A tradição do Augusta National e suas normas (escritas ou não) vão na contramão dos esforços do golfe para se reinventar e atrair mais praticantes, como recentes simplificações das regras. Ainda assim, a instituição e seu paletó verde seguem como alguns dos maiores símbolos do esporte mundial - e também um dos mais misteriosos e desejados.
O clube foi criado pelo advogado americano Bobby Jones, um dos maiores golfistas de todos os tempos, que morreu em 1971. Depois de se aposentar precocemente aos 28 anos, Jones queria um lugar tranquilo para jogar com os amigos longe da presença dos fãs. Em 1933, ele se aliou ao investidor americano Clifford Roberts e ao designer britânico Alister MacKenzie para construir o Augusta.
Há, basicamente, duas maneiras de você ganhar uma green jacket do Augusta. A primeira é ser campeão do Masters e receber a peça que o torna membro honorário do clube. A segunda é ser sócio de fato - e aí você terá seu paletó verde exclusivo sempre no armário devidamente lavado e passado.
Duro é saber qual das duas maneiras é a mais difícil. Para ser campeão do Masters, é preciso primeiro ser convidado. Ao todo são 19 categorias de jogadores que podem receber o honra. Os primeiros 50 melhores do ranking mundial e ex-campeões como Tiger Woods, vencedor por quatro vezes do torneio (base 2018), fazem parte desse grupo. Além do paletó verde, o campeão ganha um cheque de quase 2 milhões de dólares, de um total de 11 milhões de dólares em prêmios.
Os valores que o torneio movimenta são um mistério. Boa parte vem da venda de produtos licenciados, como bonés, cadeiras, camisas de golfe e bolas. Outro quinhão vem dos patrocinadores do evento - em 2019, Rolex, AT&T, IBM, Mercedes-Benz, UPS e Delta Airlines. Estima-se, (sim, pois o número não é divulgado) que cada marca invista por ano 6 milhões de dólares. Detalhe: durante o Masters, não há uma única placa de patrocinador no campo, E, durante a transmissão, realizada pela CBS desde 1956, os patrocinadores dividem apenas 4 minutos de comerciais por hora, o máximo permitido pelo Augusta.
É consenso no mundo do golfe e do marketing esportivo que o Augusta deixa muito dinheiro na mesa. Além dos poucos espaços publicitários na TV (e zero comunicação visual no campo0 e do valor baixo dos ingressos, são famosos os (baixos preços cobrados por alimentos e bebidas no campo. O sanduíche mais caro não sai por mais que 3 dólares, mesmo preço da cerveja - e o clube proíbe sócios e espectadores de dar gorjeta. O Augusta não parece mesmo se importar muito com valores.
Bill Gates, fundador da Microsoft, é um exemplo de quanto é difícil ingressar nesse exclusivo clube. Em meadfos da década de 1990, o bilionário deixou escapar a conhecidos que queria se filiar ao clube. Levou uma canseira até 2002, quando finalmente recebeu o convite. Hoje, é dono de uma green Jacket e já disputou por lá partidas com o megainvestidor Warren Buffett, outro sócio.
Além de Gates e Buffett, outros associados célebres são Jack Welch (falecido em 2020), ex-CEO da GE, e Condoleezza Rice, ex-secretária de Estado dos Estados Unidos, primeira mulher a ser admitida como sócia, em 2012. Sem contar ex-campeões históricos, como o grupo intitulado Big Three, trinca formada por Gary Player, Jack Nicklaus e Arnold Palmer, este último morto em 2016.
(Fonte: Exame - 03.04.2019)
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