Fundada em 2007, por Rafael Gois, a Fictor tem unidades no Brasil, Estados Unidos e Portugal. Entrou na B3 em 2024 e se destacou em 2025. A holding fez um "IPO reverso", um tipo de atalho para uma empresa chegar à Bolsa —no caso, a Fictor Alimentos adquiriu a Atom, uma pequena empresa de treinamento de traders negociada na B3, e alterou o escopo do negócio. Depois, assinou um contrato de patrocínio de R$ 30 milhões com o Palmeiras —o que fez as ações da empresa dispararem de R$ 15 milhões para R$ 140 milhões, apurou a colunista do UOL Mariana Barbosa.
A Fictor oferece um modelo de investimento que não é fiscalizado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Trata-se da SCP (Sociedade em Conta de Participação), um tipo de contrato previsto no Código Civil em que há um único sócio ostensivo (responsável pelo negócio, no caso um dos CNPJs da Fictor) e um número ilimitado de sócios participantes, que investem no negócio assumindo riscos.Desde 2021, Fictor captou R$ 1,6 bilhão com SCPs segundo levantamento do UOL. O modelo é legal, segundo advogados ouvidos pela reportagem, desde que sócios participantes sejam investidores qualificados, com amplo acesso a informações do projeto, inclusive contábeis. É irregular se a oferta é feita a um público não qualificado, com garantia de retorno fixo, mas sem transparência, o que pode caracterizar esquema de pirâmide.
A Fictor fez treinamento para assessores sobre SCPs, apurou o UOL. Assessores de investimentos, que recebem comissões por clientes captados, fizeram propaganda da Fictor, informou o portal Metrópoles em maio de 2025. "Por que SCP? Rentabilidade premium: Desfrute de retornos impressionantes, alcançando até 18% ao ano", diz o post de um dos assessores. Outro post, publicado em março de 2024, diz que a operação envolve commodities e entrega "adiantamentos de dividendos". "Vem pro Agro", diz.
Em 17 de novembro de 2025, uma proposta de compra do Master pela Fictor causa estranheza. Investigadores que atuam na operação que resultou na prisão de Daniel Vorcaro (presidente do Master) suspeitam que a proposta tenha sido uma espécie de simulacro para facilitar a fuga do banqueiro do país. Pessoas diretamente envolvidas nas apurações dizem que a ordem de prisão de Vorcaro foi assinada às 15h do dia 17. No mesmo dia, a Fictor divulgou que pretendia comprar o Master em conjunto com um consórcio formado por investidores dos Emirados Árabes Unidos. Junto a investidores dos Emirados Árabes, a empresa anunciou a compra do banco de Daniel Vorcaro, com um aporte de R$ 3 bilhões, em 17 de novembro. Vorcaro e o fundador da Fictor, Rafael Gois, estariam a caminho dos Emirados Árabes para selar o acordo. Vorcaro foi preso e, no dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Master.
Títulos podres inflaram capital da Fictor Invest. Reportagem do UOL revelou que a empresa usou o mesmo modus operandi do Master com os fundos da Reag: simular movimentações usando títulos podres do antigo Besc (Banco de Santa Catarina). O aumento de capital foi registrado em dezembro de 2021 no CNPJ da One Off, empresa de Luiz Phillippe Rubini, que era sócio da Fictor. Ele registrou um aumento de capital de R$ 30,9 milhões e, dois dias depois, a empresa alterou o nome para Fictor Invest.
(Fonte: Folha: 19.11.2025 / UOL - 11.01.2026 - partes)
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