Depois do Flamingo veio o Kashmir em 1996, boate que foi um sucesso. Em 1997, abri o Nakombi e o Bar MariaJoana. Depois, em 1998, veio o Espírito Santo que foi a primeira experiência com a cozinha ibérica. Então, em 2000, abrimos o Pharmacia, que foi um dos precursores da cozinha saudável orgânica em São Paulo. Em um segundo momento, Ipe Moraes vendeu em 2004 o MariaJoana, o Nakombi e o Kashmir, que eram sociedades com um outro grupo. Manteve o Espírito Santo e resolveu investir na cozinha ibérica que era o que realmente lhe dava prazer.
Foi em 2006 que abriram a Adega Santiago. Localizado na região oeste de São Paulo, no bairro do Jardim Paulistano, o Adega Santiago foi inaugurado em 2006 e reverencia a tradição das tabernas e tascas da Península Ibérica. A Adega tem como proposta reproduzir a atmosfera de pequenas casas ibéricas em um ambiente aconchegante e oferece culinária da fronteira entre o alentejo português e a estremadura espanhola, além de uma selecionada carta de vinhos da região.
Passados cinco anos, em 2011, foi criada a Taberna 474. Na sequência, em 2012, a segunda Adega no Cidade Jardim. Dois anos depois, a Casa Europa, que tem a cozinha voltada para a culinária italiana. Em 2016, a terceira Adega, na Mello Alves, e em 2019, a quarta Adega Santiago, no Rio. No caminho, vendemos, em 2009, o Espírito Santo, razão pela qual montamos, em 2011, a Taberna 474, que veio como uma atualização de conceito.
Para comandar mais de uma casa não tem segredo, segundo Ipe Moraes. É muito suor e parceiros que tenham o mesmo norte que você. Ou seja, parceiros: sócios, funcionários e fornecedores.
Para Ipê Moraes, quem quer ser dono de um restaurante não deve cair na ilusão de que é um ramo glamoroso. Ter um restaurante é um negócio como outro qualquer e que a sobrevivência e o sucesso dependem de seriedade, consistência e sempre pés no chão.
Luis Felipe Moraes explica a escolha para apostar na culinária ibérica: "Amo a simplicidade e a honestidade da cozinha ibérica. Sou um cara rústico, e gosto dessa caraterística de raiz. Acho que a cozinha ibérica navega no mar e na terra como nenhuma outra, não tem disfarce, é escancarada. Além disso, está no nosso sangue. Junta-se a isso a lacuna que essa cozinha tinha antes da chegada da Adega Santiago. Havia o Antiquarius e o A bela Sintra, estreladíssimos e sofisticados, e as padarias e botequins de portugueses espalhados pelas esquinas da cidade. Nesse miolo faltavam a Taberna e a Adega.
A lembrança de Luis Felipe Moraes, de vez em quando o transporta para a pior noite da Casa Europa, que comprou e reabriu, após reforma assinada pelo arquiteto Carlos Motta, em 2013. Naquela fatídica noite, em 2015, seu irmão comemorava seu 50º aniversário. Ipê estava sozinho à mesa com o pai, Luis Antônio de Moraes, o Totó, então com 75 anos, quando este se levantou bruscamente para saudar a chegada de um amigo – e, ao mesmo tempo, engasgou com o pedaço de carne recém ingerido.
(Fonte: Prazeres da Mesa (Ricardo Castilho) - 30.04.2020 / Veja SP - outubro 2022 / baressp.com / Prazeres da Mesa (Ricardo Castilho) - 30.04.2020 / A.A. Notícias - 07.04.2023 - partes)
Nenhum comentário:
Postar um comentário