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23 de abr. de 2026

Vodafone

          Em 1980, Ernest Harrison, então presidente da Racal – o maior fabricante de rádios militares do Reino Unido – negociou um acordo com Lord Weinstock da General Electric Company (GEC) do Reino Unido, que deu à Racal acesso a algumas das tecnologias de rádio de campo de batalha da GEC. Harrison instruiu o chefe da divisão de rádio militar de Racal, Gerry Whent, a explorar o uso dessa tecnologia para fins civis. Whent visitou uma fábrica de rádios móveis administrada pela empresa norte-americana General Electric (sem relação com a UK GEC) na Virgínia, naquele mesmo ano. Em 1981, a subsidiária Racal Strategic Radio Ltd foi criada.
          Jan Stenbeck, chefe de um crescente conglomerado sueco, fundou uma empresa americana, a Millicom Inc, e abordou Gerry Whent em julho de 1982 sobre uma licitação conjunta para a segunda licença de rádio celular do Reino Unido. Os dois fecharam um acordo dando à Racal 60% da nova empresa, Racal-Millicom Ltd, e à Millicom 40%. Devido às preocupações do Governo do Reino Unido sobre a propriedade estrangeira, os termos foram revistos e, em dezembro de 1982, a parceria Racal-Millicom recebeu a segunda licença de rede de telefonia móvel do Reino Unido. A propriedade final da Racal-Millicom Ltd era de 80% da Racal, com a Millicom detendo 15% mais royalties, e a empresa de capital de risco Hambros Technology Trust detendo 5%. De acordo com o Secretário de Estado de Negócios e Comércio do Reino Unido , "a proposta apresentada pela Racal-Millicom Ltd. proporcionou a melhor perspectiva para uma cobertura nacional antecipada por rádio celular."
          A Vodafone foi lançada em 1 de janeiro de 1985 sob o novo nome de Racal-Vodafone (Holdings) Ltd, com seu primeiro escritório baseado no Courtyard em Newbury, Berkshire, e logo depois Racal Strategic Radio foi renomeada Racal Telecommunications Group Ltd.. O primeiro funcionário não pertencente à Vodafone a fazer uma chamada de telemóvel no Reino Unido foi o comediante Ernie Wise, de St Katharine Docks, Londres, em 1 de janeiro de 1985. Em 29 de dezembro de 1986, a Racal Electronics emitiu ações para os acionistas minoritários da Vodafone. no valor de £ 110 milhões, e a Vodafone tornou-se uma marca de propriedade integral da Racal. 
          Em 26 de outubro de 1988, a Racal Telecom, detida maioritariamente pela Racal Electronics, abriu o capital na Bolsa de Valores de Londres com 20% das suas ações em circulação. A flutuação bem-sucedida levou a uma situação em que a participação da Racal na Racal Telecom foi mais valorizada do que a totalidade da Racal Electronics. Sob pressão do mercado de ações para obter valor total para os acionistas, a Racal cindiu a Racal Telecom em 1991.
          Em 16 de setembro de 1991, a Racal Telecom foi cindida da Racal Electronics como Grupo Vodafone, com Gerry Whent como seu CEO.
          Em julho de 1996, a Vodafone adquiriu os dois terços da Talkland que ainda não possuía por £ 30,6 milhões. Em 19 de novembro de 1996, em um movimento defensivo, a Vodafone comprou por £ 77 milhões a Peoples Phone, uma rede de 181 lojas cujos clientes usavam predominantemente a rede da Vodafone. Em um movimento semelhante, a empresa adquiriu os 80% que ainda não possuía da Astec Communications, uma prestadora de serviços com 21 lojas.
          Em janeiro de 1997, Whent se aposentou e Chris Gent assumiu como CEO. No mesmo ano, a Vodafone introduziu o seu logotipo Speechmark, composto por uma aspa em círculo, com o Os no logotipo da Vodafone representando aspas de abertura e fechamento e sugerindo conversa.
          Em 29 de junho de 1999, a Vodafone concluiu a compra do provedor de serviços americano AirTouch e mudou seu nome para Vodafone Airtouch plc. A empresa resultante da fusão iniciou suas atividades em 30 de junho de 1999. A aquisição deu à Vodafone uma participação de 35% na Mannesmann , proprietária da maior rede móvel alemã. Para obter a aprovação antitruste para a fusão, a Vodafone vendeu a sua participação de 17,2% no concorrente alemão da Mannesmann, E-Plus.
          Em 21 de setembro de 1999, a Vodafone concordou em fundir os seus ativos sem fio nos EUA com os da Bell Atlantic Corp para formar a Verizon. A fusão foi concluída em 4 de abril de 2000, apenas alguns meses antes da fusão da Bell Atlantic com a GTE para formar a Verizon Communications.
          Em Novembro de 1999, a Vodafone fez uma oferta não solicitada pela Mannesmann, que foi rejeitada. O interesse da Vodafone na Mannesmann aumentou com a compra da Orange, a operadora móvel do Reino Unido, por esta última. Gent diria mais tarde que a mudança de Mannesmann para o Reino Unido quebrou um "acordo de cavalheiros" para não competir no território de origem um do outro. A aquisição hostil provocou fortes protestos na Alemanha e uma "luta titânica" que viu Mannesmann resistir aos esforços da Vodafone. No entanto, em 3 de fevereiro de 2000, o conselho da Mannesmann concordou com uma oferta aumentada de £ 112 bilhões (US$ 364 bilhões em valores atualizados em abril de 2026 pela inflação), então a maior fusão corporativa de todos os tempos. A UE aprovou a fusão em Abril de 2000, depois da Vodafone ter concordado em alienar a marca 'Orange', que foi adquirida em maio de 2000 pela France Telecom.
          Em 28 de Julho de 2000, a Empresa voltou ao seu antigo nome, Vodafone Group plc.
          Em 17 de Dezembro de 2001, a Vodafone introduziu o conceito de “Redes Parceiras”, ao assinar a TDC Mobil da Dinamarca. O novo conceito envolveu a introdução dos serviços internacionais da Vodafone no mercado local, sem necessidade de investimento por parte da Vodafone. O conceito seria utilizado para estender a marca e os serviços Vodafone a mercados onde não tinha participações em operadoras locais. Os serviços da Vodafone seriam comercializados no âmbito do regime de dupla marca, onde a marca Vodafone é adicionada no final da marca local. (ou seja, TDC Mobil-Vodafone etc.).
          Em 1 de dezembro de 2011, adquiriu a Bluefish Communications Ltd, com sede em Reading, uma empresa de consultoria em TIC. As operações adquiridas formaram o núcleo de uma nova prática de Comunicações Unificadas e Colaboração dentro de sua subsidiária Vodafone Global Enterprise, que se concentraria na implementação de estratégias em computação em nuvem e fortaleceria sua oferta de serviços profissionais.
          Em abril de 2012, a Vodafone anunciou um acordo para adquirir a Cable & Wireless Worldwide (CWW) por £ 1,04 bilhão. A aquisição deu à Vodafone acesso à rede de fibra da CWW para empresas, permitindo-lhe oferecer comunicações unificadas às empresas. No dia 18 de junho de 2012, os acionistas da Cable & Wireless votaram a favor da oferta da Vodafone.
          Em 2 de setembro de 2013, a Vodafone anunciou que venderia sua participação de 45% na Verizon Wireless para a Verizon Communications por US$ 130 bilhões.
(Fonte: Wikipédia)

16 de abr. de 2026

Sada

          O grupo Sada foi fundado em 1976, em Betim, Minas Gerais. É um conglomerado bilionário construído com caminhões-cegonha
          A figura-chave por trás dessa operação é o italiano Vittorio Medioli, que chegou ao Brasil em 1976, aos 25 anos, para instalar uma filial da transportadora de sua família, que atendia a fábrica da Fiat em Minas.
          A trajetória de Medioli, porém, tem controvérsias. Em 2018, o empresário foi denunciado por formação de cartel no setor de transporte de veículos. E em 2022 gerou polêmica ao sugerir, em sua coluna de jornal, que o Nordeste se separasse do resto do Brasil.
          O grupo tem braços em vários setores: além de construir as próprias cegonhas, produz etanol, recicla carros em escala industrial, fabrica autopeças para a Stellantis, é dono do jornal O Tempo e mantém o Sada Cruzeiro – maior campeão do vôlei masculino brasileiro.
          Metade dos carros zero km do Brasil viaja nos caminhões-cegonha da Sada que hoje tem 30 empresas, 8 mil funcionários e operações em quatro países. Só em 2025, eles transportaram 2,5 milhões de veículos.
(Fonte: InvestNews - 16.04.2026)




13 de abr. de 2026

Sefer (antiga Foco DTVM e Índigo DTVM)

          Alvo da Polícia Federal e dona de uma longa ficha na Comissão de Valores Mobiliários
(CVM), a mente por trás da complexa teia de fundos de investimentos e de compra e venda de títulos podres a valores duvidosos é Benjamim Botelho de Almeida, dono da gestora Sefer Investimento         
          Se Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, era um novato no mercado financeiro em 2019,
quando assumiu a instituição, Benjamim Botelho de Almeida já tinha anos de experiência como estruturador de fundos de investimentos. Trabalhou para o lendário Banco Garantia, nos anos 1990.                  Botelho fundou a gestora e administradora de fundos de investimentos Sefer, sediada na Avenida Faria Lima, em São Paulo, em 2003. A Sefer teve antes outros dois nomes: Foco DTVM e Índigo DTVM. A empresa foi rebatizada ao longo dos anos ao passo em que seu fundador era enredado, mais e mais, em processos sancionadores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e em investigações da Polícia Federal. Entre 2019 e 2021, Botelho foi alvo de pelo menos cinco processos sancionadores – abertos quando técnicos da autarquia acreditam ter evidências suficientes para levar um executivo
a julgamento.
          Entre os casos, estão investimentos de fundos de pensão que teriam beneficiado empresas de Daniel Vorcaro. Hoje (abril de 2026), a Sefer administra 102 fundos, com patrimônio de mais de R$ 20 bilhões. Desses, pelo menos R$ 9,6 bilhões (48% do total) possuem alguma relação financeira com o ecossistema formado pelo Master, seja pelo investimento direto, seja por manter nas carteiras ativos
que já foram alvos do banco, como precatórios de usinas. Um desses fundos, o Nazaré, já registrou investimentos de R$ 14 milhões na Super Empreendimentos, apontada pela PF como dona de bens de luxo de Vorcaro, como mansão de R$ 36 milhões em Brasília.
          Botelho atua para o Master desde a época em que o banco ainda não pertencia a Vorcaro e se chamava Máxima. Ele foi alvo da Operação Fundo Fake, que investigou desfalques do Máxima em fundos de pensão. O Tribunal Regional Federal da 1.ª Região acolheu pedidos de investigados e anulou o efeito da operação. Em 2019, quando Vorcaro assumiu o Máxima e mudou o nome do banco para Master, já conhecia Botelho. A relação se aprofundou ainda mais depois disso.
          Tudo aquilo que a Fundo Fake investigou voltou a ser objeto de escrutínio da PF na Operação Compliance Zero, que levou Vorcaro à prisão duas vezes, em novembro de 2025 e em março
de 2026, pelas fraudes no Master. Nas investigações mais recentes, Botelho voltou a ser tido por investigadores como um operador de fraudes contábeis de Vorcaro desde a gênese do Master.
Segundo narra a PF, Botelho gere fundos de investimentos que compram imóveis e outros ativos duvidosos e jogam seus preços para as alturas. Invariavelmente, esses imóveis, empresas e outros bens são revendidos a empresas de Vorcaro e familiares. O resultado é que ambos ganham, mas outros investidores – o que inclui fundos de pensão – saem prejudicados. 
(Fonte: OESP - 13.04.2026)

SOHO China

 


 
 

          Em 1980, com 15 anos, Zhang Xin foi fazer escala 6x1 nas fábricas de Hong Kong. Juntou dinheiro, se mudou para a Inglaterra, aprendeu inglês sendo garçonete e fez mestrado em Cambridge. Voltou com dois diplomas — e fundou uma das incorporadoras por trás dos arranha-céus cyberpunk da China.
          A SOHO China, criada em sociedade com o marido Pan Shiyi em 1995, surfou no boom imobiliário chinês dos anos 2000 e levantou US$ 1,7 bilhões quando abriu capital, em 2007 (US$ 2,6 bi em valores atuais).
          Em 2014, Zhang Xin, que desenhou o skyline de Xangai, percebeu que as grandes construtoras estavam com dívidas muito altas – e que o mercado imobiliário chinês podia padecer de uma bolha perigosa. Então começou a desmontar sua operação na China.
          Foi o timing perfeito. Em 2021, quando a crise eclodiu e acometeu titãs da construção como a Evergrande e a Country Garden, Zhang já havia vendido US$ 4,2 bilhões em ativos – e estava pronta para se restabelecer do outro lado do mundo, em Nova York.
(Fonte: InvestNews (O Essencial) - 13.04.2026)

12 de abr. de 2026

IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas

          O Instituto de Pesquisas Tecnológicas, IPT, foi fundado em 26 de junho de 1899. É um raro exemplo de instituição que atravessou o tempo e está se reinventando - sobretudo num país que conta 
com tão poucas empresas e organizações centenárias.
          A história do IPT remonta a 1893, ano da fundação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Na época, com a economia do estado em ebulição, a elite e o governo paulista apoiavam e investiam em diferentes tipos de pesquisa nos setores de engenharia e tecnologia. Por isso, a Politécnica resolveu priorizar o ensino em laboratórios. Um dos primeiros, construído em 1899 pelo engenheiro Francisco de Paula Souza, foi o Gabinete de Resistência dos Materiais, responsável pela tecnologia empregada na fabricação de tubos de ferro fundido para os sistema de água e esgoto de São Paulo e pelos estudos de materiais utilizados na construção do Edifício Martinelli, o primeiro arranha-céu de São Paulo, cuja construção foi iniciada em 1924. Com o sucesso dessas iniciativas, o órgão foi rebatizado de Laboratório de Ensaios de Materiais em 1926. Apenas em 1934, o lugar recebeu o nome de IPT.
          Desde o início, o instituto cresce à medida que o estado de São Paulo e o país se desenvolvem. O IPT foi responsável pelos ensaios do uso de gás na iluminação de São Paulo e forneceu assistência tecnológica à pavimentação de ruas da capital. Também deu apoio à construção de ferrovias e rodovias em diversos estados, desenvolveu estudos geológicos na área onde futuramente seria construída Brasília e prestou um serviço nas construções de diferentes usinas hidrelétricas e barragens pelo Brasil - ajudou a tornar viável, por exemplo, a construção da Usina de Paulo Afonso, na Bahia, um complexo trabalho de engenharia nos anos 1950 que exigiu controlar e reverter o fluxo do Rio São Francisco.
          Um dos laboratórios mais antigos do IPT é o de simulações oceânicas, chamado de tanque de provas. Com 280 metros de comprimento, 6 de largura e 4 de profundidade, o aquário gigante faz estudos de hidrelétricas e engenharia naval. Cascos de navios são imersos na água para avaliação de aspectos como desempenho hidrodinâmico, força e resistência do material. Também são feitos estudos em dutos que ligam plataformas de exploração aos poços de petróleo. Entre os principais clientes do 
Tanque de Provas estão a Petrobras, estaleiros e empresas de transporte fluvial.
          Nos anos 1940 teve participação no projeto de construção das vias Anchieta e Anhanguera, que estão entre as primeiras autoestradas brasileiras. Nos anos 1970 deu apoio para a construçãokda Ponte Rio-Niterói e da usina hidrelétrica de Itaipu, uma das maiores do mundo.
          Hoje, o IPT é o maior centro de pesquisa cietífica e de desenvolvimento tecnológico da América Latina. O campus principal, localizado na Cidade Universitária, na capital paulista, tem mais de 103.000 metros quadrados de área construída. Além disso, há mais dois espaços no interior paulista, um em São José dos Campos e outro em Franca. A sede tem 65 prédios, divididos em 12 centros tecnológicos, como o Núcleo de Bionanomanufatura e o Centro de Tecnologias Geoambientais. Com mais de 40 laboratórios, trabalham ali cerca de 1000 pessoas - 300 com títulos de mestre ou doutor.
          Vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação de estado de São Paulo, o IPT atendeu, em 2018, 3000 clientes, sendo 95% empresas privadas. Nessa longa trajetória, o interesse do capital privado cresceu recentemente. Até 2011, quase toda a produção do IPT era voltada para demandas públicas: de estados, municípios e estatais.
(Fonte: Exame - 26.06.2019)

11 de abr. de 2026

Sönksen Chocolate

          Em um bairro paulistano que não era tradicionalmente fabril, a Liberdade, existiu uma fábrica que mesmo tendo fechado suas portas há quase 30 anos ainda é lembrada por todos: A Chocolate Sönksen.
          A Chocolate Sönksen não nasceu exatamente na rua Vergueiro, onde ficou até encerrar suas atividades. A empresa surgiu não muito longe dali na rua Líbero Badaró, como uma pequena loja de doces em 1887, inicialmente chamada de La Bonbonniere quando o Brasil ainda vivia no regime monárquico.
          Com o passar dos anos a empresa expandiu-se e mudou sua sede para a Rua Direita, 43. Até que para atender a demanda, abriu sua segunda loja, na Rua 15 de novembro.
          Fundada pelo Sr. Alfredo Richter como uma pequena casa dedicada à industrialização e comércio de produtos da “arte açucareira”, a La Bonbonniere foi sem dúvida uma das primeiras lojas de doces da cidade de São Paulo.
          Na virada pro século XX, Richter casou-se com a senhora Alwine Sophia Sönksen, mulher de forte visão empreendedora que desde o primeiro momento da união passou a colaborar ativamente com o marido na expansão da pequena empresa em uma grande casa comercial e industrial.
          Infelizmente a bela união entre o Sr. Richter e a Sra. Sönksen não durou muitos anos, já que em 1904 Alfredo Richter veio a falecer.
          Sozinha na liderança da companhia, Alwine Sophia Sönksen decidiu vender a empresa ao capitalista (nome que se dava aos empresários à época) João Faulhammer.
          Com a empresa sob o comando de Faulhammer, teve início a construção da nova fábrica, que deixava a área mais central da cidade para a região que ficaria em definitivo, na rua Vergueiro, 310.
          Naquela época o crescimento da empresa demandava um novo local, uma vez que além da loja e sede industrial na região da Sé, já havia uma filial na rua XV de Novembro.
          Mesmo sob a direção de outro proprietário desde 1904, a Sönksen ainda voltaria às mãos da família de Alwine.
          No ano de 1912, a empresa que pertencia a Faulhammer foi colocada à venda, e os três irmãos Sönksen puderam comprá-la novamente, formando para isso uma sociedade.
          Na aquisição, comprava-se a empresa e alugou-se o local onde estava a nova sede, à rua Vergueiro. A empresa passava a chamar-se Christian Sönksen & Cia. O prédio só seria comprado definitivamente em 1922.
          Em 1920 ocorre outro fato curioso: A filha do antigo proprietário João Faulhammer, Anna Sophia, casa-se com Augusto Sönksen.
          No ano de 1924 a empresa muda mais uma vez a razão social, desta vez para Sönksen Irmãos & Cia. A empresa, moderna desde sua formação ainda no século XIX, sempre teve a participação ativa de mulheres na administração, agora com Anna Sophia Sönksen e Joana Helena Sönksen, esposas respectivamente de Augusto e Christian Sönksen.
          A empresa seguiria seu crescimento vertiginoso, perpetuando sua marca e o sabor inigualável de seus chocolates e balas. Em 1948, tornou-se Sociedade Anônima.
          À medida que o tempo foi passando, a Sönksen abriu outras lojas da marca por São Paulo e também em outras cidades que eram verdadeiros pontos de peregrinação para os amantes do bom chocolate.
          Suas lojas mais concorridas e que estavam sempre abarrotadas de produtos e clientes eram as da Rua Augusta 2310, Avenida São João 223, Rua 24 Maio, 29 (no Edifício Palácio do Comércio) e a concorrida loja de Santo André na Rua Coronel Oliveira Lima, 433.
          Esse conceito de sucesso de lojas próprias é seguido à risca até hoje por outros fabricantes de chocolate, como Ofner, Kopenhagen e Cacau Show entre tantos outros.
          A qualidade dos chocolates e dos demais produtos fabricados pela Sönksen eram inesquecíveis.
          Até hoje costumamos ver pessoas se lembrarem dos famosos chocolates produzidos pela marca com um misto de saudade e nostalgia.
          Desde as barras de chocolate simples aos famosos bombons finos vendidos em embalagens luxuosas, com imagens de monumentos históricos paulistas ou de belos locais do Brasil, aos famosos bombons Alpino, de sabor único.
          Sem esquecer também dos deliciosos confeitos de conhaque, dragés, língua de gato e os famosos Urso Branco e Urso Marron.
          As balas vendidas em latinhas também eram muito saborosas. Até hoje estas latinhas são vendidas em antiquários e feiras de antiguidades.
          Os anos 1970 foram decisivos para muitas fábricas estabelecidas na cidade de São Paulo. Nessa época muitas empresas começaram a mudar da capital paulista, rumo a outros municípios com incentivos fiscais mais atraentes.
          Enquanto isso, outras indústrias iniciaram um período de declínio do qual não conseguiriam se recuperar. A Sönksen foi uma dessas que entraram em dificuldades.
          As razões para a decadência e o fim da Sönksen são várias. Há relatos de que os herdeiros não tinham interesse em prosseguir no mercado, enquanto outros relatos indicam que a compra em plena década de 1970 de um moderno sistema de computadores para a informatização da fábrica teria causado danos irreversíveis na contabilidade da companhia.
          No final dessa mesma década, quando a empresa já estava muito mal, alegava-se que o sistema de vendas da empresa pelo país afora era muito deficitário, com apenas três vendedores em todo o estado de São Paulo e uma distribuidora no Rio de Janeiro, para colocar no mercado uma enorme produção de 25 toneladas de produtos.
          O mais provável é que a soma de todos esses fatores tenham em conjunto contribuído para o fim da empresa.
          Em 1977, no auge da crise, já não havia um Sönksen no comando. Influenciado por um dos diretores da empresa que era seu amigo, o dono de uma das maiores concorrentes da Sönksen, a Casa Falchi, decidiu assumir o passivo da concorrente, cujos bens estavam prestes a ir a leilão.
          Os problemas que todos pensavam que poderiam estar acabando, na verdade continuariam. À frente da Falchi, ele não conseguia tocar a empresa como se propunha salvar e optou então por nomear seu filho, chamado José Clibas de Oliveira e Silva Filho para assumir a presidência da Sönksen.
          Como não era do ramo de chocolates, inicialmente Clibas Filho veio como uma espécie de interventor, seguindo sugestões de seu pai. Aos poucos, foi tomando conta do negócio.
          Uma curiosidade: os donos da Doceria Ofner chegaram a ser acionistas e membros da diretoria da Sönksen até pouco antes de Clibas Filho assumir.
          A vasta linha de produtos da Sönksen foi reduzida. Mesmo assim, permanecia com cerca de 150 produtos e detendo cerca de 30% do mercado brasileiro de chocolates.
          No entanto, nem isso foi suficiente para salvar a empresa. Juntas, Falchi & Sönksen, caminharam de mãos dadas para o fim. Em setembro de 1983, a primeira fábrica de chocolates de São Paulo de tanta história e tradição requeria sua falência.
          Segundo seu então acionista majoritário, Peter Schone (60% das ações), a má situação financeira da empresa era resultado das altas taxas de juros e da impossibilidade de repassar seus custos, em especial matéria-prima.
          Foi o fim da linha para a Chocolates Sönsken.

(Fonte: São Paulo ANTIGA)

 Agradecimentos: Christiano Sönksen)

A fábrica da Rua Vergueiro 310, em 1959


10 de abr. de 2026

Bauhaus

          A Bauhaus, possivelmente a escola de design, arte e arquitetura mais significativa do século XX, foi fundada em 1º de abril de 1919.
          Com pensamento livre, moderno e ousado, a entidade foi fundada em Weimar e depois transferida para Dessau e Berlim.
          A escola existiu por apenas 14 anos. Foi exterminada em 1933 pelo nazismo na Alemanha. Mas as referências que deixou ainda são muito influentes.
          Em abril de 2019, para comemorar os 100 anos, a alemã Tachen lançou uma edição atualizada da retrospectiva visual Bauhaus.
          Em maio de 2019, a mesma editora trouxe Bauhausmädels. A Tribute to Pioneering Women Artists, sobre as mulheres na escola.
(Fonte: Exame - 03.04.2019)

9 de abr. de 2026

Augusta National Golf Club

          Um paletó verde pode não ser a vestimenta mais elegante do planeta - ainda mais se você usar uma polo colorida e suada por baixo. Porém, não é essa a opinião da maioria dos golfistas. Poucos homens - e menos ainda mulheres - têm direito de vestir o green Jacket do Augusta National Golf Club, um dos mais famosos e fechados clubes de golfe do mundo, localizado no estado americano da Geórgia. É o Augusta quem organiza e sedia desde 1934 o Masters, o mais popular major, ou torneio de Grand Slam, do golfe mundial.
          A tradição do Augusta National e suas normas (escritas ou não) vão na contramão dos esforços do golfe para se reinventar e atrair mais praticantes, como recentes simplificações das regras. Ainda assim, a instituição e seu paletó verde seguem como alguns dos maiores símbolos do esporte mundial - e também um dos mais misteriosos e desejados.
          O clube foi criado pelo advogado americano Bobby Jones, um dos maiores golfistas de todos os tempos, que morreu em 1971. Depois de se aposentar precocemente aos 28 anos, Jones queria um lugar tranquilo para jogar com os amigos longe da presença dos fãs. Em 1933, ele se aliou ao investidor americano Clifford Roberts e ao designer britânico Alister MacKenzie para construir o Augusta.
          Há, basicamente, duas maneiras de você ganhar uma green jacket do Augusta. A primeira é ser campeão do Masters e receber a peça que o torna membro honorário do clube. A segunda é ser sócio de fato - e aí você terá seu paletó verde exclusivo sempre no armário devidamente lavado e passado.
          Duro é saber qual das duas maneiras é a mais difícil. Para ser campeão do Masters, é preciso primeiro ser convidado. Ao todo são 19 categorias de jogadores que podem receber o honra. Os primeiros 50 melhores do ranking mundial e ex-campeões como Tiger Woods, vencedor por quatro vezes do torneio (base 2018), fazem parte desse grupo. Além do paletó verde, o campeão ganha um cheque de quase 2 milhões de dólares, de um total de 11 milhões de dólares em prêmios.
          Os valores que o torneio movimenta são um mistério. Boa parte vem da venda de produtos licenciados, como bonés, cadeiras, camisas de golfe e bolas. Outro quinhão vem dos patrocinadores do evento - em 2019, Rolex, AT&T, IBM, Mercedes-Benz, UPS e Delta Airlines. Estima-se, (sim, pois o número não é divulgado) que cada marca invista por ano 6 milhões de dólares. Detalhe: durante o Masters, não há uma única placa de patrocinador no campo, E, durante a transmissão, realizada pela CBS desde 1956, os patrocinadores dividem apenas 4 minutos de comerciais por hora, o máximo permitido pelo Augusta.
          É consenso no mundo do golfe e do marketing esportivo que o Augusta deixa muito dinheiro na mesa. Além dos poucos espaços publicitários na TV (e zero comunicação visual no campo0 e do valor baixo dos ingressos, são famosos os (baixos preços cobrados por alimentos e bebidas no campo. O sanduíche mais caro não sai por mais que 3 dólares, mesmo preço da cerveja - e o clube proíbe sócios e espectadores de dar gorjeta. O Augusta não parece mesmo se importar muito com valores.
          Bill Gates, fundador da Microsoft, é um exemplo de quanto é difícil ingressar nesse exclusivo clube. Em meadfos da década de 1990, o bilionário deixou escapar a conhecidos que queria se filiar ao clube. Levou uma canseira até 2002, quando finalmente recebeu o convite. Hoje, é dono de uma green Jacket e já disputou por lá partidas com o megainvestidor Warren Buffett, outro sócio.
          Além de Gates e Buffett, outros associados célebres são Jack Welch (falecido em 2020), ex-CEO da GE, e Condoleezza Rice, ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, primeira mulher a ser admitida como sócia, em 2012. Sem contar ex-campeões históricos, como o grupo intitulado Big Three, trinca formada por Gary Player, Jack Nicklaus e Arnold Palmer, este último morto em 2016.
(Fonte: Exame - 03.04.2019)

Banco Digimais

          O Banco Digimais pertence ao dono da Igreja Universal, Edir Macedo.
          Em abril de 2026, vem a lume que o banco está com um patrimônio líquido negativo de 8,5 bilhões de reais.
          Em meio à situação negativa, o banco opera captando dinheiro via Certificado de Depósito Bancário (CDB) a uma taxa 125% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI).
          Os CDBs do banco Digimais, assim como os do Master, são distribuídos para pessoas físicas por meio de plataformas como BTG Pactual e XP Investimentos.
          Outro fato é que assim como Daniel Vorcaro vendeu uma carteira falsa do Master para o Banco Regional de Brasília (BRB), o Digimais recebe acusações do fundo EXP1.
          O fundo alega ter comprado 55 mil contratos da carteira de crédito consignado do Digimais por 650 milhões de reais. No entanto, o fundo explica que dos 55 mil, 22 mil não tinham lastro, ou seja, eram falsos.
          Após a descoberta do fundo, o banco Digimais confirmou a fraude e tentou oferecer novas carteiras ao fundo, que recuou da oferta e pediu o dinheiro investido de volta.
          O Digimais encerrou o terceiro trimestre de 2025 com prejuízo líquido de 252,6 milhões. Caso o banco quebre, o custo para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) seria de cerca de 8 bilhões de reais,
contando depósitos à vista, como dinheiro em conta corrente, e depósitos a prazo (CDBs).
(Fonte Veja Negócios - 08.04.2026)