A Reag Investimentos foi fundada em 2012 e pertence ao empresário João Carlos Mansur, que também é conselheiro do time de futebol Palmeiras. No início, ela geria apenas recursos e fundos imobiliários.
Antes de ingressar no mercado financeiro, Mansur era um nome conhecido nos setores imobiliário e esportivo. Ele atuou como diretor na WTorre, onde ajudou a desenvolver o estádio Allianz Parque, casa do time de futebol Palmeiras.
A Reag Investimentos é uma das empresas acusadas pela Polícia Federal de ser ferramenta de lavagem de dinheiro pelo PCC (Primeiro Comando da Capital). A empresa possui os naming rights do antigo Cine Belas Artes, em São Paulo, entre uma série de negócios adquiridos e parcerias apenas nos últimos dois anos.
Em janeiro de 2024, a empresa passou a patrocinar o cinema Belas Artes e, três meses depois, o transformou oficialmente em Reag Belas Artes. Um dos mais antigos cinemas de rua da capital, fundado em 1943, ele é considerado patrimônio histórico do estado, mas foi reformulado também em centro cultural pela Reag.
Por volta de meados de 2023 a Reag iniciou um processo de expansão acelerada, com múltiplas aquisições, como as das casas de crédito Empírica e Quasar.
Em 2024, Mansur falou à revista Veja Negócios que não pretendia parar por aí. "O mercado está maduro para uma consolidação. A junção entre a necessidade de ganhar escala e o aumento das exigências regulatórias tem estimulado vários negócios", disse.
Entre 2023 e 2024, a Reag realizou 15 aquisições no setor de gestão de ativos, adicionando R$ 15 bilhões em ativos sob gestão e R$ 20 bilhões em patrimônio privado. A maior parte do total, R$ 180 bilhões, estava em fundos exclusivos e ilíquidos.
Também em 2024, a Reag finalizou a compra da GetNinjas (uma plataforma de contratação de serviços) e garantiu sua entrada na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. O processo foi realizado aos poucos, desde 2023, através da compra silenciosa de ações. Segundo informações da Folha, a CVM (Comissão de Valores Imobiliários) avaliou que a Reag demorou para deixar clara a intenção de que pretendia assumir a GetNinjas e abriu processo para apurar irregularidades…
Diante das incorporações, a Reag Trust (um braço da empresa) foi desmembrada em uma segunda "empresa-irmã", a Ciabrasf (Companhia Brasileira de Serviços Financeiros). Mansur também é presidente do conselho do novo negócio, que administra fundos e serviços fiduciários.
Até o fim de 2024, a Reag "engoliu mais empresas", entre elas a Berkana Patrimônio e a Hieron Patrimônio Familiar. Estas aquisições, segundo a própria Reag, a consolidaram nos segmentos de gestão de riquezas e de patrimônios, com "destaque pelo volume de ativos sob gestão"…
Em janeiro de 2025, a Reag Investimentos, que consolidou as áreas de gestão de ativos e patrimônio do grupo, estreou na B3 por meio de uma fusão reversa com a GetNinjas, empresa listada na bolsa, seguida de uma série de operações societárias.
Como parte da abertura de capital, a Reag Investimentos captou R$ 793 milhões e substituiu a GetNinjas — utilizada como "empresa de fachada" — pela nova empresa que abriga suas plataformas de gestão de ativos e patrimônio.
Em fevereiro de 2025, a CBSF DTVM também estava prestes a abrir seu capital na B3, após uma cisão da GetNinjas e um aumento de capital de R$ 421,3 milhões. Na época, a empresa possuía 700 fundos e cerca de R$ 240 bilhões em ativos. No início de 2024, esse valor havia subido para quase R$ 190 bilhões.
Em junho de 2025, a Reag fez uma oferta de R$ 500 milhões através de sua holding para criação da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Juventus de São Paulo. Os sócios aprovaram o investimento no clube, mas ele não é o único na mira da Reag, que também teria oferecido o mesmo valor para adquirir 90% da SAF do Vila Nova, segundo a Veja Negócios. Esta rapidez de crescimento chamava atenção na Faria Lima, segundo a revista, e comentava-se nos bastidores que "não se sabia mais qual o foco da gestora"… -
A Reag Investimentos passou a ser uma das principais gestoras de patrimônio do país e se define como a "maior independente", sem ligação com bancos. Considerando números de fins de agosto de 2025, ela possui cerca de R$ 299 bilhões sob sua administração, de acordo com o Ranking de Gestão da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
Em 28 de agosto de 2025, a Operação Carbono Oculto foi deflagrada pela Receita e outros órgãos. A investigação quer desmantelar um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Além de postos, estão na mira várias empresas envolvidas na cadeia de importação, produção e distribuição.
Por meio de comunicado aos acionistas e mercado, a Reag e a Ciabrasf confirmaram que foram alvos dos mandados de busca e apreensão da Operação Carbono Oculto. Elas informaram que "estão colaborando integralmente com as autoridades competentes". Ambas ainda garantiram que estão "fornecendo as informações e documentos solicitados" e que permanecerão "à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais"…
No início de setembro de 2025 a Reag Investimentos anunciou uma reestruturação, que, na prática,
leva à saída do fundador, João
Carlos Mansur. Segundo comunicado ao
mercado, Mansur negociou a
venda de sua participação por
meio de um MBO (Management Buyout), tipo de operação em que os gestores de uma
empresa compram o controle
da companhia em que trabalham, tornando-se seus proprietários.b A aquisição foi feita
pela Arandu Capital Holding,
detida pelos principais executivos da companhia.
O valor estimado da aquisição é de R$ 100 milhões.
Em 15 de janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., nova denominação social de Reag Trust Distribuidora de Títulos Valores Mobiliários S.A.. O ato foi assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e ocorre após diversas apurações de envolvimento da instituição financeira com atividades ilícitas, incluindo fraudes no Banco Master.
O liquidante, segundo o dispositivo, será Antonio Pereira de Souza, pela APS Servicos Especializados de Apoio Administrativo Ltda.
A empresa primeiro apareceu no foco das apurações no âmbito da operação Carbono Oculto, que investiga o envolvimento de fundos administrados pela Reag e vinculações com o crime organizado.
O BC também informou ao Ministério Público Federal uma série de operações fraudulentas sobre empréstimos concedidos pelo Banco Master a empresas com conexão com a Reag.
Em agosto de 2025, Mansur e seu grupo Reag passaram a ser alvo de escrutínio público, quando a Polícia Federal, a Receita Federal e o Ministério Público Federal lançaram uma grande operação visando vínculos entre o crime organizado e a economia formal. Os investigadores identificaram uma série de estruturas de fundos em cascata supostamente usadas para fins ilícitos. Dos 40 veículos listados na investigação, cerca de dez estavam sob o guarda-chuva do Reag Trust/CBSF.
Sete das 36 empresas que tomaram R$ 11,5 bilhões em empréstimos supostamente fraudulentos para desviar recursos do Banco Master têm na sua estrutura de controle fundos que eram administrados pela corretora.
Um fundo administrado pela Reag e envolvido no esquema de empréstimos suspeitos do Banco Master aportou recursos em outro fundo que, por sua vez, comprou ações do Banco de Brasília (BRB) em abril de 2025. O BRB fez uma proposta de compra de parte do Banco Master, de Daniel Vorcaro, pouco antes disso, no fim de março de 2025. O fundo Olaf 95 comprou cotas do Borneo FIP Multiestratégia e este montou posição no BRB a partir daquele mês. A informação foi publicada por O Globo. O Valor noticiou em junho de 2025 que o Borneo havia alcançado (em junho) participação de 4,5% do capital total do BRB e mais de 12% das ações preferenciais.
Considerando um panorama de junho de 2026, com o avanço das investigações envolvendo o Banco Master, a Reag e outras empresas citadas nas operações Carbono Oculto e Compliance Zero, parte do mercado segue monitorando quais estruturas financeiras permaneceram expostas ao ecossistema dos grupos.
Uma delas é a Qista: uma sociedade de crédito, financiamento e investimento autorizada pelo Banco Central (BC) e especializada em consignados para servidores públicos, onde a Reag chegou a ter, de forma indireta, 49% de participação. No fim de 2025, ela tinha aproximadamente R$ 1,3 bilhão em certificados de depósito bancário (CDBs) emitidos e cerca de R$ 221 milhões em letras financeiras subordinadas.
Documentos mostram que, mesmo após a saída societária do grupo de João Carlos Mansur, em novembro de 2025, ativos ligados ao antigo ecossistema da Reag continuaram presentes em estruturas relevantes da companhia.
Quem chamou atenção para essa exposição foi a Moody’s Local. No começo de junho (2026), a agência de classificação de risco rebaixou a nota de crédito da Qista de “BBB.br” para “BB-.br” e atribuiu a decisão ao aumento do risco de ativos anteriormente ligados ao universo da Reag. Segundo a agência, após a Operação Carbono Oculto, parte relevante dos fundos nos quais a Qista mantinha recursos perdeu liquidez. A Moody’s aponta ainda que a financeira criou, em dezembro de 2025, uma nova estrutura para consolidar ativos de fundos da Reag aos quais possuía exposição.
É nesse contexto que aparece uma movimentação bilionária identificada pela MoneyTimes: R$ 790 milhões pouco antes da liquidação. Documentos mostram que o fundo QISTA Cash Fundo de Investimento Multimercado, que concentra boa parte dos investimentos financeiros da companhia, registrou um salto patrimonial em 13 de janeiro de 2026. O patrimônio líquido passou de aproximadamente R$ 197 milhões para R$ 987 milhões.
No dia seguinte (14 de janeiro), a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que atingiu a Reag. Em 15 de janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Trust.
A operação ocorreu em meio a uma ampla reorganização das estruturas ligadas ao ecossistema da Reag e acabou por conectar, em uma mesma sequência temporal, a saída societária do grupo de João Carlos Mansur da Qista (onde era minoritário), a criação de um novo Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) e a posterior transferência dos fundos para a Planner Corretora, que também é investigada na Operação Compliance Zero.
Em 5 de janeiro de 2026, a B100, holding que controla a Planner Corretora, concluiu a aquisição da CBSF S.A., empresa listada em bolsa. No entanto, o negócio não incluiu a unidade da DTVM liquidada pelo Banco Central. O comprador adquiriu apenas a empresa listada em bolsa, que permanece sob o nome CBSF.
No caso Master, os reguladores do Banco Central identificaram suspeitas de fraude em transações financeiras realizadas por meio de veículos administrados pela CBSF DTVM. Um relatório enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU) apontou para transações suspeitas no valor de R$ 11,5 bilhões. A investigação centra-se na utilização de fundos para dispersar recursos em nome de laranjas ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Em maio de 2026, os fundos QISTA Cash e o QISTO passaram oficialmente para uma nova estrutura. A administração fiduciária foi assumida pela Planner Corretora e a gestão ficou com a Kumb Invest.
A Planner também aparece em investigações relacionadas ao Banco Master. A corretora foi alvo de buscas da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura investimentos realizados pelo Rioprevidência em títulos ligados ao banco.
(Fonte: UOL - 28.08.2025 Folha de S.Paulo - 08.09.2025 / Valor - 15.01.2026 / 16.01.2026 / 19.01.2026 / InfoMoney - 19.06.2026 - partes)