A família Freitas é um sobrenome que está na origem da vitivinicultura de altitude no Brasil. Foi Dilor Freitas quem, ainda no fim dos anos 1990, teve a intuição (e a coragem) de apostar no vinho em Santa Catarina quando quase ninguém olhava para a serra com esse interesse. Dali nasceu a Villa
Francioni, o projeto fundador e decisivo para a região.
Depois da morte de Dilor, o vinho não ficou como memória, virou continuidade. Seu filho João Paulo Freitas teve papel central na consolidação da Villa Francioni e, anos depois, deu um passo ainda mais ousado: criou, do zero, um ecossistema em torno do vinho. Assim nasceu a Fazenda Bom Retiro, no município de mesmo nome e, dentro dela, a Thera.
Hoje (março de 2026), o projeto entra na terceira geração, com Abner Freitas como CEO da vinícola, dando continuidade ao trabalho construído ao lado de seu pai, João Paulo, que segue acompanhando cada etapa.
Nada ali soa improvisado. A Thera não tenta impressionar com pirotecnia arquitetônica ou discursos grandiloquentes. O impacto vem da soma. Do conjunto da ópera. A pousada é silenciosa, integrada à paisagem, elegante sem esforço. O restaurante é um capítulo à parte: pratica uma cozinha afinada com o território, sem a ansiedade de “inventar moda”. É produto, ponto, técnica e tempo. Algo raro hoje em dia.
Não por acaso, o Thera Wine Bar virou rapidamente um sucesso na região. Ali há cozinha com identidade e técnica. Luan Honorato, que comandou a cozinha do restaurante Nomade, do Nomaa Hotel, trocou Curitiba pela Serra Catarinense e vem fazendo um trabalho belíssimo: pratos precisos, produto em primeiro plano, e uma leitura muito madura do entorno. Nada de estrelismo. Tudo conversa
com o vinho, comme il faut.
Mas o que realmente diferencia a Thera não é só a hospitalidade. É a clareza do projeto. A vinícola faz parte de um ecossistema maior, a Fazenda Bom Retiro, que une vinho, natureza, arte e um braço residencial singular: os proprietários das casas podem produzir seus próprios vinhos, usando a estrutura, o conhecimento e a equipe da vinícola. Não é marketing. É enologia aplicada à vida real.
O coração do projeto está na taça. E aqui a Thera se diferencia de vez.
A enologia de Átila Zavarize revela um entendimento fino do terroir: o respeito à acidez natural, a extração comedida, a madeira como coadjuvante. O resultado aparece na consistência, algo que só se percebe quando se provam várias safras lado a lado. O Chardonnay é um dos brancos flagship da casa.
Há algo de muito bem resolvido ali: fruta precisa, acidez viva, madeira em segundo plano. O 2024 está jovem, vibrante e mineral; o 2021 mostra equilíbrio e profundidade; e o 2017, ainda vivo e elegante, entrega algo raro no Brasil: capacidade real de guarda.
Nos espumantes, a surpresa é ainda maior. Perlage finíssima, domínio do método tradicional, precisão de dosagem. O Blanc de Blancs Extra Brut é sedoso, persistente, refinado. Está, sem exagero, entre os melhores espumantes feitos hoje no país. Não por patriotismo. Por prova cega.
Entre os tintos, vale uma atenção especial ao Pinot Noir 2020, suculento, preciso, com taninos delicados e fruta limpa. Um marco. O Montepulciano, ainda pouco comum por aqui, mostra estrutura e identidade. E o Syrah surpreende pela textura e pelo frescor, sem cair na caricatura do excesso.
O mais impressionante, porém, não é um rótulo isolado. É a consistência. Provar várias safras do mesmo vinho e encontrar identidade é sinal de maturidade técnica. De entendimento do terroir. De gente que sabe o que está fazendo. De legado aplicado ao presente.
Com certeza: a Serra Catarinense não está mais pedindo licença. Está oferecendo vinho de nível internacional, com sotaque próprio.
(Fonte: Brazil Journal (Luiz Gastão Bolonhez) - 01.03.2026)
Origem das Marcas
O blog "Origem das Marcas" visa identificar o exato momento em que nasce a marca, especialmente na definição do nome, seja do produto em si, da empresa, ou ambos. "Uma marca não é necessariamente a alma do negócio, mas é o seu nome e isso é importante", (Akio Morita). O blog também tenta apresentar as circunstâncias em que a empresa foi fundada ou a marca foi criada, e como o(a) fundador(a) conseguiu seu intento. Por certo, sua leitura será de grande valia e inspiração para empreendedores.
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15 de mar. de 2026
Vinícola Villa Francioni / Vinícola Thera
2 de mar. de 2026
Bradsaúde
Na operação, o Bradesco juntou seus negócios de saúde com a Odontoprev, que já era listada na B3 e vai incorporar todos os negócios de saúde do banco. Em seguida, a empresa vai mudar de nome para Bradsaúde. A criação dessa companhia é o maior negócio entre um banco e a área de saúde da América Latina dos últimos cinco anos.
O presidente do Conselho de Administração do Bradesco e Odontoprev, Luiz Carlos Trabuco Cappi, disse que o IPO reverso foi uma forma de se queimar etapas, além de ter custos menores que um IPO tradicional. “A Bradsaúde nasce de capital aberto, no Novo Mercado e com escala”, disse Trabuco.
“Esta é a oportunidade de fazer o IPO de todo o sistema de saúde do Bradesco”, disse o presidente do banco, Marcelo Noronha. No mercado, sempre se comentou sobre a possibilidade de o grupo fazer um IPO da área de seguros e saúde, mas até agora o projeto não havia saído do papel.
Em entrevista à imprensa, o comando do Bradesco e das empresas de saúde do grupo ressaltaram que a Bradsaúde consiste na criação de um ecossistema líder no setor, com 12% de participação no mercado de planos de saúde e de 28,3% no de planos odontológicos.
Com faturamento anual de R$ 52 bilhões, combina seguros, hospitais, diagnósticos, atenção primária, oncologia e odontologia, além de uma empresa de tecnologia em uma única plataforma integrada. “É a criação do ecossistema de saúde mais abrangente do país”, disse o presidente do Grupo Bradesco Seguros, Ivan Gontijo.
No IPO reverso, a relação de troca negociada é que o free float (ações em mercado) da Odontoprev passou a ser de 8,65% da companhia combinada, enquanto o Bradesco passou a deter 91,35% da Bradsaúde. Pelas regras do Novo Mercado, segmento no qual a companhia será listada, é preciso um free float mínimo de 25%. Noronha disse que a empresa planeja uma oferta subsequente de ações (follow-on), ainda sem data definida.
O fechamento da transação é esperado para junho de 2026, por ainda estar sujeita à aprovação regulatória e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Na operação, o Citi atuou como assessor financeiro exclusivo da Odontoprev. O Bradesco BBI e o JPMorgan também participaram, além de escritórios de advocacia Mattos Filho, Pinheiro Neto, BMA.
Bradesco passou a deter 91,35% da Bradsaúde Foto: Nilton Fukuda/Estadão
21 de fev. de 2026
Livraria Gato Sem Rabo
edifício Renata, no salão de entrada do bar Lágrima, cuja entrada se esconde entre as estantes.
A nova casa preserva o investimento em uma decoração elegante e sóbria, em que está um
acervo que passa por áreas como cinema, biografias, psicologia e música. Fica na r. Major Sertório, 95, Vila Buarque, região central da capital paulista.
Nas prateleiras, uma curadoria exclusiva de livros escritos por mulheres, cerca de 3 mil títulos.
O HM Food Café tem um amplo cardápio com cafés e chás variados, opções para café da manhã e brunch.
6 de fev. de 2026
Nu Cine Copan (antigo Cine Copan)
Nos últimos anos, porém, algumas instituições financeiras deixaram de investir em cinemas de rua, como o Itaú, a Caixa e agora a Reag, que tirou sua marca do Cine Belas Artes depois de virar alvo da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal.
A reforma do novo cinema do Copan vai começar em junho e a ideia é recuperar o projeto de Niemeyer, trazendo de volta o foyer, uma espécie de salão principal que seria construído para impedir que a entrada fosse feita pelo térreo. Hoje, o que seria o foyer faz parte de uma galeria de arte.
A ideia do projeto original era que o cinema fosse um espaço de circulação no Copan, ao permitir essa ligação entre o foyer e o térreo.
O Nubank também pretende recuperar o mesmo design da fachada do Cine Copan, com as letras em itálico e caixa alta.
Antes do início da reforma, entre fevereiro e maio de 2026, o espaço será improvisado como uma sala de teatro, e vai exibir “Hamlet”, o clássico de Shakespeare.
29 de jan. de 2026
WD-40
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Pouca gente saberia contar como a mágica acontece. Até hoje, a fórmula do WD-40 permanece um segredo. Escrita à mão, a receita fica guardada num cofre bancário em San Diego. Nos últimos 30 anos, ela só saiu de lá três vezes.
Steve Brass só teve acesso à fórmula (em 2024), depois de mais de 30 anos na companhia. Na ocasião, ele assinou acordos de confidencialidade e teve apenas alguns minutos diante do caderno.
Manter esse segredo ajuda a proteger o negócio, já que o spray ainda responde por 80% da receita da empresa. Soma-se a isso o fator anedótico: enquanto tiver gente discutindo os possíveis ingredientes, haverá marketing gratuito para o WD-40.
O clube em San Diego de pessoas com acesso à fórmula secreta do produto, talvez seja mais exclusivo que o Soho House e mais difícil de entrar do que algumas das faculdades mais prestigiadas do país. A fórmula manuscrita é guardada em um cofre no Bank of America em local não divulgado em San Diego
É necessário uma chave especial, acordos de confidencialidade, passagem por um cofre bancário e, normalmente, um cargo executivo. Não há bebidas à vontade, os membros não se misturam com pessoas famosas e chefs não preparam pratos sofisticados. O único privilégio é conhecer os segredos do lubrificante mais famoso do mundo. E ainda assim, para os que estão por dentro, não há privilégio maior.
A visualização exige algumas semanas de aviso, vários acordos de confidencialidade e a obtenção de uma chave mantida apenas pelo principal advogado da empresa. Tudo para alguns minutos com um caderno contendo a 40ª tentativa da fórmula — e as 39 falhas anteriores.
Nenhum dos executivos sabia exatamente o que estava vendo. “Não sou cientista, então não vou me lembrar do que estava lá”, disse Hyzer. “A única coisa que lembro do caderno era: ‘Não fumar’.”
A maioria dos funcionários da WD-40 nunca viu a fórmula e provavelmente nunca verá. Isso inclui pessoas que poderiam entendê-la, como Meghan Lieb, chefe de pesquisa e desenvolvimento. Ela entrou na empresa há 20 anos pensando que um dia veria a magia por trás do lubrificante. Mas suas esperanças foram rapidamente frustradas.
O caderno no cofre é a única versão que contém a fórmula completa original, que representava quase 80% da receita da WD-40 em agosto de 2025. A maioria dos funcionários que busca novos usos e produtos utiliza uma versão codificada, para preservar o segredo.
Para quem está de fora, a história é diferente. Consumidores discutem em grupos online sobre o que há dentro das latas. Há óleo de peixe? (Não). Mistura de casca de laranja, óleo de coco e baunilha para criar o cheiro doce? (Também não, segundo a empresa.)
A revista Wired testou o produto em laboratório há mais de uma década e listou alguns componentes. Uma porta-voz da WD-40 disse que alguns estavam corretos, mas muitos foram descritos de forma genérica. “É como dizer que você sabe o que tem na Coca-Cola — água gaseificada, açúcar e corante caramelo — mas simplesmente misturar esses ingredientes não recria o produto final.”
Fora do laboratório, o Reddit se tornou o lugar para explorar os milhares de usos do lubrificante. A empresa já sancionou mais de 2.000 possibilidades, mas usuários encontram mais.
A WD-40 monitora os palpites — principalmente para corrigir respostas incorretas que podem ser perigosas. Os funcionários, por sua vez, gastam o tempo especulando sobre quem conhece a fórmula, não tentando descobri-la.
Brass, o CEO, pode abrir a lista de convidados do clube um dia, talvez quando a empresa atingir US$ 1 bilhão em receita (a receita mais recente foi de cerca de US$ 620 milhões). Mas continuará sendo uma lista exclusiva, com funcionários de longa data tendo chance de entrar.
(Fonte: InvestNews/Wall Street Journal - 27.01.2026)
23 de jan. de 2026
Henry Jullien
A Henry Jullien, marca francesa de óculos foi fundada em 1921 por Henry Jullien, que desejava
criar óculos de alta qualidade que pudessem ser vendidos em todo o mundo.
Com longa história e expertise no trabalho com ouro, a Henry Jullien é conhecida por suas armações folheadas a ouro, que passam por aproximadamente 300 etapas de fabricação e são extremamente
resistentes e antialérgicas.
A empresa é também a única na França a produzir armações com esse material.
Os óculos de sol estilo aviador usados pelo presidente francês Emmanuel Macron fizeram as ações de sua fabricante, a iVision Tech, dispararem quase 28% em 22 de janeiro de 2026, depois que o visual do presidente francês durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, viralizou na internet. O grupo, que detém a marca francesa de óculos de alto padrão Henry Jullien, informou no dia anterior que o
modelo usado por Macron era o Pacific S 01, vendido por 659 euros (R$ 4 mil) em seu site.
A italiana iVision Tech adquiriu a Henry Jullien em setembro de 2023 após seu IPO em agosto. Em 2024 a empresa partiu para uma onda de aquisições, comprando quatro companhias, apenas naquele ano.
(Fonte: FAVR / G1 / Bloomberg Línea - partes)
21 de jan. de 2026
Itaueira Alimentos
A Itaueira opera unidades produtivas no Piauí, Ceará e Bahia, além de uma nova operação em Morada Nova (CE), iniciada em 2025. De acordo com a empresa, a diversificação geográfica ajuda a reduzir riscos climáticos e evita rupturas no fornecimento.
A Itaueira ultrapassou a marca de R$ 500 milhões em faturamento e, para sustentar um novo ciclo de crescimento, levou o tradicional “melão da redinha” ao mercado financeiro da Faria Lima. A Itaueira concluiu em fins de 2025 uma captação de R$ 150 milhões no mercado de capitais e se prepara para avançar a partir de 2027, após um período intenso de investimentos.
Hoje, a maior parte da produção é destinada ao mercado interno, mas a empresa também está retomando as exportações, com foco na União Europeia, Reino Unido, Canadá e Oriente Médio.
19 de jan. de 2026
Ebrasil
A empresa consolidou-se – na prática – como o principal acionista da Brava Energia, a segunda maior petroleira independente do país, atrás apenas da Prio.
A estratégia inicial, segundo uma pessoa próxima da companhia, era semelhante à de um investidor tradicional: identificar empresas descontadas, com potencial de valorização. Nesse movimento, o fundo montou posições em companhias como Cosan, Eneva, Sabesp e Sanepar. A Brava, porém, rapidamente se tornou o principal investimento da carteira. A troca de CEO, promovida pela companhia em meados de janeiro de 2026, e a compra bilionária dos ativos da Petronas na Bacia de Campos, anunciada em 16 de janeiro de 2026, deixaram claro que o grupo vem conseguindo impor sua agenda estratégica.
Com as mudanças anunciadas, que entram em vigor no início de fevereiro (2026), Kovacs deixará a presidência do conselho de administração da Brava. Seu lugar será ocupado por Alexandre Cruz, CEO da JiveMauá, que assume como chairman da companhia.
