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7 de mai. de 2026

Dedini

          Não é exagero dizer que a história do álcool brasileiro passa pela família de Dovílio Ometto. Engenheiro agrônomo de formação, ele é filho de Pedro Ometto, descendente de imigrantes italianos e fundador do negócio que acabaria se transformando na Cosan, que já em 2007, era a maior produtora de açúcar do mundo, então com faturamento de 2,4 bilhões de reais.
          Na década de 1940, Dovílio começou a trabalhar na empresa de Mário Dedini, compadre e sócio de seu pai em alguns negócios. Naquela época, o mundo do açúcar e do álcool em São Paulo praticamente se dividia entre essas duas famílias. Os Ometto eram donos de fazenda de cana e de processamento de açúcar. Os Dedini partiram para a produção de usinas para essas fazendas. Dovílio foi o primeiro a fazer a união de sangue entre os dois clãs, quando se casou com Ada, uma das herdeiras da Dedini. Com o passar dos anos, ele vendeu sua participação nos negócios de sua família para aplicar 
tudo somente na empresa.
          Presidente do conselho de administração e controlador da Dedini Indústrias de Base, com sede em Piracicba, interior de São Paulo, o senhor Dovílio (como era conhecido) viu sua empresa florescer, transformar-se num conglomerado metalúrgico com 20 negócios e 11 mil funcionários e, anos depois, flertar com a falência. Graças a um processo de reestruturação e diversificação, a Dedini se recuperou e prosseguia sem maiores percalços, mas também sem o brilho de outrora.
          Quando parecia que nada mais poderia acontecer, eis que a roda da fortuna cruzou mais uma vez o caminho do senhor Dovílio. Impulsionado pelo entusiasmo internacional com o etanol e pela popularidade dos carros flex no país, sua Dedini ressurgiu em 2004 e anos seguintes, como um dos mais impressionantes casos de sucesso - e de virada - no capitalismo brasileiro. A Dedini passou a ser (2007 ou um pouco antes) uma das raras companhias brasileiras capazes de produzir, entregar e montar usinas inteiras para a produção de açúcar e álcool - área em que o Brasil era considerado referência mundial.
          Marcada, porém, por sua atuação em um setor ligado a commodities - açúcar e álcool -, a Dedini tem sido historicamente uma empresa vulnerável a fatores externos. A companhia cresceu exponencialmente quando o setor foi bem e afundou retumbantemente após o fracasso do Proálcool. Na década 1998/2007, antes da recuperação do etanol, a empresa tomou uma série de atitudes para prevenir-se contra novas oscilações. Passou a atuar no mercado de bens de capital - máquinas e equipamentos de grande porte- e a fornecer para setores tão diversos quanto mineração e siderurgia. Também passou a produzir equipamentos para a indústria cervejeira. Paralelamente à diversificação de atividades, foi conduzido um drástico programa de reestruturação. Dos 5.000 funcionários que o grupo tinha em 2000, metade foi demitida até 2007. Os membros da família envolvidos nas operações da empresa foram afastados - inclusive o senho Dovílio, que em fevereiro de 2007, saiu da presidência da companhia - e foram contratados executivos profissionais para os cargos de diretor.
(Fonte: Exame - 11.04.2007)

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