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2 de jul. de 2026

Arbex

          A Arbex (cujo nome provisório era (FamPro) foi criada pela Suzano e pela norte-americana Kimberly-Clark, como uma "joint venture", em 1º de julho de 2026. A empresa estreia como uma das maiores empresas de papel *tissue* (papel para fins sanitários) do mundo. A companhia, avaliada em US$ 3,7 bilhões (R$ 19,2 bilhões pela cotação do dia), nasce com uma receita anual de US$ 3,5 bilhões (R$ 18,1 bilhões) e tem como meta tornar-se a empresa integrada de *tissue* mais eficiente do setor global.
          Com sede na Holanda e escritório operacional em Londres, a Arbex detém um portfólio de mais de 40 marcas regionais e possui licenças de longo prazo para as marcas globais da Kimberly-Clark, incluindo Kleenex, Cottonelle, Scott, WypAll, Viva e Kimberly-Clark Professional.
          A Suzano, que anunciou em meados de 2025 a aquisição de uma participação de 51% nas operações globais de *tissue* da Kimberly-Clark fora dos EUA, detém o controle acionário da nova empresa. A Kimberly-Clark detém os 49% restantes.
          A transação reforça a estratégia da Suzano de ampliar as vendas de celulose. Como parte de sua estratégia de substituir a celulose de fibra longa (*softwood*) pela de fibra curta (*hardwood*), a Suzano planeja acelerar a adoção de fibra curta pela Arbex, segmento no qual a empresa brasileira possui vantagem competitiva.
          A Suzano já era a fornecedora exclusiva de celulose de fibra curta para todas as operações da Kimberly-Clark. Com a nova estrutura, ela permanecerá como fornecedora exclusiva por tempo indeterminado para os negócios agora incorporados à Arbex. "Na fabricação de produtos como papel-toalha e papel higiênico, é possível utilizar entre 70% e 100% de celulose de fibra curta, sendo o restante composto por fibra longa. Essa transição agora ganhará velocidade, pois passamos a operar as máquinas que antes pertenciam ao negócio internacional da Kimberly-Clark", explicou Beto Abreu, CEO da Suzano. A Arbex agora engloba a produção e as vendas da Kimberly-Clark de produtos como papel higiênico, guardanapos, papel-toalha e lenços faciais fora dos Estados Unidos. A transação também transfere para a nova empresa 22 unidades fabris distribuídas por 14 países na Europa, Ásia, Oriente Médio, América do Sul, América Central, África e Oceania.
          A Suzano assumiu formalmente o controle da nova empresa em 1º de julho de 2026, após pagar US$ 1,3 bilhão por sua participação de 51%. Ao anunciar a transação, as parceiras divulgaram que a Suzano teria a opção de adquirir os 49% restantes a qualquer momento, utilizando o mesmo múltiplo de avaliação — 6,5 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) — que determinou o preço de compra original.
          Abreu afirmou que os ganhos de eficiência previstos no plano de negócios da Arbex virão principalmente da redução de custos fabris e administrativos, do desenvolvimento de fornecedores regionais e da otimização da cadeia de suprimentos. "Temos muitas ferramentas e tecnologias que podem gerar ganhos significativos em logística, em toda a cadeia de suprimentos e no processo de distribuição, desde as fábricas da Arbex até os clientes em 70 países", disse.
          Para a Suzano, a decisão da Kimberly-Clark de desinvestir parte de suas operações internacionais reflete a confiança de que a empresa brasileira pode extrair maior valor desses ativos.
          A liderança da nova empresa combina executivos de ambas as parceiras. Ehab Abou-Oaf, que já chefiava as operações internacionais agora integradas à Arbex, permanece como CEO. Luís Bueno, anteriormente vice-presidente executivo de bens de consumo da Suzano, assume o cargo de diretor de operações (COO), enquanto Oscar Mousinho, ex-diretor financeiro (CFO) da divisão de nutrição animal da Mars, assume a posição de CFO.
          Analistas do Citi afirmaram que a criação da Arbex marca um marco para a Suzano, dado o porte do investimento. Eles disseram que os investidores provavelmente focarão agora na capacidade da empresa de recompor a geração de caixa e esperam que os volumes operacionais da Arbex comecem a ser consolidados nos resultados da Suzano a partir do terceiro trimestre (2026).
(Fonte: Valor - 02.07.2026)

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