de US$ 29 milhões, revertendo um prejuízo de US$ 12 milhões no mesmo período em 2024. O EBITDA ajustado atingiu US$ 125 milhões, em comparação com US$ 128 milhões no mesmo trimestre do ano anterior.
          Em 27 de agosto de 2026, o Grupo Votorantim e a sueca Boliden anunciaram um acordo para a venda da participação do conglomerado brasileiro na produtora de zinco Nexa Resources, em uma transação que avalia a empresa em US$ 2 bilhões — sendo US$ 1,3 bilhão referentes apenas à fatia da Votorantim.
          A venda, no entanto, não representa a saída da família Ermírio de Moraes do setor de mineração de zinco, mas sim uma mudança estratégica. A Votorantim trocará sua participação de 64,6% na Nexa por 21,4 milhões de novas ações ordinárias da Boliden, o que equivale a cerca de 7% do capital social da produtora de metais sueca. A Boliden possui uma atuação geograficamente mais diversificada.
          Como resultado, a Votorantim se tornará uma das principais acionistas da Boliden e terá o direito de indicar um membro para o conselho de administração.
          Em entrevistas e relatórios a investidores, a administração da Votorantim deixou claro que a empresa continuará diversificando seus investimentos — tanto em áreas de negócios quanto geograficamente — para reduzir a volatilidade dos resultados e a exposição a riscos. Os movimentos mais recentes da holding reforçam essa estratégia.
          Em comunicado ao mercado em 27 de agosto de 2026, a Votorantim afirmou que manterá sua exposição ao setor de mineração por meio de uma participação acionária relevante em uma plataforma industrial global.
(Fonte: Valor - 27.05.2025 / 28.08.2026 - partes)

27 de ago. de 2026

MM

          A rede de eletrodomésticos MM foi fundada por Jeroslau Pauliki em 1978 e tem sede em Ponta Grossa, no Paraná.
          O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, em agosto de 2026, chacoalhou o mercado e começou a provocar um rearranjo tanto no varejo quanto na indústria de eletrodomésticos e eletrônicos.
          Varejistas estão de olho em uma fatia de vendas estimada por especialistas em R$ 300 milhões por mês. Parte desse mercado ficou disponível a partir de meados de agosto de 2026, quando a
Casas Bahia anunciou o fechamento de 298 lojas físicas.
          “As empresas regionais são rápidas no gatilho”, diz Marcio Pauliki, CEO da rede MM e filho do fundador. Segundo ele, essas empresas são mais ágeis por ter “a dor do dono”. Se há algum problema, o primeiro afetado é o bolso do proprietário, que acompanha a operação de perto.
          Nos dois meses antes da recuperação judicial das Casas Bahia, Marcio Pauliki, CEO da rede MM, conta que passou a receber propostas comerciais mais vantajosas de grandes fabricantes de eletrodomésticos e eletrônicos, em uma tentativa de ampliar o volume de vendas. Entre os diferenciais oferecidos está a venda em regime de consignação. “Eles colocam o produto no nosso estoque, e nós vamos pagando à medida que ele é vendido para o cliente. Para nós, é um bom negócio.”
          Pauliki diz que a relação de fidelidade dos clientes com a empresa, é muito forte. Esse, segundo ele, é um dos fatores que contribuem para a baixa inadimplência. Além disso, o uso de carnê próprio para financiar as vendas é outro diferencial, pois permite critérios de concessão de crédito menos restritivos do que os adotados pelo sistema financeiro. Todos esses fatores combinados impulsionam as vendas.
           A  MM opera mais de 230 lojas no Paraná, em Santa Catarina e em Mato Grosso do Sul, além do interior de São Paulo.
          Em 2025, o faturamento foi de R$ 1,8 bilhão. A expectativa é de fechar 2026 com vendas de R$ 2 bilhões.
(Fonte: Estadão - 23.08.2026)

25 de ago. de 2026

O Alquimista Bar

          Com ajuda de Raul Dias, que montou o Candy Sushi Bar & Club, nos Jardins, a atriz e cantora Cleo, que não usa mais o Pires, promete ‘receitas inusitadas’, ambiente com música e até leitura de tarô.
          Depois dos Jardins, Cleo abre novo bar, o Alquimista, na Vila Madalena, em fevereiro de 2024. Com uísque e doce de abóbora, drinque Abracadabra é boa aposta.
          Em uma casa que foi casa mesmo, mas também fábrica de massas e espaço de bem-estar, Cleo abriu seu segundo endereço etílico-gastronômico: O Alquimista Bar.
          Depois da badalada Candy , a nova empreitada, na Vila Madalena “representa uma mistura de inovação e criatividade no mercado de bares, trazendo uma proposta ainda não explorada na região”. “Nós pensamos em um ambiente acolhedor, com um certo mistério, para que o cliente tenha experiências únicas”, define Cleo. Para isso, ela conta com as criações de Raul Dias, também responsável pelas coqueteleiras do Candy: “Na carta autoral, procurei usar ingredientes inusitados, como abóbora, pipoca, tomate, coentro, vinagre e, futuramente, frutos do mar”.
          Por ora, a maior aposta do bartender é o Abracadabra, mix de Jack Daniel’s Fire e Apple, shrub feito com doce caseiro de abóbora de pescoço, maçã verde e suco de limão servido num caldeirão com glitter; mas ele acredite no potencial do Coriandrum: gim, coentro, xarope de Curaçau Blue, limão e bitter de laranja. Outro queridinho é o Alcoholic, pero no mucho: “Vai com brandy, uísque 12 anos, mix de vermute tinto, fernet branca, angostura, bitter de laranja e chocolate. Combina com o clima da casa”. A partir das próximas semanas, nos bastidores do palco, haverá leituras de tarô comandadas por Mística, hostess-gerente-sensitiva. O Alquimista fica na R. Mourato Coelho, 1008, e funciona de quarta a sábado, das 19h às 2h.
(Fonte: Estadão - 26.02.2024)

12 de ago. de 2026

Eletra

          A Eletra foi fundada no ano de 2000 para fornecer veículos aos corredores de ônibus operados pela família Setti Braga, proprietária de quatro empresas de transporte. Mas o negócio de mobilidade da família remonta a um período muito aanterior, pelos idos de 1913.
          Naquela época, João Setti, um imigrante italiano, estabeleceu-se em São Bernardo do Campo e viu uma oportunidade de negócio no transporte de pessoas que viajavam da cidade litorânea de Santos para a região do ABC. Ele criou um serviço de *tilbury* — uma carruagem de duas rodas e dois lugares puxada por cavalos — que fazia o trajeto de subida e descida da Serra do Mar pela antiga Estrada de Santos.
          O negócio cresceu e, mais tarde, expandiu-se com a chegada das chamadas "jardineiras", veículos primitivos semelhantes a ônibus usados ​​para o transporte de passageiros. Alguns desses veículos foram preservados e serão exibidos em um museu que a família planeja inaugurar em 2027. Com o tempo, o genro de João, José Fernando Braga, adquiriu os negócios. Após sua morte, sua filha, Maria Beatriz Setti Braga — mãe de Milena e neta do fundador —, tornou-se a primeira mulher a assumir o comando da empresa familiar. Ela ainda preside o grupo que, além da Eletra, opera quatro empresas de transporte urbano e um negócio de serviços funerários. O grupo não divulga resultados financeiros. Segundo Romano, a Eletra responde por mais de 30% da receita, e há planos de abrir o capital da empresa "quando ela crescer um pouco mais".          
A fabricante de trólebus Eletra pertence ao grupo controlado pela família Setti Brtaga e tem unidade na região do ABC paulista, em São Bernardo do Campo.
          Em meados de 2022, a Eletra estava à beira da falência. Milena Braga Romano, integrante da família Setti Braga, neta de João Setti, pediu aos acionistas controladores um prazo de dois anos para reverter a situação da empresa. Caso seu plano de aproveitar o mercado em expansão de mobilidade elétrica e ampliar os negócios fracassasse, a Eletra seria encerrada.
          Romano assumiu a presidência da Eletra naquele mesmo ano (2022) e viu na legislação uma oportunidade de aproveitar a expertise que a empresa havia desenvolvido com trólebus — ônibus elétricos conectados a uma rede aérea de energia por cabos — e expandir para ônibus movidos a bateria e recarregados em tomadas elétricas. 
          Desde então, a Eletra tornou-se a maior fornecedora de ônibus urbanos elétricos do Brasil e a única fabricante do segmento com capital nacional. A produção em sua fábrica em São Bernardo do Campo, aumentou 20 vezes.
          Em 12 de agosto de 2026, o grupo anunciarou um plano de investimento de R$ 270 milhões para quadruplicar a capacidade anual de produção para 4.000 ônibus até 2028, por meio da expansão de suas instalações atuais e da construção de uma nova fábrica.
          O investimento, que elevará a capacidade industrial de 1.000 para 4.000 ônibus por ano, não é o único anúncio que Romano fez, em São Paulo, durante a Lat.Bus — a maior feira do setor de ônibus da América Latina. A empresária revelou detalhes de um projeto para produzir ônibus elétricos intermunicipais, um segmento que ainda não adotou modelos elétricos devido à necessidade de recargas mais frequentes em longas distâncias.
          Após o período eleitoral no Brasil, ela também espera uma nova rodada de licitações públicas que permita à empresa começar a vender um ônibus escolar elétrico para áreas rurais. Além de transportar estudantes, o veículo contará com uma bateria que poderá servir como gerador, fornecendo até seis horas de iluminação — o suficiente para evitar que crianças de regiões com fornecimento de energia instável percam aulas durante apagões.
          "A mobilidade elétrica não é mais experimental; tornou-se uma realidade nacional", afirmou Romano. O avanço da Eletra no setor está diretamente ligado a uma lei municipal de São Paulo que, desde 2022, proíbe as operadoras de transporte público de adquirir novos ônibus a diesel.
          Quando a nova lei foi instituída, a chinesa BYD já montava ônibus no Brasil. Romano percebeu que a empresa precisaria agir rapidamente para competir com os fabricantes chineses. Embora o poder público apoiasse a transição para a mobilidade elétrica, a resistência das operadoras de transporte público continuava sendo um obstáculo. "Passamos 100 anos com o diesel", observou ela. Ela decidiu organizar reuniões informais, acompanhadas de café, com cada operadora para defender a adoção dos ônibus elétricos.
          Um ônibus elétrico ainda custa cerca de três vezes mais do que um modelo a combustão. No entanto, Romano ressalta que o prazo de retorno do investimento é menor e os custos de manutenção são mais baixos. Por enquanto, a eletrificação da frota de ônibus urbanos de São Paulo, que atingiu 10%, conta com o apoio de financiamentos subsidiados pelo BNDES e outras instituições de fomento.
          Uma estratégia fundamental para impulsionar o crescimento da empresa é o desenvolvimento de um chassi próprio. No modelo de produção atual, a Eletra adquire as plataformas estruturais de chassi para seus ônibus da Mercedes-Benz e da Scania. Desenvolver seu próprio chassi permitiria à Eletra transitar de integradora para fabricante de ônibus completa.
          O sistema de eletrificação — que inclui motor, inversor e bateria — é fornecido por meio de uma parceria com outra empresa brasileira: a WEG, sediada em Santa Catarina. Somada à rede de fornecedores locais da Eletra para outros componentes, essa parceria garante um alto índice de nacionalização, viabilizando a elegibilidade dos veículos da Eletra para financiamento via programas do BNDES.
          Essa é uma das estratégias de Romano para competir com fabricantes chineses. Ela também utiliza o conhecimento adquirido nas desafiadoras estradas e rodovias brasileiras para construir o que chama de "ônibus robustos".
          As projeções indicam um aumento na demanda. A Eletra planeja elevar sua capacidade anual de produção para 1.800 veículos no próximo ano e, com a segunda fábrica, chegar a 4.000 unidades até 2028.
          Romano está agora em busca de um local para a nova fábrica. A cidade já foi definida: será também em São Bernardo do Campo. A escolha preserva as raízes da empresa e homenageia sua história. Foi lá, subindo a serra em uma carruagem puxada por cavalos, que João Setti descobriu o setor de mobilidade.
          Hoje, os ônibus da Eletra operam em 17 cidades de 10 estados
(Fonte: Valor - 12.08.2026)

11 de ago. de 2026

Amapá Minerals

          A Amapá Minerals operou de 2005 a 2022, mas posteriormente fechou a mina e entrou em processo de recuperação judicial. A mina havia produzido quase 1,6 milhão de onças de ouro antes de entrar com o pedido de recuperação judicial, segundo o CEO Ivan Truzzi.
          A companhia foi adquirida em maio de 2025 pela empresa brasileira de investimentos Starboard a e passou a ter capital pulverizado após sua listagem na Bolsa de Valores de Toronto (TSX), embora a empresa de investimentos continue sendo sua maior acionista. 
          Em meados de 2026, vem a lume que a Amapá Minerals planeja investir em três áreas-chave para aumentar a produção de ouro e prolongar a vida útil de sua mina em Pedra Branca do Amapari, a cerca de 200 quilômetros de Macapá, no norte do Brasil. Truzzi afirmou que a empresa destinará capital para a exploração subterrânea, perfurações nas áreas ao redor da operação atual e melhorias na planta de processamento. O objetivo é identificar reservas capazes de sustentar uma produção superior a 100.000 onças por ano, patamar que a mineradora espera alcançar com seus ativos atuais em 2027.
          Os recursos para a expansão virão da listagem da empresa na TSX, concluída no final de julho de 2026, que captou C$ 140 milhões (o equivalente a cerca de US$ 100 milhões). Desde maio, a empresa produziu entre 1.500 e 2.000 onças de ouro e espera encerrar o ano com uma produção entre 26.000 e 27.000 onças, o que equivale a até 839 quilos do metal. A meta para 2027 é ultrapassar 100.000 onças. Uma onça-troy equivale a 31,1 gramas.
          A companhia ressaltou que a listagem na TSX foi realizada por meio de uma oferta primária, o que significa que todo o capital captado foi destinado ao caixa da empresa. Toda a produção atual da empresa provém de uma mina a céu aberto. A exploração de recursos subterrâneos poderia aumentar a produção ao acessar depósitos de maior teor, além de prolongar a vida útil da mina, atualmente estimada em 10 anos.
          Um segundo foco é a exploração geológica nas áreas ao redor da operação da empresa. Dos recursos captados na oferta pública inicial (IPO), US$ 15 milhões serão destinados à exploração, incluindo perfurações em áreas adjacentes à mina e a avaliação do potencial de depósitos subterrâneos.
          A terceira prioridade de investimento é a modernização da planta de processamento existente. A instalação em operação atualmente, segundo Truzzi, possui capacidade suficiente para suportar um possível aumento na produção. A planta de processamento da empresa é uma das cinco maiores do país.
          É possível supor que há espaço para melhorias técnicas que poderiam reduzir os custos de insumos e, ao mesmo tempo, aumentar a taxa de recuperação da planta. A quantidade de ouro extraída é pequena em comparação com a produção de minas de outros minerais, e nem todo o metal contido no minério é recuperado. Como resultado, segundo a empresa, mesmo um aumento de 1% na taxa de recuperação “é muito significativo” na mineração de ouro.
          A empresa planeja manter o foco no ouro, em vez de em outros minerais que possam ser identificados por meio de suas atividades de exploração. “Somos uma empresa de ouro, então temos de focar no ouro. Nosso esforço é continuar produzindo de modo que todos os novos projetos sejam totalmente voltados para o ouro”, disse o CEO Truzzi. “Mas, se encontrarmos outro mineral que seja mais valioso, teremos flexibilidade para considerá-lo.”
          O Brasil produziu cerca de 71 toneladas de ouro no ano passado, de acordo com dados do Instituto Escolhas baseados nos pagamentos da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) arrecadados pela Agência Nacional de Mineração (ANM).
(Fonte: Valor - 11.08.2026)

6 de ago. de 2026

Forest Group (Forest Paper / Revita Ambiental)

          A Forest Paper é uma das maiores empresas de corte e rebobinagem de papel do país, e a Revita Ambiental é a maior recicladora de embalagens longa vida da América Latina.
          As empresas fazem parte do grupo Forest e têm fábricas em Lages (Santa Catarina), Mairiporã (São Paulo) e Telêmaco Borba (Paraná).
          Em outubro de 2023, vem a lume que as empresas investirão R$ 60 milhões para modernizar suas instalações industriais. Vão aplicar os recursos em novas máquinas para produção de paletes e tubos, duas novas cortadoras e duas novas rebobinadeiras, bem como na reforma da área fabril.
          O destaque do novo equipamento é uma cortadora de papel da empresa alemã Jagenberg e adquirida da Stora Enso, que seria instalada na fábrica paranaense em outubro de 2023, com capacidade estimada de 60 mil toneladas anuais de diferentes tipos de papéis.
          Com este investimento, a Forest Paper aumentará a sua capacidade instalada em 25%, o que lhe permite cortar até 300 mil toneladas de papel por ano.
          Leonardo Reis, diretor de marketing e exportações da empresa, disse em nota que este é o maior plano de investimentos de todos os tempos do grupo. “Este investimento permitirá aumentar significativamente a produtividade e a eficiência, reduzir custos operacionais e modernizar processos”, afirmou.
(Fonte: Valor - 17.10.2023)

5 de ago. de 2026

Gávea Investimentos

          A gestora de fundos Gávea Investimentos foi fundada em 2003 por Armínio Fraga e Luiz Fraga, e se tornou uma das gestoras de fundos multimercado mais tradicionais do Brasil.
          Em agosto de 2026, após 23 anos de atividade, a Gávea encerra suas atividades de gestão de recursos de terceiros. Ela ransferirá seus fundos para a Bradesco Asset. A empresa já havia interrompido a captação de recursos para sua área de *private equity*, sua outra linha de atuação. Como resultado, a Gávea passará a gerir apenas a carteira remanescente de seus fundos de *private equity* e o capital dos sócios que estava investido nos veículos da própria empresa.
          "Neste mês (agosto 2026), completamos 23 anos de atividade. Há cerca de três anos e meio, decidimos não captar um sexto fundo de *private equity*, e agora chegou a vez dos nossos fundos multimercado", disse Armínio em entrevista exclusiva ao Pipeline, site de notícias de negócios do Valor, ao lado dos sócios Luiz Fraga, Bernardo Carvalho e Gabriel Srour.
          "Desde o início, focamos fortemente em investimentos macro, e foram períodos extremamente interessantes. Mas, nos últimos anos, esse mercado mudou. Uma grande parcela do capital dos sócios permaneceu investida nos fundos da própria empresa, e concluímos que era hora de repensar nossa abordagem de investimento", afirmou.
          Os investidores dos fundos multimercado da Gávea terão a opção de resgatar seus investimentos ou permanecer nos fundos sob a gestão do Bradesco. O Bradesco mantém um relacionamento próximo com a Gávea desde a sua criação. Os fundos multimercado administram cerca de R$ 2 bilhões em recursos de terceiros. A Gávea e o Bradesco enviaram um comunicado aos investidores na manhã do 
dia 4 de agosto de 2026.
          “Existe uma relação de longa data entre as duas instituições. O Bradesco é o banco delas, administra os fundos, e a parceria existe desde a fundação da gestora, criando uma relação de confiança. Foi por isso que tomaram essa decisão, pensando nos interesses dos investidores”, disse Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset.
          A gestora está discutindo a contratação de alguns funcionários da Gávea para continuar trabalhando nos fundos, uma vez que a equipe dedicada especificamente à gestão de fundos multimercado não permanecerá na empresa sediada no Rio de Janeiro.
          A empresa ainda possui cerca de R$ 1 bilhão em ativos de *private equity*. “A Gávea continuará. Ainda temos a carteira residual de *private equity*, que precisa ser gerida com o mesmo cuidado até o fim. Nada dura para sempre, mas, por enquanto, não há motivo para a Gávea deixar de existir”, disse Armínio.
          A estrutura futura ainda não foi totalmente definida, mas o capital dos sócios anteriormente investido nos fundos multimercado será redirecionado. Um dos destinos será a nova gestora de recursos de Srour. “Ainda não tomamos todas as decisões sobre a estrutura futura, mas queremos explorar estratégias mais concentradas e flexíveis, que também nos permitam assumir mais riscos. O Gabriel, nosso diretor de investimentos (CIO), lançará uma nova gestora, e nós o apoiaremos financeiramente investindo nesse fundo”, afirmou.
          A decisão ocorre em um momento desafiador para a indústria de fundos de investimento do Brasil, afetada pelas taxas de juros elevadas e pela concorrência de produtos de renda fixa. Captar recursos tornou-se difícil, e gerar retornos, igualmente desafiador. “Ninguém está captando recursos nessa categoria. A indústria de fundos multimercado e de ações perdeu quase R$ 1 trilhão em patrimônio líquido nos últimos anos. A Gávea tornou-se um símbolo de quão complexo é esse ambiente”, disse Funchal.
          No contexto macroeconômico mais amplo, o ex-presidente do Banco Central tem manifestado abertamente suas preocupações com a situação fiscal do Brasil. No entanto, Armínio insistiu que esse 
não foi o fator determinante para a decisão de negócios.
          “Não se trata de desânimo em relação ao Brasil. Mas competir com produtos isentos de impostos que oferecem uma taxa de juros real de 9% é difícil — vale ressaltar que isso vale até mesmo para o Tesouro Nacional. E nosso desempenho, com base em nossa metodologia de investimento, não tem sido bom neste período mais recente”, reconheceu ele. “É claro que todo gestor de ativos passa por alguns anos ruins. Apenas mágicos como Madoff conseguem entregar os mesmos retornos todos os anos. Acontece.” Bernie Madoff foi um gestor de investimentos americano que arquitetou um esquema Ponzi, prometendo altos retornos até que o dinheiro acabou desaparecendo.
          Os fundos macro mais antigos da Gávea acumularam retornos de 545% — o equivalente a 119% do CDI — e 470% — o equivalente a 103% do CDI. Nos últimos três anos, no entanto, assim como ocorreu com o setor como um todo, eles apresentaram desempenho inferior ao do índice de referência.
(Fonte: Valor - 05.08.2026).

New Wave / Wave Aluminium (WA)

          A empresa de tecnologia sustentável em mineração New Wave, foi criada em 2019 e tem como acionistas o empresário Gustavo Emina e a gestora de ativos Lorinvest (controladora), além de fundos internacionais, como o Orion Resourcesne o Just Climate. A empresa desenvolveu a tecnologia, 
patenteada, de micro-ondas.
          Em junho de 2026, a New Wave é contratada pela Alunorte. O que fazer com 180 milhões
de toneladas de rejeito do minério de bauxita geradas por ano no mundo na fabricação nde alumina, que no final desta década poderão superar 210 milhões de toneladas? Esse é um dos grandes problemas ambientais da indústria do alumínio, que busca soluções para dar uma destinação sustentável à chamada lama vermelha. Na Alunorte, maior refinaria de alumina do mundo, em Barcarena (PA), 40 quilômetros
ao sul de Belém, projeto de separação de minerais contidos na lama vermelha poderá se transformar num grande negócio. Um produto de alto valor é o ferro metálico de baixo carbono, cobiçado por siderúrgicas; outro é a escória (silicato de alumina), para uso em fornos de cimenteiras. O projeto é conduzido pela New Wave,
          Por meio da Wave Aluminium (WA), a empresa está em fase adiantada de instalação de uma unidade de demonstração na Alunorte, fabricante do grupo norueguês Hydro, do setor de alumínio, em Barcarena. Nessa fase, o investimento é de R$ 250 milhões para produção de 50 mil toneladas ao ano.
A previsão é de entrar em operação em novembro de 2026.
          A WA é especializada em transformar resíduos, como a lama vermelha do minério de bauxita processada, em matérias-primas de elevado valor comercial, caso do ferro metálico (mais conhecido como ferro-gusa), utilizado na fabricação de aço. O ferro metálico de baixo carbono, com alto teor ferrífero, é elemento relevante na descarbonização da siderurgia, que busca a redução de emissões de CO2
          O plano da New Wave é montar um complexo industrial capaz de processar 2,2 milhões de toneladas de rejeito por ano em cada módulo. Estão previstos três módulos na Alunorte.
          O investimento para instalar a primeira usina em escala industrial é de US$ 1,5 bilhão (R$
7,75 bilhões). Emina informa que a empresa buscará sócios investidores, como fundos internacionais de impacto ambiental, e o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
          Na produção de alumina – de 6,3 milhões de toneladas por ano –, a Alunorte gera cerca de 5 milhões de toneladas de rejeitos. É esse material que será a matéria-prima da WA, de onde vai extrair cerca de 24% do ferro contido no rejeito e cerca de 40% de coprodutos (silicato de alumina) usados na construção civil.
          De alguns anos para hoje, 2026, a lama vermelha da Alunorte sai quase seca (21% de umidade) após passar por filtros-prensa na refinaria. “Essa solução tecnológica da New Wave muda o jogo da indústria do alumínio. Não será necessário construir novos depósitos para colocar o rejeito”, afirma Carlos Neves, diretor de operações (COO) da Hydro Bauxita & Alumina. “É uma solução que se mostra viável e sustentável, que está atraindo a atenção de mineradoras de várias partes do mundo. É a mais inovadora do setor”, acrescenta Emina. O executivo informa que o custo de produção do ferro-gusa, por esse processo, sai em torno de US$ 220 a US$ 250 a tonelada. No mercado brasileiro, o produto é comercializado entre US$ 375 e US$ 410 a tonelada. Nos EUA, atinge até US$ 470 a tonelada.
          O primeiro módulo com produção em escala industrial tem previsão de ser instalado na Alunorte e entrar em operação entre 2030 e 2032. Até lá, a empresa terá de obter o licenciamento ambiental e depois mais 28 meses de obras, informa o executivo. Ele diz que a planta de demonstração visa
gerar produtos para os futuros clientes e, ao mesmo tempo, parâmetros operacionais para
a unidade industrial.
(Fonte: Estadão - 27.06.2026)

28 de jul. de 2026

CXMT

          A ChangXin Memory Technologies - CXMT, maior fabricante de chips de memória da
China foi fundada em 2016 na cidade de Hefei, no leste do país. É uma das maiores fabricantes mundiais de DRAM, ou chips de memória de “acesso aleatório dinâmico”, um tipo de semicondutor utilizado em tudo, de servidores de IA a automóveis e eletrônicos de consumo, como smartphones e computadores pessoais.        
          A CXMT está entre as muitas fabricantes de chips
que lucraram com o “boom” da inteligência artificial. Seus negócios estão prosperando à medida que a China busca maior autossuficiência em tecnologias de ponta, mas enfrenta acesso limitado a máquinas
avançadas de fabricação de chips devido às restrições impostas pelos EUA.
          “A CXMT desempenha um papel fundamental no impulso da IA na China, especialmente diante dos controles de exportação dos EUA”, afirmou Kyle Chan, pesquisador da Brookings Institution e especialista em políticas tecnológicas da China. As restrições determinadas até agora pelos EUA também impediram a China de importar os potentes chips HBM (memória de alta largura de banda) – um tipo de DRAM de alto desempenho.
          A receita da empresa disparou para 50,8 bilhões de yuans (US$ 7,5 bilhões ou R$ 38,3 bilhões) devido ao aumento repentino da demanda, impulsionada pela rápida ascensão da IA nos primeiros três meses de 2026 – um aumento de mais de 700% em relação ao mesmo período de 2025. O uso crescente da IA levou a uma escassez global de chips de memória, elevando os preços de alguns computadores e
smartphones.
          Em 27 de julho de 2026, as ações da CXMT dispararam ao começarem a ser negociadas em Xangai, na maior oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da China continental nos últimos anos.
As ações subiram 466% em seu primeiro dia de negociação. A empresa tornou-se a mais valiosa listada
em uma Bolsa da China continental, com uma capitalização de mercado estimada em cerca de 3,3 trilhões de yuans (mais de US$ 487 bilhões ou R$ 2,49 trilhões). Mas esse valor ainda é menor do que o de fabricantes sul-coreanos e americanos de chips de memória, como a Samsung Electronics, a SK Hynix e a Micron Technology.
          A empresa levantou pelo menos US$ 8,6 bilhões com a oferta, ao preço de 8,66 yuans
(US$ 1,3) por ação, em sua listagem no mercado Star da Bolsa de Valores de Xangai – semelhante à Nasdaq.
          A CXMT é vista como a melhor aposta da China para desenvolver seus próprios chips HBM. Mas ela também enfrenta muitos desafios, incluindo gargalos na cadeia de suprimentos ao ampliar a capacidade de fabricação, já que seu acesso às melhores ferramentas de fabricação de chips do mundo é altamente restrito, forçando-a a depender de fabricantes chinesesde equipamentos.
(Fonte: Estadão - 28.07.2026)

27 de jul. de 2026

Habib's (Grupo Gennius)

          O Grupo Gennius, controlador da rede Habib’s, tem também sob seu guarda-chuva, a rede Ragazzo e a Tendall Grill.
          “Não desista; é preciso caminhar”. A frase que inspirou a vida do hoje empresário Alberto Saraiva era dita por seu pai, Antonio Saraiva, todas as vezes em que ele pensava em desistir de seu maior sonho: ser médico. Foi para dar apoio e condições ao filho que ele e toda a família se mudaram de Santo Antonio da Platina, no Paraná, para a cidade de São Paulo, na década de 1970.
          Com apenas 17 anos, Saraiva fazia cursinho de manhã e estudava no terceiro ano do ensino médio à noite. “Nessa época, eu pegava oito conduções por dia.” Na primeira vez que tentou ingressar na faculdade de Medicina, ele prestou vestibular em cinco faculdades. Não passou. No ano seguinte, foram seis tentativas. Também não passou. No outro ano, foram mais seis. Resultado: aprovado na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
          Enquanto o jovem pensava na carreira brilhante que poderia ter pela frente, seu pai, que tinha vindo de Portugal anos antes, comprava uma padaria na zona leste da capital paulista para garantir o sustento da família. O negócio não era dos melhores. A loja tinha equipamentos velhos que viviam dando defeito e, além disso, era cercada por mais cinco padarias concorrentes.
          Dezenove dias após a compra da padaria, houve um assalto no estabelecimento, e o pai de Alberto foi assassinado. O desespero e a indignação tomaram conta da família. Por ser o filho mais velho, Alberto decidiu continuar no lugar do pai e trancar o curso de Medicina. “Havia muitas prestações para pagar.”.
          Mas fazer o próprio pão e, consequentemente, vendê-lo quentinho a toda hora não foi suficiente para atrair a clientela. Por isso, a estratégia adotada foi vender o pãozinho bem mais barato do que os concorrentes. A ideia foi diminuir o preço em 30%. O plano começou a dar certo, e ele atraiu um novo tipo de cliente, os revendedores de pão, que vendiam o produto de porta em porta. “Tudo que eu tinha era vontade e desejo de que desse certo.” E deu. Após apenas 16 meses, com a padaria faturando, ele vendeu o negócio para outro português e voltou a estudar.
          Apesar de ter voltado para o curso de Medicina, ele já tinha sido picado pelo “bichinho do comércio” e decidiu continuar atuando no ramo. Mesmo na faculdade, decidiu montar um novo negócio: a Casa do Pastel. A estratégia era a mesma: vender o pastel bem mais barato do que os demais. Mais um negócio de sucesso. Filas e mais filas na porta. A empresa chamou atenção de alguns corretores de negócios que se interessaram pelo estabelecimento, e mais uma vez ele o vendeu.
          A mesma cena se repetiu quando ele decidiu abrir a Casa do Gnocchi, a Casa da Fogazza e um rodízio de pizza. Este último foi vendido antes mesmo de ser inaugurado. “Eu peguei gosto em montar negócios. Sabia identificar um bom ponto comercial”.
          Finalmente, em dezembro de 1980, dez anos após ter sonhado ser médico, ele se formou. “Peguei meu diploma, coloquei na gaveta e fui para trás do balcão.”.
          Foi então que, entre a montagem de um negócio e outro, um senhor com cerca de 70 anos bateu à porta de Saraiva e mudou seu destino. Cozinheiro aposentado, ele buscava uma oportunidade de trabalho. Paulo Abud alegou que, como morava no prédio em frente, o empresário não precisaria lhe pagar vale-transporte. Saraiva concordou em contratá-lo e perguntou o que ele sabia fazer. A resposta foi “comida árabe”. O empresário dava uma oportunidade àquele que lhe ensinaria a receita do carro-chefe de seu negócio mais lucrativo: a esfiha.
          Com o domínio da culinária árabe, o empresário apostou em um novo negócio. Nascia assim, em 1988, o Habib’s. Instalado na rua Cerro Corá, no bairro da Lapa, em São Paulo, a nova casa chamava atenção pela faixa colocada à porta. O anúncio garantia que ali estava a melhor esfirra do país. Mas não é porque era a melhor que teria que ser a mais cara. Ao contrário, a ideia era vender com o preço menor possível. “Quanto menor o preço, mais eu vendo.”.
          Foi baseada na inspiração do apelido carinhoso que o fundador Alberto Saraiva ganhou de seus amigos. Eles os chamavam de Habib que significa querido amigo. O Gênio surgiu junto com a marca em 1987 e foi sugestão de um amigo do fundador. Após os 29 anos de Habib's, o Gênio foi atualizado mas continua presente no logotipo da marca.
          Em 1991, o Habib’s passa a investir na produção de matérias-primas, como queijos, pães, sorvetes e doces. No ano seguinte, 1992, através do sistema de franquias, o Habib’s amplia seus negócios.
          A incrível quantidade e 600 milhões de Bib’sfihas por ano foi atingida em 2005.
          Em 2009 é fundada a Universidade Habib’s que dá todo apoio para seus colaboradores. O Habib's conta com cerca de 150 instrutores em todo Brasil.
          O delivery passa a oferecer, em 2010, entregas em aproximadamente 28 minutos. O tempo leva em conta desde a preparação até a chegada do pedido, respeitando a distância limite e as leis de trânsito. Se o desafio não fosse cumprido, o valor ficava por conta do Habib’s.
          Em 2013, a unidade da Radial Leste foi a primeira a inaugurar o novo conceito do Habib’s. Localizada no bairro de Cidade Patriarca, a loja passou por uma reforma completa: desde a comunicação, até os ambientes, mobiliários e embalagens de produtos. A loja foi escolhida por ser uma das lojas mais visitadas pelos clientes e também por estar na rota estratégica do estádio de abertura da Copa do Mundo de 2014.
          A empresa emprega 22 mil colaboradores e tem 421 restaurantes distribuídos em mais de cem cidades em 20 estados. Para alcançar números como esses e a fama de um dos empresários mais bem-sucedidos no Brasil, Saraiva segue à risca o seu lema de vida: “Não desista; é preciso caminhar”
          Em fins de julho de 2026, a Justiça aprovou um pedido de proteção do Grupo Gennius contra credores. O grupo tem R$ 312 milhões em dívidas. É o tipo de medida que costuma vir antes de uma recuperação judicial ou extrajudicial.
          O Grupo Gennius, proprietário das redes de restaurantes Habib’s, Ragazzo e Tendal, teve seu pedido de recuperação judicial aceito pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. O requerimento, protocolado em 24 de agosto de 2026, aponta dívidas de R$ 265,2 milhões e abrange 178 lojas, incluindo 119 unidades do Habib’s, 26 restaurantes Ragazzo e seis churrascarias Tendal. O juiz Jomar Juarez Amorim, no entanto, indeferiu o pedido mais urgente do grupo: a liberação dos valores provenientes de vendas com cartão de crédito que, atualmente, são retidos pelos bancos antes de chegarem às contas da empresa.
          Parte da dívida bancária do grupo estava garantida por recebíveis futuros das lojas. Na prática, quando um cliente paga com cartão de crédito, o pagamento é retido pelo banco credor antes de chegar à conta do Habib’s. O grupo solicitou a suspensão desse mecanismo, mas o juiz rejeitou o pedido, seguindo precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal de Justiça de São Paulo de que esse tipo de garantia não se sujeita ao processo de recuperação judicial.
(Fonte: UOL - 05.08.2013 / Site do Habib's / InvestNews - 27.07.2026 / Valor - 27.08.2026 - partes)

3 de jul. de 2026

SK Hynix

          A empresa de semicondutores sul-coreana SK Hynix Inc. fabrica chips de memória de acesso aleatório dinâmico (DRAM) e chips de memória flash. A SK Hynix é uma das maiores fornecedoras de semicondutores do mundo, e, juntamente com a Samsung Electronics e a Micron, é uma das "Três Grandes" fabricantes de memória.
          Fundada em 1983 como Hyundai Electronics, a SK Hynix foi integrada ao Grupo SK em 2012 após uma série de fusões, aquisições e esforços de reestruturação. Após ser incorporada ao Grupo SK, a SK Hynix tornou-se uma importante afiliada, juntamente com a SK Innovation e a SK Telecom.
           A Hyundai Electronics foi fundada por Chung Ju-yung, fundador do Grupo Hyundai. No início da década de 1980, Chung reconheceu a crescente importância da eletrônica na indústria automobilística, uma das principais áreas de atuação da Hyundai. Ele vislumbrou o potencial da Hyundai para expandir seus negócios além dos setores automotivo, naval e de indústrias pesadas, e desejava estabelecer presença na promissora indústria eletrônica. O foco principal da empresa era a produção de semicondutores e a eletrônica industrial.
          Os principais clientes da empresa incluem Nvidia, Microsoft, Apple, Asus, Dell, MSI, HP Inc., e Hewlett Packard Enterprise (antiga Hewlett-Packard). Outros produtos que utilizam memória Hynix incluem leitores de DVD, telefones celulares, decodificadores, assistentes digitais pessoais, equipamentos de rede e disco rígidos.
          A SK Hynix estreia em 10 de julho de 2026 na Nasdaq por meio de suas ADRs como uma das principais protagonistas do mais recente ciclo de expansão da inteligência artificial, ampliando o acesso dos investidores americanos à segunda empresa mais valiosa da Coreia do Sul. A companhia é líder na produção de chips de memória de alta largura de banda, componentes essenciais para as GPUs da Nvidia e para a operação de data centers voltados à IA, além de atuar nos segmentos de DRAM e NAND flash. A oferta, estimada em cerca de US$ 24,5 bilhões, registrou demanda mais de sete vezes superior ao volume disponível, refletindo o forte interesse dos investidores por uma empresa cujas ações acumularam valorização expressiva e cujos lucros quase quintuplicaram no primeiro trimestre de 2026.
(Fonte: Wikipédia / Mercado em 5 minutos (Empiricus) - 10.07.2026 - partes)

2 de jul. de 2026

Arbex

          A Arbex (cujo nome provisório era (FamPro) foi criada pela Suzano e pela norte-americana Kimberly-Clark, como uma "joint venture", em 1º de julho de 2026. A empresa estreia como uma das maiores empresas de papel *tissue* (papel para fins sanitários) do mundo. A companhia, avaliada em US$ 3,7 bilhões (R$ 19,2 bilhões pela cotação do dia), nasce com uma receita anual de US$ 3,5 bilhões (R$ 18,1 bilhões) e tem como meta tornar-se a empresa integrada de *tissue* mais eficiente do setor global.
          Com sede na Holanda e escritório operacional em Londres, a Arbex detém um portfólio de mais de 40 marcas regionais e possui licenças de longo prazo para as marcas globais da Kimberly-Clark, incluindo Kleenex, Cottonelle, Scott, WypAll, Viva e Kimberly-Clark Professional.
          A Suzano, que anunciou em meados de 2025 a aquisição de uma participação de 51% nas operações globais de *tissue* da Kimberly-Clark fora dos EUA, detém o controle acionário da nova empresa. A Kimberly-Clark detém os 49% restantes.
          A transação reforça a estratégia da Suzano de ampliar as vendas de celulose. Como parte de sua estratégia de substituir a celulose de fibra longa (*softwood*) pela de fibra curta (*hardwood*), a Suzano planeja acelerar a adoção de fibra curta pela Arbex, segmento no qual a empresa brasileira possui vantagem competitiva.
          A Suzano já era a fornecedora exclusiva de celulose de fibra curta para todas as operações da Kimberly-Clark. Com a nova estrutura, ela permanecerá como fornecedora exclusiva por tempo indeterminado para os negócios agora incorporados à Arbex. "Na fabricação de produtos como papel-toalha e papel higiênico, é possível utilizar entre 70% e 100% de celulose de fibra curta, sendo o restante composto por fibra longa. Essa transição agora ganhará velocidade, pois passamos a operar as máquinas que antes pertenciam ao negócio internacional da Kimberly-Clark", explicou Beto Abreu, CEO da Suzano. A Arbex agora engloba a produção e as vendas da Kimberly-Clark de produtos como papel higiênico, guardanapos, papel-toalha e lenços faciais fora dos Estados Unidos. A transação também transfere para a nova empresa 22 unidades fabris distribuídas por 14 países na Europa, Ásia, Oriente Médio, América do Sul, América Central, África e Oceania.
          A Suzano assumiu formalmente o controle da nova empresa em 1º de julho de 2026, após pagar US$ 1,3 bilhão por sua participação de 51%. Ao anunciar a transação, as parceiras divulgaram que a Suzano teria a opção de adquirir os 49% restantes a qualquer momento, utilizando o mesmo múltiplo de avaliação — 6,5 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) — que determinou o preço de compra original.
          Abreu afirmou que os ganhos de eficiência previstos no plano de negócios da Arbex virão principalmente da redução de custos fabris e administrativos, do desenvolvimento de fornecedores regionais e da otimização da cadeia de suprimentos. "Temos muitas ferramentas e tecnologias que podem gerar ganhos significativos em logística, em toda a cadeia de suprimentos e no processo de distribuição, desde as fábricas da Arbex até os clientes em 70 países", disse.
          Para a Suzano, a decisão da Kimberly-Clark de desinvestir parte de suas operações internacionais reflete a confiança de que a empresa brasileira pode extrair maior valor desses ativos.
          A liderança da nova empresa combina executivos de ambas as parceiras. Ehab Abou-Oaf, que já chefiava as operações internacionais agora integradas à Arbex, permanece como CEO. Luís Bueno, anteriormente vice-presidente executivo de bens de consumo da Suzano, assume o cargo de diretor de operações (COO), enquanto Oscar Mousinho, ex-diretor financeiro (CFO) da divisão de nutrição animal da Mars, assume a posição de CFO.
          Analistas do Citi afirmaram que a criação da Arbex marca um marco para a Suzano, dado o porte do investimento. Eles disseram que os investidores provavelmente focarão agora na capacidade da empresa de recompor a geração de caixa e esperam que os volumes operacionais da Arbex comecem a ser consolidados nos resultados da Suzano a partir do terceiro trimestre (2026).
(Fonte: Valor - 02.07.2026)

26 de jun. de 2026

CazéTV


          A CazéTV existe desde 2019, quando Casimiro Miguel resolveu criar conteúdo em suas próprias redes. Foi em 2022 que o canal saiu do nicho com a transmissão de jogos da Copa do Mundo. Em 2024, cobriu a Olimpíada de Paris com expertise nativa digital que os canais tradicionais não tinham. Em 2025, transmitiu a Copa do Mundo de Clubes. A Fifa ficou tão satisfeita com os resultados que confirmou a parceria para a Copa do Mundo de 2026, com direitos a todos os 104 jogos.
          A Globo, o maior conglomerado de mídia, transmite a Copa do Mundo no Brasil desde 1970. Construiu gerações de narradores, criou rituais de audiência, transformou o jogo em produto televisivo com uma consistência que nenhuma outra emissora do país chegou perto de replicar. No sábado, dia 20 de junho de 2026, pela primeira vez em décadas, não foi ela que dominou a conversa sobre a estreia do Brasil no torneio. Foi um canal do YouTube fundado por um streamer de 28 anos que começou transmitindo jogos de videogame.
          A transmissão do empate entre Brasil e Marrocos pela CazéTV registrou pico de 12,7 milhões de aparelhos conectados simultaneamente no YouTube, o maior número já registrado por uma transmissão de futebol na plataforma em todo o mundo. O mercado de mídia esportiva brasileiro mudou de endereço, e a mudança foi confirmada com um recorde que não deixa margem para interpretação.
          O número de sábado, dia 20 de junho de 2026, não nasceu no sábado. É construção sistemática de capacidade, ativo por ativo,evento por evento, até chegar ao maior torneio do planeta com credencial técnica e audiência instalada que nenhuma emissora tradicional construiu dessa forma. Isso é ótimo para quem acha que abrir um negócio significa ter resultado da noite para o dia.
          O feito colocou a empresa acima de transmissões históricas do YouTube, incluindo eventos fora do esporte. Esse dado não é curiosidade de trivia. É o mapa mais preciso de onde está a atenção do público jovem global em 2026. Não no cabo. Não no satélite. No telefone que está sempre no bolso,
na plataforma que não cobra assinatura e no formato que permite comentar, reagir e compartilhar no mesmo gesto. O que foi feito com a Copa do Mundo em quatro anos é o manual mais preciso de como um produto digital desafia um incumbente sem precisar derrubá-lo. Não competiu frontalmente.
Escolheu o território que a Globo não dominava, o digital nativo, e foi construindo presença,
credibilidade e audiência nesse território até o momento em que o maior evento do planeta chegou, e o território que ele havia construído era exatamente onde a audiência mais jovem queria estar. O recorde de 12,7 milhões dedispositivos simultâneos não foi resultado de um dia. Foi resultado de uma decisão tomada em 2019 de construir no lugar certo antes de todo mundo entender que era o lugar certo.
          Em 24 de junho de 2026, a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, abriu uma investigação preliminar sobre a CazéTV para apurar a veiculação de publicidade de bets durante as transmissões da Copa do Mundo. A averiguação preliminar é a fase investigativa que antecede um eventual processo administrativo sancionador.
          A decisão consta em despacho assinado pelo diretor substituto do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, Daniel Amaral Nunes Carnaúba. Segundo o documento, a apuração teve origem em registros audiovisuais que mostram ações promocionais de operadoras de apostas online inseridas nas transmissões esportivas do canal de streaming, comandado por Casimiro Miguel e detentor dos direitos de exibição de todos os 104 jogos do Mundial no YouTube.
          O despacho descreve três episódios. Em um deles, exibido durante a parada para hidratação da partida entre Inglaterra x Gana, a Senacon aponta publicidade de uma empresa de bet em que o narrador incentiva os espectadores a "colocar a paixão em jogo", orientando o acesso ao site da operadora ou a um QR Code na tela, além de divulgar uma oferta promocional exclusiva ligada ao jogo.
          No segundo registro, durante a partida Argentina x Áustria, o órgão do Ministério da Justiça aponta o anúncio de cotações turbinadas — quando a casa aumenta o valor que paga ao apostador que acerta, de três para quatro vezes o que foi apostado —, com comentaristas da CazéTV destacando que a plataforma ofereceria uma "segunda chance", o que, segundo a secretaria, reforçaria a atratividade da oferta e estimularia a aposta imediata.
          No terceiro, referente a Uruguai x Cabo Verde, o despacho cita ação de outra operadora de bet que associa a paixão do brasileiro pelo futebol à prática de apostas.
          Investigar um só canal é pouco diante da presença ostensiva das bets na mídia. O Estado tem de impor restrições amplas e compatíveis com os males sociais provocados pela jogatina.
          Precisou da Copa do Mundo para políticos descobrirem: a CazéTVfaz propaganda de bet!
Em ano eleitoral, sem coincidência alguma, alguns deles resolveram subir no palanque para bradar contra as casas de apostas. 
          A Cazé fala em bet o tempo todo, coloca odds na tela, promove a aposta turbinada do segundo tempo. É tudo verdade. Mas ela não é a única a levantar essa bandeira. Globo, SBT e NSports, todas detentoras da transmissão da Copa de 2026, têm anunciantes do segmento de bets. Elas incentivam o consumo desse tipo de entretenimento e se financiam a partir dessas verbas publicitárias. Uma curiosidade do mercado tem recebido menos atenção dos críticos. As maiores emissoras são, elas mesmas, donas de casas de apostas. A Globo montou uma joint venture com a MGM, um cassino
de Las Vegas, para criar a BetMGM. O SBT anunciou a criação do Todos Querem Jogar, uma bet que teria outros produtos de entretenimento clássicos do canal, como o Show do Milhão.
          Em um aspecto ainda mais alarmante, o estudo O impacto das bets na educação superior, realizado pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), mostra que 34% dos jovens entre 18 e 35 anos que planejavam iniciar uma faculdade em 2025 adiaram a matrícula por causa de gastos com apostas. Isso representa quase 1 milhão de brasileiros fora do ensino superior.
(Fonte: OESP (Estadão) - 17.06.2026 / cnn - 24.06.2026  / OESP - 26.06.2026 - partes)

25 de jun. de 2026

Micron Technologies

          A Micron Technology é uma produtor americana de memória de computador e armazenamento de dados de computador, incluindo memória dinâmica de acesso aleatório, memória flash e unidades flash USB.
          Foi fundada em Boise, Idaho, em 1978 por Ward Parkinson, Joe Parkinson, Dennis Wilson e Doug Pitman como uma empresa de consultoria de design de semicondutores. O financiamento inicial foi fornecido pelos empresários locais de Idago, Tom Nicholson, Allen Noble, Rudolph Nelson e Ron Yanke. Posteriormente, recebeu financiamento do bilionário Idaho JR Simplot, cuja fortuna foi feita no negócio da batata. Em 1981, a empresa mudou da consultoria para a fabricação com a conclusão de sua primeira unidade de fabricação de wafer ("Fab 1"), produzindo chips DRAM de 64K.
          Em 1984, a empresa abriu o capital.
          Em 1994, o fundador Joe Parkinson se aposentou como CEO e Steve Appleton assumiu como presidente do conselho, presidente e CEO.
          Uma fusão de 3 vias em 1996 entre ZEOS International, Micron Computer e Micron Custom Manufacturing Services (MCMS) aumentou o tamanho e o escopo da empresa; isso foi seguido rapidamente com a aquisição da NetFrame Systems em 1997, em uma tentativa de entrar na indústria de servidores de médio porte.
          Em 2000, Gurtej Singh Sandhu e Trung T. Doan da Micron iniciaram o desenvolvimento de filmes high-k de deposição de camada atômica para dispositivos de memória DRAM. Isso ajudou a impulsionar a implementação econômica de semicondutor de memória, começando com DRAM de nó de 90mm. O padrão duplo de pitch também foi pioneiro por Gurtej Singh Sandhu na Micron durante os anos 2000, levando ao desenvolvimento de memóia flash NAND de classe 30mm  e, desde então, foi amplamente adotado por fabricantes de flash NAND e memória RAM no mundo todo.
          Em 2005, a Micron e a Intel criaram uma joint venture com base em IM Flash Technologies em Lehi, Utah. As duas empresas formaram outra joint venture em 2011, IM Flash Singapore, em Singapura. Em 2012, a Micron tornou-se proprietária exclusiva desta segunda joint venture.
          Em 2006, a Micron adquiriu a Lexar, fabricante americana de produtos de mídia digital.
          Nova mudança de liderança ocorreu em junho de 2007, com o COO Mark Durcan se tornando presidente.
          Em 2008, a Micron converteu a fábrica de chips Avezzano, anteriormente uma fábrica de DRAM da Texas Instruments, em uma instalação de produção para sensores de imagem CMOS vendidos pela Aptina Imaging.
          Em 2008, a Micron desmembrou Aptina Imaging, que foi adquirida pela ON Semiconductor em 2014. A micron manteve uma participação na cisão. A empresa principal sofreu contratempos, no entanto exigindo demissões de 15 por cento de sua força de trabalho em outubro de 2008, período durante o qual a empresa também anunciou a compra da participação de 35,6% da Qimonda na Inotera Memories por 400 milhões de dólares. A tendência de demissões e aquisições continuou em 2009 com a demissão de 2.000 funcionários adicionais, e a aquisição da empresa de microdisplay FLCOS Displaytech. A Micron concordou em comprar a Numonyx, fabricante de chips flash, por US$ 1,27 bilhão em ações em fevereiro de 2010.
          Em 3 de fevereiro de 2012, o CEO, Steve Appleton, morreu em um acidente de um pequeno avião da Lancair em Boise, Idaho. Mark Durcan substituiu Appleton como o CEO e, logo em seguida, eliminou seu antigo título de presidente.
          Em 2013, a fábrica de chips Avezzano foi vendida para a LFoundry.
          No período de 2012-2014, a Micron novamente passou por um ciclo intenso de aquisições, tornando-se o acionista majoritário da Inotera Memories, adquirindo a Elpida Memory por US$ 2 bilhões e as ações restantes na Rexchip, uma empresa de fabricação de chips de memória para PC entre a Powerchip e Elpida Memory por $ 334 milhões, ao anunciar planos para demitir aproximadamente 3.000 trabalhadores. Por meio da aquisição da Elpida, a Micron se tornou a principal fornecedora da Apple para iPhone e iPad.
          Em dezembro de 2016, a Micron concluiu a aquisição dos 67% restantes da Inotera, tornando-a uma subsidiária 100% da Micron.
          Em abril de 2017, a Micron anunciou Sanjay Mehrotra como novo presidente e CEO para substituir Mark Durcan.
          Em junho de 2017, a Micron anunciou que estava desecontinuando o negócio de armazenamento de mídia removível de varejo da Lexar e colocando alguns ou todos à venda. Em agosto daquele ano, a marca Lexar foi adquirida pela Longsys, uma empresa de memória flash com sede em Shenzhen, China.
          Em 5 de dezembro de 2017, a Micron processou os rivais United Microelectronics Corporation e Fujian Jinhua Integrated Circuit Co. (JHICC) no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia, alegando violação de suas patentes de DRAM e direitos de propriedade intelectual.
          Em maio de 2018, a Micron Technology e a Intel lançaram a memória QLC NAND para aumentar a densidade de armazenamento.
          Em fevereiro de 2019, o primeiro cartão microSDF com capacidade de armazenamento de 1 terabyte (TB) foi anunciado pela Micron.
          Em setembro de 2020, a empresa apresentou a solução de memória gráfica discreta mais rápida do mundo. Trabalhando com a líder em tecnologia de computação NVIDIA, a Micron estreou o GDDR6X nas novas unidades de processamento gráfico (GPUs) NVIDIA GeForce RTX 3090 e GeForce RTX 3080.
          Em novembro de 2020, a empresa lançou um novo chip NAND 3D de 176 camadas. Ele oferece latência de leitura e gravação aprimorada e está programado para ser usado na produção de uma nova geração de drivers de estado sólido.
(Fonte: Wikipédia)

22 de jun. de 2026

Grupo Prime

          O Grupo Prime, dono da Prime Agro Produtos Agrícolas, foi fundado em 2013 em Toledo (PR) pelos irmãos Paulo José e Luiz Eduardo Montans Braga. O grupo atua em torno de agricultura sustentável, manejo biológico, regeneração de solo, monitoramento técnico e desenvolvimento produtivo de cultivos e criações.
          Em 16 de junho de 2026, o grupo pediu recuperação judicial na Justiça do Paraná e informou passivo total de R$ 790,2 milhões, segundo documentos do processo obtidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
          O pedido de recuperação envolve 11 requerentes ligados ao mesmo grupo econômico familiar: seis empresas e cinco produtores rurais. Além da Prime Agro, de Toledo, integram o processo Agropecuária Caiana, Juruá Participadora de Bens, Acaia Serviços Administrativos, Agropecuária Alterosa, Agropecuária Candeia e produtores da família Montans Braga.
          Na petição, o grupo diz que a crise foi provocada por uma combinação de endividamento financeiro elevado, aumento do custo do crédito, restrição de liquidez e piora das condições de mercado no agronegócio. A defesa cita, entre os fatores de pressão, a alta da Selic e do CDI, a queda dos preços de commodities agrícolas como soja e milho, eventos climáticos adversos, retração do crédito rural e ciclo de baixa da pecuária.
          Segundo o grupo, parte relevante das obrigações foi assumida em um período de expansão operacional. Esse movimento passou a pressionar o fluxo de caixa quando as receitas foram afetadas pela piora das margens no campo e pelo encarecimento das dívidas. A defesa afirma que a crise é financeira e conjuntural, não operacional, e que a recuperação judicial é necessária para reorganizar o passivo e alongar as obrigações.
          Do total das dívidas reconhecidas pelo grupo, R$ 397 milhões são créditos sujeitos à recuperação judicial e R$ 394 milhões aparecem listados como extraconcursais, categoria que reúne obrigações que, em regra, não entram automaticamente no plano de pagamento aos credores.

A maior parte da dívida sujeita à recuperação está na classe dos credores quirografários, aqueles sem garantia real, com R$ 282 milhões distribuídos entre 311 credores. A classe de garantia real soma R$ 106,1 milhões e tem apenas um credor listado: o Banco do Brasil. Os créditos trabalhistas e acidentários somam R$ 2 milhões, enquanto microempresas e empresas de pequeno porte aparecem com R$ 6,5 milhões.
          Na parte extraconcursal, o maior credor indicado é o Prime Agro Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, com R$ 190 milhões. Também aparecem o Santander, com R$ 36,8 milhões; Caixa Econômica Federal, com R$ 32 milhões; BTG Pactual, com R$ 19,9 milhões; Itaú Unibanco, com R$ 16,4 milhões; Canal Companhia de Securitização, com R$ 16,3 milhões; Bradesco, com R$ 13,2 milhões; e Insumos Milênio/Terramagna Fiagro, com R$ 12,8 milhões.
          O grupo afirma no processo que a operação depende de fazendas, equipamentos, estrutura logística, veículos, caminhões e uma aeronave para manter atendimento técnico e comercial em áreas rurais. Por isso, pede que parte desses bens seja reconhecida como essencial à atividade, o que poderia impedir retirada ou apreensão durante o período de proteção judicial, caso o processamento da recuperação seja deferido. O processo ainda está em fase inicial.
Considerando números de junho de 2026, o grupo tem 263 funcionários e atende mais de 500 clientes em 20 estados.
(Fonte: Money Times (conteúdo Estadão - 19.06.2026)

20 de jun. de 2026

Centro de Tecnologia Canavieira - CTC

          O Centro de de Tecnologia Canavieira (CTC) se desmembrou da Copersucar em 2005. Cinco anos depois (2010) de se tornar independente, o CTC passou a congregar meia safra brasileira de cana com R$ milhões para pesquisa.
          Constituído como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), o centro poderia se transformar em uma sociedade anônima e recorrer a fontes de crédito do mercado, como ofertas de ações, emissão de dívida e sociedades estratégicas
          O CTC passou então a analisar os caminhos disponíveis para se reestruturar e ampliar a sua capacidade de financiamento.
          O número de associados disparou desde a independência, o que multiplicou a arrecadação e permitiu uma redução de 28% no valor de contribuição por associado. Em 2010 o orçamento foi de R$ 60 milhões, ante menos de R$ 20 milhões cinco antes. Eram 160 associados, sendo 143 usinas (eram 29 em 2005) e 17 associações de produtores de cana, que respondiam por cerca de metade da produção nacional.
          A necessidade de recursos e a chance de rentabilizar comercialmente as pesquisas do CTC decorre do avanço do centro, que passou a se aventurar em novos e mais complexos territórios da ciência. Além dos recursos dos associados, o centro usa dinheiro de agências de fomento à pesquisa e parcerias para ampliar a capacidade de desenvolvimento.
          Havia, em 2010, pelo menos três canas geneticamente modificadas em estudo avançado no instituto, por exemplo. A que devia ser lançada primeiro era a cana Bt,  resistente a insetos, que utiliza um gene da Dow Agrosciences.
          As outras duas canas transgênicas utilizam genes descobertos pelo CTC. Um delas seria tolerante à seca e a outra terá maior teor de açúcar por tonelada.
          O CTC também passou a utilizar uma tecnologia de marcadores moleculares, que determina quais genes respondem por quais características na planta. Aplicada nos programas de melhoramento genético desde 2008, a tecnologia reduz o tempo de desenvolvimento de uma nova variedade, já que não é preciso esperá-la crescer para saber se tem ou não determinada característica - basta analisá-la usando os marcadores para saber se ela apresenta os genes da função desejada.
          Na área industrial, as meninas dos olhos do centro, em 2010, eram a planta piloto de produção de etanol a partir da celulose do bagaço de cana e o projeto de colheita e aproveitamento industrial da palha da cana, que era deixada no campo. A fabricante de máquinas agrícolas New Holland era parceira no projeto.
(Fonte: jornal Brasil Econômico - 28.07.2010)

19 de jun. de 2026

Vitao Alimentos

          A Vitao Alimentos se considera pioneira no mercado de produtos integrais. Foi criada em 1988 na Cidade Industrial de Curitiba e, nessa época, fabricava apenas farinhas, grãos, sementes e cereais voltados a dietas macrobióticas. A Vitao pertence `Nutrhouse Alimentos.
          O nome foi criado com base no taoísmo, na qual Vitao significa "o caminho da vitalidade com equilíbrio".
          Em 1991, a empresa iniciou a produção de biscoitos integrais. Essa nova frente de negócios fez muito sucesso com o público o que motivou a companhia a ampliar o portfólio, que passou a contar com cookies, granolas, snacks e chocolates.
          Em 2007, a oferta de delícias cresceu ainda mais, com o início da fabricação de doces sem adição de açúcar, como cocadas, leite condensado, geleias e doces de leite.
          A Vitao conta com uma linha completa de produtos para proporcionar às pessoas opções saudáveis e saborosas do café da manhã ao jantar.
          Em fins de julho de 2010, a Nutrhouse concluiu a compra da fabricante mineira de doces Delakasa. A Doces Delakasa é fabricante de doces de frutas, doces de leite e doces de ovos, totalizando 60 itens sendo que 35 são diet (sem adição de açúcar).
          Doces e chocolates zero, grãos e cereais,, quinoa e food service, também estão em seu portfólio da Vitao.
          A Vitao e a Delakasa iriam atuar separadamente na produção, mas de maneira compartilhada na distribuição.
(Fonte: site da empresa / jornal Brasil Econômico - 28.07.2010 - partes)

18 de jun. de 2026

UFE

          A história da UFE começa em 1922, quando o imigrante João Lobarinhas fundou na então capital do país, Rio de Janeiro, a União Fabril Exportadora - UFE, fabricante de sabão em pedra marmorizado portuguêz. Lobarinhas ve três filhas, mas foram os seus respectivos genros que fizeram a empresa crescer a ponto de torná-la referência nacional de produto, com marcas como UFE e Rio.
          Depois da morte dos homens de negócio da família, por volta de 1993, o comando da UFE foi entregue a executivos do mercado financeiro, que dotaram estratégias equivocadas. O faturamento anual em 2008 de R$ 100 milhões da companhia equivalia a um quinto da sua receita no passado.
          Desde 2005, porém, o mais novo dos netos de Lobarinhas - João Lobarinhas Carneiro, então com 67 anos - voltou ao comando para preparar a venda da UFE.
          No início de dezembro de 2008, é efetuada a venda para a Rosatex, de Guarulhos (SP), fundada em 1973, pertencente ao grupo Gtex. A Rosatex tinha faturamento semelhante ao da UFE, por volta de R$ 100 milhões. A Rosatex é dona das marcas Urca e Amazon. A UFE tinha uma planta que desativada havia dois anos e seria feito investimento para o lançamento de uma nova marca de sabonetes, a Double Hydrate.
          A aquisição envolve também a maranhense Oleama, que produz óleo de babaçu, matéria-prima para a indústria de sabão em pó. Entre os clientes da Oleama, estavam algumas das maiores empresas do setor de limpeza: Unilever, Procter & Gamble e Química Amparo.
          No momento da efetivação do negócio (dezembro de 2008), a Rosatex tinha 500 funcionários, fábricas em Guarulhos, Cuiabá e Recife, e suas marcas eram Urca, Amazon H20 e Summer. Seus principais produtos eram sabão em pó e lã de aço., com faturamento de R$ 100 milhões. A UFE tinha 700 funcionários, fábricas no Rio de Janeiro e em São Luís. Sabão em pedra era seu carro chefe, com as marcas UFE, Rio, Cristal, Ruth, Polar, Real e União. Seu faturamento era equivalente ao da Rosatex, R$ 100 milhões.
(Fonte: Valor - 02.12.2008)

Opportunity (gestora, ex-Banco Opportunity)

          A gestora Opportunity foi fundada em 1994 como banco pelo empresário baiano Daniel Dantas, sua irmã Verônica e Dorio Ferman.
          O Opportunity conta com mais de 230 veículos de investimentos registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de acordo com levantamento feito pelo InvestNews.
          A presença do Opportunity em grandes negócios vem de longa data. Nos anos 1990, pouco após sua criação, a casa fundada pelos irmãos Dantas e por Ferman esteve em três leilões emblemáticos das privatizações que marcaram o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
          Em maio de 1997, integrou o Consórcio Brasil, que arrematou o controle da então Vale do Rio Doce (hoje Vale), ao lado de CSN, do fundo de pensão Previ e do americano Nations Bank.
          Em setembro do mesmo ano (1997), liderou outro consórcio na compra do Tecon, no porto de Santos, por US$ 250 milhões. Os parceiros eram a Multiterminais, da família Klien, tradicional operadora carioca de logística portuária, e os fundos de pensão Previ, Sistel e Funcef. O ativo deu origem à Santos Brasil.
          Já em 1998, esteve presente no leilão da Telebrás, em que o consórcio comandado pelo Opportunity arrematou a operadora Tele Centro Sul, depois renomeada Brasil Telecom, por cerca de R$ 2 bilhões. A casa detinha apenas 3,3% do capital, mas controlava a gestão graças a um acordo de acionistas.
          Os anos 2000 foram um momento da ascensão mas também de controvérsias. O Opportunity iniciou a década em disputa com a sócia Telecom Italia. Os italianos entraram no capital da Brasil Telecom ainda em 1999 e brigaram com Dantas pelo controle da operadora em tribunais de São Paulo, Nova York e Milão, em meio a acusações cruzadas de espionagem.
          A tele italiana foi forçada a sair em 2005, o que abriu caminho para a fusão da Brasil Telecom com a Telemar, três anos depois, no acordo que criou a supertele Oi, uma das chamadas “campeãs nacionais” que marcaram os primeiros mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva na presidência (2003-2010).
          Em abril de 2008, o Opportunity tinha saído da Brasil Telecom com cerca de US$ 1 bilhão, no acordo que criou a Oi. Naquele momento, a casa administrava perto de R$ 18 bilhões em ativos, e Dantas era um dos nomes mais notórios do mercado financeiro.
          A ascensão foi interrompida em julho de 2008, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Satiagraha. Daniel Dantas foi preso duas vezes em três dias, solto em ambas por habeas corpus do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
          Nos meses seguintes, mais de R$ 4,5 bilhões em ativos do Opportunity foram congelados em contas no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, e mais de duas dezenas de fazendas da AgroSB, empresa agrícola da gestora, foram sequestradas pela Justiça. A submersão do Opportunity e de Dantas começou a partir desse momento.
          Quase três anos depois, em junho de 2011, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou a Operação Satiagraha integralmente, apontando que as interceptações telefônicas haviam sido feitas de maneira irregular. Em junho de 2015, o STF ratificou a decisão.
          Em fevereiro de 2016, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região arquivou a última ação penal e absolveu Daniel Dantas dos crimes que lhe eram imputados. Em julho daquele ano, a Justiça desbloqueou os R$ 4,5 bilhões. Nenhuma condenação contra ele transitou em julgado.
          Desde janeiro de 2015, o Opportunity passou a atuar como um gestora pura, após pedir para o Banco Central cancelar sua licença bancária. Naquele ano Daniel Dantas concedeu sua última entrevista conhecida, no Festival Piauí GloboNews de Jornalismo. Falou sobre o acordo de abril de 2008 que criou a Oi, no qual aceitou entregar o controle da Brasil Telecom.
          Para ele, a saída do comando da operadora encerraria as ações políticas e judiciais que sofria. Disse à plateia que entendia o acordo como a compra da própria paz, mas que, dois meses depois, foi preso na Satiagraha. Desde então, o ex-banqueiro, que hoje mora em Londres e completa 72 anos em 2026, não voltou a dar entrevistas.
          Na nova fase do Opportunity, a gestora passou a concentrar investimentos em empresas de serviços públicos, as chamadas utilities, além de educação básica. Três investimentos resumem o momento atual: Equatorial, PetroReconcavo e Grupo Salta.
          A Equatorial é a mais antiga das três. A elétrica foi criada em 1999 pela americana PPL Global para participar do leilão de privatização da Cemar, distribuidora maranhense em situação crítica, que arrematou no ano seguinte.
          Em 2004, foi reestruturada pela GP Investimentos e desde então se especializou em assumir distribuidoras estaduais com problemas operacionais, como Celpa (Pará), Cepisa (Piauí), Ceal (Alagoas) e Celg-D (Goiás). Mais recentemente, desde 2024, passou a investir em saneamento básico e conquistou o posto de acionista de referência de Sabesp e Copasa.
          Após a reestruturação, o Opportunity passou a investir na companhia, em que detém posição há mais de uma década, comprando ações periodicamente. Em entrevista à Exame em 2022, Dorio Ferman, um dos sócios fundadores, descreveu a Equatorial como um “exemplo de boa governança”.
          Em janeiro de 2025, a casa consolidou posição de 10,12% e se tornou a maior fatia individual da corporation, que tem ainda entre seus acionistas a gestora carioca Squadra, a americana BlackRock e um dos fundos soberanos de Singapura, o GIC.
          É na PetroReconcavo, porém, que a Opportunity tem mais protagonismo. Dona de 27,64% da petroleira independente criada em 1997 no Recôncavo Baiano, a casa está na empresa desde o início e divide a estrutura societária com a americana PetroSantander e o Grupo Perbras, da família fundadora Cintra Santos.
          O movimento mais recente foi em educação. Em novembro de 2025, a Opportunity comprou junto com a Gera Capital uma fatia de 26% que a americana Warburg Pincus detinha no Grupo Salta, maior conglomerado privado de educação básica do país, do qual já era investidora indireta, por meio de outros fundos. A transação avaliou a empresa em R$ 5,8 bilhões.
          Além das três posições principais, a Opportunity mantém 10,22% da Alupar, de transmissão de energia, e 3,93% da Energisa, distribuidora de energia que atua em 12 estados e atende cerca de 21 milhões de clientes, com forte presença no Centro-Oeste e no Norte do país.
          Ainda hoje a Opportunity segue com o trio Daniel Dantas, Verônica Dantas e Dorio Ferman à frente das principais decisões. Verônica responde pela área de gestão de fundos e ativos dos clientes, enquanto Ferman cuida dos investimentos do patrimônio próprio da casa, ao lado de Dantas.
          João Manoel Pinho de Mello, ex-diretor do Banco Central e um dos arquitetos do Pix, voltou ao Opportunity em 2023 e é um dos principais sócios da gestora, que tem hoje mais de R$ 117 bilhões em patrimônio, mais de seis vezes o que administrava na época da Satiagraha.
          Tiago Noel, o chefe do private equity da gestora, é hoje o principal representante do Opportunity em suas investidas. O executivo ocupa cadeira no conselho de administração da Equatorial e, desde março de 2026, preside o conselho da PetroReconcavo. Foi conselheiro da Sabesp até o início deste ano.
A casa mantém até hoje uma das maiores carteiras de equity do país, com posições em nomes como Energisa, na distribuição de energia, e Alupar, na transmissão. Está também envolvida no processo de recuperação judicial da Ambipar, da qual tornou-se uma das acionistas em 2023.
          Além do envolvimento em grandes investimentos, a gestora dos Dantas também realiza movimentos de saída.
          Em setembro de 2024, vendeu a fatia de 48% que tinha na Santos Brasil, da qual era acionista desde 1997: a dona do Tecon Santos, principal terminal de contêineres do país, foi vendida à francesa CMA CGM por R$ 6,3 bilhões, em uma das maiores transações do setor portuário dos últimos anos.
          A ascensão da Equatorial tem a digital do Opportunity, dono da maior fatia individual. – possui 10% da empresa, que opera como corporation, ou seja, sem um controlador definido. É hoje sua aposta de maior visibilidade pública, em uma fase low profile do Opportunity. Longe dos holofotes há mais de uma década, a gestora segue presente em algumas das maiores operações do mercado brasileiro.
(Fonte: InvestNews - 18.06.2026)

17 de jun. de 2026

SpaceX

          A SpaceX, fabricante de foguetes reutilizáveis, fornecedora de internet via satélite e 
desenvolvedora de inteligência artificial foi criada pelo bilionário Elon Musk.
          A fabricante de foguetes subverteu a lógica do setor espacial, historicamente dominado por programas de agências governamentais, como a americana Nasa. Criada em 2002, a SpaceX assinou o primeiro contrato com a Nasa em meados de 2006. Na época, a empresa recebeu financiamento para desenvolver aeronaves capazes de transportar cargas e tripulação à Estação Espacial Internacional (ISS). Hoje, a agência espacial depende da infraestrutura fornecida pela SpaceX para levar astronautas ao 
espaço.
          A SpaceX, de Elon Musk, pagará US$17 bilhões (R$92,07bil) para comprar licenças sem fio da operadora em dificuldades Echo Star Spectrum para fortalecer sua rede Starlink, abrindo caminho para a expansão de seus serviços nos EUA. A vendao corre após questionamento dos reguladores americanos sobre se o grupo estava cumprindo a obrigação de construir uma rede de telefonia móvel baseada em satélite 5G depois deter gasto bilhões de dólares na aquisição de licenças. O acordo prevê que a SpaceX pagará US$ 8,5 bilhões em dinheiro e os US$ 8,5bilhões restantes em suas próprias ações. A aquisição é vista como essencial para os esforços da SpaceX de expandir seu serviço de satélite Starlink, impulsionando sua cobertura de rede5G direta para celular através do acesso às chamadas licenças 
AWS-4 e H-block. Em agosto (2025), a EchoStar a vendeu licenças para a AT&T por US 23 bilhões.
          Em 2026, a companhia foi responsável por 73% dos lançamentos realizados pelos EUA. Nas últimas quatro décadas, mais da metade dos lançamentos orbitais americanos foi feita pela companhia, de acordo com dados da Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA). O projeto Artemis da Nasa, de retorno à Lua, por exemplo, tem a SpaceX como principal contratada. “No espaço, o Estado americano deixou de ser operador e virou cliente”, aponta Zanolla.. O governo dos EUA não é o único que observa de perto o crescimento da SpaceX. De acordo com Marcelo Cabral, estrategista-chefe e sócio-fundador da Stratton Capital, ex-CEO do Bradesco Europa e Nova York, a companhia é vista como sensível para a indústria de defesa em função do possível lançamento de satélites espiões e operação de sistemas de localização para agências de inteligência americanas. “A companhia baixou muito o custo dos lançamentos de satélites em órbita, pela eficiência e possibilidade de os foguetes voltarem.”
          A internet via satélite da SpaceX, a Starlink, também já demonstrou o impacto em guerras. De acordo com a agência de notícias Reuters, Musk teria “mandado” desligar o sinal de internet via satélite em uma região da Ucrânia durante uma operação contra a Rússia, frustrando a ofensiva militar.
          Elon Musk realizou a maior fusão da história. Duas empresas que ele controla, SpaceX e xAI, se uniram em uma transação totalmente em ações, criando uma gigante avaliada em US$ 1,25 trilhão. O acordo dá à xAI uma sobrevida financeira e permite que Musk construa data centers no espaço. A 
empresa resultante da fusão estaria considerando um IPO em junho de 2026.
          Em 11 de junho de 2026, a SpaceX levantou US$ 75 bilhões na maior oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da história.
          A SpaceX encerrou seu primeiro dia de negociação na Bolsa dos Estados Unidos, em 12 de junho de 2026 com alta de quase 20% em relação ao preço inicial, subindo de US$ 135 para US$ 161,11. Isso 
elevou o valor de mercado da empresa para US$ 2,1 trilhões.
          A IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) da SpaceX alcança um novo patamar na história da Nasdaq com a maior abertura de capital de todos os tempos. Estamos falando de uma avaliação de US$ 2,1 trilhões, com as ações sendo negociadas no primeiro dia na Bolsa a US$ 161.
          A SpaceX pretende aproveitar seu poderio financeiro para desenvolver satélites com inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o movimento deve impulsionar o capital político de uma companhia já conhecida pela capacidade de influenciar governos. “Empresas como a SpaceX e a Tesla, ambas de Elon Musk, movimentam uma quantidade de dinheiro tão grande que podem condicionar o mercado e eleger presidentes”, analisa André Sacconato, professor da Fundação Instituto de Pesquisas 
Econômicas (Fipe).
(Fonte: NY Times/ Reuters 07.02.2026 / Estadão - 12.06.2026 / 13.06.2026 - partes)

Copasa

          A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) encerrou seu processo de privatização movimentando nas duas fases de sua oferta secundária de ações (“follow on”) um montante de R$ 8,4 bilhões, que deve chegar aos cofres do governo do Estado, único vendedor das ações. Esta foi a segunda maior privatização do setor de saneamento no Brasil feita em Bolsa, atrás apenas da venda da Sabesp,
em 2024, que movimentou quase R$ 15 bilhões.
          A Equatorial Energia, que já é o maior acionista da Sabesp, passou a ser também o maior
acionista individual da Copasa, após arrematar 30% da oferta por R$ 5,6 bilhões em uma fase anterior na qual participou sem concorrentes. O governo mineiro tinha 50% da Copasa e, agora, passa a deter
5%; mas terá o poder de veto (“golden share”) em decisões.
          A privatização da Copasa era uma bandeira do governo Romeu Zema, mas só começou a ganhar força em setembro de 2025, quando começaram os trâmites no Legislativo mineiro. Desde então, a
empresa dobrou seu valor de mercado, chegando atualmente (junho de 2026) a R$ 21 bilhões. O valor arrecadado com a desestatização será usado para amortizar dívida bilionária que o Estado tem com o governo federal.
          A ação foi vendida a R$ 49,03, mesmo preço que a Equatorial Energia desembolsou pela fatia
na primeira fase do processo, e somente o lote-base, de 56,4 milhões de ações, foi vendido, movimentando R$ 2,8 bilhões.
          Houve uma demanda de mais de R$ 70 bilhões em ordens para a fatia de R$ 1,9 bilhão que foi
colocada à disposição de investidores institucionais. O lote extra de ações, que poderia aumentar a operação em quase R$ 1 bilhão, não foi vendido.
(Fonte: Estadão - 13.06.2026)

16 de jun. de 2026

Gestamp

          A Gestamp, fabricante espanhola de componentes automotivos, produz carrocerias e peças metálicas para chassis. No Brasil, estabeleceu operações em 1997, ano que marcou o início do processo de descentralização da indústria automotiva no país.
          Os fabricantes de grandes componentes, como os produzidos pela Gestamp, geralmente precisam se localizar próximos às linhas de montagem de veículos.
          No Brasil, seguiu a mesma estratégia de se localizar próximo às montadoras. Suas fábricas estão localizadas em São José dos Pinhais (Paraná), Gravataí (Rio Grande do Sul) e Betim (Minas Gerais), todos grandes pólos automotivos, bem como em Taubaté, Sorocaba, Santa Isabel e agora Piracicaba, no estado de São Paulo, que Riberas descreveu como “um importante pólo”. A cidade de São Paulo também abriga um dos 13 centros de pesquisa e desenvolvimento da Gestamp no mundo.
          O avanço da eletrificação e da conectividade está transformando o automóvel de diversas maneiras. Mas um carro sempre será um conjunto de peças que, juntas, devem proporcionar uma estrutura forte e segura. A nova dinâmica está forçando os fornecedores a desenvolverem componentes cada vez mais leves. Nesse contexto, a Gestamp inaugura em16 de junho de 2026 em Piracicaba, São Paulo, sua sétima fábrica no Brasil.
          Com investimento de R$ 200 milhões, as novas instalações somam 16,5 mil metros quadrados aos 300 mil metros quadrados de área construída que a multinacional vem desenvolvendo gradativamente desde que se estabeleceu no Brasil em 1997.
          A fábrica de Piracicaba funcionará com processos modernos e linha de produção de hot stamping, especialidade da Gestamp que permite redução de peso em componentes. “Precisamos reduzir o peso dos veículos para aumentar a autonomia e ao mesmo tempo proteger as baterias”, disse o CEO da Gestamp, Francisco Riberas. “O veículo do futuro combinará três atributos essenciais: leveza, segurança e sustentabilidade.”
          Segundo o executivo, “os veículos elétricos vieram para ficar e se tornarão a opção dominante no futuro, tanto no Brasil quanto no mundo”. Mas até que isso aconteça, acrescentou Riberas, “é essencial que a regulação avance no mesmo ritmo que a realidade industrial”.
          Na sua opinião, o ritmo da eletrificação dos veículos depende de diferenças regulamentares, incentivos industriais e subsídios de compra, bem como da infraestrutura de carregamento de baterias. A transição continua rápida na China, que aumentou a sua quota na produção global e “tornou o planeamento mais complexo tanto para os fabricantes de automóveis como para os fornecedores”.
          No Brasil, Riberas disse que após um período durante o qual o governo isentou os veículos híbridos e elétricos de direitos de importação para apoiar a descarbonização, “espera-se uma localização gradual da produção por parte das empresas chinesas”.
          “Já foram estabelecidas estruturas, incluindo requisitos de conteúdo local para autopeças, para que, a partir de 2027, a produção ocorra dentro do Brasil”, disse o executivo. Acompanhando de perto os planos das montadoras chinesas no país, Riberas disse que a tendência de localizar a produção dessas marcas “poderia criar oportunidades em toda a cadeia de abastecimento”.
          A demanda por automóveis no Brasil contrasta com a volatilidade e o declínio da produção observados na Europa, no Japão e nos Estados Unidos, disse Riberas. Ele expressou otimismo com as projeções dos consultores que indicam que até 2030 o Brasil, atualmente o oitavo maior produtor mundial de veículos, atingirá a produção anual de 3,2 milhões de veículos leves, 30% acima do nível de 2025.
          Para acompanhar essas projeções otimistas, a nova fábrica de Piracicaba foi projetada com espaço para expansão para até 40 mil metros quadrados e para crescimento do número de funcionários dos atuais 50 funcionários para 150, com potencial para chegar a 500. “As oportunidades aqui são significativas e estamos bem posicionados para aproveitá-las”, disse ele.
          A receita da operação brasileira acompanhou a expansão industrial da empresa. Nos últimos cinco anos, as receitas do país aumentaram 80%, atingindo 677 milhões de euros em 2025.
          Com receitas anuais globais de 11,34 bilhões de euros e uma força de trabalho de 42.400 funcionários, a empresa espanhola opera 115 fábricas em todo o mundo.
(Fonte: Valor - 16.06.2026)