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29 de jan. de 2026

WD-40



          O spray multiuso WD-40 nasceu nos anos 1950, voltado à indústria e ao setor aeroespacial. De lá para cá, virou também um item doméstico. Hoje, pode-se usá-lo para acabar com rangidos na porta ou soltar um parafuso emperrado. O WD significa Water Displacement, ou deslocamento de água.
          Empresa com mais de 70 anos por trás das latas vermelhas, azuis e amarelas usadas para tudo, desde afrouxar parafusos até retirar uma jiboia do compartimento de um motor de carro ou remover chiclete do casco de uma tartaruga.
          Pouca gente saberia contar como a mágica acontece. Até hoje, a fórmula do WD-40 permanece um segredo. Escrita à mão, a receita fica guardada num cofre bancário em San Diego. Nos últimos 30 anos, ela só saiu de lá três vezes.
          Uma dessas vezes foi quando o executivo da época, Garry Ridge, entrou na Times Square montado em um cavalo, vestindo uma armadura e carregando a fórmula para celebrar o 50º aniversário da empresa na Nasdaq. Em 2018, um veículo blindado transportou Ridge, que estava algemado a uma maleta metálica contendo a fórmula, de um cofre a outro. Mais recentemente, no verão de 2024, Steve Brass, atual CEO, e a diretora financeira Sara Hyzer tiveram acesso à fórmula enquanto assinavam documentos no banco.
          Steve Brass só teve acesso à fórmula em 2024, depois de mais de 30 anos na companhia. Na ocasião, ele assinou acordos de confidencialidade e teve apenas alguns minutos diante do caderno.
          Manter esse segredo ajuda a proteger o negócio, já que o spray ainda responde por 80% da receita da empresa. Soma-se a isso o fator anedótico: enquanto tiver gente discutindo os possíveis ingredientes, haverá marketing gratuito para o WD-40.
          Existe um clube em San Diego que talvez seja mais exclusivo que o Soho House e mais difícil de entrar do que algumas das faculdades mais prestigiadas do país.
          É necessário uma chave especial, acordos de confidencialidade, passagem por um cofre bancário e, normalmente, um cargo executivo. Não há bebidas à vontade, os membros não se misturam com pessoas famosas e chefs não preparam pratos sofisticados. O único privilégio é conhecer os segredos do lubrificante mais famoso do mundo. E ainda assim, para os que estão por dentro, não há privilégio maior.
          Brass, o CEO, foi admitido na pequena sociedade de pessoas que viram a fórmula secreta do produto — feito que aconteceu mais de três décadas após ele ingressar na empresa.
          A fórmula manuscrita é guardada em um cofre no Bank of America em local não divulgado em San Diego.
          Essa visualização exigiu algumas semanas de aviso, vários acordos de confidencialidade e a obtenção de uma chave mantida apenas pelo principal advogado da empresa. Tudo para alguns minutos com um caderno contendo a 40ª tentativa da fórmula — e as 39 falhas anteriores.
          Nenhum dos executivos sabia exatamente o que estava vendo. “Não sou cientista, então não vou me lembrar do que estava lá”, disse Hyzer. “A única coisa que lembro do caderno era: ‘Não fumar’.”
          A maioria dos funcionários da WD-40 nunca viu a fórmula e provavelmente nunca verá. Isso inclui pessoas que poderiam entendê-la, como Meghan Lieb, chefe de pesquisa e desenvolvimento. Ela entrou na empresa há 20 anos pensando que um dia veria a magia por trás do lubrificante. Mas suas esperanças foram rapidamente frustradas.
          O caderno no cofre é a única versão que contém a fórmula completa original, que representava quase 80% da receita da WD-40 em agosto de 2025. A maioria dos funcionários que busca novos usos e produtos utiliza uma versão codificada, para preservar o segredo.

Para quem está de fora, a história é diferente. Consumidores discutem em grupos online sobre o que há dentro das latas. Há óleo de peixe? (Não). Mistura de casca de laranja, óleo de coco e baunilha para criar o cheiro doce? (Também não, segundo a empresa.)
          A revista Wired testou o produto em laboratório há mais de uma década e listou alguns componentes. Uma porta-voz da WD-40 disse que alguns estavam corretos, mas muitos foram descritos de forma genérica. “É como dizer que você sabe o que tem na Coca-Cola — água gaseificada, açúcar e corante caramelo — mas simplesmente misturar esses ingredientes não recria o produto final.”
          Fora do laboratório, o Reddit se tornou o lugar para explorar os milhares de usos do lubrificante. A empresa já sancionou mais de 2.000 possibilidades, mas usuários encontram mais:
          A WD-40 monitora os palpites — principalmente para corrigir respostas incorretas que podem ser perigosas. Os funcionários, por sua vez, gastam o tempo especulando sobre quem conhece a fórmula, não tentando descobri-la.
          Brass, o CEO, pode abrir a lista de convidados do clube um dia, talvez quando a empresa atingir US$ 1 bilhão em receita (a receita mais recente foi de cerca de US$ 620 milhões). Mas continuará sendo uma lista exclusiva, com funcionários de longa data tendo chance de entrar.
(Fonte: InvestNews/Wall Street Journal - 27.01.2026)

23 de jan. de 2026

Henry Jullien

           A Henry Jullien, marca francesa de óculos foi fundada em 1921 por Henry Jullien, que desejava 
criar óculos de alta qualidade que pudessem ser vendidos em todo o mundo.
          Com longa história e expertise no trabalho com ouro, a Henry Jullien é conhecida por suas armações folheadas a ouro, que passam por aproximadamente 300 etapas de fabricação e são extremamente 
resistentes e antialérgicas.
          A empresa é também a única na França a produzir armações com esse material.
          Os óculos de sol estilo aviador usados pelo presidente francês Emmanuel Macron fizeram as ações de sua fabricante, a iVision Tech, dispararem quase 28% em 22 de janeiro de 2026, depois que o visual do presidente francês durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, viralizou na internet. O grupo, que detém a marca francesa de óculos de alto padrão Henry Jullien, informou no dia anterior que o 
modelo usado por Macron era o Pacific S 01, vendido por 659 euros (R$ 4 mil) em seu site.
          A italiana iVision Tech adquiriu a Henry Jullien em setembro de 2023 após seu IPO em agosto. Em 2024 a empresa partiu para uma onda de aquisições, comprando quatro companhias, apenas naquele ano.
(Fonte: FAVR / G1 / Bloomberg Línea - partes)

21 de jan. de 2026

Itaueira Alimentos

           A a produtora de frutas do Nordeste Itaueira Agropecuária iniciou suas atividades no começo dos anos 1980, no Piauí, com a produção de caju, e passou a cultivar melão a partir de 1999, cultura que se tornou o principal negócio do grupo familiar. Seu fundador, em 1983, foi Carlos Prado. José Luis Prado, diretor administrativo e financeiro, faz parte da família fundadora.
          A Itaueira opera unidades produtivas no Piauí, Ceará e Bahia, além de uma nova operação em Morada Nova (CE), iniciada em 2025. De acordo com a empresa, a diversificação geográfica ajuda a reduzir riscos climáticos e evita rupturas no fornecimento.
          A identidade do “melão da redinha”, hoje amplamente reconhecida no mercado, surgiu ainda nos primeiros anos da produção. A solução — embalar duas ou três frutas em redes identificadas com a marca — ajudou a contornar a percepção de que os melões menores teriam menos sabor, fortalecendo o posicionamento do produto no varejo.
          A companhia é dona da marca Rei Alimentos. É detentora também das marcas Dunort e Cepi. Encerrou 2024 com faturamento de R$ 480 milhões e estima ter superado os R$ 500 milhões no ano passado.  Em 2024, foram comercializadas aproximadamente 85 mil toneladas dessas frutas. O portfólio inclui também pimentões, mel, sucos e a produção de camarão, que deve chegar em breve ao varejo sob a marca Rei.
          A Itaueira ultrapassou a marca de R$ 500 milhões em faturamento e, para sustentar um novo ciclo de crescimento, levou o tradicional “melão da redinha” ao mercado financeiro da Faria Lima. A Itaueira concluiu em fins de 2025 uma captação de R$ 150 milhões no mercado de capitais e se prepara para avançar a partir de 2027, após um período intenso de investimentos.
          A entrada no mercado de capitais marcou um novo momento da empresa. A Itaueira captou R$ 100 milhões por meio da emissão de Notas Promissórias Comerciais, coordenada pela Caixa Econômica Federal, e outros R$ 50 milhões via CPR-F, em operação liderada pelo Itaú BBA — a primeira emissão pública da companhia. O objetivo, segundo José Luis Prado, foi alongar o perfil da dívida e criar um colchão de liquidez para enfrentar a volatilidade do cenário macroeconômico.
          A empresa destaca que o grupo possui cerca de 20 mil hectares de terras próprias, com 3 mil hectares dedicados ao cultivo de melão e melancia. 
          Hoje, a maior parte da produção é destinada ao mercado interno, mas a empresa também está retomando as exportações, com foco na União Europeia, Reino Unido, Canadá e Oriente Médio.
(Fonte: Foodbiz - 19.01.2026)

19 de jan. de 2026

Ebrasil

          O grupo Ebrasil, uma geradora de energia criada em meio à crise do apagão dos anos 2000. A  Ebrasil (sigla para Eletricidade do Brasil) é dona de usinas termelétricas no Nordeste. O grupo foi fundado pelo empresário pernambucano José Cantarelli em 2001.
          A empresa consolidou-se – na prática – como o principal acionista da Brava Energia, a segunda maior petroleira independente do país, atrás apenas da Prio.
          Em 2024 começa a aproximação da Ebrasil com a Brava, por meio do fundo Yellowstone, criado pelo grupo de José Cantarelli para investir em empresas listadas. Capitalizado após a venda de sua metade na Celse — complexo termelétrico em Sergipe adquirido pela Eneva por R$ 6,7 bilhões em 2022 -,  o fundador da Ebrasil passou a buscar oportunidades de diversificação no mercado de capitais.
          A estratégia inicial, segundo uma pessoa próxima da companhia, era semelhante à de um investidor tradicional: identificar empresas descontadas, com potencial de valorização. Nesse movimento, o fundo montou posições em companhias como Cosan, Eneva, Sabesp e Sanepar. A Brava, porém, rapidamente se tornou o principal investimento da carteira. A troca de CEO, promovida pela companhia em meados de janeiro de 2026, e a compra bilionária dos ativos da Petronas na Bacia de Campos, anunciada em 16 de janeiro de 2026, deixaram claro que o grupo vem conseguindo impor sua agenda estratégica.
          Considerando dados de janeiro de 2026, tem 6,9% da Brava é o único acionista relevante na Brava com atuação direta no setor de energia — uma característica que passou a fazer diferença em um capital até então dominado por investidores financeiros e de infraestrutura, como a gestora JiveMauá, a família Queiroz Galvão e o Bradesco (maior acionista individual, com 12%).
          A nomeação de Richard Kovacs, executivo ligado à própria Ebrasil, em 12 de janeiro de 2026, para o cargo de CEO da Brava no lugar de Décio Oddone — profissional de mercado e ex-diretor geral da ANP — é o capítulo mais recente de uma sequência de movimentos da Ebrasil que redesenhou a governança da petroleira nos últimos meses: a derrubada da poison pill, a articulação de um bloco acionário e, agora, o comando da gestão executiva.
          Com as mudanças anunciadas, que entram em vigor no início de fevereiro (2026), Kovacs deixará a presidência do conselho de administração da Brava. Seu lugar será ocupado por Alexandre Cruz, CEO da JiveMauá, que assume como chairman da companhia.
(Fonte: InvestNews - 19.01.2026)

18 de jan. de 2026

Adega Santiago / Taverna 474 / Casa Europa

          Luis Felipe Moraes, o Ipê, abriu seu primeiro bar em 1993 com dois amigos. Ele se chamava Flamingo e era no local onde é hoje o Espírito Santo. A casa foi um sucesso estrondoso, fechava a rua todos os dias e o investimento foi pago no primeiro mês. Mesmo assim, Ipe Moraes, como é conhecido, que cursou economia na Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP), permaneceu trabalhando como gerente financeiro de uma transportadora. No começo ia todos os dias para receber amigos e ajudar, e era muito cansativo, pois tinha um cargo de responsabilidade na empresa e ao mesmo tempo não resistia à boemia diária. Foi tocando dessa forma até 1996, quando resolveu pedir demissão e cair no mundo. Aí veio uma sequência de projetos de todo tipo, mas o que o encantava era a junção das experiências: bebida boa, comida boa e ambiente descontraído, e foi aí que ele se encaixou.
          Depois do Flamingo veio o Kashmir em 1996, boate que foi um sucesso. Em 1997, abri o Nakombi e o Bar MariaJoana. Depois, em 1998, veio o Espírito Santo que foi a primeira experiência com a cozinha ibérica. Então, em 2000, abrimos o Pharmacia, que foi um dos precursores da cozinha saudável orgânica em São Paulo. Em um segundo momento, Ipe Moraes vendeu em 2004 o MariaJoana, o Nakombi e o Kashmir, que eram sociedades com um outro grupo. Manteve o Espírito Santo e resolveu investir na cozinha ibérica que era o que realmente lhe dava prazer.
          Foi em 2006 que abriram a Adega Santiago. Localizado na região oeste de São Paulo, no bairro do Jardim Paulistano, o Adega Santiago foi inaugurado em 2006 e reverencia a tradição das tabernas e tascas da Península Ibérica. A Adega tem como proposta reproduzir a atmosfera de pequenas casas ibéricas em um ambiente aconchegante e oferece culinária da fronteira entre o alentejo português e a estremadura espanhola, além de uma selecionada carta de vinhos da região.
          Passados cinco anos, em 2011, foi criada a Taberna 474. Na sequência, em 2012, a segunda Adega no Cidade Jardim. Dois anos depois, a Casa Europa, que tem a cozinha voltada para a culinária italiana. Em 2016, a terceira Adega, na Mello Alves, e em 2019, a quarta Adega Santiago, no Rio. No caminho, vendemos, em 2009, o Espírito Santo, razão pela qual montamos, em 2011, a Taberna 474, que veio como uma atualização de conceito.
          Para comandar mais de uma casa não tem segredo, segundo Ipe Moraes. É muito suor e parceiros que tenham o mesmo norte que você. Ou seja, parceiros: sócios, funcionários e fornecedores.
          Para Ipê Moraes, quem quer ser dono de um restaurante não deve cair na ilusão de que é um ramo glamoroso. Ter um restaurante é um negócio como outro qualquer e que a sobrevivência e o sucesso dependem de seriedade, consistência e sempre pés no chão.
          Luis Felipe Moraes explica a escolha para apostar na culinária ibérica: "Amo a simplicidade e a honestidade da cozinha ibérica. Sou um cara rústico, e gosto dessa caraterística de raiz. Acho que a cozinha ibérica navega no mar e na terra como nenhuma outra, não tem disfarce, é escancarada. Além disso, está no nosso sangue. Junta-se a isso a lacuna que essa cozinha tinha antes da chegada da Adega Santiago. Havia o Antiquarius e o A bela Sintra, estreladíssimos e sofisticados, e as padarias e botequins de portugueses espalhados pelas esquinas da cidade. Nesse miolo faltavam a Taberna e a Adega.
          A lembrança de Luis Felipe Moraes, de vez em quando o transporta para a pior noite da Casa Europa, que comprou e reabriu, após reforma assinada pelo arquiteto Carlos Motta, em 2013. Naquela fatídica noite, em 2015, seu irmão comemorava seu 50º aniversário. Ipê estava sozinho à mesa com o pai, Luis Antônio de Moraes, o Totó, então com 75 anos, quando este se levantou bruscamente para saudar a chegada de um amigo – e, ao mesmo tempo, engasgou com o pedaço de carne recém ingerido.
(Fonte: Prazeres da Mesa (Ricardo Castilho) - 30.04.2020 / Veja SP - outubro 2022 / baressp.com / Prazeres da Mesa (Ricardo Castilho) - 30.04.2020 / A.A. Notícias - 07.04.2023 - partes)

Almadén

          A vinícola Almadén foi fundada em 1973, em Santa do Livramento, extremo sul do Rio Grande do Sul. Foi criada por californianos depois de especialistas da Universidade de Davis apontarem a Campanha Gaúcha como o melhor terroir para uvas viníferas no Brasil.
          O local tem 1.200 hectares, 450 deles com vinhedos. É dali, por exemplo, que vem o Tannat Vihas (R$238,90).
          Há uma loja duty free na vinícola. Opasseio tradicional custa R$50 e dá direito a uma degustação de quatro vinhos, incluindo visita a um pequeno museu, aos vinhedos e à cantina.
          Um dos pontos altos da visita é o de que com vista para os vinhedos e para o Cerro Paloma, um platô que se destaca no horizonte. Há algumas delas por essa região da fronteira. O passeio inclui serviço de vinho e show de música típica, por R$ 159 (todos os valores acima referem-se a dezembro de 2025).
          Em 2009, a Almadén foi vendida para a vinícola Miolo.
(Fonte: Folha - 18.12.2025)

15 de jan. de 2026

Fictor Invest

          A Fictor Holding Financeira é um grupo econômico de participações e investimentos com atuação nos três principais setores que movimentam a economia brasileira: indústria alimentícia, infraestrutura e serviços financeiros.
          Fundada em 2007, por Rafael Gois, a Fictor tem unidades no Brasil, Estados Unidos e Portugal. Entrou na B3 em 2024 e se destacou em 2025. A holding fez um "IPO reverso", um tipo de atalho para uma empresa chegar à Bolsa —no caso, a Fictor Alimentos adquiriu a Atom, uma pequena empresa de treinamento de traders negociada na B3, e alterou o escopo do negócio. Depois, assinou um contrato de patrocínio de R$ 30 milhões com o Palmeiras —o que fez as ações da empresa dispararem de R$ 15 milhões para R$ 140 milhões, apurou a colunista do UOL Mariana Barbosa.
          A Fictor oferece um modelo de investimento que não é fiscalizado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Trata-se da SCP (Sociedade em Conta de Participação), um tipo de contrato previsto no Código Civil em que há um único sócio ostensivo (responsável pelo negócio, no caso um dos CNPJs da Fictor) e um número ilimitado de sócios participantes, que investem no negócio assumindo riscos.
          Desde 2021, Fictor captou R$ 1,6 bilhão com SCPs segundo levantamento do UOL. O modelo é legal, segundo advogados ouvidos pela reportagem, desde que sócios participantes sejam investidores qualificados, com amplo acesso a informações do projeto, inclusive contábeis. É irregular se a oferta é feita a um público não qualificado, com garantia de retorno fixo, mas sem transparência, o que pode caracterizar esquema de pirâmide.
          A Fictor fez treinamento para assessores sobre SCPs, apurou o UOL. Assessores de investimentos, que recebem comissões por clientes captados, fizeram propaganda da Fictor, informou o portal Metrópoles em maio de 2025. "Por que SCP? Rentabilidade premium: Desfrute de retornos impressionantes, alcançando até 18% ao ano", diz o post de um dos assessores. Outro post, publicado em março de 2024, diz que a operação envolve commodities e entrega "adiantamentos de dividendos". "Vem pro Agro", diz.
          Em 17 de novembro de 2025, uma proposta de compra do Master pela Fictor causa estranheza. Investigadores que atuam na operação que resultou na prisão de Daniel Vorcaro (presidente do Master) suspeitam que a proposta tenha sido uma espécie de simulacro para facilitar a fuga do banqueiro do país. Pessoas diretamente envolvidas nas apurações dizem que a ordem de prisão de Vorcaro foi assinada às 15h do dia 17. No mesmo dia, a Fictor divulgou que pretendia comprar o Master em conjunto com um consórcio formado por investidores dos Emirados Árabes Unidos. Junto a investidores dos Emirados Árabes, a empresa anunciou a compra do banco de Daniel Vorcaro, com um aporte de R$ 3 bilhões, em 17 de novembro. Vorcaro e o fundador da Fictor, Rafael Gois, estariam a caminho dos Emirados Árabes para selar o acordo. Vorcaro foi preso e, no dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Master.
          Títulos podres inflaram capital da Fictor Invest. Reportagem do UOL revelou que a empresa usou o mesmo modus operandi do Master com os fundos da Reag: simular movimentações usando títulos podres do antigo Besc (Banco de Santa Catarina). O aumento de capital foi registrado em dezembro de 2021 no CNPJ da One Off, empresa de Luiz Phillippe Rubini, que era sócio da Fictor. Ele registrou um aumento de capital de R$ 30,9 milhões e, dois dias depois, a empresa alterou o nome para Fictor Invest.
(Fonte: Folha: 19.11.2025 / UOL - 11.01.2026 - partes)

14 de jan. de 2026

Grupo Baumgart

          Em 1936 após alguns anos estudando na Alemanha e a morte de seu irmão, Otto Baumgart (1897-1970) veio para São Paulo e fundou a Otto Baumgart Indústria e Comércio Ltda., iniciando a produção do impermeabilizante Vedacit, produto com o qual fez fortuna. Anos mais tarde, a indústria diversificou sua atuação, produzindo também itens para calefação, vedação e proteção de lajes, concretos, argamassas e mantas asfálticas, sendo um dos responsáveis pela pavimentação asfáltica da Avenida 9 de Julho, no centro de São Paulo. O Grupo Baumgart é também conhecido como Grupo Otto Baumgart.
          Na década de 1960, a empresa comprou o terreno de 150.000 metros quadrados onde atualmente fica o Shopping Center Norte. Na época, a região era ocupada por um lixão e várias lagoas. Em 1964, com a compra de outros terrenos nos arredores, iniciaram-se as obras de aterramento e terraplanagem de toda a região.
          Em 1975, o grupo criou as Fazendas Reunidas Baumgart como o braço de agropecuária do grupo e em 1983, fundou a Vedacit do Nordeste S.A.
          Em 1984, inaugurava o Shopping Center Norte, o primeiro empreendimento da área conhecida como Cidade Center Norte, composto pelos shoppings Center Norte e Lar Center, o centro de eventos Expo Center Norte e o hotel Novotel Center Norte, respectivamente inaugurados nos anos de 1984, 1987, 1993 e 2000. Ao longo dos anos, a empresa investiu na expansão, reformas e desenvolvimento de seus empreendimentos, sobretudo na cidade de São Paulo.
          O grupo foi reorganizado em 2012 para administrar as empresas do grupo: a Vedacit, as Fazendas Reunidas Baumgart, os shoppings Center Norte e Lar Center, o centro de convenções Expo Center Norte, o hotel Novohotel Center Norte e outros imóveis comerciais e investimentos pertencentes a família. Tem sua sede e a maior parte de suas operações concentradas na zona norte de São Paulo, principalmente nos bairros da Vila Guilherme e da Vila Isolina Mazzei.
          Em 12 de janeiro de 2026, morre Otto Baumgart (neto do fundador). Otto era membro da terceira geração da família que fundou o grupo. Era filho de Roberto Baumgart e neto do empresário catarinense Otto Gustav Gottfried Baumgart, natural de Blumenau e fundador do Grupo Baumgart e da Vedacit (material de construção), que morreu em 1973.

Vedacit
Sinônimo de impermeabilização de alta eficiência, esta é uma das marcas mais lembradas pelas famílias brasileiras, desde 1936. Primeira empresa do grupo Baumgart, conta atualmente com mais de 140 produtos em seu portfólio, dos tradicionais Vedacit, Bianco e Neutrol até as mais modernas soluções para vedação de superfícies, como mantas líquidas, acrílicas e tintas.

Lar Center
Primeiro shopping center temático da cidade de São Paulo, em atividade desde 1987. Seu mix possui 120 lojas especializadas em decoração e design que oferecem opções desde os materiais mais básicos de construção até as mais sofisticadas linhas de acabamento. Desde sua inauguração é uma das grandes referências para o mercado de decoração de interiores do Brasil.

Baumgart Fazendas Reunidas
Empresa do Grupo Baumgart dedicada inteiramente ao desenvolvimento de alta tecnologia para o setor do agronegócio. Localizada no estado de Goiás, possui parcerias com grandes universidades para estudos aplicados nas áreas de agricultura, pecuária e melhoramento genético para aprimoramento de soluções econômicas e sustentáveis para os negócios do campo.

Expo Center Norte
Um dos maiores e mais versáteis espaços para feiras e eventos da América do Sul, tem uma área total de 98.000 m2 e cinco pavilhões com capacidade para receber diversos eventos simultaneamente. Possui um centro de convenções de padrão internacional, com 21 salas modulares isoladas acusticamente, que podem receber até 4.500 pessoas ao mesmo tempo.

Novohotel _ São Paulo Center Norte
Hotel localizado próximo ao Shopping Center Norte e Expo Center Norte, tem a administração do Grupo Accor, uma das maiores redes hoteleiras do mundo. Tem foco na hospedagem de turistas de negócios e pequenos eventos, mas pode ser utilizado pelo público em geral. Sua excelente localização, a menos de 17 km do aeroporto internacional de Guarulhos, próximo ao Terminal Rodoviário Tietê e ao lado de uma das vias mais movimentadas de São Paulo, proporciona rápida mobilidade até os principais pontos de interesse da cidade.
(Fonte: Wikipédia / site da empresa - partes)

13 de jan. de 2026

Yázigi

          A rede de escolas ensino de idiomas Yázigi foi fundada em 1950.
          No final de 2013, a Wizard, então proprietária da Yázigi, vende seu grupo de escolas de idiomas Multi, então com 3 mil unidades e dono das bandeiras Wizard, Yázigi, Bit Company, entre outras - para a britânica Pearson por quase R$ 2 bilhões (1,3 bilhão? 1,7 bilhão), a maior transação do setor já realizada no Brasil.
          No início de 2026, o grupo paulista MoveEdu comprou 100% do Yázigi, uma das redes de ensino de inglês mais tradicionais do país. A vendedora foi a britânica Pearson, que controlava a marca desde 2013. A escola de idiomas tem hoje cerca de 270 unidades espalhadas pelo Brasil.
(Fonte: InvestNews - 13.01.2026)

11 de jan. de 2026

Macieira

          Em 1865, José Maria Macieira fundou a Macieira & Cª Lda, com o propósito de vender azeite, vinho e destilados. Vinte anos mais tarde a companhia começou a produção do seu próprio destilado, Macieira Royal Brandy, e foi eleito pelo Rei D. Carlos I como fornecedor da casa real.
          O destilado foi criado por José Guilherme Macieira, filho de José Maria Macieira, em 1885, após ter estudado enologia na região francesa de Cognac. A sua receita mantém-se tão original e secreta como em 1885. O sucesso de Macieira foi instantâneo, a sua qualidade e reputação ganharam verdadeiros apreciadores leais à marca, como Fernando Pessoa.
          Macieira foi exibido e premiado em várias feiras internacionais como a Feira Universal de Paris em 1900, Feira Industrial da África do Sul em 1904, Feira Comemorativa da Inauguração do Canal do Panamá em 1915, entre outras. Além disso, foi selecionada para repor os stocks de cognac que foram destruídos durante a II Guerra Mundial.
Elevador da Glória (Lisboa), em 1977, com publicidade do Macieira.
          Em 1973 Macieira foi adquirida pela Seagram, que por sua vez foi adquirida pela Pernod Ricard em 2000.                     A Macieira representa mais de metade do consumo de brandy no mercado português. Num primeiro momento, combateu o declínio das vendas com uma aposta na exportação. A Macieira tornou-se na marca do portfólio da Pernod Ricard Portugal com maior volume exportado, apostando na fama de que desfruta junto do mercado da saudade. A marca é exportada para mais de 30 países, nos cinco continentes, estreando em 2012 na Rússia e China.
Macieira continua a ser líder de mercado em Portugal.
          A base do Bombarral produz e envelhece ainda a aguardente Aldeia Velha e D'Alma.
          Em 2014, a produção da Macieira foi transferida do Bombarral para Manzanares, na Espanha. A decisão do conglomerado francês de bebidas Pernod Ricard é uma resposta à queda do consumo de brandy e uma tentativa de recolocar a Macieira na moda.
(Fonte: Wikipédia)

10 de jan. de 2026

Hewitt, Ogilvy, Benson, & Mather / Ogilvy & Mather

          Em 1948, depois de ter estagiado na agência de publicidade londrina Mather & Crowther, e estudado publicidade nos Estados Unidos, David Ogilvy inaugura a Hewitt, Ogilvy, Benson, & Mather, que anos depois se transforma na Ogilvy & Mather.
          Em 1981, a agência já contava com escritórios em 35 países, 1.600 clientes e 1,7 bilhão de dólares em contas.
          Para David Ogilvy, publicidade sempre foi um ato de venda. "We sell or else", dizia. E arrematava: "Nenhum fabricante jamais se queixou de que a sua publicidade estava vendendo demais".
          Espetacular redator, na opinião de Flávio A. Castro, que foi membro do conselho e do comitê executivo mundial da Ogilvy & Mather, David foi responsável por muitas peças antológicas. O comandate Whitehead para a Schweppes, o homem com tapa-olho para as camisas Hathaway, a campanha do sabonete Dove ("Dove passa creme na sua pele enquanto você se banha"), a inesquecível campanha para Porto Rico e o histórico anúncio  da Rolls Royce "A 60 milhas por hora, o único ruído que se ouve é o tic-tac do relógio elétrico") são apenas alguns exemplos do incomparável David Ogilvy.
(Fonte: revista Exame - 15.12.1999)

5 de jan. de 2026

NovaAndino Litio

          A NovaAndino Litio é uma joint venture entre a gigante chilena de metais Codelco e a fornecedora de lítio SQM que pretende se tornar a maior produtora mundial do metal para baterias, apostando em produção de baixo custo e baixo impacto ambiental para atender à crescente demanda.
          Conhecida como NovaAndino Litio, a parceria público-privada planeja apresentar uma proposta aos reguladores em 2026 para aumentar a produção na operação de lítio Salar de Atacama, disse o presidente da Codelco, Maximo Pacheco, durante entrevista em Santiago em 29 de dezembro de 2025. Pacheco, que também presidirá o conselho da joint venture, não detalhou as metas de produção.
          O acordo marca a entrada da Codelco na produção de lítio e garante ao produtor estatal de cobre a participação majoritária no negócio chileno de lítio da SQM, em troca da extensão das operações por mais três décadas. As empresas planejam implantar novas tecnologias de extração direta para aumentar a produção no maior complexo de salmouras de lítio do mundo, ao mesmo tempo em que reduzem os impactos ambientais.
          A joint venture SQM-Codelco é peça central da iniciativa do presidente Gabriel Boric de expandir o controle estatal sobre ativos estratégicos de lítio, ao mesmo tempo em que aumenta a oferta para apoiar a transição global longe dos combustíveis fósseis. O Chile busca recuperar a participação de mercado perdida nos últimos anos para Austrália e Argentina.
          A NovaAndino planeja ampliar a produção atual de cerca de 230 mil toneladas métricas por ano, justamente quando o mercado global de lítio começa a se recuperar de um longo excesso de oferta. As perspectivas de demanda permanecem fortes para veículos elétricos e armazenamento de energia em larga escala, embora os preços ainda estejam bem abaixo do pico de 2022 e possam sofrer pressão de novas ofertas.
          Após 2030, a Codelco terá 50% da joint venture mais uma ação, enquanto a SQM manterá o controle operacional até então.
          Um obstáculo ainda persiste: a Tianqi Lithium Corp., importante acionista da SQM, tenta bloquear ou suspender aspectos da parceria no Supremo Tribunal do Chile, argumentando que o acordo deveria ter sido submetido à votação dos acionistas.
          O regulador antitruste da China concedeu aprovação condicional para a parceria em novembro de 2025, exigindo que as empresas honrem contratos existentes e continuem fornecendo clientes chineses de forma “justa, razoável e não discriminatória”.
          Historicamente, a Albemarle Corp., única outra produtora no Chile, tem sido a maior fornecedora mundial de lítio. Mineradoras diversificadas, como Rio Tinto, também se tornaram players relevantes nos últimos anos, enquanto os grupos chineses Ganfeng Lithium e Tianqi expandiram significativamente sua capacidade global.
(Fonte: InvestNews - 29.12.2025)

União Pet (Grupo Petz Cobasi)

          A fusão das empresa Petz e Cobasi aconteceu em dezembro de 2025 por parte do Tribunal do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), mas foi condicionada à venda de um conjunto de 26 lojas das duas empresas em São Paulo. Na ocasião, nos papéis chegaram a disparar quase 5%, após a decisão.
          A empresa criada a partir da fusão entre Petz e Cobasi, passou a se chamar União Pet.
          Em 2 de janeiro de 2026 foi o último dia de negociação das ações da Petz com o ticker (código) PETZ3.
          Na segunda=feira, 5 de janeiro de 2026, o Grupo Petz Cobasi, fruto da fusão das empresas Petz e Cobasi, passou a ser negociado na bolsa brasileira sob o ticker AUAU3, substituindo PETZ3, a partir da segunda-feira, dia 5 de janeiro de 2026.
(Fonte: Valor - 05.01.2026)

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18 de dez. de 2025

Vinícola Miolo

          A Quinta do Seival, do Grupo Miolo, em Candiota, tem uma história antiga. Fica nas terras onde, em 1836, aconteceu a Batalha do Seival da Revolução Farroupilha, conhecida como Guerra dos Farrapos. Ali as tropas de Bento Gonçalves puseram para correr a guarda imperial.
          A Miolo comprou a propriedade no ano 2000. São 200 hectares de vinhedos, de onde saem desde o
básico Miolo Seleção até o Sesmarias—um vinho que pode custar cerca de R$1.200—, passando por
rótulos de qualidade e de custo razoável, como o Quinta do Seival Castas Portuguesas (R$ 157,90). Os preços têm como base dezembro de 2025.
(Fonte: Folha de S.Paulo)

16 de dez. de 2025

iRobot

          A fabricante de robôs aspirador iRobot foi fundada em1990 por engenheirosdo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).
          No início de 2024 quase um acordo foi firmado com uma proposta de
aquisição de US$ 1,5 bilhão pela Amazon, que fracassau devido a preocupações
de concorrência dos reguladores da União Europeia.
          Em meados de dezembro de 2025, a iRobot entrou com pedido de Chapter 11 (equivalente a recuperação judicial) nos EUA e será assumida por seu fornecedor chinês após a empresa,que
popularizouo aspirador de pó robô, sucumbir sob o peso da concorrência de rivais mais baratos.
          O grupo disse  em 14 de dezembro que entrou com pedido em Delaware como parte de um acordo de reestruturação com a chinesa Picea Robotics, sua credora e fornecedora principal, que adquirirá todas as suas ações.
          As ações da iRobot fecharam o pregão de 15 de dezembro de 2025 a US$ 1,27, muito abaixo
dos US$ 52 por ação oferecidos pela Amazon. “O anúncio é um marco crucial para garantir o futuro a longo prazo da iRobot”, comentou Gary Cohen, diretor executivo da iRobot
          A iRobot vendeu maide 40 milhões de dispositivos, segundo a empresa. Nos últimos anos, enfrentou concorrência de rivais chineses mais baratos, incluindo  a Picea, pressionando as vendas e forçando a iRobot a reduzir o número de funcionários. Uma reestruturação em 2024 tirou de
seu cofundador do cargo de diretor executivo.
          Embora a iRobot tenha recebido US$ 94 milhões em compensação pelo término do acordo com a Amazon, parte disso foi usada em taxas de consultoria e para pagar parte de um empréstimo de US$ 200 milhões.
(Fonte: Financial Times San Francisco (Folha de S.Paulo - 16.12.2025

14 de dez. de 2025

Richard Mille

          O francês Richard Mille entendeu que existia um grupo reduzido disposto a comprar um relógio pelo preço de um apartamento. Ou melhor: comprar um relógio cujo valor compra dois. E percebeu que, embora pequeno em número, tinha poder aquisitivo suficiente para justificar uma marca criada só para eles.
          A ousadia fica ainda mais interessante quando lembramos que Mille tomou essa decisão depois dos 50 anos. Numa fase em que muitos reduzem o ritmo, ele resolveu começar seu capítulo mais arriscado.
          E fez isso em um setor que idolatra tradição. É como tentar reinventar o vinho na terra dos bordaleses.
          Antes de lançar sua marca, Mille passou décadas na relojoaria tradicional, trabalhando em empresas pouco conhecidas do grande público como Finhor, Matra e Mauboussin. Durante sua carreira como executivo, notou o quanto o setor se acomodava. Ele entendeu que nunca criaria algo realmente novo se continuasse apenas como empregado.
          A alta relojoaria sempre foi dominada por casas centenárias. Elas veneram história e tratam qualquer desvio como heresia.
          Mille ousou ao empreender contra os gigantes estabelecidos no setor. E ousou também na estratégia, combinando materiais inéditos como fibra de carbono, titânio aeronáutico e cerâmica avançada com preços estratosféricos.
          O primeiro relógio, o RM 001, levou mais de dois anos para ficar pronto. Criado em parceria com a Renaud et Papi, rompeu códigos estéticos e técnicos que eram considerados intocáveis. Seu preço superava o dobro do tourbillon mais caro da época. Não era apenas um produto. Era um manifesto.
          Caio Mesquita, da Empiricus, conta que a primeira vez que ouviu falar da marca aconteceu durante conversa com Felipe Massa, entusiasta da Richard Mille de primeira hora, dentro do podcast Mesa para Quatro. Desde então, acompanha as novidades da marca. "Não gosto do visual dos relógios. São exagerados e quase barulhentos, especialmente quando comparados aos concorrentes elegantes. Mas talvez seja justamente isso que os torna tão potentes. Eles não querem agradar gente como eu", diz Mesquita.
          A estratégia de marketing seguiu o mesmo espírito disruptivo. Mille colocou seus relógios no pulso de atletas que operam no limite. Rafael Nadal jogando tênis com um relógio de milhões. Pilotos de Fórmula 1, exibindo peças que parecem tão ousadas quanto o próprio esporte.
          Hoje (fins de 2025), a Richard Mille é a única grande marca de alta relojoaria comandada por seu fundador vivo. O negócio segue refletindo a curiosidade e a teimosia de Mille. Enquanto outras se tornaram departamentos de conglomerados, a dele segue sendo uma ideia em movimento.
          A história mostra algo incômodo. O valor não nasce da média. Nasce do extremo. Não surge da tentativa de agradar. Surge da coragem de desagradar. E não depende de escala. Depende de escassez.
          Também desmonta o mito da idade certa. Mille provou que tarde demais é só um rótulo. Quando a convicção não cabe mais na vida antiga, empreender vira consequência.
          No fim, o mundo premia quem desafia séculos. Quem tenta o impossível. Quem começa tarde e mesmo assim muda tudo.
(Fonte: Empiricus 24/7 - 13.12.2025 - autor: Caio Mesquita, com trecho adaptado minimamente, para se enquadrar no estilo do blog Origem das Marcas)

10 de dez. de 2025

Di Cunto

 


          Em 1878, aos 17 anos, Donato Di Cunto partiu de Nápoles com destino a Montevidéu, onde iria encontrar parentes de sua mãe.
          Porém, por um desses caprichos do destino, Donato desembarca por engano em Santos, com pouco dinheiro, muitos sonhos e a receita de um tipo de pão nunca antes feito no Brasil: o panettone.
          Sem conhecer ninguém na terra nova, mas com uma determinação inabalável, em 1896 Donato abre no bairro da Mooca a padaria que levaria o seu nome e de cujo forno sairia o primeiro panettone do país.
          Passados mais de 125 anos da sua fundação, a Di Cunto transformou-se em um centro gastronômico que hoje abriga uma confeitaria, um restaurante, uma rotisserie e um pastifício, além da padaria onde tudo começou.
          A Di Cunto se orgulha de ter nascido e crescido na Mooca, tendo se transformado em uma das referências do bairro que até hoje conserva a tradição e a alegria de celebrar os bons momentos à mesa.
          Fábrica de panettone, padaria, confeitaria, rotisserie, pastifício ou restaurante? A Di Cunto é tudo isso em um só lugar. Um verdadeiro centro gastronômico que oferece as delícias e sabores tradicionais da Itália em um dos bairros mais tradicionais de São Paulo, a Mooca.
          A fábrica de panettones Di Cunto é a mais antiga em atividade no país. Desde 1896 no mesmo endereço e seguindo o mesmo processo de fermentação natural do primeiro panettone produzido no Brasil, o autêntico Panettone Di Cunto.
          É na confeitaria da Di Cunto que nasceu a icônica Torta Regina, massa de pão de ló, com creme de baunilha, carolina recheada de chantilly e cobertura de caramelo em fios, sucesso entre as famílias paulistanas há mais de um século.
          Atendendo no mesmo endereço desde sua fundação, no bairro da Mooca, na Rua Borges de Figueiredo, a Di Cunto cresceu e tornou-se uma referência na cidade, sempre fiel ao compromisso com a tradição e a qualidade da boa mesa italiana que o visionário Donato trouxe em sua bagagem. A Di Cunto tem uma filial na Rua Tabapuã, Itaim Bibi, também em São Paulo.
(Fonte: site da empresa)

9 de dez. de 2025

Torra

          A Torra, que nasceu Torra-Torra, numa alusão aos preços baixos, referindo-se a tíquete-médio de R$ 120.
          Criada em 1993 pela família Ruiz, a Torra tem como CEO, Marcio Ruiz — um dos quatro irmãos da família fundadora.
          A Torra começou a profissionalizar o negócio em 2010, quando chegou a pouco mais de 20 lojas. Além dos irmãos, passou a ter executivos vindos do mercado.
 —, diz que esse já era um sonho há pelo menos 8 anos. A rede da família Ruiz colocou o primeiro pé na avenida durante a pandemia: abriu ali, no prédio acima da atual loja, seu escritório administrativo.
          No início de dezembro de 2025, a Torra chega com tudo à Avenida Paulista em São Paulo. A  loja é grande, de quase 600 metros quadrados, e a vitrine já remete às compras de Natal. A fachada neutra deixa os manequins em evidência, e o que diferencia a loja é o letreiro laranja com o nome da Torra — numa espécie de confronto direto com a fachada toda rosa pink da Marisa – praticamente cara a cara com ela do outro lado da avenida.
          O endereço funciona também como vitrine — pela avenida Paulista passam 1,5 milhão de pessoas diariamente — num momento em que construir marca é especialmente crucial para quem está crescendo e precisa cavar seu espaço num espaço muito maior e mais disputado que é o e-commerce.
          Em 2024, o faturamento do grupo foi de R$ 2,3 bilhões. A estimativa, agora, é fechar 2025 com as vendas somando R$ 2,6 bilhões. O grupo tem lojas em 17 estados do país e projeta abrir ao menos 10 lojas em 2026, superando as 100 unidades, além de manter dois centros de distribuição.
(Fonte: InvestNews - 09.12.2025)

8 de dez. de 2025

Kalshi

          Cofundada pela brasileira Luana Lopes Lara, a Kalshi, com sede em Nova York, se consolidou como uma das principais plataformas de mercados preditivos do mundo (plataforma que negocia apostas sobre eventos futuros). Autodenominada uma "nerd de matemática", sua aptidão para os números — que lhe rendeu até uma medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia — a levou para o MIT (Massachusetts Institute of Technology). O nome "Kalshi" significa "tudo" em árabe.
          Lá, graduou-se em Ciência da Computação e Matemática e conheceu Tarek Mansour, com quem fundou a Kalshi em 2018, quando tinha apenas 22 anos e ainda estava na faculdade.
          Natural de Joinville (SC), Luana Lopes Lara cresceu dividindo o tempo entre sapatilhas e equações. Na juventude, a jovem estudou balé na renomada Escola do Teatro Bolshoi no Brasil.
          Antes de empreender, no entanto, Luana validou suas teses no mercado financeiro tradicional. Ela acumulou experiência operando nas mesas de grandes instituições de Wall Street e fundos quantitativos, com passagens pela Citadel, Bridgewater e Five Rings Capital.
          Diferente das casas de apostas tradicionais, a empresa permite negociar contratos sobre eventos futuros — de recessão nos Estados Unidos à premiação do Oscar — com licença oficial da CFTC, órgão regulador de derivativos dos Estados Unidos.
          A Kalshi opera como uma bolsa de contratos de eventos. Os usuários compram e vendem contratos baseados em perguntas de “sim” ou “não” sobre acontecimentos mensuráveis. O preço de cada contrato varia entre US$ 0 e US$ 1, refletindo a probabilidade de o evento ocorrer segundo o mercado.
          Se o evento se concretiza, o contrato paga US$ 1; se não, vale US$ 0. A lógica permite que investidores usem os contratos como hedge contra riscos macroeconômicos ou políticos.
          A Kalshi movimentou US$ 5,8 bilhões em volume negociado apenas em novembro, segundo o site especializado The Block. O número representa um crescimento de 32% em relação a outubro. A expansão é puxada pela entrada da empresa no segmento de apostas esportivas complexas (parlays), que já responde por 80% do volume.
          Com o crescimento, a empresa tornou-se um player relevante também frente às tradicionais plataformas de apostas esportivas, como DraftKings e FanDuel, que agora estudam entrar no setor de prediction markets,
          Em 3 de dezembro de 2025, a Kalshi anunciou uma rodada Série E de US$ 1 bilhão, que mais que dobrou seu valor de mercado para US$ 11 bilhões, cerca de R$ 58,6 bilhões na cotação atual. Entre os investidores estão Paradigm, Sequoia Capital, Andreessen Horowitz, ARK Invest, CapitalG (Google), Meritech, IVP e Y Combinator.
          Com a rodada, Luana e o cofundador Tarek Mansour tornaram-se bilionários no papel, com participações entre 20% e 25% da empresa, segundo fontes com conhecimento da estrutura societária.
          Apesar do crescimento acelerado e do aumento exponencial no volume de negociações, a Kalshi enfrenta obstáculos no campo regulatório. A principal disputa gira em torno da classificação jurídica da plataforma: enquanto a empresa se define como um mercado de derivativos regulamentado, autorizado pela CFTC dos Estados Unidos, autoridades estaduais argumentam que suas operações se enquadram como apostas esportivas e comerciais, sujeitas às legislações locais de jogos.
          Na última semana de novembro de 2025, a Kalshi sofreu um revés judicial após uma decisão federal determinar que a empresa deve obedecer às regras da comissão de jogos do estado de Nevada.
          A empresa discorda da decisão e já anunciou que pretende recorrer, alegando que sua atividade principal é financeira, e não recreativa, sendo comparável ao mercado de futuros de commodities.
          Segundo a direção da empresa, submeter a Kalshi à regulação estadual de jogos inviabilizaria parte do modelo de negócios, além de criar conflitos jurídicos com a regulação federal já existente. A disputa ilustra os desafios legais enfrentados por plataformas inovadoras que operam na interseção entre tecnologia, finanças e comportamento de massa — especialmente em setores onde a fronteira entre aposta e derivativo ainda é alvo de interpretações distintas.
          A Kalshi prepara novos produtos, parcerias com corretoras e a entrada em mercados internacionais. Uma dessas parcerias, segundo fontes ouvidas pelo New York Times, deve ser anunciada com a CNN. A empresa também negocia com instituições financeiras para permitir que seus contratos sejam negociados como ações, com maior liquidez e acesso.
          Hoje atuando como COO (Diretora de Operações) da Kalshi, a executiva lidera a estratégia de uma empresa que movimenta mais de US$ 1 bilhão por semana.
(Fonte: Exame - 03.12.2025)
Luana Lopes Lara

30 de nov. de 2025

JBS Viva

          Em novembro de 2025, a JBS juntou sua divisão de couros com o Grupo Viva. Assim nasceu a JBS Viva, uma gigante global do setor.
          A JBS e o Grupo Viva anunciaram no dia 25 a criação da JBS Viva, nova companhia que nasce
como líder global no setor de couros, reunindo os ativos de produção e comercialização
das duas empresas. A operação foi formalizada após aprovação do conselho de administração
da JBS e assinatura de um memorando de entendimentos vinculante com a Vanz Holding e a Viposa, acionistas da Viva.
          A JBS Viva terá participação acionária dividida igualmente entre a JBS e os acionistas do
Grupo Viva. A governança também será compartilhada: o presidente do conselho e o CFO (diretor financeiro) serão indicados pela JBS, enquanto o CEO e o COO (diretor de operações) ficarão sob responsabilidade do Grupo Viva. A conclusão da transação ainda depende da negociação dos documentos finais, bem como das demais condições, algo considerado usual.
          Com 31 fábricas e pelo menos 11 mil funcionários distribuídos pelo Brasil, Itália, Uruguai, Argentina, México e Vietnã, a nova companhia vai processar mais de 20 milhões de couros por ano.
          O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou em nota que a combinação dos negócios cria uma companhia mais preparada para atuar internacionalmente. “A união com a Viva abre novas oportunidades para todos os mais de 7 mil colaboradores da JBS Couros, que agora passam a fazer parte de um negócio ainda mais robusto e preparado para competir globalmente”, disse. Para ele, a JBS
Viva representa “a união de mais de 70 anos de experiência e reconhecimento internacional”.
          Segundo o líder da JBS Couros, Guilherme Motta, o produto segue sendo estratégico dentro da companhia. Ele ressaltou que o couro bovino, coproduto natural da cadeia de proteína, é
transformado em produtos que vão de calçados e bolsas a revestimentos automotivos e mobiliário.
          O mercado global de artigos de couro movimentou em 2024 por volta de US$ 498,5 bilhões e deve chegar a US$ 531 bilhões em 2025.
           A nova companhia já surge com capacidade é de produzir 20 milhões de peles de couro por ano.
(Fonte: Estadão - 26.11.2025 / InvestNews - 27.11.2025 - partes)