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30 de out. de 2026

Huaxin Building Materials Group

          O grupo chinês Huaxin Building Materials Group Co. Ltd. foi fundado em 1907 e tem sua sede em Wuhan, Hubei, China. A empresa tem atuação global, no setor de materiais de construção.
          Até outubro de 2025, a companha tinha a seguinte razão social: Huaxin Cement Co., Ltd. 
          Seus principais produtos e serviços abrangem cimento, clínquer, agregados, concreto comercial, argamassas, blocos, placas, gestão ambiental e coprocessamento de resíduos em fornos.
          Considerando números de outubro de 2026 a empresa conta com cerca de 21.889 colaboradores, com mais de 300 subsidiárias em várias províncias da China e em diversos países da Ásia, África e Oriente Médio. A empresa tem ações listadas nas bolsas de Xangai (600801) e Hong Kong (6655.HK).
          Em 30 de outubro de 2026, a Companhia Siderúrgica Bacioanal - CSN, informa "aos seus acionistas e ao mercado em geral que celebrou, nesta data, o acordo de exclusividade com a Huaxin Building Materials Group Co. (“Huaxin”) contendo prazo de duração de 10 dias, com objetivo de assinar os documentos definitivos relativos à alienação de ações de emissão da CSN Cimentos Brasil S.A. (“CSN Cimentos”). O acordo de exclusividade contempla um valor de empresa (enterprise value) de R$ 12,7 bilhões para a CSN Cimentos e a intenção da Companhia é obter a assinatura em matéria de dias."
          A empresa também avançou em outras frentes internacionais, como o acordo para adquirir 67,6% da Holcim Filipinas e projetos em países da África e Ásia.
(Fonte: IA - Google - 30.10.2026 - parte)

27 de out. de 2026

Mubadala Investment Company

          A Mubadala Investment Company é firma soberana de Abu Dhabi.
          Em 30 de novembro de 2021, a Petrobras finalizou a venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), em São Francisco do Conde, na Bahia e seus ativos logísticos associados para o Mubadala Capital (MC Brazil Downstream Participações). A operação foi concluída com o pagamento de US$ 1,8 bilhão (R$ 10,1 bilhões) para a Petrobras, valor que reflete o preço de compra de US$ 1,65 bilhão, ajustado preliminarmente em função de correção monetária e das variações no capital de giro, dívida líquida e investimentos até o fechamento da transação. A refinaria é a primeira dentre as oito que estão sendo vendidas pela Petrobras a ter o processo concluído. A Acelen, empresa criada pelo Mubadala Capital para a operação, assumiu a gestão da RLAM, que passa a se chamar Refinaria de Mataripe, a partir de 1º de dezembro de 2021.
          O presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, disse que a conclusão da venda reflete a importância da gestão de portfólio e fortalece a estratégia da companhia. A Petrobras acredita que, com novas empresas atuando no refino, o mercado será mais competitivo e haverá mais investimentos. É também parte do compromisso firmado pela Petrobras com o Cade para a abertura do mercado de refino.
          Além da Refinaria Landulpho Alves, outras duas refinarias já tiveram seus contratos de venda assinados: a Refinaria Isaac Sabbá (Reman), no Amazonas, cuja assinatura ocorreu em 25 de agosto de 2021, e a Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), no Paraná, com contrato assinado em 11 de novembro de 2021.
          A Acelen foi criada pelo fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala Capital, para a operação da 
gestão de refinaria recém adquirida no Brasil.
          Na noite de 20 de fevereiro de 2024, a Zamp anunciou o saque definitivo dos recursos dos Serviços de Administração de Fundos Fitpart. A FitPart reduziu sua participação de 16,8% para zero. Segundo fontes familiarizadas com o assunto, a gestora foi contra a decisão de retirar a Zamp do Novo Mercado, segmento de governança mais rígido da B3. Isto foi algo defendido pelo fundo árabe Mubadala Capital e apoiado pela RBI, empresa parcialmente detida pela 3G Capital, e neste cenário a FitPart decidiu renunciar. Controlada pelos bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, a 3G Capital detém 29% da RBI, que controla mundialmente a marca Burger King. A Fitpart (family office de ex-acionistas do Banco Garantia), ao lado dos minoritários contrários à medida, decidiu vender sua posição na empresa, que segundo fontes passou para as mãos da Mubadala. A Mubadala anunciou ao mercado em 21 de fevereiro (2024) a compra de American Depositary Receipts (ADRs) representativos de 16,8% do capital da Zamp. Além dos ADRs, a Mubadala passou a deter 2,9% do capital em instrumentos derivativos, o que elevou sua posição na empresa de 38,5% para 58,3%. Dessa forma, o fundo árabe assumiu o controle da operadora Burger King – e passou a decidir os próximos passos estratégicos da empresa. O RBI, por meio do veículo Burger King do Brasil, detém 9,4% das ações, sendo 34% disponíveis para negociação no mercado aberto. Também foi comunicado ao mercado que Hugo Segre Junior, membro do conselho de administração da Zamp e vinculado à Fitpart desde 2018, decidiu renunciar ao cargo. Isto era esperado pelo mercado, dadas as divergências da gestora de recursos com a posição da Mubadala e do 3G.
          A Mubadala Capital, que tem como principal investidor o fundo soberano de Abu Dhabi, adquiriu em 2023 pouco mais de 70% da ATG, dando início à constituição de uma segunda Bolsa no Brasil. O restante está em um fundo de investimento em participações (FIP) sob gestão da Angra Partners e executivos da ATG.
          O processo de venda do Porto Sudeste em que Mubadala é acionista, atraiu, em agosto de 2026, um volume relevante de interessados e curiosos, mas alguns deles recuaram na hora do lance. O Pipeline apurou que Stonepeak e M Resources estavam consorciadas para tentar comprar o ativo, mas se assustaram com a expectativa de preço dos acionistas Mubadala e Trafigura. O brasileiro Paulo Gouveia, que foi da EBX e conhece bem o projeto portuário (nascido dos Power Points de Eike Batista), também vinha reunindo um grupo de investidores, mas recuou, disseram as fontes. Entre esses investidores nacionais e estrangeiros, a avaliação é que o Sudeste valeria algo mais próximo a US$ 2 bilhões ou US$ 2,5 bilhões
          Em fins de outubro de 2026, a gestora americana Apollo, que administra US$ 1,05 trilhão em ativos, comprou uma participação minoritária na Mubadala Capital, o braço de investimentos alternativos da firma soberana de Abu Dhabi, Mubadala Investment Company. A fatia, não revelada pelas partes, é estimada em 10%. Ao entrar no negócio, a Apollo se comprometeu com US$ 5 bilhões em investimentos iniciais. Apollo e Mubadala já fizeram coinvestimentos ao longo dos últimos anos, por meio de parceria estratégica, que os árabes também fecharam com Goldman Sachs e Fortress. Mas não tinham até então laço societário.
(Fonte: agênciabrasil.ebc - 30.11.2021 / Valor - 22.02.2024 / Valor Pipeline -26.08.2026 / 27.10.2026 - partes

23 de out. de 2026

Starlink

          A Starlink Services, LLC, que opera sob o nome Starlink, é uma subsidiária de telecomunicações da empresa aeroespacial norte-americana SpaceX. Tem sua sede em Redmond, Washington, Estados Unidos.
          A Starlink foi anunciada publicamente em janeiro de 2015, quando a SpaceX abriu sua instalação de desenvolvimento de satélites em Redmond Washington. Na inauguração, Elon Musk, o fundador, afirmou que ainda havia no mundo uma demanda não atendida por banda larga de baixo custo.
          Em novembro de 2016, a SpaceX pediu à FCC licença para operar um "sistema de satélites em órbita não geoestacionárioa (NGSO) no serviço fixo por satélite, usando as faixas de frequência das bandas Ku e Ka. Em setembro de 2017, a FCC concedeu uma licença que exigia que metade da constelação estivesse em órbita em seis anos e que o sistema completo funcionasse em até nove anos a partir da data da licença.
          Depois do lançamento de dois satélites de teste em fevereiro de 2018, o primeiro lote de sessenta satélites Starlink operacionais foi lançado em 24 de maio de 2019.
          Em meados de 2026, a Starlink já era a principal provedora de internet na zona rural brasileira, deixando para trás as teles tradicionais, de acordo com pesquisa da Ookla, consultoria global de telecomunicações. A Starlink tem 9,3% de participação de mercado brasileiro de banda larga fixa no campo, uma clientela maior do que Claro (6,5%), Vivo (5,4%) e TIM (0,6%).
          A Starlink vem crescendo a passos largos desde que iniciou suas operações há quatro anos. O Brasil se tornou seu segundo maior mercado, com mais de 1 milhão de clientes, conforme a empresa divulgou no X. O crescimento rápido se deve ao fato de que ela fornece internet de alta velocidade por satélites, o que exige apenas uma antena e um roteador no solo.
          A pesquisa da Ookla mostrou que a Starlink ampliou em 8,3% sua base de clientes em zonas rurais nos últimos 12 meses, enquanto Vivo e TIM cresceram apenas 2,6% e 0,3%, respectivamente, e a Claro encolheu 0,5%. “Os mercados mais fortes da Starlink são precisamente os lugares onde a rede de fibra (óptica) ainda não chegou”, descreveu o analista Mike Dano, em seu relatório.
          Já nas cidades, as teles tradicionais dominam o mercado de banda larga fixa, com boa cobertura da fibra óptica, velocidade mais alta e preços mais competitivos. A Starlink vem ganhando assinantes em capitais como São Paulo e Rio, por exemplo. No entanto, tem só 1,4% de participação, bem atrás da
Claro (24,6%), Vivo (18,3%) e TIM (3,1%). “Seus ganhos são mais modestos ”, afirmou Dano.
          Além do serviço civil de banda larga, a Starlink é usada em comunicações governamentais e militares, entre elas as empregadas na Guerra Russo-Ucraniana. A grande quantidade de satélites da constelação recebeu críticas de astrônomos por aumentar a poluição luminosa e o congestionamento orbital.
          Um grande debate surgiu na semana de 19 a 23 de outubro de 2026 sobre o motivo pelo qual o acesso da Ucrânia a uma versão de uso militar do serviço de internet via satélite Starlink foi restringido.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alertou que a medida colocou vidas em risco e deu a entender que se sentiu traído por Elon Musk — cuja empresa, a SpaceX, opera a rede — e pelo presidente Trump. O *The Wall Street Journal* e o *The Times* relataram que Trump ligou para Musk pedindo que ele restabelecesse totalmente o acesso à rede de satélites, conhecida como Starshield. Ao ser questionado no dia 22 se havia feito tal ligação para Musk — conforme noticiado inicialmente pelo *The Wall Street Journal* —, Trump evitou responder. “Não quero comentar se liguei ou se outra pessoa ligou; acho que isso não faz diferença. O que importa é que ele restabeleceu o acesso”, disse o presidente aos repórteres. Questionada sobre o assunto, a Casa Branca remeteu às declarações de Trump. Até o dia 23 (outubro 2026), não estava claro se o acesso à rede Starshield havia sido totalmente restabelecido. Algumas autoridades ucranianas afirmaram que esse ainda não era o caso.
          Na quarta-feira, a coluna *DealBook* questionou quais poderiam ser as consequências de permitir que Musk, um cidadão particular, exerça um poder geopolítico tão amplo.
Considerando dados de 2026, a Starlink fornece acesso à Internet de banda larga em cerca de 160 países e territórios. Em junho de 2026, com 12 milhões de assinantes, a rede tinha cerca de 10.413 satélites, dos quais 10.397 estavam operacionais, em órbita terrestre baixa (LEO). Eles se comunicam com terminais de usuário e estações terrestres de acesso que conectam a constelação à infraestrutura terrestre da Internet.
(Fonte: Estadão - 30.07.2026 / Wikipédia / DealBook New York Tmes - October 23, 2026 - partes)

22 de out. de 2026

Prudential

          A seguradora americana Prudential entrou no Brasil em 1998 por meio de uma parceria inicial com a seguradora brasileira Unibanco AIG. Posteriormente, a empresa construiu um negócio expressivo de seguros de vida individual, utilizando, principalmente, uma rede de franquias composta por consultores de seguros — denominados "planejadores de vida" (life planners) — para a distribuição de seus produtos.
          Por volta de meados de julho de 2026, a Prudential anunciou sua decisão de deixar os mercados brasileiro e mexicano, como parte de uma revisão mais ampla de suas operações internacionais.
          Em fins de julho de 2026, CNP, HDI e Zurich estavam entre as candidatas para comprar a Prudential, que tinha 10% do mercado de seguros de vida no Brasil, e que pôs à venda suas operações no Brasil. O negócio poderia sair por mais de R$ 15 bilhões.
          Em 20 de outubro de 2026, a Prudential Financial fechou a venda das suas operações no Brasil e no México para o grupo francês CNP Assurances. A americana informa preço total de US$ 4,03 bilhões em dinheiro, sujeito a ajustes de fechamento. A conclusão está prevista para o segundo semestre de 2027, após aprovação de órgãos reguladores.
          A aquisição do pacote de operações, um lance em patamar elevado - enquanto outros proponentes estavam mais perto de US$ 3 bilhões - e a visão de que não haverá um embate cultural entre as empresas foram determinantes para o desfecho, disseram pessoas próximas à operação. A americana Metlife, a japonesa Daiichi e a espanhola Mapfre chegaram a passar para a segunda fase do processo, mas a CNP era apontada como favorita desde o inicio do processo, como mostrou o Pipeline.
          "Esta não é uma decisão específica para o Brasil ou o México, mas sim uma estratégia de realocação de recursos. A decisão não reflete o desempenho de nossas operações no Brasil e no México, nem o potencial desses mercados. Pelo contrário, este tem sido um dos melhores anos para nossas operações em mercados emergentes. Acreditamos que o potencial de crescimento continua muito elevado", afirmou David Legher, presidente da Prudential para mercados emergentes.
          Em 2025, a Prudential detinha uma participação de 26,7% no mercado brasileiro de seguros de vida individual. Naquele ano, a companhia gerou R$ 7,5 bilhões em prêmios — um aumento de 19% — e registrou um lucro líquido de R$ 1,2 bilhão.
(Fonte: Valor - 21.10.2026)

21 de out. de 2026

CNP Seguradora (CNP Assurances)

          A CNP Seguradora (Brasil) foi fundada em 2001, e tem atuação destacada em seguros de vida, previdência, capitalização, consórcios e planos odontológicos.
          A companhia é parte do grupo francês CNP Asssurances, seu acionista majoritário, e formou uma joint venture com a Caixa Econômica Federal.
          Em 2023, após uma reorganização societária, a empresa passou a operar com uma marca própria. Suas subsidiárias CNP Capitalização, CNP Consórcio, Previsul e Odonto Empresas passaram a operar de forma integrada sob a nova marca.
          A CNP Seguradora adota um modelo de negócios baseado em parcerias do tipo B2B2C (Business to Business to Consumer). Por meio dessa abordagem, a empresa distribui seus produtos de seguros por intermédio de instituições financeiras e varejistas, como, Correios, XP Investimentos, BRB, Carrefour, Lojas Americanas, Cresol, entre outros. Esse modelo permite que a CNP Seguradora alcance uma base diversificada de consumidores por meio dos canais de distribuição de seus parceiros.
          Em fins de julho de 2026, CNP, HDI e Zurich estão entre as candidatas para comprar a americana Prudential, que tem 10% do mercado de seguros de vida no Brasil, e que pôs à venda suas operações no Brasil. O negócio poderia sair por mais de R$ 15 bilhões.
          Em 20 de outubro de 2026, a Prudential Financial fechou a venda das suas operações no Brasil e no México para o grupo francês CNP Assurances. A americana informa preço total de US$ 4,03 bilhões em dinheiro, sujeito a ajustes de fechamento. A conclusão está prevista para o segundo semestre de 2027, após aprovação de órgãos reguladores.
          A aquisição do pacote de operações, um lance em patamar elevado - enquanto outros proponentes estavam mais perto de US$ 3 bilhões - e a visão de que não haverá um embate cultural entre as empresas foram determinantes para o desfecho, disseram pessoas próximas à operação. A americana Metlife, a japonesa Daiichi e a espanhola Mapfre chegaram a passar para a segunda fase do processo, mas a CNP era apontada como favorita desde o inicio do processo, como mostrou o Pipeline.
          Enquanto a parceria com a Caixa proporciona à CNP acesso a uma ampla base de clientes, a Prudential concentra-se em clientes de maior renda que utilizam o seguro de vida para proteger seu patrimônio e planejar a sucessão.
          A transação coloca o CNP entre as cinco maiores seguradoras da América Latina. A Prudential já deixou 60% das operações em mercados emergentes.
(Fonte: Wikipédia / InvestNerws - 23.07.2026 / Pipeline - 20.10.2026 / InvestNews 21.10.2026 / Valor - 21.10.2026 - partes)


20 de out. de 2026

Marché des Enfants Rouges

          O mercado parisiense Marché des Enfants Rouges foi fundado em 1615 e tombado como monumento histórico em 1982. O mercado nasceu para abastecer a cidade, mas com o tempo, seus corredores ganharam outra vocação: além de comprar frutas, verduras e carnes, passou a ser possível almoçar ali, entre bancas e cozinhas de diferentes partes do mundo.
          Um aglomeradão de gostosuras e culturas, sob as vigas metálicas e as coberturas envidraçadas, que, nos anos 2000, ganhou ares de destino gastronômico no Alto Marais, bairro que se tornaria um dos redutos bobo (burguês-boêmio) de Paris.
          Entre os quase 20 balcões, ao fundo, à direita, o mais disputado talvez fosse o Les Enfants du Marché, aberto por Michael Grosman em 2017. A proposta, concebida com amigos, combinava cozinha bistronômica, pratos criativos, vinhos bem escolhidos, muitos deles naturais, e serviço direto no balcão. Sem reservas, era preciso esperar a vez para provar o que saía da cozinha aberta. E valia a pena.
          Eram 18 estabelecimentos, entre operações gastronômicas e outros comércios, que avivavam toda a paisagem do bairro.
          Na madrugada de domingo para segunda-feira, 12 de outubro de 2026, as chamas devastaram 
o mercado coberto mais antigo da capital francesa. Não houve vítimas, mas a destruição atingiu um lugar com quatro séculos de história e cuja vida recente se fez também à mesa.
          Lousas, pétalas, pães. O fogo consumiu os vestígios de um dia qualquer no Marché des Enfants Rouges, em Paris, e esfumaçou a vizinhança.
          O incêndio não encerrou os planos de Grosman. Em uma publicação nas redes sociais, o restaurateur lamentou que parte da história do mercado tivesse virado cinzas, mas afirou que já pensa nos próximos passos. Procura uma casa temporária em Paris onde possa instalar uma cozinha e voltar a receber equipe e amigos. Pediu aos seguidores contatos, ideias e pistas para encontrar esse novo endereço.
          Claro, o Les Enfants du Marché não estava sozinho. O mercado abrigava o Chez Taeko, conhecido pelos bentôs japoneses; o Corossol, de cozinha caribenha; o The Butcher of Paris; o Burger Fermier des Enfants-Rouges; e traiteurs marroquinos, italianos e libaneses. Mais recentemente, chegaram a crêperie Lulu e a Roasted, especializada em frango.
          O Enfants Rouges encontra um paralelo em Covent Garden, em Londres. A primeira referência escrita ao mercado inglês é de 1654. Os dois atravessaram séculos, mas seguiram caminhos diferentes: Covent Garden deixou de ser um mercado de frutas e verduras para se tornar um polo de compras,
 cultura e gastronomia; no Marais, o comércio de alimentos frescos dividia espaço com cozinhas que convidavam a comer ali mesmo.
          Agora, o mercado parisiense terá de encontrar um caminho de volta. As lousas, as pétalas e
os pães queimaram-se, mas a história não se apaga. 
(Fonte: Estadão (Fernanda Meneggtti) - 18.10.2026)

19 de out. de 2026

Ecovix

          A Ecovix Construções Oceânicas foi fundada em 2010. A empresa é proprietária e operadora do Estaleiro Rio Grande, localizado no município de Rio Grande, no Rio Grande do Sul.
          A companhia atua em projetos, construção, reparo de estruturas para operações oceânicas, plataformas de petróleo, módulos e embarcações.
          Em 2016, a empresa entrou em recuperação judicial para renegociar dívidas tributárias.
          A Ecovix conta com o maior dry dock (doca seca) da América Latina e guindastes de grande porte (como pórticos de 600 e 2.000 toneladas).
          Em julho de 2025, a empresa encerrou oficialmente seu processo de recuperação judicial (que durou nove anos, iniciado em 2016), após renegociar dívidas tributárias e assinar novos contratos com a 
Petrobras e outras companhias.
          Em outubro de 2026 a Ecovix iniciou a construção do primeiro de quatro navios Handymax para a Transpetro, braço logístico da Petrobras – parte de uma licitação de renovação da frota. As embarcações terão capacidade de 16 mil toneladas para transporte de diesel e gasolina de aviação. Ao todo, o estaleiro vai entregar 13 navios à estatal nos próximos anos.
(Fonte: IA - 19.10.2026 / InvestNews - 19.10.2026 - partes)

17 de out. de 2026

Filarmônica de Berlim (Berliner Philharmoniker)

          Rankings são sempre polêmicos, mas no caso da Filarmônica de Berlim (Berliner 
Philharmoniker) não costuma haver briga quando a orquestra é definida como a melhor do mundo.
          A Filarmônica foi criada em 1882 e seus primeiros diretoresa alcançar o status de lenda foram Hans von Bulow e Arthur Nikisch, que ficou no cargo de 1895 até 1922. Wilhelm Furtwängler assumiu 
em seguida. Herbert von Karajan tornou-se titular em 1956 e ficou no cargo até sua morte, em 1989.
          A escolha de um maestro para dirigir a Filarmônica é o mais próximo que se tem, na música clássica, da escolha de um novo papa. A orquestra é autogerida, o que significa que a escolha é feita pelos músicos – sem sua aprovação, ninguém pisa no púlpito para comandar um concerto. E, como acontece com os papas, as gestões costumam ser longas.
          O russo Kirill Petrenko, nascido em 1972, eleito na temporada 2019/20, é apenas seu oitavo maestro titular em 144 anos. O primeiro, Hans von Bülow, ficou seis anos, entre 1887 e 1892. Arthur Nikisch consolidou o prestígio da orquestra nos 27 anos seguintes. Willhelm Furtwängler, entre 1922 e 1945, liderou período ao mesmo tempo de altíssima qualidade musical e tenebroso, em que a orquestra tornou-se “garota-propaganda” do regime nazista. “Desnazificado” pelo tribunal dos Aliados no pós-1945, retornou à orquestra entre 1952 e 1954.

Durante o período nazista, a orquestra não tocou compositores judeus. No pós-guerra, quando teve como titular o romeno Sergiu Celibidache, que assumiu a direção em 1945, trocou a suástica pela águia norte-americana a mando do Comando Aliado, durante o processo de desnazificação. Com ênfase maciça numa penca de compositores norte-americanos, Copland e Barber à frente. Em 1954, quando Furtwängler morreu, Celibidache teve o tapete puxado pelo ex-nazista Herbert von Karajan.

          Cada vez mais tornava-se evidente que a autogestão da orquestra não garantia liberdade de princípios ou resistência às investidas do poderoso de plantão. As orquestras sinfônicas estiveram historicamente atreladas ao jogo político vigente, por causa do alto grau de investimento que exigem; o grande contingente de mão de obra especializada necessária, o staff administrativo, além dos músicos, e os vínculos mais ou menos espúrios com o Estado, velados ou não. Ao assumir, Karajan iniciava o mais longo reinado de um maestro à frente da orquestra: 34 anos, entre 1955 e 1989.

          Além de sua genialidade como maestro, perpetuou-se em vida porque transformou-a em um fenômeno de fato global, planetário. Consolidava-se, na década de 1950, o “long play”, lançado em 1948 pela Columbia norte-americana: dos 3 a 5 minutos do 78 rotações passava-se para dois lados de 23 a 26 minutos cada. Ideal para grande parte do repertório sinfônico. Karajan abraçou o LP, tornou a orquestra campeã de vendas no mundo todo. A ponto de ter sido consultado sobre a minutagem ideal do CD, criado em 1979 pela Sony. Foi o maestro que definiu sua duração máxima, a partir dos 75 minutos da Nona Sinfonia, de Beethoven. Pois maestro e músicos de Berlim encheram as burras com quatro integrais das sinfonias de Beethoven, uma versão em cada década de reinado do maestro, dos anos 60 aos 80.

          Não seria justo atribuir a Karajan apenas tino comercial. Ele foi um músico extraordinário. Os dois maestros que o sucederam – pela ordem, o italiano Claudio Abbado e o britânico Simon Rattle – tiveram pela frente a dura tarefa de “humanizar” a orquestra.

          Abbado rejeitou o modelo ditatorial de Karajan. “Para todos vocês, sou Claudio”: foi assim que se apresentou à orquestra quando subiu ao pódio para o primeiro ensaio, em 1989. Aliás, nos ensaios, falava em voz baixa, pouco mais que um murmúrio, obrigando os músicos a se inclinarem para ouvi-lo. O silêncio em torno de Abbado nunca era opressor, mas de concentração, expectativa e partilha. Quando algo não ia bem, ele parava, olhava para a orquestra, sorria gentilmente e dizia algo como: “Vamos tentar novamente, talvez com um pouco mais de respiração”. Impactava mais os músicos com sua decepção muda do que com as explosões de raiva de seu antecessor.

          Sua relação com a música de Gustav Mahler não era apenas musical. Era ética. Ele acreditava que Mahler exigia verdade, humildade e honestidade existencial. Durante os ensaios da Nona Sinfonia, Abbado certa vez fez uma pausa e disse: “Não se trata de som. Trata-se de como nos desapegamos”. Quando lhe perguntavam por que seu Beethoven soava tão diferente do de Karajan, ele respondia: “Porque eu não sou Karajan – e Beethoven permite muitas verdades”.

A escolha de Simon Rattle em 2002 afastou ainda mais a atmosfera tensa dos 44 anos de Karajan. Rattle incluiu obras de compositores contemporâneos como Wolfgang Rihm, Sofia Gubaidulina e Thomas Adès. Lançou o Digital Concert Hall, portal de transmissão dos concertos ao vivo da filarmônica, com acesso ao riquíssimo *acervo digital de concertos e gravações.
          Petrenko foi eleito como sucessor de Rattle em 2015, mas só assumiu efetivamente na temporada 2019/2020. Em fevereiro de 2022, protestou contra a invasão da Ucrânia pela Rússia, chamando-a de “facada nas costas de todo o mundo pacífico”. Há sete anos no comando da filarmônica, representa, de certo modo, um movimento de afirmação dos pilares básicos que a tornaram paradigma das orquestras do planeta.
          A incontestável posição da Filarmônica de Berlim no ranking tornou a presença do grupo no fim de semana de 17 a 19 de outubro de 2026 em São Paulo uma ocasião marcante da cena musical.
          A Filarmônica fez três concertos na Sala São Paulo, promovidos pela Tucca (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer): como parte especial do projeto Música pela Cura, o resultado financeiro do evento é destinado ao tratamento de crianças e adolescentes em situação de 
vulnerabilidade com câncer.
          No dia 17, os 12 Violoncelos da Filarmônica de Berlim fizeram uma apresentação extra, em uma noite única que reuniu grandes clássicos, jazz, chanson francesa, música latino-americana e arranjos especialmente escritos para o célebre conjunto.
          No domingo, 18, o programa teve o Concerto para piano n.º 1, de Johannes Brahms, e Assim Falou Zaratustra, de Richard Strauss. No dia 19, foram apresentadas a abertura As Hébridas, de Mendelssohn, as Variações Enigma, de Elgar, e a Sinfonia n.º 4, de Tchaikovski.
          O solista, no domingo, foi o pianista Víkingur Ólafsson, conhecido do público paulistano, já tendo se apresentado com a Osesp e também em recital na Sala São Paulo. A regência é do maestro titular do grupo, o russo Kirill Petrenko, no posto desde a temporada 2019/2020.
(Fonte: Estadão - 16.10.2026 / 18.10.2026 - partes)

15 de out. de 2026

Mundial S.A.

          A Mundial S.A. é uma fabricante gaúcha de válvulas, talheres, alicates e produtos de beleza. É resultado das iniciativas de Paul Zivi e Abramo Eberle, dois notáveis pioneiros responsáveis por iniciar empreendimentos que se confundem com a história do desenvolvimento industrial do Rio Grande do Sul e do Brasil. Abramo Eberle foi o fundador da Eberle, em 1896, na cidade de Caxias do Sul/RS.
          Já Paul Zivi deu início à Zivi-Hercules SA, em 1931, na cidade de Porto Alegre/RS. O desenvolvimento da Eberle se mistura à história de Caxias do Sul, já a Zivi-Hercules tornou-se um marco no estabelecimento da tradição cuteleira no Brasil.
          Em 1985, a Zivi-Hercules adquiriu a Eberle, criando o Grupo Zivi-Hercules-Eberle. No final de 2003, diante da incorporação da Zivi pela Eberle, a denominação do grupo passou a ser Mundial SA Produtos de Consumo. Desde então, muitas mudanças foram implementadas, novas marcas surgiram, e novos produtos foram lançados.
          A Mundial viu suas ações subirem 3.300% entre 6 de abril e 19 de julho de 2011, para depois caírem 86% entre 20 e 22 de julho (só no último dia, a queda foi de 76%). A alta foi impulsionada por uma combinação de uma bela narrativa com movimento orquestrado de investidores comprando as ações e o nome “Bolha do Alicate” foi dado por causa do principal produto da empresa.
          Na prática: um investidor que comprou R$ 1.000 em ações da MNDL3 no começo de abril viu seu capital virar R$ 34.000 no ápice da euforia e depois cair até R$ 4.500. Olhando assim, pareceu um bom negócio esse lucro de R$ 3.500, certo? O problema é que o grosso dos investidores entrou na ação na segunda metade de junho, quando os preços já estavam muito inflados. Ou seja: a maioria entrou pra pagar a conta dos poucos que chegaram antes na festa.
          No fatídico dia 22 de julho de 2011 (dia que a ação caiu 76%) o desespero era de quem estava comprado e não conseguia vender os papéis. Por causa da enxurrada de vendedores querendo se livrar de MNDL3, a bolsa congelou os negócios com o papel e eles só foram negociados em “três instantes” diferentes do dia – um durante a manhã, outro de tarde e outro no fechamento. A ação não conseguiu ficar 1 minuto inteiro sendo negociada naquele dia, era “abriu, despencou, congelou”. Mesmo quem queria vender ou tinha um “stop loss” na operação não conseguiu evitar o pior.
          Pior que isso, só as histórias que ouve-se na redação do InfoMoney (Thiago Salomão era repórter de lá na época), de investidores que estavam “termados” no papel (termado: usar o mercado a termo para ficar “alavancado” em uma ação). Por causa da alavancagem, esses aí perderam muito mais do que tinham. É pior do que “game over”, pois agora esse cara ficou devendo para a corretora e teve que entregar o que tinha e o que não tinha para quitar suas dívidas.
          Já se ouviu de mais de um investidor que “uma tese de investimento nada mais é do que uma história bem contada”. E a Mundial conseguiu, através de um esforço de “marketing” da própria empresa e de assessores de investimentos, criar uma bela narrativa: promessas de melhorias operacionais, parcerias com investidores internacionais, migração para o Novo Mercado fizeram parte deste roteiro, que foi apresentado em várias palestras para investidores em corretoras (se já existisse Zoom ou Instagram naquela época, talvez essa bolha não tivesse demorado 3 meses pra nascer).
          Mas essa linda história não seria nada se não tivesse um público aplaudindo e pedindo bis: é aí que entra a parte braçal do negócio: segundo a CVM, as investigações pós-estouro da bolha revelaram um conjunto de operações com características de manipulação do mercado e negociação com uso de informação privilegiada realizadas por um grupo de investidores.
          Isso é o que no mercado é chamado de “Zé com Zé”, quando dois (ou mais) investidores se unem para fazerem vários negócios com uma ação de forma a inflar o preço dela. Mas fazer isso dar certo é quase como fazer um carro “pegar no tranco”: se o carro não ligar, você vai ficar empurrando até não ter mais fôlego. No mercado, o “fôlego” seria o dinheiro dos Zés e o carro ligar seriam outros investidores comprarem a tese.
          Na Mundial, o tranco funcionou muito bem. O frenesi em torno da fabricante de alicates (eu gosto de enfatizar isso para lembrar que não estamos falando de alguma empresa disruptiva, mas de uma… fabricante de alicates) era tão grande que a MNDL3 iria tornar-se elegível para entrar no Ibovespa devido ao volume financeiro expressivo em bolsa. Com isso, todos os fundos de investimentos cujo mandato é acompanhar o Ibovespa iam ter que comprar MNDL3, gerando uma demanda extra no papel. Foi aí que finalmente acendeu o alerta da B3 (na época, BM&FBovespa).
          Com a Bolsa vetando a entrada da Mundial no Ibovespa, o mercado parece que caiu na real de que uma fabricante de alicates não poderia aumentar em 34 vezes seu valor de mercado em tão pouco tempo. Como toda bolha, o estouro dela foi muito mais rápido do que a velocidade de alguém explicar o que estava acontecendo.
          No final de 2012, mais de um ano depois do estouro da bolha, o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul apresentou denúncia contra 10 pessoas por três crimes: formação de quadrilha, manipulação de mercado e insider trading. Entre os 10 acusados, estavam assessores de investimentos e o presidente da Mundial.
          Todos foram absolvidos pelo crime de formação de quadrilha. Sobre os outros crimes, a última decisão proferida veio do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) em dezembro de 2019, absolvendo dois envolvidos pelos crimes de manipulação de mercado e uso de informação privilegiada.
          Após tudo isso, a Mundial não conseguiu autorização para entrar no tão sonhado Novo Mercado. Ela passou para a categoria “Walking Dead” da bolsa. O valor de mercado da empresa, em 14 de outubro de 2026 era de R$ 168,6 milhões.
          Hoje, com mais de 130 anos de experiência, a Mundial SA é, segundo seu site, uma empresa socialmente responsável, apaixonada pelo desenvolvimento de pessoas e processos, que busca sempre inovar e multiplicar soluções.
          Suas principais marcas são Impala (esmaltes), Mundial Personal Care, Mundial Hercules (produtos para cozinha), Mundial Crafts (tesouras), Eberle e Syllent (motobombas).
(Fonte: site da empresa / InfoMonmey (Thiago Salomão - 16.02.2021 - partes)