A Reag Investimentos é uma das empresas acusadas pela Polícia Federal de ser ferramenta de lavagem de dinheiro pelo PCC (Primeiro Comando da Capital). A empresa possui os naming rights do antigo Cine Belas Artes, em São Paulo, entre uma série de negócios adquiridos e parcerias apenas nos últimos dois anos.
Em janeiro de 2024, a empresa passou a patrocinar o cinema Belas Artes e, três meses depois, o transformou oficialmente em Reag Belas Artes. Um dos mais antigos cinemas de rua da capital, fundado em 1943, ele é considerado patrimônio histórico do estado, mas foi reformulado também em centro cultural pela Reag.
Por volta de meados de 2023 a Reag iniciou um processo de expansão acelerada, com múltiplas aquisições, como as das casas de crédito Empírica e Quasar.
Também em 2024, a Reag finalizou a compra da GetNinjas (uma plataforma de contratação de serviços) e garantiu sua entrada na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. O processo foi realizado aos poucos, desde 2023, através da compra silenciosa de ações. Segundo informações da Folha, a CVM (Comissão de Valores Imobiliários) avaliou que a Reag demorou para deixar clara a intenção de que pretendia assumir a GetNinjas e abriu processo para apurar irregularidades…
Diante das incorporações, a Reag Trust (um braço da empresa) foi desmembrada em uma segunda "empresa-irmã", a Ciabrasf (Companhia Brasileira de Serviços Financeiros). Mansur também é presidente do conselho do novo negócio, que administra fundos e serviços fiduciários.
Até o fim de 2024, a Reag "engoliu mais empresas", entre elas a Berkana Patrimônio e a Hieron Patrimônio Familiar. Estas aquisições, segundo a própria Reag, a consolidaram nos segmentos de gestão de riquezas e de patrimônios, com "destaque pelo volume de ativos sob gestão"…
Em 28 de agosto de 2025, a Operação Carbono Oculto foi deflagrada pela Receita e outros órgãos. A investigação quer desmantelar um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Além de postos, estão na mira várias empresas envolvidas na cadeia de importação, produção e distribuição.
Por meio de comunicado aos acionistas e mercado, a Reag e a Ciabrasf confirmaram que foram alvos dos mandados de busca e apreensão da Operação Carbono Oculto. Elas informaram que "estão colaborando integralmente com as autoridades competentes". Ambas ainda garantiram que estão "fornecendo as informações e documentos solicitados" e que permanecerão "à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais"…
O liquidante, segundo o dispositivo, será Antonio Pereira de Souza, pela APS Servicos Especializados de Apoio Administrativo Ltda.
A empresa primeiro apareceu no foco das apurações no âmbito da operação Carbono Oculto, que investiga o envolvimento de fundos administrados pela Reag e vinculações com o crime organizado.
O BC também informou ao Ministério Público Federal uma série de operações fraudulentas sobre empréstimos concedidos pelo Banco Master a empresas com conexão com a Reag.
Sete das 36 empresas que tomaram R$ 11,5 bilhões em empréstimos supostamente fraudulentos para desviar recursos do Banco Master têm na sua estrutura de controle fundos que eram administrados pela corretora.
Um fundo administrado pela Reag e envolvido no esquema de empréstimos suspeitos do Banco Master aportou recursos em outro fundo que, por sua vez, comprou ações do Banco de Brasília (BRB) em abril de 2025. O BRB fez uma proposta de compra de parte do Banco Master, de Daniel Vorcaro, pouco antes disso, no fim de março de 2025. O fundo Olaf 95 comprou cotas do Borneo FIP Multiestratégia e este montou posição no BRB a partir daquele mês. A informação foi publicada por O Globo. O Valor noticiou em junho de 2025 que o Borneo havia alcançado (em junho) participação de 4,5% do capital total do BRB e mais de 12% das ações preferenciais.
Considerando um panorama de junho de 2026, com o avanço das investigações envolvendo o Banco Master, a Reag e outras empresas citadas nas operações Carbono Oculto e Compliance Zero, parte do mercado segue monitorando quais estruturas financeiras permaneceram expostas ao ecossistema dos grupos.
Uma delas é a Qista: uma sociedade de crédito, financiamento e investimento autorizada pelo Banco Central (BC) e especializada em consignados para servidores públicos, onde a Reag chegou a ter, de forma indireta, 49% de participação. No fim de 2025, ela tinha aproximadamente R$ 1,3 bilhão em certificados de depósito bancário (CDBs) emitidos e cerca de R$ 221 milhões em letras financeiras subordinadas.
Documentos mostram que, mesmo após a saída societária do grupo de João Carlos Mansur, em novembro de 2025, ativos ligados ao antigo ecossistema da Reag continuaram presentes em estruturas relevantes da companhia.
Quem chamou atenção para essa exposição foi a Moody’s Local. No começo de junho (2026), a agência de classificação de risco rebaixou a nota de crédito da Qista de “BBB.br” para “BB-.br” e atribuiu a decisão ao aumento do risco de ativos anteriormente ligados ao universo da Reag. Segundo a agência, após a Operação Carbono Oculto, parte relevante dos fundos nos quais a Qista mantinha recursos perdeu liquidez. A Moody’s aponta ainda que a financeira criou, em dezembro de 2025, uma nova estrutura para consolidar ativos de fundos da Reag aos quais possuía exposição.
É nesse contexto que aparece uma movimentação bilionária identificada pela MoneyTimes: R$ 790 milhões pouco antes da liquidação. Documentos mostram que o fundo QISTA Cash Fundo de Investimento Multimercado, que concentra boa parte dos investimentos financeiros da companhia, registrou um salto patrimonial em 13 de janeiro de 2026. O patrimônio líquido passou de aproximadamente R$ 197 milhões para R$ 987 milhões.
No dia seguinte (14 de janeiro), a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que atingiu a Reag. Em 15 de janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Trust.
A operação ocorreu em meio a uma ampla reorganização das estruturas ligadas ao ecossistema da Reag e acabou por conectar, em uma mesma sequência temporal, a saída societária do grupo de João Carlos Mansur da Qista (onde era minoritário), a criação de um novo Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) e a posterior transferência dos fundos para a Planner Corretora, que também é investigada na Operação Compliance Zero.
Em maio de 2026, os fundos QISTA Cash e o QISTO passaram oficialmente para uma nova estrutura. A administração fiduciária foi assumida pela Planner Corretora e a gestão ficou com a Kumb Invest.
A Planner também aparece em investigações relacionadas ao Banco Master. A corretora foi alvo de buscas da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura investimentos realizados pelo Rioprevidência em títulos ligados ao banco.
(Fonte: UOL - 28.08.2025 Folha de S.Paulo - 08.09.2025 / Valor - 15.01.2026 / 16.01.2026 / 19.01.2026 / InfoMoney - 19.06.2026 - partes)