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28 de ago. de 2026

Nexa Resources / Boliden

          A Nexa Resources, mineradora controlada pelo Grupo Votorantim, foi formada a partir da fusão da antiga Votorantim Metais com a peruana Milpo.
          Em maio de 2025, a Nexa entra na corrida para adquirir os ativos da gigante australiana BHP no Brasil. A unidade da Votorantim estava de olho em operações brasileiras de cobre e ouro compradas pela mineradora australiana. O processo de venda está sendo liderado pelo Santander.
          A BHP estava vendendo seus ativos de cobre e ouro no Brasil, adquiridos por meio da compra da Oz Minerals por US$ 6,4 bilhões em 2023, como parte de uma reestruturação mais ampla de portfólio. Entre esses ativos, o destaque é a mina Pedra Branca, no estado do Pará.
          Se bem-sucedida, a aquisição ampliaria o portfólio de minerais da Nexa para incluir mais cobre e ouro, expandindo-se além de seu foco atual em zinco e chumbo. Isso se alinharia à transição energética global, visto que o cobre é um metal essencial para veículos elétricos — um dos motivos citados pela BHP para a aquisição da Oz Minerals foi o aumento da exposição a minerais essenciais para a energia limpa.
          Sinergias operacionais também podiam ser consideradas. A Nexa possui experiência na operação de minas subterrâneas de médio porte na América do Sul — uma capacidade que poderia ser alavancada para otimizar as minas de cobre de escala relativamente pequena anteriormente pertencentes à Oz Minerals. A Nexa já opera a mina polimetálica de Aripuanã, no Mato Grosso, e outros locais no Brasil, o que poderia facilitar a integração geográfica e administrativa dos ativos da BHP.
          O projeto Pedra Branca é o principal ativo de cobre que a BHP está desinvestindo. Trata-se de uma mina subterrânea recém-desenvolvida com sulfetos de cobre e minérios de ouro. Notavelmente, a Nexa tem administrado ativamente seu portfólio, tendo recentemente alienado projetos de cobre de longo prazo, como Pukaqaqa, no Peru, para se concentrar em ativos essenciais e melhorar o retorno aos acionistas.
          Do ponto de vista financeiro, a aquisição desses ativos representaria um investimento significativo para a Nexa, mas parecia viável dentro de sua então atual estrutura de capital.
          A potencial entrada da Nexa nas operações brasileiras da BHP poderia remodelar o cenário de mineração local, particularmente no segmento de metais não ferrosos, marcando uma mudança de ativos de um peso-pesado global para um player regional. Essa tendência surgiu em outros negócios recentes, como a venda da Anglo American de suas operações de níquel no Brasil para a chinesa MMG, avaliada em até US$ 500 milhões.
          Contatada (em maio de 2025), a BHP afirmou que os ativos da Oz Minerals no Brasil permaneciam sob revisão estratégica e se recusou a comentar sobre especulações de mercado. A Nexa também se recusou a comentar, citando sua política interna de não abordar rumores ou especulações.
Em área de concessão da Nexa Resources, milhares de pessoas estavam explorando ouro sem licença.
          O negócio da Nexa com a BHP não evoluiu.
          A Nexa Resources registrou um lucro líquido de US$ 29 milhões, revertendo um prejuízo de US$ 12 milhões no mesmo período em 2024. O EBITDA ajustado atingiu US$ 125 milhões, em comparação com US$ 128 milhões no mesmo trimestre do ano anterior.
          Em 27 de agosto de 2026, o Grupo Votorantim e a sueca Boliden anunciaram um acordo para a venda da participação do conglomerado brasileiro na produtora de zinco Nexa Resources, em uma transação que avalia a empresa em US$ 2 bilhões — sendo US$ 1,3 bilhão referentes apenas à fatia da Votorantim.
          A venda, no entanto, não representa a saída da família Ermírio de Moraes do setor de mineração de zinco, mas sim uma mudança estratégica. A Votorantim trocará sua participação de 64,6% na Nexa por 21,4 milhões de novas ações ordinárias da Boliden, o que equivale a cerca de 7% do capital social da produtora de metais sueca. A Boliden possui uma atuação geograficamente mais diversificada.
          Como resultado, a Votorantim se tornará uma das principais acionistas da Boliden e terá o direito de indicar um membro para o conselho de administração.
          Em entrevistas e relatórios a investidores, a administração da Votorantim deixou claro que a empresa continuará diversificando seus investimentos — tanto em áreas de negócios quanto geograficamente — para reduzir a volatilidade dos resultados e a exposição a riscos. Os movimentos mais recentes da holding reforçam essa estratégia.
          Em comunicado ao mercado em 27 de agosto de 2026, a Votorantim afirmou que manterá sua exposição ao setor de mineração por meio de uma participação acionária relevante em uma plataforma industrial global.
(Fonte: Valor - 27.05.2025 / 28.08.2026 - partes)

27 de ago. de 2026

MM

          A rede de eletrodomésticos MM foi fundada por Jeroslau Pauliki em 1978 e tem sede em Ponta Grossa, no Paraná.
          O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, em agosto de 2026, chacoalhou o mercado e começou a provocar um rearranjo tanto no varejo quanto na indústria de eletrodomésticos e eletrônicos.
          Varejistas estão de olho em uma fatia de vendas estimada por especialistas em R$ 300 milhões por mês. Parte desse mercado ficou disponível a partir de meados de agosto de 2026, quando a
Casas Bahia anunciou o fechamento de 298 lojas físicas.
          “As empresas regionais são rápidas no gatilho”, diz Marcio Pauliki, CEO da rede MM e filho do fundador. Segundo ele, essas empresas são mais ágeis por ter “a dor do dono”. Se há algum problema, o primeiro afetado é o bolso do proprietário, que acompanha a operação de perto.
          Nos dois meses antes da recuperação judicial das Casas Bahia, Marcio Pauliki, CEO da rede MM, conta que passou a receber propostas comerciais mais vantajosas de grandes fabricantes de eletrodomésticos e eletrônicos, em uma tentativa de ampliar o volume de vendas. Entre os diferenciais oferecidos está a venda em regime de consignação. “Eles colocam o produto no nosso estoque, e nós vamos pagando à medida que ele é vendido para o cliente. Para nós, é um bom negócio.”
          Pauliki diz que a relação de fidelidade dos clientes com a empresa, é muito forte. Esse, segundo ele, é um dos fatores que contribuem para a baixa inadimplência. Além disso, o uso de carnê próprio para financiar as vendas é outro diferencial, pois permite critérios de concessão de crédito menos restritivos do que os adotados pelo sistema financeiro. Todos esses fatores combinados impulsionam as vendas.
           A  MM opera mais de 230 lojas no Paraná, em Santa Catarina e em Mato Grosso do Sul, além do interior de São Paulo.
          Em 2025, o faturamento foi de R$ 1,8 bilhão. A expectativa é de fechar 2026 com vendas de R$ 2 bilhões.
(Fonte: Estadão - 23.08.2026)

25 de ago. de 2026

O Alquimista Bar

          Com ajuda de Raul Dias, que montou o Candy Sushi Bar & Club, nos Jardins, a atriz e cantora Cleo, que não usa mais o Pires, promete ‘receitas inusitadas’, ambiente com música e até leitura de tarô.
          Depois dos Jardins, Cleo abre novo bar, o Alquimista, na Vila Madalena, em fevereiro de 2024. Com uísque e doce de abóbora, drinque Abracadabra é boa aposta.
          Em uma casa que foi casa mesmo, mas também fábrica de massas e espaço de bem-estar, Cleo abriu seu segundo endereço etílico-gastronômico: O Alquimista Bar.
          Depois da badalada Candy , a nova empreitada, na Vila Madalena “representa uma mistura de inovação e criatividade no mercado de bares, trazendo uma proposta ainda não explorada na região”. “Nós pensamos em um ambiente acolhedor, com um certo mistério, para que o cliente tenha experiências únicas”, define Cleo. Para isso, ela conta com as criações de Raul Dias, também responsável pelas coqueteleiras do Candy: “Na carta autoral, procurei usar ingredientes inusitados, como abóbora, pipoca, tomate, coentro, vinagre e, futuramente, frutos do mar”.
          Por ora, a maior aposta do bartender é o Abracadabra, mix de Jack Daniel’s Fire e Apple, shrub feito com doce caseiro de abóbora de pescoço, maçã verde e suco de limão servido num caldeirão com glitter; mas ele acredite no potencial do Coriandrum: gim, coentro, xarope de Curaçau Blue, limão e bitter de laranja. Outro queridinho é o Alcoholic, pero no mucho: “Vai com brandy, uísque 12 anos, mix de vermute tinto, fernet branca, angostura, bitter de laranja e chocolate. Combina com o clima da casa”. A partir das próximas semanas, nos bastidores do palco, haverá leituras de tarô comandadas por Mística, hostess-gerente-sensitiva. O Alquimista fica na R. Mourato Coelho, 1008, e funciona de quarta a sábado, das 19h às 2h.
(Fonte: Estadão - 26.02.2024)

12 de ago. de 2026

Eletra

          A Eletra foi fundada no ano de 2000 para fornecer veículos aos corredores de ônibus operados pela família Setti Braga, proprietária de quatro empresas de transporte. Mas o negócio de mobilidade da família remonta a um período muito aanterior, pelos idos de 1913.
          Naquela época, João Setti, um imigrante italiano, estabeleceu-se em São Bernardo do Campo e viu uma oportunidade de negócio no transporte de pessoas que viajavam da cidade litorânea de Santos para a região do ABC. Ele criou um serviço de *tilbury* — uma carruagem de duas rodas e dois lugares puxada por cavalos — que fazia o trajeto de subida e descida da Serra do Mar pela antiga Estrada de Santos.
          O negócio cresceu e, mais tarde, expandiu-se com a chegada das chamadas "jardineiras", veículos primitivos semelhantes a ônibus usados ​​para o transporte de passageiros. Alguns desses veículos foram preservados e serão exibidos em um museu que a família planeja inaugurar em 2027. Com o tempo, o genro de João, José Fernando Braga, adquiriu os negócios. Após sua morte, sua filha, Maria Beatriz Setti Braga — mãe de Milena e neta do fundador —, tornou-se a primeira mulher a assumir o comando da empresa familiar. Ela ainda preside o grupo que, além da Eletra, opera quatro empresas de transporte urbano e um negócio de serviços funerários. O grupo não divulga resultados financeiros. Segundo Romano, a Eletra responde por mais de 30% da receita, e há planos de abrir o capital da empresa "quando ela crescer um pouco mais".          
A fabricante de trólebus Eletra pertence ao grupo controlado pela família Setti Brtaga e tem unidade na região do ABC paulista, em São Bernardo do Campo.
          Em meados de 2022, a Eletra estava à beira da falência. Milena Braga Romano, integrante da família Setti Braga, neta de João Setti, pediu aos acionistas controladores um prazo de dois anos para reverter a situação da empresa. Caso seu plano de aproveitar o mercado em expansão de mobilidade elétrica e ampliar os negócios fracassasse, a Eletra seria encerrada.
          Romano assumiu a presidência da Eletra naquele mesmo ano (2022) e viu na legislação uma oportunidade de aproveitar a expertise que a empresa havia desenvolvido com trólebus — ônibus elétricos conectados a uma rede aérea de energia por cabos — e expandir para ônibus movidos a bateria e recarregados em tomadas elétricas. 
          Desde então, a Eletra tornou-se a maior fornecedora de ônibus urbanos elétricos do Brasil e a única fabricante do segmento com capital nacional. A produção em sua fábrica em São Bernardo do Campo, aumentou 20 vezes.
          Em 12 de agosto de 2026, o grupo anunciarou um plano de investimento de R$ 270 milhões para quadruplicar a capacidade anual de produção para 4.000 ônibus até 2028, por meio da expansão de suas instalações atuais e da construção de uma nova fábrica.
          O investimento, que elevará a capacidade industrial de 1.000 para 4.000 ônibus por ano, não é o único anúncio que Romano fez, em São Paulo, durante a Lat.Bus — a maior feira do setor de ônibus da América Latina. A empresária revelou detalhes de um projeto para produzir ônibus elétricos intermunicipais, um segmento que ainda não adotou modelos elétricos devido à necessidade de recargas mais frequentes em longas distâncias.
          Após o período eleitoral no Brasil, ela também espera uma nova rodada de licitações públicas que permita à empresa começar a vender um ônibus escolar elétrico para áreas rurais. Além de transportar estudantes, o veículo contará com uma bateria que poderá servir como gerador, fornecendo até seis horas de iluminação — o suficiente para evitar que crianças de regiões com fornecimento de energia instável percam aulas durante apagões.
          "A mobilidade elétrica não é mais experimental; tornou-se uma realidade nacional", afirmou Romano. O avanço da Eletra no setor está diretamente ligado a uma lei municipal de São Paulo que, desde 2022, proíbe as operadoras de transporte público de adquirir novos ônibus a diesel.
          Quando a nova lei foi instituída, a chinesa BYD já montava ônibus no Brasil. Romano percebeu que a empresa precisaria agir rapidamente para competir com os fabricantes chineses. Embora o poder público apoiasse a transição para a mobilidade elétrica, a resistência das operadoras de transporte público continuava sendo um obstáculo. "Passamos 100 anos com o diesel", observou ela. Ela decidiu organizar reuniões informais, acompanhadas de café, com cada operadora para defender a adoção dos ônibus elétricos.
          Um ônibus elétrico ainda custa cerca de três vezes mais do que um modelo a combustão. No entanto, Romano ressalta que o prazo de retorno do investimento é menor e os custos de manutenção são mais baixos. Por enquanto, a eletrificação da frota de ônibus urbanos de São Paulo, que atingiu 10%, conta com o apoio de financiamentos subsidiados pelo BNDES e outras instituições de fomento.
          Uma estratégia fundamental para impulsionar o crescimento da empresa é o desenvolvimento de um chassi próprio. No modelo de produção atual, a Eletra adquire as plataformas estruturais de chassi para seus ônibus da Mercedes-Benz e da Scania. Desenvolver seu próprio chassi permitiria à Eletra transitar de integradora para fabricante de ônibus completa.
          O sistema de eletrificação — que inclui motor, inversor e bateria — é fornecido por meio de uma parceria com outra empresa brasileira: a WEG, sediada em Santa Catarina. Somada à rede de fornecedores locais da Eletra para outros componentes, essa parceria garante um alto índice de nacionalização, viabilizando a elegibilidade dos veículos da Eletra para financiamento via programas do BNDES.
          Essa é uma das estratégias de Romano para competir com fabricantes chineses. Ela também utiliza o conhecimento adquirido nas desafiadoras estradas e rodovias brasileiras para construir o que chama de "ônibus robustos".
          As projeções indicam um aumento na demanda. A Eletra planeja elevar sua capacidade anual de produção para 1.800 veículos no próximo ano e, com a segunda fábrica, chegar a 4.000 unidades até 2028.
          Romano está agora em busca de um local para a nova fábrica. A cidade já foi definida: será também em São Bernardo do Campo. A escolha preserva as raízes da empresa e homenageia sua história. Foi lá, subindo a serra em uma carruagem puxada por cavalos, que João Setti descobriu o setor de mobilidade.
          Hoje, os ônibus da Eletra operam em 17 cidades de 10 estados
(Fonte: Valor - 12.08.2026)

11 de ago. de 2026

Amapá Minerals

          A Amapá Minerals operou de 2005 a 2022, mas posteriormente fechou a mina e entrou em processo de recuperação judicial. A mina havia produzido quase 1,6 milhão de onças de ouro antes de entrar com o pedido de recuperação judicial, segundo o CEO Ivan Truzzi.
          A companhia foi adquirida em maio de 2025 pela empresa brasileira de investimentos Starboard a e passou a ter capital pulverizado após sua listagem na Bolsa de Valores de Toronto (TSX), embora a empresa de investimentos continue sendo sua maior acionista. 
          Em meados de 2026, vem a lume que a Amapá Minerals planeja investir em três áreas-chave para aumentar a produção de ouro e prolongar a vida útil de sua mina em Pedra Branca do Amapari, a cerca de 200 quilômetros de Macapá, no norte do Brasil. Truzzi afirmou que a empresa destinará capital para a exploração subterrânea, perfurações nas áreas ao redor da operação atual e melhorias na planta de processamento. O objetivo é identificar reservas capazes de sustentar uma produção superior a 100.000 onças por ano, patamar que a mineradora espera alcançar com seus ativos atuais em 2027.
          Os recursos para a expansão virão da listagem da empresa na TSX, concluída no final de julho de 2026, que captou C$ 140 milhões (o equivalente a cerca de US$ 100 milhões). Desde maio, a empresa produziu entre 1.500 e 2.000 onças de ouro e espera encerrar o ano com uma produção entre 26.000 e 27.000 onças, o que equivale a até 839 quilos do metal. A meta para 2027 é ultrapassar 100.000 onças. Uma onça-troy equivale a 31,1 gramas.
          A companhia ressaltou que a listagem na TSX foi realizada por meio de uma oferta primária, o que significa que todo o capital captado foi destinado ao caixa da empresa. Toda a produção atual da empresa provém de uma mina a céu aberto. A exploração de recursos subterrâneos poderia aumentar a produção ao acessar depósitos de maior teor, além de prolongar a vida útil da mina, atualmente estimada em 10 anos.
          Um segundo foco é a exploração geológica nas áreas ao redor da operação da empresa. Dos recursos captados na oferta pública inicial (IPO), US$ 15 milhões serão destinados à exploração, incluindo perfurações em áreas adjacentes à mina e a avaliação do potencial de depósitos subterrâneos.
          A terceira prioridade de investimento é a modernização da planta de processamento existente. A instalação em operação atualmente, segundo Truzzi, possui capacidade suficiente para suportar um possível aumento na produção. A planta de processamento da empresa é uma das cinco maiores do país.
          É possível supor que há espaço para melhorias técnicas que poderiam reduzir os custos de insumos e, ao mesmo tempo, aumentar a taxa de recuperação da planta. A quantidade de ouro extraída é pequena em comparação com a produção de minas de outros minerais, e nem todo o metal contido no minério é recuperado. Como resultado, segundo a empresa, mesmo um aumento de 1% na taxa de recuperação “é muito significativo” na mineração de ouro.
          A empresa planeja manter o foco no ouro, em vez de em outros minerais que possam ser identificados por meio de suas atividades de exploração. “Somos uma empresa de ouro, então temos de focar no ouro. Nosso esforço é continuar produzindo de modo que todos os novos projetos sejam totalmente voltados para o ouro”, disse o CEO Truzzi. “Mas, se encontrarmos outro mineral que seja mais valioso, teremos flexibilidade para considerá-lo.”
          O Brasil produziu cerca de 71 toneladas de ouro no ano passado, de acordo com dados do Instituto Escolhas baseados nos pagamentos da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) arrecadados pela Agência Nacional de Mineração (ANM).
(Fonte: Valor - 11.08.2026)

6 de ago. de 2026

Forest Group (Forest Paper / Revita Ambiental)

          A Forest Paper é uma das maiores empresas de corte e rebobinagem de papel do país, e a Revita Ambiental é a maior recicladora de embalagens longa vida da América Latina.
          As empresas fazem parte do grupo Forest e têm fábricas em Lages (Santa Catarina), Mairiporã (São Paulo) e Telêmaco Borba (Paraná).
          Em outubro de 2023, vem a lume que as empresas investirão R$ 60 milhões para modernizar suas instalações industriais. Vão aplicar os recursos em novas máquinas para produção de paletes e tubos, duas novas cortadoras e duas novas rebobinadeiras, bem como na reforma da área fabril.
          O destaque do novo equipamento é uma cortadora de papel da empresa alemã Jagenberg e adquirida da Stora Enso, que seria instalada na fábrica paranaense em outubro de 2023, com capacidade estimada de 60 mil toneladas anuais de diferentes tipos de papéis.
          Com este investimento, a Forest Paper aumentará a sua capacidade instalada em 25%, o que lhe permite cortar até 300 mil toneladas de papel por ano.
          Leonardo Reis, diretor de marketing e exportações da empresa, disse em nota que este é o maior plano de investimentos de todos os tempos do grupo. “Este investimento permitirá aumentar significativamente a produtividade e a eficiência, reduzir custos operacionais e modernizar processos”, afirmou.
(Fonte: Valor - 17.10.2023)

5 de ago. de 2026

Gávea Investimentos

          A gestora de fundos Gávea Investimentos foi fundada em 2003 por Armínio Fraga e Luiz Fraga, e se tornou uma das gestoras de fundos multimercado mais tradicionais do Brasil.
          Em agosto de 2026, após 23 anos de atividade, a Gávea encerra suas atividades de gestão de recursos de terceiros. Ela ransferirá seus fundos para a Bradesco Asset. A empresa já havia interrompido a captação de recursos para sua área de *private equity*, sua outra linha de atuação. Como resultado, a Gávea passará a gerir apenas a carteira remanescente de seus fundos de *private equity* e o capital dos sócios que estava investido nos veículos da própria empresa.
          "Neste mês (agosto 2026), completamos 23 anos de atividade. Há cerca de três anos e meio, decidimos não captar um sexto fundo de *private equity*, e agora chegou a vez dos nossos fundos multimercado", disse Armínio em entrevista exclusiva ao Pipeline, site de notícias de negócios do Valor, ao lado dos sócios Luiz Fraga, Bernardo Carvalho e Gabriel Srour.
          "Desde o início, focamos fortemente em investimentos macro, e foram períodos extremamente interessantes. Mas, nos últimos anos, esse mercado mudou. Uma grande parcela do capital dos sócios permaneceu investida nos fundos da própria empresa, e concluímos que era hora de repensar nossa abordagem de investimento", afirmou.
          Os investidores dos fundos multimercado da Gávea terão a opção de resgatar seus investimentos ou permanecer nos fundos sob a gestão do Bradesco. O Bradesco mantém um relacionamento próximo com a Gávea desde a sua criação. Os fundos multimercado administram cerca de R$ 2 bilhões em recursos de terceiros. A Gávea e o Bradesco enviaram um comunicado aos investidores na manhã do 
dia 4 de agosto de 2026.
          “Existe uma relação de longa data entre as duas instituições. O Bradesco é o banco delas, administra os fundos, e a parceria existe desde a fundação da gestora, criando uma relação de confiança. Foi por isso que tomaram essa decisão, pensando nos interesses dos investidores”, disse Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset.
          A gestora está discutindo a contratação de alguns funcionários da Gávea para continuar trabalhando nos fundos, uma vez que a equipe dedicada especificamente à gestão de fundos multimercado não permanecerá na empresa sediada no Rio de Janeiro.
          A empresa ainda possui cerca de R$ 1 bilhão em ativos de *private equity*. “A Gávea continuará. Ainda temos a carteira residual de *private equity*, que precisa ser gerida com o mesmo cuidado até o fim. Nada dura para sempre, mas, por enquanto, não há motivo para a Gávea deixar de existir”, disse Armínio.
          A estrutura futura ainda não foi totalmente definida, mas o capital dos sócios anteriormente investido nos fundos multimercado será redirecionado. Um dos destinos será a nova gestora de recursos de Srour. “Ainda não tomamos todas as decisões sobre a estrutura futura, mas queremos explorar estratégias mais concentradas e flexíveis, que também nos permitam assumir mais riscos. O Gabriel, nosso diretor de investimentos (CIO), lançará uma nova gestora, e nós o apoiaremos financeiramente investindo nesse fundo”, afirmou.
          A decisão ocorre em um momento desafiador para a indústria de fundos de investimento do Brasil, afetada pelas taxas de juros elevadas e pela concorrência de produtos de renda fixa. Captar recursos tornou-se difícil, e gerar retornos, igualmente desafiador. “Ninguém está captando recursos nessa categoria. A indústria de fundos multimercado e de ações perdeu quase R$ 1 trilhão em patrimônio líquido nos últimos anos. A Gávea tornou-se um símbolo de quão complexo é esse ambiente”, disse Funchal.
          No contexto macroeconômico mais amplo, o ex-presidente do Banco Central tem manifestado abertamente suas preocupações com a situação fiscal do Brasil. No entanto, Armínio insistiu que esse 
não foi o fator determinante para a decisão de negócios.
          “Não se trata de desânimo em relação ao Brasil. Mas competir com produtos isentos de impostos que oferecem uma taxa de juros real de 9% é difícil — vale ressaltar que isso vale até mesmo para o Tesouro Nacional. E nosso desempenho, com base em nossa metodologia de investimento, não tem sido bom neste período mais recente”, reconheceu ele. “É claro que todo gestor de ativos passa por alguns anos ruins. Apenas mágicos como Madoff conseguem entregar os mesmos retornos todos os anos. Acontece.” Bernie Madoff foi um gestor de investimentos americano que arquitetou um esquema Ponzi, prometendo altos retornos até que o dinheiro acabou desaparecendo.
          Os fundos macro mais antigos da Gávea acumularam retornos de 545% — o equivalente a 119% do CDI — e 470% — o equivalente a 103% do CDI. Nos últimos três anos, no entanto, assim como ocorreu com o setor como um todo, eles apresentaram desempenho inferior ao do índice de referência.
(Fonte: Valor - 05.08.2026).

New Wave / Wave Aluminium (WA)

          A empresa de tecnologia sustentável em mineração New Wave, foi criada em 2019 e tem como acionistas o empresário Gustavo Emina e a gestora de ativos Lorinvest (controladora), além de fundos internacionais, como o Orion Resourcesne o Just Climate. A empresa desenvolveu a tecnologia, 
patenteada, de micro-ondas.
          Em junho de 2026, a New Wave é contratada pela Alunorte. O que fazer com 180 milhões
de toneladas de rejeito do minério de bauxita geradas por ano no mundo na fabricação nde alumina, que no final desta década poderão superar 210 milhões de toneladas? Esse é um dos grandes problemas ambientais da indústria do alumínio, que busca soluções para dar uma destinação sustentável à chamada lama vermelha. Na Alunorte, maior refinaria de alumina do mundo, em Barcarena (PA), 40 quilômetros
ao sul de Belém, projeto de separação de minerais contidos na lama vermelha poderá se transformar num grande negócio. Um produto de alto valor é o ferro metálico de baixo carbono, cobiçado por siderúrgicas; outro é a escória (silicato de alumina), para uso em fornos de cimenteiras. O projeto é conduzido pela New Wave,
          Por meio da Wave Aluminium (WA), a empresa está em fase adiantada de instalação de uma unidade de demonstração na Alunorte, fabricante do grupo norueguês Hydro, do setor de alumínio, em Barcarena. Nessa fase, o investimento é de R$ 250 milhões para produção de 50 mil toneladas ao ano.
A previsão é de entrar em operação em novembro de 2026.
          A WA é especializada em transformar resíduos, como a lama vermelha do minério de bauxita processada, em matérias-primas de elevado valor comercial, caso do ferro metálico (mais conhecido como ferro-gusa), utilizado na fabricação de aço. O ferro metálico de baixo carbono, com alto teor ferrífero, é elemento relevante na descarbonização da siderurgia, que busca a redução de emissões de CO2
          O plano da New Wave é montar um complexo industrial capaz de processar 2,2 milhões de toneladas de rejeito por ano em cada módulo. Estão previstos três módulos na Alunorte.
          O investimento para instalar a primeira usina em escala industrial é de US$ 1,5 bilhão (R$
7,75 bilhões). Emina informa que a empresa buscará sócios investidores, como fundos internacionais de impacto ambiental, e o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
          Na produção de alumina – de 6,3 milhões de toneladas por ano –, a Alunorte gera cerca de 5 milhões de toneladas de rejeitos. É esse material que será a matéria-prima da WA, de onde vai extrair cerca de 24% do ferro contido no rejeito e cerca de 40% de coprodutos (silicato de alumina) usados na construção civil.
          De alguns anos para hoje, 2026, a lama vermelha da Alunorte sai quase seca (21% de umidade) após passar por filtros-prensa na refinaria. “Essa solução tecnológica da New Wave muda o jogo da indústria do alumínio. Não será necessário construir novos depósitos para colocar o rejeito”, afirma Carlos Neves, diretor de operações (COO) da Hydro Bauxita & Alumina. “É uma solução que se mostra viável e sustentável, que está atraindo a atenção de mineradoras de várias partes do mundo. É a mais inovadora do setor”, acrescenta Emina. O executivo informa que o custo de produção do ferro-gusa, por esse processo, sai em torno de US$ 220 a US$ 250 a tonelada. No mercado brasileiro, o produto é comercializado entre US$ 375 e US$ 410 a tonelada. Nos EUA, atinge até US$ 470 a tonelada.
          O primeiro módulo com produção em escala industrial tem previsão de ser instalado na Alunorte e entrar em operação entre 2030 e 2032. Até lá, a empresa terá de obter o licenciamento ambiental e depois mais 28 meses de obras, informa o executivo. Ele diz que a planta de demonstração visa
gerar produtos para os futuros clientes e, ao mesmo tempo, parâmetros operacionais para
a unidade industrial.
(Fonte: Estadão - 27.06.2026)

28 de jul. de 2026

CXMT

          A ChangXin Memory Technologies - CXMT, maior fabricante de chips de memória da
China foi fundada em 2016 na cidade de Hefei, no leste do país. É uma das maiores fabricantes mundiais de DRAM, ou chips de memória de “acesso aleatório dinâmico”, um tipo de semicondutor utilizado em tudo, de servidores de IA a automóveis e eletrônicos de consumo, como smartphones e computadores pessoais.        
          A CXMT está entre as muitas fabricantes de chips
que lucraram com o “boom” da inteligência artificial. Seus negócios estão prosperando à medida que a China busca maior autossuficiência em tecnologias de ponta, mas enfrenta acesso limitado a máquinas
avançadas de fabricação de chips devido às restrições impostas pelos EUA.
          “A CXMT desempenha um papel fundamental no impulso da IA na China, especialmente diante dos controles de exportação dos EUA”, afirmou Kyle Chan, pesquisador da Brookings Institution e especialista em políticas tecnológicas da China. As restrições determinadas até agora pelos EUA também impediram a China de importar os potentes chips HBM (memória de alta largura de banda) – um tipo de DRAM de alto desempenho.
          A receita da empresa disparou para 50,8 bilhões de yuans (US$ 7,5 bilhões ou R$ 38,3 bilhões) devido ao aumento repentino da demanda, impulsionada pela rápida ascensão da IA nos primeiros três meses de 2026 – um aumento de mais de 700% em relação ao mesmo período de 2025. O uso crescente da IA levou a uma escassez global de chips de memória, elevando os preços de alguns computadores e
smartphones.
          Em 27 de julho de 2026, as ações da CXMT dispararam ao começarem a ser negociadas em Xangai, na maior oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da China continental nos últimos anos.
As ações subiram 466% em seu primeiro dia de negociação. A empresa tornou-se a mais valiosa listada
em uma Bolsa da China continental, com uma capitalização de mercado estimada em cerca de 3,3 trilhões de yuans (mais de US$ 487 bilhões ou R$ 2,49 trilhões). Mas esse valor ainda é menor do que o de fabricantes sul-coreanos e americanos de chips de memória, como a Samsung Electronics, a SK Hynix e a Micron Technology.
          A empresa levantou pelo menos US$ 8,6 bilhões com a oferta, ao preço de 8,66 yuans
(US$ 1,3) por ação, em sua listagem no mercado Star da Bolsa de Valores de Xangai – semelhante à Nasdaq.
          A CXMT é vista como a melhor aposta da China para desenvolver seus próprios chips HBM. Mas ela também enfrenta muitos desafios, incluindo gargalos na cadeia de suprimentos ao ampliar a capacidade de fabricação, já que seu acesso às melhores ferramentas de fabricação de chips do mundo é altamente restrito, forçando-a a depender de fabricantes chinesesde equipamentos.
(Fonte: Estadão - 28.07.2026)