A SpaceX, fabricante de foguetes reutilizáveis, fornecedora de internet via satélite e
desenvolvedora de inteligência artificial foi criada pelo bilionário Elon Musk.
A fabricante de foguetes subverteu a lógica do setor espacial, historicamente dominado por programas de agências governamentais, como a americana Nasa. Criada em 2002, a SpaceX assinou o primeiro contrato com a Nasa em meados de 2006. Na época, a empresa recebeu financiamento para desenvolver aeronaves capazes de transportar cargas e tripulação à Estação Espacial Internacional (ISS). Hoje, a agência espacial depende da infraestrutura fornecida pela SpaceX para levar astronautas ao
espaço.
A SpaceX, de Elon Musk, pagará US$17 bilhões (R$92,07bil) para comprar licenças sem fio da operadora em dificuldades Echo Star Spectrum para fortalecer sua rede Starlink, abrindo caminho para a expansão de seus serviços nos EUA. A vendao corre após questionamento dos reguladores americanos sobre se o grupo estava cumprindo a obrigação de construir uma rede de telefonia móvel baseada em satélite 5G depois deter gasto bilhões de dólares na aquisição de licenças. O acordo prevê que a SpaceX pagará US$ 8,5 bilhões
em dinheiro e os US$ 8,5bilhões restantes em suas próprias ações. A aquisição é
vista como essencial para
os esforços da SpaceX de expandir seu serviço de satélite Starlink, impulsionando
sua cobertura de rede5G direta para celular através do
acesso às chamadas licenças
AWS-4 e H-block. Em agosto (2025), a EchoStar a vendeu licenças para a AT&T por US 23 bilhões.
Em 2026, a companhia foi responsável por 73% dos lançamentos realizados pelos EUA. Nas últimas quatro décadas, mais da metade dos lançamentos orbitais americanos foi feita pela companhia, de acordo com dados da Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA). O projeto Artemis da Nasa, de retorno à Lua, por exemplo, tem a SpaceX como principal contratada. “No espaço, o Estado americano deixou de ser operador e virou cliente”, aponta Zanolla.. O governo dos EUA não é o único que observa de perto o crescimento da SpaceX. De acordo com Marcelo Cabral, estrategista-chefe e sócio-fundador da Stratton Capital, ex-CEO do Bradesco Europa e Nova York, a companhia é vista como sensível para a indústria de defesa em função do possível lançamento de satélites espiões e operação de sistemas de localização para agências de inteligência americanas. “A companhia baixou muito o custo dos lançamentos de satélites em órbita, pela eficiência e possibilidade de os foguetes voltarem.”
A internet via satélite da SpaceX, a Starlink, também já demonstrou o impacto em guerras. De acordo com a agência de notícias Reuters, Musk teria “mandado” desligar o sinal de internet via satélite em uma região da Ucrânia durante uma operação contra a Rússia, frustrando a ofensiva militar.
Elon Musk realizou a maior fusão da história. Duas empresas que ele controla, SpaceX e xAI, se uniram em uma transação totalmente em ações, criando uma gigante avaliada em US$ 1,25 trilhão. O acordo dá à xAI uma sobrevida financeira e permite que Musk construa data centers no espaço. A
empresa resultante da fusão estaria considerando um IPO em junho de 2026.
Em 11 de junho de 2026, a SpaceX levantou US$ 75 bilhões na maior oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da história.
A SpaceX encerrou seu primeiro dia de negociação na Bolsa dos Estados Unidos, em 12 de junho de 2026 com alta de quase 20% em relação ao preço inicial, subindo de US$ 135 para US$ 161,11. Isso
elevou o valor de mercado da empresa para US$ 2,1 trilhões.
A IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) da SpaceX alcança um novo patamar na história da Nasdaq com a maior abertura de capital de todos os tempos. Estamos falando de uma avaliação de US$ 2,1 trilhões, com as ações sendo negociadas no primeiro dia na Bolsa a US$ 161.
A SpaceX pretende aproveitar seu poderio financeiro para desenvolver satélites com inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o movimento deve impulsionar o capital político de uma companhia já conhecida pela capacidade de influenciar governos. “Empresas como a SpaceX e a Tesla, ambas de Elon Musk, movimentam uma quantidade de dinheiro tão grande que podem condicionar o mercado e eleger presidentes”, analisa André Sacconato, professor da Fundação Instituto de Pesquisas
Econômicas (Fipe).
(Fonte: NY Times/ Reuters 07.02.2026 / Estadão - 12.06.2026 / 13.06.2026 - partes)
Origem das Marcas
O blog "Origem das Marcas" visa identificar o exato momento em que nasce a marca, especialmente na definição do nome, seja do produto em si, da empresa, ou ambos. "Uma marca não é necessariamente a alma do negócio, mas é o seu nome e isso é importante", (Akio Morita). O blog também tenta apresentar as circunstâncias em que a empresa foi fundada ou a marca foi criada, e como o(a) fundador(a) conseguiu seu intento. Por certo, sua leitura será de grande valia e inspiração para empreendedores.
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17 de jun. de 2026
SpaceX
Copasa
em 2024, que movimentou quase R$ 15 bilhões.
A Equatorial Energia, que já é o maior acionista da Sabesp, passou a ser também o maior
acionista individual da Copasa, após arrematar 30% da oferta por R$ 5,6 bilhões em uma fase anterior na qual participou sem concorrentes. O governo mineiro tinha 50% da Copasa e, agora, passa a deter
5%; mas terá o poder de veto (“golden share”) em decisões.
A privatização da Copasa era uma bandeira do governo Romeu Zema, mas só começou a ganhar força em setembro de 2025, quando começaram os trâmites no Legislativo mineiro. Desde então, a
empresa dobrou seu valor de mercado, chegando atualmente a R$ 21 bilhões. Valor arrecadado com a desestatização será usado para amortizar dívida bilionária que o Estado tem com o governo federal.
A ação foi vendida a R$ 49,03, mesmo preço que a Equatorial Energia desembolsou pela fatia
na primeira fase do processo, e somente o lote-base, de 56,4 milhões de ações, foi vendido, movimentando R$ 2,8 bilhões.
Houve uma demanda de mais de R$ 70 bilhões em ordens para a fatia de R$ 1,9 bilhão que foi
colocada à disposição de investidores institucionais. O lote extra de ações, que poderia aumentar a operação em quase R$ 1 bilhão, não foi vendido.
16 de jun. de 2026
Gestamp
Os fabricantes de grandes componentes, como os produzidos pela Gestamp, geralmente precisam se localizar próximos às linhas de montagem de veículos.
No Brasil, seguiu a mesma estratégia de se localizar próximo às montadoras. Suas fábricas estão localizadas em São José dos Pinhais (Paraná), Gravataí (Rio Grande do Sul) e Betim (Minas Gerais), todos grandes pólos automotivos, bem como em Taubaté, Sorocaba, Santa Isabel e agora Piracicaba, no estado de São Paulo, que Riberas descreveu como “um importante pólo”. A cidade de São Paulo também abriga um dos 13 centros de pesquisa e desenvolvimento da Gestamp no mundo.
O avanço da eletrificação e da conectividade está transformando o automóvel de diversas maneiras. Mas um carro sempre será um conjunto de peças que, juntas, devem proporcionar uma estrutura forte e segura. A nova dinâmica está forçando os fornecedores a desenvolverem componentes cada vez mais leves. Nesse contexto, a Gestamp inaugura em16 de junho de 2026 em Piracicaba, São Paulo, sua sétima fábrica no Brasil.
Com investimento de R$ 200 milhões, as novas instalações somam 16,5 mil metros quadrados aos 300 mil metros quadrados de área construída que a multinacional vem desenvolvendo gradativamente desde que se estabeleceu no Brasil em 1997.
A fábrica de Piracicaba funcionará com processos modernos e linha de produção de hot stamping, especialidade da Gestamp que permite redução de peso em componentes. “Precisamos reduzir o peso dos veículos para aumentar a autonomia e ao mesmo tempo proteger as baterias”, disse o CEO da Gestamp, Francisco Riberas. “O veículo do futuro combinará três atributos essenciais: leveza, segurança e sustentabilidade.”
Segundo o executivo, “os veículos elétricos vieram para ficar e se tornarão a opção dominante no futuro, tanto no Brasil quanto no mundo”. Mas até que isso aconteça, acrescentou Riberas, “é essencial que a regulação avance no mesmo ritmo que a realidade industrial”.
Na sua opinião, o ritmo da eletrificação dos veículos depende de diferenças regulamentares, incentivos industriais e subsídios de compra, bem como da infraestrutura de carregamento de baterias. A transição continua rápida na China, que aumentou a sua quota na produção global e “tornou o planeamento mais complexo tanto para os fabricantes de automóveis como para os fornecedores”.
No Brasil, Riberas disse que após um período durante o qual o governo isentou os veículos híbridos e elétricos de direitos de importação para apoiar a descarbonização, “espera-se uma localização gradual da produção por parte das empresas chinesas”.
“Já foram estabelecidas estruturas, incluindo requisitos de conteúdo local para autopeças, para que, a partir de 2027, a produção ocorra dentro do Brasil”, disse o executivo. Acompanhando de perto os planos das montadoras chinesas no país, Riberas disse que a tendência de localizar a produção dessas marcas “poderia criar oportunidades em toda a cadeia de abastecimento”.
A demanda por automóveis no Brasil contrasta com a volatilidade e o declínio da produção observados na Europa, no Japão e nos Estados Unidos, disse Riberas. Ele expressou otimismo com as projeções dos consultores que indicam que até 2030 o Brasil, atualmente o oitavo maior produtor mundial de veículos, atingirá a produção anual de 3,2 milhões de veículos leves, 30% acima do nível de 2025.
Para acompanhar essas projeções otimistas, a nova fábrica de Piracicaba foi projetada com espaço para expansão para até 40 mil metros quadrados e para crescimento do número de funcionários dos atuais 50 funcionários para 150, com potencial para chegar a 500. “As oportunidades aqui são significativas e estamos bem posicionados para aproveitá-las”, disse ele.
A receita da operação brasileira acompanhou a expansão industrial da empresa. Nos últimos cinco anos, as receitas do país aumentaram 80%, atingindo 677 milhões de euros em 2025.
Com receitas anuais globais de 11,34 bilhões de euros e uma força de trabalho de 42.400 funcionários, a empresa espanhola opera 115 fábricas em todo o mundo.
(Fonte: Valor - 16.06.2026)
15 de jun. de 2026
Livraria El Ateneo
Em 1926, o local virou cinema, mas, com a concorrência de outros cinemas no final dos anos 1990, foi vendido para a cadeia de livrarias Yenni e transformado na mais bela livraria da América Latina, segundo o jornal inglês The |Guardian.
A livraria El Ateneo fica na Avenida Santa Fé, 1960, Buenos Aires, Argentina.
Pop Mart / Candide
Os bonecos Labubu serão vendidos oficialmente no Brasil. A Candide confirmou em 26 de maio de 2026 uma parceria com a Pop Mart, empresa chinesa dona dos personagens, para trazer os produtos ao mercado brasileiro.
As vendas começam já em junho, com previsão para o dia 5, informou a Candide ao g1. Segundo a empresa, a operação da Pop Mart no Brasil contará com 30 produtos diferentes, com preços entre R$ 299,99 e R$ 799,99.
Os Labubus são bonecos de pelúcia com aparência excêntrica e dentes serrilhados, criados em 2015 pelo artista de Hong Kong Kasing Lung.
Eles viraram febre nos últimos meses, primeiro entre as celebriddes. Rihanna, Maya Massafera, Virginia Fonseca e Marina Ruy Barbosa já apareceram com os bonecos pendurados em bolsas.
Os originais são vendidos em caixas-surpresa, o que significa que o comprador só descobre qual personagem recebeu depois de abrir a embalagem. Dependendo da sorte, é possível tirar desde modelos comuns até versões raras da coleção.
Após a parceria com a Pop Mart, os personagens ajudaram a fabricante chinesa a faturar mais de US$ 2,3 bilhões, segundo a Forbes.
Até então, os produtos da Pop Mart não eram vendidos oficialmente no Brasil. Com a febre dos bonecos nas redes sociais, versões falsificadas passaram a ser facilmente encontradas no país.
Enquanto um Labubu original chegou a custar US$ 300 (cerca de R$ 1,6 mil) em junho do ano passado, era possível encontrar réplicas na região da 25 de Março por preços entre R$ 65 e R$ 250, como mostrou o g1 em junho de 2025.
"Chegou a hora de oferecer essa experiência de forma oficial, com acesso amplo e a qualidade que a marca representa", disse Moise Candi, CEO da Candide.
(Fonte: G1 26.05.2026 / InvestNews - 26.05.2026 - partes
12 de jun. de 2026
Companhia City
10 de jun. de 2026
Compass Gás e Energia (Grupo Cosan)
A Compass Gás e Energia foi criada para oferecer soluções de gás e energia para o Brasil. Tem atuação em quatro pilares: infraestrutura que traz gás natural do pré-sal e do mercado internacional, distribuição que já conta com a maior companhia de gás natural encanado do país, a Comgás; geração que transforma gás em eletricidade de forma eficiente e comercialização do gás e da energia elétrica
que impulsionam a indústria e os negócios.
Em 2012, Rubens Ometto, fundador da empresa de energia Cosan, e maior usineiro do país, comprou a distribuidora Comgás da Shell e British Gas por 3,4 bilhões de reais. A Comgás está sob o guarda-chuva da Compass Gás e Energia, que pertence à Cosan.
Em acordo aprovado pouco depois de meados de junho de 2022 pelo regulador antitruste CADE, a Compass, terá que abrir mão de algumas distribuidoras de gás natural nas regiões Norte e Nordeste do Brasil depois de adquirir a participação de 51% da Petrobras na Gaspetro – que tem participações em 18 empresas de gás administradas por governos estaduais. Suas redes de distribuição somam aproximadamente 10 mil quilômetros, atendendo a mais de 500 mil clientes, com volume distribuído de cerca de 29 milhões m3/dia. A Compass, que se torna sócia da Mitsui Óleo e Gás na Gaspetro, se comprometeu a vender até 12 das 18 distribuidoras estaduais nas quais terá participação indireta – sete
para um grupo, cinco para outro – para receber o OK do CADE.
Onze empresas de gás estão nas regiões Norte e Nordeste: Algás (Alagoas), Bahiagás (Bahia), Cegás (Ceará), Copergás (Pernambuco), Gasmar (Maranhão), Gasap (Amapá), Gaspisa (Piauí), Pbgás (Paraíba) , Potigás (Rio Grande do Norte), Rongás (Rondônia) e Sergas (Sergipe). Em 11 de julho de 2022, a Compass finalizou a compra de 51% da Gaspetro da Petrobras. Os R$ 2,097 bilhões pagos pela transação foram integralmente quitados nessa data. O quadro societário então formado pela Petrobras, com 51% das ações, e a Mitsui Gás e Energia do Brasil, com 49% restantes das ações, passa a ser 51%
das ações da Compass e 49% das ações da Mitsui Gás e Energia do Brasil Ltda.
Em 14 de agosto de 2023 A Orizon (ORVR3) Valorização de Resíduos e a Orizon Meio Ambiente (OMA) informaram a formação de uma empresa entre a OMA e Compass Comercialização, companhia
controlada pela Compass Gás e Energia.
O objetivo é a construção de uma planta de purificação de biogás no Ecoparque de Paulínia com a produção diária estimada em 180.000 m3 podendo alcançar até 300.000 m3.
No contexto da transação, a Compass investiria até R$ 355 milhões, sendo R$ 235 milhões no estágio inicial da parceria, dos quais R$ 100 milhões aportados na joint venture e R$ 135 milhões em secundária para o Grupo Orizon. O montante adicional de até R$ 120 milhões está condicionado
àentrega de um maior volume de biogás.
A OMA por sua vez se compromete a suprir o biogás para a produção do biometano por 20 anos. O investimento do projeto em sua primeira etapa é estimado em até R$ 450 milhões e a sociedade Biometano Verde Paulínia S.A. (joint venture do projeto) será 51% Compass e 49% Grupo Orizon. O
início da operação estava previsto para 2025.
No primeiro semestre de 2024, foi anunciada a aquisição do controle da Compagas Pertencente à Copel) pela Compass, subsidiária da Cosan no setor de gás, por R$ 906 milhões.. A Compagas, operando no Paraná, distribui gás natural encanado por meio de uma rede de 880 km de gasodutos, atendendo 54 mil clientes e distribuindo 821 mil metros cúbicos de gás diariamente. Para comparação, a Compass distribui cerca de 13 milhões de m³/dia. Esta transação é vista como uma adição valiosa à estratégia de investimento da Cosan, embora haja preocupações sobre o impacto dessa aquisição
noplano de desalavancagem da empresa e suas subsidiárias.
Em maio de 2026, a Compass abre capital na B3. A empresa levantou R$ 3,2 bilhões no primeiro IPO na B3 desde 2021. A empresa de gás natural e energia vendeu 89,3 milhões de ações a R$ 28 cada – no piso da faixa indicativa de preço, que ia até R$ 35. O ticker PASS começou a ser negociado no
pregão de 11 de maio de 2026..
(Fonte: Dica de Hoje Research - 15.08.2023 - parte)
9 de jun. de 2026
Serra Verde / USA Rare Earth
Em abril de 2026, a USA Rare Earth comprou a Serra Verde por US$ 2,8 bilhões. As terras raras são um conjunto de 17 metais essenciais para fabricar gadgets, mísseis e itens-chave da transição energética, como carros elétricos e turbinas eólicas.
A USA Rare Earth pagou 90% do negócio com 127 milhões de ações da própria companhia. Nisso, cedeu 34% do capital – e o controle acionário – à Serra Verde (ou melhor, a suas controladoras, que são a britânica Vision Blue e a americana Denhan).
O britânico Thras Moraitis, CEO da Serra Verde, se tornará presidente do conselho da USA Rare Earth.
(Fonte: InvestNews - 22.04.2026 / Estadão - 07.06.2026 - partes)
Na foto: Foto aérea da planta da Serra Verde em Minaçu (GO). Crédito: Serra Verde/Divulgação.
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Summit Agricultural Group / JetBio
A operação marca a entrada da Summit no mercado de SAF e pode se tornar a primeira iniciativa de produção em larga escala do mundo nesse segmento. Em 2025, os combustíveis sustentáveis representaram apenas 0,6% do consumo da indústria da aviação, com a expectativa de que essa participação suba para 0,8% em 2026. Os números ainda são pequenos, mas as companhias aéreas serão obrigadas a cumprir metas de descarbonização a partir de 2027, de acordo com as normas estabelecidas pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI). Essa exigência sustenta as expectativas de um crescimento mais forte no setor.
“A oportunidade é usar a experiência que adquirimos investindo no Brasil para avançar ainda mais na cadeia de valor do etanol no país”, disse Rastetter. O executivo, que raramente concede entrevistas, conversou com a Valor durante um evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em Nova York em maio de 2026, onde foi homenageado como um dos líderes que fortalecem as relações Brasil-EUA.
O grupo Summit é acionista da FS, a segunda maior produtora de etanol de milho do Brasil. Fundada em 2017, a empresa é controlada por uma joint venture entre a Summit e a Tapajós Participações e, em maio de 2026, vendeu uma participação de 40% para a Amaggi.
Segundo Rastetter, a JetBio é uma nova plataforma de investimentos da Summit e não está diretamente relacionada ao veículo pelo qual o grupo investe na FS. O aporte de capital será feito por meio de um fundo separado.
Mesmo assim, a FS terá um papel significativo no projeto, pois deverá ser uma das fornecedoras do etanol utilizado na produção. A empresa também possui outra característica que Rastetter considera essencial para o sucesso da JetBio e que é um dos motivos pelos quais ele escolheu o Brasil em vez dos Estados Unidos como local para o projeto: a pegada de carbono comparativamente baixa do combustível em relação à produção em outras regiões do mundo. Esse fator é fundamental para tornar o modelo da nova empresa eficiente em termos de escala e custo, afirmou ele.
A FS deverá dar mais um passo nessa direção no segundo semestre de 2026. A empresa planeja inaugurar uma unidade de captura e armazenamento de carbono em setembro, em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso. Segundo Rafael Abud, fundador e CEO da empresa, o projeto fará da FS a primeira produtora mundial de etanol de milho com emissões líquidas negativas. "Seremos a maior produtora mundial de combustível com emissões líquidas negativas", disse ele.
A ideia é capturar e armazenar o carbono gerado durante o processo de fermentação por meio da captura e armazenamento de carbono (CCS). Nesse processo, o dióxido de carbono é capturado, comprimido, liquefeito e posteriormente injetado no subsolo. De acordo com a empresa, a combinação do uso de biomassa, milho de segunda safra e sequestro de carbono resultará em emissões líquidas negativas.
Segundo Rastetter, a JetBio já está em negociações com companhias aéreas para vender seu SAF (Combustível de Aviação Sustentável). “Quando olhamos ao redor do mundo, todas as principais companhias aéreas têm metas para combustíveis de aviação sustentáveis. Por isso, estamos conversando com várias delas e continuaremos assinando contratos de fornecimento à medida que avançamos na construção da usina”, disse ele.
O executivo também está considerando o fornecimento de etanol de milho da segunda safra para o ainda emergente mercado de biocombustíveis marítimos. Nesse caso, os padrões de descarbonização ainda não foram definidos, mas as discussões estão em andamento e as empresas estão buscando soluções.
A unidade de captura e armazenamento de carbono da FS exigirá um investimento de R$ 500 milhões. A empresa também está construindo sua quarta usina de etanol, em Campo Novo do Parecis, com inauguração prevista para o final de 2026, em um projeto avaliado em R$ 2 bilhões.
(Fonte: Valor - 29.05.2026)
