Cofundada pela brasileira Luana Lopes Lara, a Kalshi, com sede em Nova York, se consolidou como uma das principais plataformas de mercados preditivos do mundo (plataforma que negocia apostas sobre eventos futuros). Autodenominada uma "nerd de matemática", sua aptidão para os números — que rendeu a Luana até uma medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia — a levou para o MIT (Massachusetts Institute of Technology).
O nome "Kalshi" significa "tudo" em árabe.
Lá, graduou-se em Ciência da Computação e Matemática e conheceu Tarek Mansour, com quem fundou a Kalshi em 2018, quando tinha apenas 22 anos e ainda estava na faculdade.
Natural de Joinville (SC), Luana Lopes Lara cresceu dividindo o tempo entre sapatilhas e equações. Na juventude, a jovem estudou balé na renomada Escola do Teatro Bolshoi no Brasil.
Antes de empreender, no entanto, Luana validou suas teses no mercado financeiro tradicional. Ela acumulou experiência operando nas mesas de grandes instituições de Wall Street e fundos quantitativos, com passagens pela Citadel, Bridgewater e Five Rings Capital.
Diferente das casas de apostas tradicionais, a empresa permite negociar contratos sobre eventos futuros — de recessão nos Estados Unidos à premiação do Oscar — com licença oficial da CFTC, órgão regulador de derivativos dos Estados Unidos.
A Kalshi opera como uma bolsa de contratos de eventos. Os usuários compram e vendem contratos baseados em perguntas de “sim” ou “não” sobre acontecimentos mensuráveis. O preço de cada contrato varia entre US$ 0 e US$ 1, refletindo a probabilidade de o evento ocorrer segundo o mercado.
Se o evento se concretiza, o contrato paga US$ 1; se não, vale US$ 0. A lógica permite que investidores usem os contratos como hedge contra riscos macroeconômicos ou políticos.
A Kalshi movimentou US$ 5,8 bilhões em volume negociado apenas em novembro, segundo o site especializado The Block. O número representa um crescimento de 32% em relação a outubro. A expansão é puxada pela entrada da empresa no segmento de apostas esportivas complexas (parlays), que já responde por 80% do volume.
Com o crescimento, a empresa tornou-se um player relevante também frente às tradicionais plataformas de apostas esportivas, como DraftKings e FanDuel, que agora estudam entrar no setor de prediction markets,
Em 3 de dezembro de 2025, a Kalshi anunciou uma rodada Série E de US$ 1 bilhão, que mais que dobrou seu valor de mercado para US$ 11 bilhões, cerca de R$ 58,6 bilhões na cotação atual. Entre os investidores estão Paradigm, Sequoia Capital, Andreessen Horowitz, ARK Invest, CapitalG (Google), Meritech, IVP e Y Combinator.
Com a rodada, Luana e o cofundador Tarek Mansour tornaram-se bilionários no papel, com participações entre 20% e 25% da empresa, segundo fontes com conhecimento da estrutura societária.
Apesar do crescimento acelerado e do aumento exponencial no volume de negociações, a Kalshi enfrenta obstáculos no campo regulatório. A principal disputa gira em torno da classificação jurídica da plataforma: enquanto a empresa se define como um mercado de derivativos regulamentado, autorizado pela CFTC dos Estados Unidos, autoridades estaduais argumentam que suas operações se enquadram como apostas esportivas e comerciais, sujeitas às legislações locais de jogos.
Na última semana de novembro de 2025, a Kalshi sofreu um revés judicial após uma decisão federal determinar que a empresa deve obedecer às regras da comissão de jogos do estado de Nevada.
A empresa discorda da decisão e já anunciou que pretende recorrer, alegando que sua atividade principal é financeira, e não recreativa, sendo comparável ao mercado de futuros de commodities.
Segundo a direção da empresa, submeter a Kalshi à regulação estadual de jogos inviabilizaria parte do modelo de negócios, além de criar conflitos jurídicos com a regulação federal já existente. A disputa ilustra os desafios legais enfrentados por plataformas inovadoras que operam na interseção entre tecnologia, finanças e comportamento de massa — especialmente em setores onde a fronteira entre aposta e derivativo ainda é alvo de interpretações distintas.
A Kalshi prepara novos produtos, parcerias com corretoras e a entrada em mercados internacionais. Uma dessas parcerias, segundo fontes ouvidas pelo New York Times, deve ser anunciada com a CNN. A empresa também negocia com instituições financeiras para permitir que seus contratos sejam negociados como ações, com maior liquidez e acesso.
Hoje atuando como COO (Diretora de Operações) da Kalshi, a executiva lidera a estratégia de uma empresa que movimenta mais de US$ 1 bilhão por semana.
Em 24 de abril de 2026 é publicada uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), que proíbe o funcionamento dos chamados “mercados de previsão” para esportes, eleições e outros eventos reais. A decisão inviabiliza empresas que são criticadas por funcionarem como bets sem que sejam submetidas às mesmas exigências e regulações dos portais de apostas. As empresas mais impactadas pela decisão do CMN são a Kalshi e a Polymarket, que vêm ganhando notoriedade popularidade no chamado mercado preditivo e tentavam entrar no mercado brasileiro. O governo informou que determinou o bloqueio das operações de 27 empresas, ao todo.
Durante a Copa (considerando números até o início da 2ª fase, a "mata-mata"), a Kalshi chegou a registrar volume diário de US$ 1,6 bilhão (R$ 8,8 bilhões), o maior de sua história e bem acima da média diária de US$ 1 bilhão (R$ 5,5 bilhões) observada antes do início do Mundial. De olho no potencial das apostas esportivas, a empresa anunciou na última semana uma parceria oficial com a FIFA, graças a um acordo firmado com a atual parceira de mercados de previsão da Copa, a ADI Predictstreet.
(Fonte: Exame - 03.12.2025 / Estadão - 24.04.2026 - partes)
Versão II
A startup de mercado de previsões Kalshi foi fundada em 2018 por Tarek Mansour e Luana Lopes Lara, colegas de MIT, como uma bolsa financeira em que usuários negociam contratos de “sim” ou “não” relacionados ao resultado de eventos reais — de eleições e decisões do Federal Reserve a jogos da NFL.
A Kalshi é uma plataforma de mercado preditivo na qual usuários apostam na probabilidade de eventos do mundo real acontecerem.
Os dois cofundadores da Kalshi, Mansour e Lopes Lara, ambos de 29 anos, possuem cada um
aproximadamente 12% da empresa.
Depois de mais de dois anos em um limbo regulatório, a empresa recebeu aprovação da Commodity Futures Trading Commission em novembro de 2020, tornando-se a primeira bolsa de contratos de eventos regulamentada federalmente nos Estados Unidos. A plataforma foi lançada oficialmente em julho de 2021.
A Kalshi ganhou força em 2024, quando uma decisão judicial federal abriu caminho para que a empresa oferecesse contratos ligados às eleições pouco antes da disputa presidencial americana, provocando um salto no volume negociado. Desde então, o crescimento foi impulsionado pela forte
expansão no segmento esportivo, que hoje representa mais de 70% da atividade da plataforma.
Embora inicialmente tenha conquistado principalmente investidores de varejo, especialmente apostadores esportivos, a companhia passou a focar cada vez mais na adoção institucional. O fundo Susquehanna International Group, do bilionário Jeff Yass, tornou-se market maker da Kalshi em abril de 2024, negociando e fornecendo liquidez aos mercados da plataforma.
Em dezembro de 2025, a Kalshi levantou US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) em uma rodada que avaliou a companhia em US$ 11 bilhões (R$ 55 bilhões), colocando Mansour e Lopes Lara pela primeira vez na lista de bilionários, com patrimônio estimado em US$ 1,3 bilhão cada (R$ 6,5 bilhões).
Luana Lopes Lara tornou-se a mulher bilionária self-made mais jovem do mundo em dezembro passado, quando a Kalshi captou US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) e sua avaliação quintuplicou em menos de seis meses, chegando a US$ 11 bilhões (R$ 55 bilhões).
Brasileira e ex-bailarina profissional, Luana estudou ciência da computação no MIT. Ela
ultrapassou Lucy Guo, da Scale AI, que havia tomado o título de Taylor Swift em abril de 2025.
A rodada bilionária da Kalshi em dezembro e a entrada de seus fundadores no clube dos bilionários ocorreram após o sucesso de sua principal rival: a Polymarket. O fundador solo da empresa, Shayne Coplan, de 27 anos, tornou-se um dos bilionários mais jovens do mundo em outubro de 2025, quando a Intercontinental Exchange — controladora da Bolsa de Nova York — investiu US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões) em sua companhia.
Em 7 de maio de 2026, a Kalshi anunciou que levantou US$ 1 bilhão em novo capital, o que dobrou seu valor de mercado e elevou a fortuna de seus dois cofundadores para US$ 2,6 bilhões (R$12,86 bilhões) em apenas seis meses, segundo fontes familiarizadas com a empresa.
A nova rodada de investimentos, realizada apenas seis meses após a primeira captação bilionária, foi liderada pela gestora Coatue, com participação de investidores como Sequoia Capital, Andreessen Horowitz, Morgan Stanley e a ARK Invest, de Cathie Wood.
A Kalshi informou que os novos recursos serão usados para atender à demanda crescente de instituições como hedge funds, tradings e seguradoras. A empresa quer expandir além do varejo e desenvolver produtos voltados para instituições financeiras tradicionais.
O volume anualizado de negociações mais que triplicou nos últimos seis meses, chegando a US$ 178 bilhões (R$ 890 bilhões), enquanto a receita anualizada ultrapassou US$ 1,5 bilhão em maio de 2026 (R$ 7,5 bilhões).
A popularidade crescente também se refletiu na avaliação da empresa, que saltou de US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões) em junho de 2025 para US$ 22 bilhões (R$ 110 bilhões) em maio de 2026.
Gestoras como a ARK Invest, de Cathie Wood, começaram a usar dados da Kalshi para embasar estratégias de investimento e solicitar novos mercados. A empresa também construiu uma ampla rede de parcerias: Robinhood e Coinbase oferecem mercados da Kalshi a seus usuários, enquanto CNN, CNBC e Fox Corporation utilizam dados da plataforma em suas reportagens.
Segundo a companhia, a Kalshi reúne 2 milhões de traders ativos por mês, responsáveis por mais de 90% da atividade do mercado preditivo nos Estados Unidos.
Considerando números de maio de 2026, a Kalshi está avaliada em US$ 22 bilhões (R$ 110
bilhões), segundo estimativas da Forbes.
(Fonte: msn - 07.05.2026)
Luana Lopes Lara