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4 de nov. de 2026

Rivio

          A startup Rivio foi fundada em 2025. Ela utiliza inteligência artificial para gerenciar o faturamento médico hospitalar de instituições como o Einstein e o Sírio-Libanês. A startup foi cofundada por Silvio Frison, CEO da Rivio, que também possui trajetória como executivo na Serasa.
Outro cofundador é Ricardo Sales, ex-executivo da General Atlantic e da Isaac.
          Após receber um investimento de R$ 100 milhões em 2025,captou mais R$ 80 milhões, em outubro de 2026, elevando seu *valuation* para R$ 1 bilhão; o dobro do valor de mercado que a empresa apresentava por volta de setembro de 2025.
          A nova rodada de financiamento foi liderada pela Valor Capital e contou também com a participação da Monashees. Ambas as gestoras já haviam investido na rodada anterior, ao lado da Endeavor. Esta transação mais recente é uma extensão da primeira rodada Série A da companhia, que também incluiu outros dois investidores: a Positive Ventures e fundos da APL.
          O acordo foi firmado três dias após o segundo turno das eleições presidenciais — que resultou na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT) — e em um cenário de crescente ceticismo quanto ao potencial de crescimento de empresas de inteligência artificial. Esses dois fatores têm influenciado as decisões de investimento tanto no Brasil quanto em outros países.
          A Rivio aplica IA ao faturamento médico hospitalar, um processo complexo que envolve milhares de itens e procedimentos — muitos dos quais acabam não sendo cobrados ou são registrados incorretamente. Estima-se que os hospitais percam até 10% de sua receita em meio à burocracia necessária para a elaboração das contas hospitalares. "Ainda hoje, grandes hospitais contam com enfermeiros que anotam em papel cada dose de dipirona administrada, de forma semelhante a um hóspede de hotel que solicita um item extra para o seu quarto. Contudo, a escala das operações em um hospital é muito maior", explica Silvio Frison.
          Uma internação hospitalar de uma semana gera uma conta médica de cerca de 100 páginas. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), foram realizados 2 bilhões de procedimentos no ano passado — incluindo exames, consultas, terapias e cirurgias. Cada um desses procedimentos, por sua vez, envolve uma série de etapas adicionais.
          “Os hospitais brasileiros ainda operam com uma infraestrutura tecnológica que não acompanhou a complexidade do atendimento que prestam. O fato de algumas das principais instituições do país terem adotado nossa solução em um período tão curto mostra que o setor estava pronto para essa mudança. Ampliar nosso investimento é uma aposta na capacidade desta equipe de redesenhar a área da saúde no Brasil”, afirmou Carlos Costa, da Valor Capital.
          A Rivio planejava, inicialmente, atender a um grande número de hospitais, mas revisou sua estratégia. O foco agora é trabalhar com instituições de referência para ajudar a disseminar o uso de IA na saúde — uma aplicação ainda pouco difundida, tanto no Brasil quanto no restante do mundo. Sua concorrente no mercado nacional é a Revena, que captou R$ 40 milhões no início de 2026.
          Nos Estados Unidos, há mais empresas atuando nesse segmento, embora o modelo de negócio ainda seja relativamente novo. Uma delas é a Candid Health, que captou US$ 120 milhões junto à Sixth Street Growth em julho de 2026. O aporte triplicou o *valuation* (valor de mercado) da Candid em comparação com o patamar de 18 meses antes. Segundo a *startup* americana, ineficiências e desperdícios no faturamento médico somam US$ 280 bilhões por ano.
          Dada a complexidade das contas médicas, o setor de saúde convive com uma prática conhecida como “glosa” (ou recusa de pagamento), na qual as operadoras de planos de saúde questionam procedimentos realizados por hospitais, clínicas e laboratórios.
          Esses questionamentos podem atrasar ou impedir o pagamento, afetando o fluxo de caixa dos prestadores de serviços de saúde. Dados da Anahp, associação que representa cerca de 120 hospitais, mostram que as operadoras contestaram quase 16% da receita dessas instituições no ano passado. Após negociações entre as partes, esse percentual caiu para menos de 2%.
          A IA da Rivio identifica erros antes que as contas médicas sejam enviadas às operadoras de planos de saúde. Isso ajuda a evitar interrupções no fluxo de caixa dos hospitais, causadas por contestações no faturamento. Os hospitais já enfrentam ciclos de pagamento longos, recebendo os valores, em média, cerca de 70 dias após a realização de um procedimento. Quando uma solicitação de pagamento é contestada, o recebimento pode levar até um ano.
          “Ao utilizar inteligência artificial para identificar erros, as operadoras também são beneficiadas. O agente de IA começa a atuar assim que o paciente é registrado na admissão. O sistema consegue, então, detectar alterações na cobertura, a inclusão de um código de faturamento incorreto ou um procedimento atípico para um determinado tipo de tratamento”, afirmou Ricardo Sales.
          Frison ressalta que este trabalho seria inviável sem a IA. Atualmente, hospitais e operadoras de saúde empregam centenas de enfermeiros auditores para conferir contas médicas manualmente. “É muito difícil que as pessoas não cometam erros quando há tantas variáveis”, observou ele.
          Para auxiliar na sua atuação no segmento de gestão de faturamento médico, a Rivio constituiu um conselho consultivo formado por representantes dos setores de saúde e tecnologia, que também se tornaram acionistas da startup.
          O grupo inclui Henrique Neves (Einstein), Paulo Chapchap (ex-líder do Sírio-Libanês e diretor médico do IEPS), José Marcelo de Oliveira (Oswaldo Cruz), Teresa Sacchetta (Conselho Brasileiro de Saúde Digital), Luiz De Luca (ex-executivo do Nove de Julho), Gustavo Meirelles (Afya) e Fernando Carneiro (Vila Nova Partners). O setor de tecnologia é representado por Mat Velloso (Docker; com passagens anteriores por Microsoft, Google e Meta) e River Mist (OpenAI). “São pessoas que conhecem muito bem seus respectivos setores e nos abrem portas”, afirmou o CEO da Rivio.
          Olhando o panorama de novembro de 2026, a Rivio trabalha atualmente com 13 hospitais. Entre eles estão o Einstein, o Sírio-Libanês, o Alemão Oswaldo Cruz, o A.C.Camargo Cancer Center, o HCor, o São Camilo e a AACD, todos sediados na cidade de São Paulo.
(Fonte: Valor - 04.11.2026)

1 de nov. de 2026

Chili's (Chili's Bar & Grill)

          A rede Chili's ou Chili's Bar & Grill é uma cadeia americana de restaurantes. Foi fundada em 1975 em Dallas, no estado do Texas, por Larry Lavine.
          Os menus dos restaurantes da rede apresentam pratos da culinária dos Estados Unidos, em particular da vertente tex-mex, de base texana e influência mexicana.
          Atualmente, a cadeia Chili's é propriedade da empresa Brinker International. Os restaurantes Chili's podem ser encontrados em locais variados, tais como centros comerciais, centros urbanos, aeroportos, bases militares e inclusive num barco fluvial no Egito.
          No Brasil, o Chili's já teve uma unidade em São Paulo. mais especificamente no bairro de Moema. A unidade foi aberta em 2011 e o restaurante era administrado pela agora-extinta holding BTTO Group, que tinha como sócios a dupla de cantores Chitãozinho e Xororó. O plano era abrir 5 unidades em 5 anos na região Sudeste, mas a primeira unidade foi fechada 2 anos depois, em 2017.
          Considerando números de 2026, a rede conta ccm mais de 1400 restaurantes, num total de 28 países, e com mais de 10 000 colaboradores.
(Fonte: Wikipédia - parte)

30 de out. de 2026

Huaxin Building Materials Group

          O grupo chinês Huaxin Building Materials Group Co. Ltd. foi fundado em 1907 e tem sua sede em Wuhan, Hubei, China. A empresa tem atuação global, no setor de materiais de construção.
          Até outubro de 2025, a companha tinha a seguinte razão social: Huaxin Cement Co., Ltd. 
          Seus principais produtos e serviços abrangem cimento, clínquer, agregados, concreto comercial, argamassas, blocos, placas, gestão ambiental e coprocessamento de resíduos em fornos.
          Considerando números de outubro de 2026 a empresa conta com cerca de 21.889 colaboradores, com mais de 300 subsidiárias em várias províncias da China e em diversos países da Ásia, África e Oriente Médio. A empresa tem ações listadas nas bolsas de Xangai (600801) e Hong Kong (6655.HK).
          Em 30 de outubro de 2026, a Companhia Siderúrgica Bacioanal - CSN, informa "aos seus acionistas e ao mercado em geral que celebrou, nesta data, o acordo de exclusividade com a Huaxin Building Materials Group Co. (“Huaxin”) contendo prazo de duração de 10 dias, com objetivo de assinar os documentos definitivos relativos à alienação de ações de emissão da CSN Cimentos Brasil S.A. (“CSN Cimentos”). O acordo de exclusividade contempla um valor de empresa (enterprise value) de R$ 12,7 bilhões para a CSN Cimentos e a intenção da Companhia é obter a assinatura em matéria de dias."
          A empresa também avançou em outras frentes internacionais, como o acordo para adquirir 67,6% da Holcim Filipinas e projetos em países da África e Ásia.
(Fonte: IA - Google - 30.10.2026 - parte)

27 de out. de 2026

Mubadala Investment Company

          A Mubadala Investment Company é firma soberana de Abu Dhabi.
          Em 30 de novembro de 2021, a Petrobras finalizou a venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), em São Francisco do Conde, na Bahia e seus ativos logísticos associados para o Mubadala Capital (MC Brazil Downstream Participações). A operação foi concluída com o pagamento de US$ 1,8 bilhão (R$ 10,1 bilhões) para a Petrobras, valor que reflete o preço de compra de US$ 1,65 bilhão, ajustado preliminarmente em função de correção monetária e das variações no capital de giro, dívida líquida e investimentos até o fechamento da transação. A refinaria é a primeira dentre as oito que estão sendo vendidas pela Petrobras a ter o processo concluído. A Acelen, empresa criada pelo Mubadala Capital para a operação, assumiu a gestão da RLAM, que passa a se chamar Refinaria de Mataripe, a partir de 1º de dezembro de 2021.
          O presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, disse que a conclusão da venda reflete a importância da gestão de portfólio e fortalece a estratégia da companhia. A Petrobras acredita que, com novas empresas atuando no refino, o mercado será mais competitivo e haverá mais investimentos. É também parte do compromisso firmado pela Petrobras com o Cade para a abertura do mercado de refino.
          Além da Refinaria Landulpho Alves, outras duas refinarias já tiveram seus contratos de venda assinados: a Refinaria Isaac Sabbá (Reman), no Amazonas, cuja assinatura ocorreu em 25 de agosto de 2021, e a Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), no Paraná, com contrato assinado em 11 de novembro de 2021.
          A Acelen foi criada pelo fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala Capital, para a operação da 
gestão de refinaria recém adquirida no Brasil.
          Na noite de 20 de fevereiro de 2024, a Zamp anunciou o saque definitivo dos recursos dos Serviços de Administração de Fundos Fitpart. A FitPart reduziu sua participação de 16,8% para zero. Segundo fontes familiarizadas com o assunto, a gestora foi contra a decisão de retirar a Zamp do Novo Mercado, segmento de governança mais rígido da B3. Isto foi algo defendido pelo fundo árabe Mubadala Capital e apoiado pela RBI, empresa parcialmente detida pela 3G Capital, e neste cenário a FitPart decidiu renunciar. Controlada pelos bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, a 3G Capital detém 29% da RBI, que controla mundialmente a marca Burger King. A Fitpart (family office de ex-acionistas do Banco Garantia), ao lado dos minoritários contrários à medida, decidiu vender sua posição na empresa, que segundo fontes passou para as mãos da Mubadala. A Mubadala anunciou ao mercado em 21 de fevereiro (2024) a compra de American Depositary Receipts (ADRs) representativos de 16,8% do capital da Zamp. Além dos ADRs, a Mubadala passou a deter 2,9% do capital em instrumentos derivativos, o que elevou sua posição na empresa de 38,5% para 58,3%. Dessa forma, o fundo árabe assumiu o controle da operadora Burger King – e passou a decidir os próximos passos estratégicos da empresa. O RBI, por meio do veículo Burger King do Brasil, detém 9,4% das ações, sendo 34% disponíveis para negociação no mercado aberto. Também foi comunicado ao mercado que Hugo Segre Junior, membro do conselho de administração da Zamp e vinculado à Fitpart desde 2018, decidiu renunciar ao cargo. Isto era esperado pelo mercado, dadas as divergências da gestora de recursos com a posição da Mubadala e do 3G.
          A Mubadala Capital, que tem como principal investidor o fundo soberano de Abu Dhabi, adquiriu em 2023 pouco mais de 70% da ATG, dando início à constituição de uma segunda Bolsa no Brasil. O restante está em um fundo de investimento em participações (FIP) sob gestão da Angra Partners e executivos da ATG.
          O processo de venda do Porto Sudeste em que Mubadala é acionista, atraiu, em agosto de 2026, um volume relevante de interessados e curiosos, mas alguns deles recuaram na hora do lance. O Pipeline apurou que Stonepeak e M Resources estavam consorciadas para tentar comprar o ativo, mas se assustaram com a expectativa de preço dos acionistas Mubadala e Trafigura. O brasileiro Paulo Gouveia, que foi da EBX e conhece bem o projeto portuário (nascido dos Power Points de Eike Batista), também vinha reunindo um grupo de investidores, mas recuou, disseram as fontes. Entre esses investidores nacionais e estrangeiros, a avaliação é que o Sudeste valeria algo mais próximo a US$ 2 bilhões ou US$ 2,5 bilhões
          Em fins de outubro de 2026, a gestora americana Apollo, que administra US$ 1,05 trilhão em ativos, comprou uma participação minoritária na Mubadala Capital, o braço de investimentos alternativos da firma soberana de Abu Dhabi, Mubadala Investment Company. A fatia, não revelada pelas partes, é estimada em 10%. Ao entrar no negócio, a Apollo se comprometeu com US$ 5 bilhões em investimentos iniciais. Apollo e Mubadala já fizeram coinvestimentos ao longo dos últimos anos, por meio de parceria estratégica, que os árabes também fecharam com Goldman Sachs e Fortress. Mas não tinham até então laço societário.
(Fonte: agênciabrasil.ebc - 30.11.2021 / Valor - 22.02.2024 / Valor Pipeline -26.08.2026 / 27.10.2026 - partes

23 de out. de 2026

Starlink

          A Starlink Services, LLC, que opera sob o nome Starlink, é uma subsidiária de telecomunicações da empresa aeroespacial norte-americana SpaceX. Tem sua sede em Redmond, Washington, Estados Unidos.
          A Starlink foi anunciada publicamente em janeiro de 2015, quando a SpaceX abriu sua instalação de desenvolvimento de satélites em Redmond Washington. Na inauguração, Elon Musk, o fundador, afirmou que ainda havia no mundo uma demanda não atendida por banda larga de baixo custo.
          Em novembro de 2016, a SpaceX pediu à FCC licença para operar um "sistema de satélites em órbita não geoestacionárioa (NGSO) no serviço fixo por satélite, usando as faixas de frequência das bandas Ku e Ka. Em setembro de 2017, a FCC concedeu uma licença que exigia que metade da constelação estivesse em órbita em seis anos e que o sistema completo funcionasse em até nove anos a partir da data da licença.
          Depois do lançamento de dois satélites de teste em fevereiro de 2018, o primeiro lote de sessenta satélites Starlink operacionais foi lançado em 24 de maio de 2019.
          Em meados de 2026, a Starlink já era a principal provedora de internet na zona rural brasileira, deixando para trás as teles tradicionais, de acordo com pesquisa da Ookla, consultoria global de telecomunicações. A Starlink tem 9,3% de participação de mercado brasileiro de banda larga fixa no campo, uma clientela maior do que Claro (6,5%), Vivo (5,4%) e TIM (0,6%).
          A Starlink vem crescendo a passos largos desde que iniciou suas operações há quatro anos. O Brasil se tornou seu segundo maior mercado, com mais de 1 milhão de clientes, conforme a empresa divulgou no X. O crescimento rápido se deve ao fato de que ela fornece internet de alta velocidade por satélites, o que exige apenas uma antena e um roteador no solo.
          A pesquisa da Ookla mostrou que a Starlink ampliou em 8,3% sua base de clientes em zonas rurais nos últimos 12 meses, enquanto Vivo e TIM cresceram apenas 2,6% e 0,3%, respectivamente, e a Claro encolheu 0,5%. “Os mercados mais fortes da Starlink são precisamente os lugares onde a rede de fibra (óptica) ainda não chegou”, descreveu o analista Mike Dano, em seu relatório.
          Já nas cidades, as teles tradicionais dominam o mercado de banda larga fixa, com boa cobertura da fibra óptica, velocidade mais alta e preços mais competitivos. A Starlink vem ganhando assinantes em capitais como São Paulo e Rio, por exemplo. No entanto, tem só 1,4% de participação, bem atrás da
Claro (24,6%), Vivo (18,3%) e TIM (3,1%). “Seus ganhos são mais modestos ”, afirmou Dano.
          Além do serviço civil de banda larga, a Starlink é usada em comunicações governamentais e militares, entre elas as empregadas na Guerra Russo-Ucraniana. A grande quantidade de satélites da constelação recebeu críticas de astrônomos por aumentar a poluição luminosa e o congestionamento orbital.
          Um grande debate surgiu na semana de 19 a 23 de outubro de 2026 sobre o motivo pelo qual o acesso da Ucrânia a uma versão de uso militar do serviço de internet via satélite Starlink foi restringido.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alertou que a medida colocou vidas em risco e deu a entender que se sentiu traído por Elon Musk — cuja empresa, a SpaceX, opera a rede — e pelo presidente Trump. O *The Wall Street Journal* e o *The Times* relataram que Trump ligou para Musk pedindo que ele restabelecesse totalmente o acesso à rede de satélites, conhecida como Starshield. Ao ser questionado no dia 22 se havia feito tal ligação para Musk — conforme noticiado inicialmente pelo *The Wall Street Journal* —, Trump evitou responder. “Não quero comentar se liguei ou se outra pessoa ligou; acho que isso não faz diferença. O que importa é que ele restabeleceu o acesso”, disse o presidente aos repórteres. Questionada sobre o assunto, a Casa Branca remeteu às declarações de Trump. Até o dia 23 (outubro 2026), não estava claro se o acesso à rede Starshield havia sido totalmente restabelecido. Algumas autoridades ucranianas afirmaram que esse ainda não era o caso.
          Na quarta-feira, a coluna *DealBook* questionou quais poderiam ser as consequências de permitir que Musk, um cidadão particular, exerça um poder geopolítico tão amplo.
Considerando dados de 2026, a Starlink fornece acesso à Internet de banda larga em cerca de 160 países e territórios. Em junho de 2026, com 12 milhões de assinantes, a rede tinha cerca de 10.413 satélites, dos quais 10.397 estavam operacionais, em órbita terrestre baixa (LEO). Eles se comunicam com terminais de usuário e estações terrestres de acesso que conectam a constelação à infraestrutura terrestre da Internet.
(Fonte: Estadão - 30.07.2026 / Wikipédia / DealBook New York Tmes - October 23, 2026 - partes)

22 de out. de 2026

Prudential

          A seguradora americana Prudential entrou no Brasil em 1998 por meio de uma parceria inicial com a seguradora brasileira Unibanco AIG. Posteriormente, a empresa construiu um negócio expressivo de seguros de vida individual, utilizando, principalmente, uma rede de franquias composta por consultores de seguros — denominados "planejadores de vida" (life planners) — para a distribuição de seus produtos.
          Por volta de meados de julho de 2026, a Prudential anunciou sua decisão de deixar os mercados brasileiro e mexicano, como parte de uma revisão mais ampla de suas operações internacionais.
          Em fins de julho de 2026, CNP, HDI e Zurich estavam entre as candidatas para comprar a Prudential, que tinha 10% do mercado de seguros de vida no Brasil, e que pôs à venda suas operações no Brasil. O negócio poderia sair por mais de R$ 15 bilhões.
          Em 20 de outubro de 2026, a Prudential Financial fechou a venda das suas operações no Brasil e no México para o grupo francês CNP Assurances. A americana informa preço total de US$ 4,03 bilhões em dinheiro, sujeito a ajustes de fechamento. A conclusão está prevista para o segundo semestre de 2027, após aprovação de órgãos reguladores.
          A aquisição do pacote de operações, um lance em patamar elevado - enquanto outros proponentes estavam mais perto de US$ 3 bilhões - e a visão de que não haverá um embate cultural entre as empresas foram determinantes para o desfecho, disseram pessoas próximas à operação. A americana Metlife, a japonesa Daiichi e a espanhola Mapfre chegaram a passar para a segunda fase do processo, mas a CNP era apontada como favorita desde o inicio do processo, como mostrou o Pipeline.
          "Esta não é uma decisão específica para o Brasil ou o México, mas sim uma estratégia de realocação de recursos. A decisão não reflete o desempenho de nossas operações no Brasil e no México, nem o potencial desses mercados. Pelo contrário, este tem sido um dos melhores anos para nossas operações em mercados emergentes. Acreditamos que o potencial de crescimento continua muito elevado", afirmou David Legher, presidente da Prudential para mercados emergentes.
          Em 2025, a Prudential detinha uma participação de 26,7% no mercado brasileiro de seguros de vida individual. Naquele ano, a companhia gerou R$ 7,5 bilhões em prêmios — um aumento de 19% — e registrou um lucro líquido de R$ 1,2 bilhão.
(Fonte: Valor - 21.10.2026)

21 de out. de 2026

CNP Seguradora (CNP Assurances)

          A CNP Seguradora (Brasil) foi fundada em 2001, e tem atuação destacada em seguros de vida, previdência, capitalização, consórcios e planos odontológicos.
          A companhia é parte do grupo francês CNP Asssurances, seu acionista majoritário, e formou uma joint venture com a Caixa Econômica Federal.
          Em 2023, após uma reorganização societária, a empresa passou a operar com uma marca própria. Suas subsidiárias CNP Capitalização, CNP Consórcio, Previsul e Odonto Empresas passaram a operar de forma integrada sob a nova marca.
          A CNP Seguradora adota um modelo de negócios baseado em parcerias do tipo B2B2C (Business to Business to Consumer). Por meio dessa abordagem, a empresa distribui seus produtos de seguros por intermédio de instituições financeiras e varejistas, como, Correios, XP Investimentos, BRB, Carrefour, Lojas Americanas, Cresol, entre outros. Esse modelo permite que a CNP Seguradora alcance uma base diversificada de consumidores por meio dos canais de distribuição de seus parceiros.
          Em fins de julho de 2026, CNP, HDI e Zurich estão entre as candidatas para comprar a americana Prudential, que tem 10% do mercado de seguros de vida no Brasil, e que pôs à venda suas operações no Brasil. O negócio poderia sair por mais de R$ 15 bilhões.
          Em 20 de outubro de 2026, a Prudential Financial fechou a venda das suas operações no Brasil e no México para o grupo francês CNP Assurances. A americana informa preço total de US$ 4,03 bilhões em dinheiro, sujeito a ajustes de fechamento. A conclusão está prevista para o segundo semestre de 2027, após aprovação de órgãos reguladores.
          A aquisição do pacote de operações, um lance em patamar elevado - enquanto outros proponentes estavam mais perto de US$ 3 bilhões - e a visão de que não haverá um embate cultural entre as empresas foram determinantes para o desfecho, disseram pessoas próximas à operação. A americana Metlife, a japonesa Daiichi e a espanhola Mapfre chegaram a passar para a segunda fase do processo, mas a CNP era apontada como favorita desde o inicio do processo, como mostrou o Pipeline.
          Enquanto a parceria com a Caixa proporciona à CNP acesso a uma ampla base de clientes, a Prudential concentra-se em clientes de maior renda que utilizam o seguro de vida para proteger seu patrimônio e planejar a sucessão.
          A transação coloca o CNP entre as cinco maiores seguradoras da América Latina. A Prudential já deixou 60% das operações em mercados emergentes.
(Fonte: Wikipédia / InvestNerws - 23.07.2026 / Pipeline - 20.10.2026 / InvestNews 21.10.2026 / Valor - 21.10.2026 - partes)


20 de out. de 2026

Marché des Enfants Rouges

          O mercado parisiense Marché des Enfants Rouges foi fundado em 1615 e tombado como monumento histórico em 1982. O mercado nasceu para abastecer a cidade, mas com o tempo, seus corredores ganharam outra vocação: além de comprar frutas, verduras e carnes, passou a ser possível almoçar ali, entre bancas e cozinhas de diferentes partes do mundo.
          Um aglomeradão de gostosuras e culturas, sob as vigas metálicas e as coberturas envidraçadas, que, nos anos 2000, ganhou ares de destino gastronômico no Alto Marais, bairro que se tornaria um dos redutos bobo (burguês-boêmio) de Paris.
          Entre os quase 20 balcões, ao fundo, à direita, o mais disputado talvez fosse o Les Enfants du Marché, aberto por Michael Grosman em 2017. A proposta, concebida com amigos, combinava cozinha bistronômica, pratos criativos, vinhos bem escolhidos, muitos deles naturais, e serviço direto no balcão. Sem reservas, era preciso esperar a vez para provar o que saía da cozinha aberta. E valia a pena.
          Eram 18 estabelecimentos, entre operações gastronômicas e outros comércios, que avivavam toda a paisagem do bairro.
          Na madrugada de domingo para segunda-feira, 12 de outubro de 2026, as chamas devastaram 
o mercado coberto mais antigo da capital francesa. Não houve vítimas, mas a destruição atingiu um lugar com quatro séculos de história e cuja vida recente se fez também à mesa.
          Lousas, pétalas, pães. O fogo consumiu os vestígios de um dia qualquer no Marché des Enfants Rouges, em Paris, e esfumaçou a vizinhança.
          O incêndio não encerrou os planos de Grosman. Em uma publicação nas redes sociais, o restaurateur lamentou que parte da história do mercado tivesse virado cinzas, mas afirou que já pensa nos próximos passos. Procura uma casa temporária em Paris onde possa instalar uma cozinha e voltar a receber equipe e amigos. Pediu aos seguidores contatos, ideias e pistas para encontrar esse novo endereço.
          Claro, o Les Enfants du Marché não estava sozinho. O mercado abrigava o Chez Taeko, conhecido pelos bentôs japoneses; o Corossol, de cozinha caribenha; o The Butcher of Paris; o Burger Fermier des Enfants-Rouges; e traiteurs marroquinos, italianos e libaneses. Mais recentemente, chegaram a crêperie Lulu e a Roasted, especializada em frango.
          O Enfants Rouges encontra um paralelo em Covent Garden, em Londres. A primeira referência escrita ao mercado inglês é de 1654. Os dois atravessaram séculos, mas seguiram caminhos diferentes: Covent Garden deixou de ser um mercado de frutas e verduras para se tornar um polo de compras,
 cultura e gastronomia; no Marais, o comércio de alimentos frescos dividia espaço com cozinhas que convidavam a comer ali mesmo.
          Agora, o mercado parisiense terá de encontrar um caminho de volta. As lousas, as pétalas e
os pães queimaram-se, mas a história não se apaga. 
(Fonte: Estadão (Fernanda Meneggtti) - 18.10.2026)

19 de out. de 2026

Ecovix

          A Ecovix Construções Oceânicas foi fundada em 2010. A empresa é proprietária e operadora do Estaleiro Rio Grande, localizado no município de Rio Grande, no Rio Grande do Sul.
          A companhia atua em projetos, construção, reparo de estruturas para operações oceânicas, plataformas de petróleo, módulos e embarcações.
          Em 2016, a empresa entrou em recuperação judicial para renegociar dívidas tributárias.
          A Ecovix conta com o maior dry dock (doca seca) da América Latina e guindastes de grande porte (como pórticos de 600 e 2.000 toneladas).
          Em julho de 2025, a empresa encerrou oficialmente seu processo de recuperação judicial (que durou nove anos, iniciado em 2016), após renegociar dívidas tributárias e assinar novos contratos com a 
Petrobras e outras companhias.
          Em outubro de 2026 a Ecovix iniciou a construção do primeiro de quatro navios Handymax para a Transpetro, braço logístico da Petrobras – parte de uma licitação de renovação da frota. As embarcações terão capacidade de 16 mil toneladas para transporte de diesel e gasolina de aviação. Ao todo, o estaleiro vai entregar 13 navios à estatal nos próximos anos.
(Fonte: IA - 19.10.2026 / InvestNews - 19.10.2026 - partes)

17 de out. de 2026

Filarmônica de Berlim (Berliner Philharmoniker)

          Rankings são sempre polêmicos, mas no caso da Filarmônica de Berlim (Berliner 
Philharmoniker) não costuma haver briga quando a orquestra é definida como a melhor do mundo.
          A Filarmônica foi criada em 1882 e seus primeiros diretoresa alcançar o status de lenda foram Hans von Bulow e Arthur Nikisch, que ficou no cargo de 1895 até 1922. Wilhelm Furtwängler assumiu 
em seguida. Herbert von Karajan tornou-se titular em 1956 e ficou no cargo até sua morte, em 1989.
          A escolha de um maestro para dirigir a Filarmônica é o mais próximo que se tem, na música clássica, da escolha de um novo papa. A orquestra é autogerida, o que significa que a escolha é feita pelos músicos – sem sua aprovação, ninguém pisa no púlpito para comandar um concerto. E, como acontece com os papas, as gestões costumam ser longas.
          O russo Kirill Petrenko, nascido em 1972, eleito na temporada 2019/20, é apenas seu oitavo maestro titular em 144 anos. O primeiro, Hans von Bülow, ficou seis anos, entre 1887 e 1892. Arthur Nikisch consolidou o prestígio da orquestra nos 27 anos seguintes. Willhelm Furtwängler, entre 1922 e 1945, liderou período ao mesmo tempo de altíssima qualidade musical e tenebroso, em que a orquestra tornou-se “garota-propaganda” do regime nazista. “Desnazificado” pelo tribunal dos Aliados no pós-1945, retornou à orquestra entre 1952 e 1954.

Durante o período nazista, a orquestra não tocou compositores judeus. No pós-guerra, quando teve como titular o romeno Sergiu Celibidache, que assumiu a direção em 1945, trocou a suástica pela águia norte-americana a mando do Comando Aliado, durante o processo de desnazificação. Com ênfase maciça numa penca de compositores norte-americanos, Copland e Barber à frente. Em 1954, quando Furtwängler morreu, Celibidache teve o tapete puxado pelo ex-nazista Herbert von Karajan.

          Cada vez mais tornava-se evidente que a autogestão da orquestra não garantia liberdade de princípios ou resistência às investidas do poderoso de plantão. As orquestras sinfônicas estiveram historicamente atreladas ao jogo político vigente, por causa do alto grau de investimento que exigem; o grande contingente de mão de obra especializada necessária, o staff administrativo, além dos músicos, e os vínculos mais ou menos espúrios com o Estado, velados ou não. Ao assumir, Karajan iniciava o mais longo reinado de um maestro à frente da orquestra: 34 anos, entre 1955 e 1989.

          Além de sua genialidade como maestro, perpetuou-se em vida porque transformou-a em um fenômeno de fato global, planetário. Consolidava-se, na década de 1950, o “long play”, lançado em 1948 pela Columbia norte-americana: dos 3 a 5 minutos do 78 rotações passava-se para dois lados de 23 a 26 minutos cada. Ideal para grande parte do repertório sinfônico. Karajan abraçou o LP, tornou a orquestra campeã de vendas no mundo todo. A ponto de ter sido consultado sobre a minutagem ideal do CD, criado em 1979 pela Sony. Foi o maestro que definiu sua duração máxima, a partir dos 75 minutos da Nona Sinfonia, de Beethoven. Pois maestro e músicos de Berlim encheram as burras com quatro integrais das sinfonias de Beethoven, uma versão em cada década de reinado do maestro, dos anos 60 aos 80.

          Não seria justo atribuir a Karajan apenas tino comercial. Ele foi um músico extraordinário. Os dois maestros que o sucederam – pela ordem, o italiano Claudio Abbado e o britânico Simon Rattle – tiveram pela frente a dura tarefa de “humanizar” a orquestra.

          Abbado rejeitou o modelo ditatorial de Karajan. “Para todos vocês, sou Claudio”: foi assim que se apresentou à orquestra quando subiu ao pódio para o primeiro ensaio, em 1989. Aliás, nos ensaios, falava em voz baixa, pouco mais que um murmúrio, obrigando os músicos a se inclinarem para ouvi-lo. O silêncio em torno de Abbado nunca era opressor, mas de concentração, expectativa e partilha. Quando algo não ia bem, ele parava, olhava para a orquestra, sorria gentilmente e dizia algo como: “Vamos tentar novamente, talvez com um pouco mais de respiração”. Impactava mais os músicos com sua decepção muda do que com as explosões de raiva de seu antecessor.

          Sua relação com a música de Gustav Mahler não era apenas musical. Era ética. Ele acreditava que Mahler exigia verdade, humildade e honestidade existencial. Durante os ensaios da Nona Sinfonia, Abbado certa vez fez uma pausa e disse: “Não se trata de som. Trata-se de como nos desapegamos”. Quando lhe perguntavam por que seu Beethoven soava tão diferente do de Karajan, ele respondia: “Porque eu não sou Karajan – e Beethoven permite muitas verdades”.

A escolha de Simon Rattle em 2002 afastou ainda mais a atmosfera tensa dos 44 anos de Karajan. Rattle incluiu obras de compositores contemporâneos como Wolfgang Rihm, Sofia Gubaidulina e Thomas Adès. Lançou o Digital Concert Hall, portal de transmissão dos concertos ao vivo da filarmônica, com acesso ao riquíssimo *acervo digital de concertos e gravações.
          Petrenko foi eleito como sucessor de Rattle em 2015, mas só assumiu efetivamente na temporada 2019/2020. Em fevereiro de 2022, protestou contra a invasão da Ucrânia pela Rússia, chamando-a de “facada nas costas de todo o mundo pacífico”. Há sete anos no comando da filarmônica, representa, de certo modo, um movimento de afirmação dos pilares básicos que a tornaram paradigma das orquestras do planeta.
          A incontestável posição da Filarmônica de Berlim no ranking tornou a presença do grupo no fim de semana de 17 a 19 de outubro de 2026 em São Paulo uma ocasião marcante da cena musical.
          A Filarmônica fez três concertos na Sala São Paulo, promovidos pela Tucca (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer): como parte especial do projeto Música pela Cura, o resultado financeiro do evento é destinado ao tratamento de crianças e adolescentes em situação de 
vulnerabilidade com câncer.
          No dia 17, os 12 Violoncelos da Filarmônica de Berlim fizeram uma apresentação extra, em uma noite única que reuniu grandes clássicos, jazz, chanson francesa, música latino-americana e arranjos especialmente escritos para o célebre conjunto.
          No domingo, 18, o programa teve o Concerto para piano n.º 1, de Johannes Brahms, e Assim Falou Zaratustra, de Richard Strauss. No dia 19, foram apresentadas a abertura As Hébridas, de Mendelssohn, as Variações Enigma, de Elgar, e a Sinfonia n.º 4, de Tchaikovski.
          O solista, no domingo, foi o pianista Víkingur Ólafsson, conhecido do público paulistano, já tendo se apresentado com a Osesp e também em recital na Sala São Paulo. A regência é do maestro titular do grupo, o russo Kirill Petrenko, no posto desde a temporada 2019/2020.
(Fonte: Estadão - 16.10.2026 / 18.10.2026 - partes)

15 de out. de 2026

Mundial S.A.

          A Mundial S.A. é uma fabricante gaúcha de válvulas, talheres, alicates e produtos de beleza. É resultado das iniciativas de Paul Zivi e Abramo Eberle, dois notáveis pioneiros responsáveis por iniciar empreendimentos que se confundem com a história do desenvolvimento industrial do Rio Grande do Sul e do Brasil. Abramo Eberle foi o fundador da Eberle, em 1896, na cidade de Caxias do Sul/RS.
          Já Paul Zivi deu início à Zivi-Hercules SA, em 1931, na cidade de Porto Alegre/RS. O desenvolvimento da Eberle se mistura à história de Caxias do Sul, já a Zivi-Hercules tornou-se um marco no estabelecimento da tradição cuteleira no Brasil.
          Em 1985, a Zivi-Hercules adquiriu a Eberle, criando o Grupo Zivi-Hercules-Eberle. No final de 2003, diante da incorporação da Zivi pela Eberle, a denominação do grupo passou a ser Mundial SA Produtos de Consumo. Desde então, muitas mudanças foram implementadas, novas marcas surgiram, e novos produtos foram lançados.
          A Mundial viu suas ações subirem 3.300% entre 6 de abril e 19 de julho de 2011, para depois caírem 86% entre 20 e 22 de julho (só no último dia, a queda foi de 76%). A alta foi impulsionada por uma combinação de uma bela narrativa com movimento orquestrado de investidores comprando as ações e o nome “Bolha do Alicate” foi dado por causa do principal produto da empresa.
          Na prática: um investidor que comprou R$ 1.000 em ações da MNDL3 no começo de abril viu seu capital virar R$ 34.000 no ápice da euforia e depois cair até R$ 4.500. Olhando assim, pareceu um bom negócio esse lucro de R$ 3.500, certo? O problema é que o grosso dos investidores entrou na ação na segunda metade de junho, quando os preços já estavam muito inflados. Ou seja: a maioria entrou pra pagar a conta dos poucos que chegaram antes na festa.
          No fatídico dia 22 de julho de 2011 (dia que a ação caiu 76%) o desespero era de quem estava comprado e não conseguia vender os papéis. Por causa da enxurrada de vendedores querendo se livrar de MNDL3, a bolsa congelou os negócios com o papel e eles só foram negociados em “três instantes” diferentes do dia – um durante a manhã, outro de tarde e outro no fechamento. A ação não conseguiu ficar 1 minuto inteiro sendo negociada naquele dia, era “abriu, despencou, congelou”. Mesmo quem queria vender ou tinha um “stop loss” na operação não conseguiu evitar o pior.
          Pior que isso, só as histórias que ouve-se na redação do InfoMoney (Thiago Salomão era repórter de lá na época), de investidores que estavam “termados” no papel (termado: usar o mercado a termo para ficar “alavancado” em uma ação). Por causa da alavancagem, esses aí perderam muito mais do que tinham. É pior do que “game over”, pois agora esse cara ficou devendo para a corretora e teve que entregar o que tinha e o que não tinha para quitar suas dívidas.
          Já se ouviu de mais de um investidor que “uma tese de investimento nada mais é do que uma história bem contada”. E a Mundial conseguiu, através de um esforço de “marketing” da própria empresa e de assessores de investimentos, criar uma bela narrativa: promessas de melhorias operacionais, parcerias com investidores internacionais, migração para o Novo Mercado fizeram parte deste roteiro, que foi apresentado em várias palestras para investidores em corretoras (se já existisse Zoom ou Instagram naquela época, talvez essa bolha não tivesse demorado 3 meses pra nascer).
          Mas essa linda história não seria nada se não tivesse um público aplaudindo e pedindo bis: é aí que entra a parte braçal do negócio: segundo a CVM, as investigações pós-estouro da bolha revelaram um conjunto de operações com características de manipulação do mercado e negociação com uso de informação privilegiada realizadas por um grupo de investidores.
          Isso é o que no mercado é chamado de “Zé com Zé”, quando dois (ou mais) investidores se unem para fazerem vários negócios com uma ação de forma a inflar o preço dela. Mas fazer isso dar certo é quase como fazer um carro “pegar no tranco”: se o carro não ligar, você vai ficar empurrando até não ter mais fôlego. No mercado, o “fôlego” seria o dinheiro dos Zés e o carro ligar seriam outros investidores comprarem a tese.
          Na Mundial, o tranco funcionou muito bem. O frenesi em torno da fabricante de alicates (eu gosto de enfatizar isso para lembrar que não estamos falando de alguma empresa disruptiva, mas de uma… fabricante de alicates) era tão grande que a MNDL3 iria tornar-se elegível para entrar no Ibovespa devido ao volume financeiro expressivo em bolsa. Com isso, todos os fundos de investimentos cujo mandato é acompanhar o Ibovespa iam ter que comprar MNDL3, gerando uma demanda extra no papel. Foi aí que finalmente acendeu o alerta da B3 (na época, BM&FBovespa).
          Com a Bolsa vetando a entrada da Mundial no Ibovespa, o mercado parece que caiu na real de que uma fabricante de alicates não poderia aumentar em 34 vezes seu valor de mercado em tão pouco tempo. Como toda bolha, o estouro dela foi muito mais rápido do que a velocidade de alguém explicar o que estava acontecendo.
          No final de 2012, mais de um ano depois do estouro da bolha, o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul apresentou denúncia contra 10 pessoas por três crimes: formação de quadrilha, manipulação de mercado e insider trading. Entre os 10 acusados, estavam assessores de investimentos e o presidente da Mundial.
          Todos foram absolvidos pelo crime de formação de quadrilha. Sobre os outros crimes, a última decisão proferida veio do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) em dezembro de 2019, absolvendo dois envolvidos pelos crimes de manipulação de mercado e uso de informação privilegiada.
          Após tudo isso, a Mundial não conseguiu autorização para entrar no tão sonhado Novo Mercado. Ela passou para a categoria “Walking Dead” da bolsa. O valor de mercado da empresa, em 14 de outubro de 2026 era de R$ 168,6 milhões.
          Hoje, com mais de 130 anos de experiência, a Mundial SA é, segundo seu site, uma empresa socialmente responsável, apaixonada pelo desenvolvimento de pessoas e processos, que busca sempre inovar e multiplicar soluções.
          Suas principais marcas são Impala (esmaltes), Mundial Personal Care, Mundial Hercules (produtos para cozinha), Mundial Crafts (tesouras), Eberle e Syllent (motobombas).
(Fonte: site da empresa / InfoMonmey (Thiago Salomão - 16.02.2021 - partes)

14 de out. de 2026

Ambipar - e Banco Master

Como a Ambipar foi usada para inflar os balanços do Banco Master

Valor - International Edition -  14.10.2026

Por Talita Moreira, Fernanda Guimarães e Mateus Coutinho — São Paulo e Brasília

(Liane Thedim contribuiu com a reportagem a partir do Rio de Janeiro.) 


Como a Ambipar foi usada para inflar os balanços do Banco Master

Mensagens revelam tentativa de realizar lucros com ações antes que crises atingissem a empresa de gestão de resíduos e o banco de Daniel Vorcaro.

          A empresa de gestão de resíduos mantinha um complexo sistema de participações cruzadas 
envolvendo o Banco Master e Nelson Tanure
          “Daniel. O pessoal está esperando você assinar. Temos que fechar isso hoje com o Tércio. Ele vai pedir recuperação judicial.”
          Essa mensagem foi enviada a Daniel Vorcaro por Maurício Quadrado, ex-sócio e parceiro de negócios. A data era 20 de outubro de 2025, segundo registros do celular do então dono do Banco Master obtidos pelo jornal Valor. O colapso do Master era iminente, e os dois vinham conversando incessantemente sobre como obter liquidez enquanto tentavam salvar os ativos que fosse possível.
          Quadrado parecia saber do que estava falando. Naquele mesmo dia, a Ambipar, empresa de gestão ambiental controlada por Tércio Borlenghi Jr., estava prestes a entrar com pedido de recuperação judicial — um desfecho já esperado após a obtenção de uma liminar na Justiça do Rio de Janeiro no final de setembro (2025). Quadrado e o empresário atuavam em conjunto e mantinham contato frequente nas semanas anteriores.
          Na época, ambos tentavam obter ganhos com uma operação envolvendo ações da Ambipar, estruturada mais de um ano antes, em 2024, por meio de fundos ligados à estrutura do Banco Master. As negociações envolveram Vorcaro, Quadrado e Tércio, e mais tarde também incluíram o empresário e investidor Nelson Tanure, que detinha participações na Emae, adquiridas em uma privatização conduzida pelo governo do estado de São Paulo em abril de 2024.
          No auge da disparada das ações da Ambipar, o lucro potencial da operação ultrapassava R$ 1 bilhão, segundo cálculos de Quadrado. O negócio foi fundamental para impulsionar o patrimônio líquido do Master, que saltou de R$ 2,4 bilhões em dezembro de 2023 para R$ 4,7 bilhões ao final do ano seguinte, 2024. Transformar esses ganhos teóricos em dinheiro vivo, no entanto, mostrou-se muito mais difícil. As ações tinham baixa liquidez, e parte delas foi incorporada a estruturas que envolviam dívidas, garantias e investimentos em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos por instituições do conglomerado financeiro do Master.
          Para piorar a situação, as ações já haviam despencado depois que a Ambipar solicitou uma liminar a um tribunal do Rio de Janeiro, em 24 de setembro de 2025, como passo preliminar para um pedido de recuperação judicial. Os papéis caíram mais de 24% apenas naquele dia e continuaram em queda nos dias seguintes. Quando a empresa formalizou o pedido de recuperação judicial, as ações valiam uma fração de seu valor anterior, fechando a R$ 0,41 em 21 de outubro (2025), data em que a notícia se tornou pública.
          Mensagens extraídas pela Polícia Federal e obtidas pelo jornal Valor descrevem as tentativas de realizar o lucro e, posteriormente, a corrida para reestruturar as posições à medida que o Master e a Ambipar afundavam em suas respectivas crises.
          Em 31 de julho de 2024, enquanto as compras de ações ainda estavam em andamento, Quadrado estimou que os ganhos com a Ambipar já haviam atingido R$ 500 milhões. "Podemos ficar com o ganho para nós. Só precisamos falar com ele, mas o risco fica conosco", escreveu ele a Vorcaro. "Vamos em frente e dividir o ganho entre nós?" Menos de um mês depois, a valorização das ações havia aumentado substancialmente o lucro potencial. Em 21 de agosto (2024), Quadrado apresentou a Vorcaro uma proposta de divisão que, segundo ele, havia sido acordada com Tércio. “Garantimos o ganho de 1 bilhão [de reais]. 550 para ele. 285 para você. 165 para mim”, escreveu.
          Na mesma conversa, ele explicou como pretendia começar a desfazer a posição. A estrutura previa um empréstimo de R$ 650 milhões e a compra do fundo Esna por Tanure. Parte dos recursos corresponderia ao valor das ações, enquanto R$ 285 milhões seriam o ganho destinado a Vorcaro.
          O banqueiro não ficou satisfeito com os números. Ele afirmou que as ações valiam R$ 1,5 bilhão e, mais tarde, estimou o valor total da posição em R$ 2 bilhões. “É muito estranho e ruim para nós vender a posição com um ganho de 285. Prefiro correr o risco”, disse ele.
          Quadrado contestou. Ele ressaltou que a ação tinha baixa liquidez e recalculou os números. Segundo seus cálculos, o preço médio de compra era de R$ 35,44 e, com as ações cotadas a R$ 78, o ganho chegava a R$ 1,125 bilhão. “Ele está me pressionando”, escreveu, referindo-se a Tércio. “Você sugeriu pedir 50% do ganho, e ele concordou. 45% estava ótimo. Não posso voltar atrás e dizer algo diferente.”
          A dificuldade de converter ganhos com a valorização das ações em dinheiro continuou a moldar as negociações. Em setembro de 2024, as ações da Ambipar já estavam sendo consideradas como uma forma de captar recursos na XP e quitar outras obrigações financeiras.
          “Temos uma situação séria em relação aos ‘250’ do Nelson”, escreveu Vorcaro a Quadrado em 3 de setembro (2024), referindo-se a Tanure. “Mais uma vez, fiz o impossível para cumprir o prazo dele com o Santander e fiquei na mão.”
          Quadrado respondeu que o entendimento era utilizar as ações da Ambipar para captar recursos na XP. “Achamos melhor fazer esse negócio com a Ambipar. Entendi que você havia concordado”, disse ele.
          As compras de ações acabaram atraindo a atenção da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A área técnica do órgão regulador encontrou indícios de atuação coordenada entre Tércio e os fundos Esna, Texas e Kyra na aquisição de ações da Ambipar em 2024. O caso resultou em uma determinação de realização de oferta pública de aquisição (OPA) obrigatória devido ao aumento da participação acionária. Em 2025, no entanto, o colegiado da CVM reverteu essa exigência após um desempate pelo voto de qualidade, concluindo que não havia provas suficientes para classificar a atuação dos fundos como concertada com a do acionista controlador.
          Em novembro de 2024, Vorcaro já reclamava do escrutínio do Banco Central sobre o negócio. “Não podemos mexer nessa operação da Ambipar pela Let’s [Letsbank, uma das holdings do conglomerado Master]. Meu ganho ficou lá, e vou devolver a diferença ao Tércio”, escreveu Quadrado em 11 de novembro (2024). “Pois é, o Banco Central está criando muitos problemas com esse negócio da Ambipar”, respondeu Vorcaro.
          Naquela noite, (11 de novembro de 2024) Quadrado retomou o assunto. “O Tércio está perguntando se você conseguiu marcar uma reunião com o NT”, escreveu ele, usando as iniciais de Tanure.
          As conversas mostram que a Ambipar e a Emae haviam se tornado parte do mesmo quebra-cabeça financeiro. Dias antes, em 5 de novembro (2024), Quadrado havia proposto que Vorcaro comprasse uma dívida junto à XP, liberasse Tércio de sua fiança e desonerasse as ações da Ambipar dadas em garantia para o financiamento usado na aquisição da Emae. Em contrapartida, Vorcaro receberia uma participação na Emae e acesso ao caixa da empresa. "Boas ideias", respondeu Vorcaro.
          No dia seguinte (6 de novembro de 2024), Quadrado insistiu. "Tive a ideia de transferir a Ambipar para você para gerar 250 milhões de lucro. Precisamos conversar; ele vai viajar e estou preocupado que mude de ideia."
          Tanure havia vencido o leilão da Emae em abril (2024), com uma oferta de R$ 1 bilhão, e concluído a compra em outubro (2024) com a ajuda de Tércio. Os dois empresários deram ações da Ambipar, juntamente com ações da própria Emae, como garantia para financiamentos obtidos junto à XP e à Braslight, o fundo de pensão dos funcionários da Light.
          Como o jornal Valor já havia noticiado, houve fluxo de recursos entre Vorcaro, Quadrado, Borlenghi e Tanure por meio da operação de compra de ações — uma conexão que as mensagens deixam mais clara. Ao discutir o negócio em andamento no final de julho de 2024, Vorcaro disse a Quadrado que preferia manter as ações. "E combinamos um prazo para o investimento", acrescentou.
          O investimento a que ele provavelmente se referia envolvia CDBs ligados ao conglomerado do Banco Master, que a Ambipar teria recebido como parte do acordo. Mais tarde, quando a crise do banco se tornou evidente, os títulos foram trocados por créditos de precatórios.
          A compra de ações da Ambipar ocorreu paralelamente a transações envolvendo a Fênix, um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC). A cedente dos créditos era a Everest, empresa de propriedade do próprio Tércio. Na prática, a Everest era credora da Ambipar, e empresas integrantes do grupo Ambipar detinham participação na Everest. Paralelamente, a Everest emitiu R$ 700 milhões em debêntures, todas adquiridas pelo fundo Máxima, cujo investidor era o Master. A operação tornou-se alvo de investigação da Polícia Federal em meio a suspeitas de que a estrutura teria sido utilizada para desviar recursos do banco.
          À medida que a situação do Master se deteriorava, o cenário tornou-se ainda mais complexo em 2025. Em abril daquele ano, as ações da Ambipar surgiram como uma possível fonte de liquidez em uma conversa sobre a própria situação financeira do banco.
          Em 18 de abril (2025), Vorcaro falou em "gerar um resultado para aumentar o patrimônio líquido". Quadrado respondeu que havia forte demanda no fundo Texas — que detinha ações da Ambipar — e que um aporte de R$ 500 milhões em dinheiro poderia entrar na empresa. "Então, ótimo", respondeu Vorcaro. "Porque esse é o gargalo. O Banco Central. Se resolvermos isso, vai dar certo."
          Quadrado afirmou que a ideia era utilizar os recursos provenientes das ações para quitar metade de um CDB da Ambipar, mantendo cerca de R$ 250 milhões investidos. A empresa jamais reconheceu ter recursos aplicados no Master.
          Uma semana depois, em 25 de abril de 2025, os dois homens voltaram a discutir uma solução envolvendo Tanure, Tércio, Emae e XP. “Liguei para o Nelson e me encontrei com ele a sós. Vou ver se consigo resolver essa confusão”, escreveu Quadrado. “O problema é que, depois de tudo o que pagamos, o Nelson tem de assumir alguma coisa. Não faz sentido”, respondeu Vorcaro.
          Quadrado propôs então trocar o fundo Esna pela participação de Tércio na Emae e comprar cerca de R$ 250 milhões da dívida com a XP, convertendo esse valor em participação acionária na empresa de energia. “Com isso, podemos implementar o plano de ontem envolvendo o CDB e as ações da Ambipar”, escreveu ele. “Topo”, respondeu Vorcaro.
          A pressão aumentou nos meses seguintes. Em agosto de 2025, em meio à retomada das negociações sobre as ações da Ambipar, Quadrado enviou a Vorcaro uma planilha que, segundo ele, havia sido acordada pelas equipes de Vorcaro e de Tanure.
          O documento listava obrigações de R$ 4,18 bilhões de Tanure para Vorcaro e de R$ 3,76 bilhões no sentido inverso, resultando em um saldo líquido de R$ 426,4 milhões a favor de Vorcaro. A mensagem informava que os valores estavam refletidos em contratos, incluindo pagamentos em ações da Ligga e da Alliança, investimentos pertencentes a Tanure.
          Em 5 de agosto (2025), Vorcaro perguntou sobre Tércio e disse precisar de informações sobre as ações para avançar. Quadrado respondeu que havia solicitado ao empresário a transferência da custódia dos títulos. Na manhã seguinte, Vorcaro cobrou novamente: “Vamos tentar resolver a questão das ações hoje! O Tércio me mandou uma mensagem”.
          Em 7 de agosto (2025), as conversas chegaram a um impasse. O advogado de Tércio resistia à constituição de ônus sobre as ações. Quadrado falou com o empresário e retornou com uma resposta. “Falei com o Tércio. Ele tem muito receio de que essas ações sejam vendidas. Se não houver segurança, ele não vai avançar”, disse ele. “Então é melhor cancelar. Elas não serão vendidas, mas não há como fazer isso sem oferecê-las em garantia”, respondeu Vorcaro.
          O negócio não foi abandonado. Em 25 de agosto (2025), Vorcaro perguntou: “Vamos conseguir fechar o negócio das ações da Ambipar?” “Sim. Ele gostou”, respondeu Quadrado, acrescentando que cuidaria da custódia dos títulos. “Vamos agir rápido, então, para não perder o *timing*”, escreveu Vorcaro.
          Dois dias depois (27 de agosto de 2025), Vorcaro insistiu no assunto. “Qual é a situação da questão da Ambipar? Estou com o contrato.” Quadrado respondeu que havia se reunido com Tanure para discutir a dívida com a XP. “Uma das ideias do Tércio é usar os recursos da sua transação para quitar a dívida com a XP”, disse ele. Acrescentou que estava estruturando um fundo para receber US$ 100 milhões em ações.
          Em 9 de setembro (2025), as conversas indicavam que uma venda havia sido concretizada. “Vendi AMBIPAR e o valor entra como capital. Transfiro o DI [depósito interfinanceiro] para o Master. Correto?”, escreveu Quadrado. “Acho que sim, até vermos qual ativo enviar amanhã”, respondeu Vorcaro.
          Três dias depois (12 de setembro de 2025), Quadrado disse que havia usado parte dos recursos provenientes de precatórios para liquidar R$ 500 milhões em CDBs da Ambipar. “Com isso, a Texas fica livre”, escreveu ele. Acrescentou que ainda restava uma dívida de R$ 800 milhões a ser paga a ele.
          Em 24 de setembro (2025), a Ambipar recorreu à Justiça pedindo uma liminar para suspender ações de cobrança e evitar o vencimento antecipado de suas dívidas. O tribunal concedeu a proteção no dia seguinte.
          Mesmo assim, as discussões envolvendo Tércio continuaram. Em 26 de setembro (2025), Quadrado informou a Vorcaro que havia se reunido com o acionista controlador da empresa. “Reuni-me com o Tércio. Quando puder, explicarei a estratégia dele para você.”
          As negociações prosseguiram até 20 de outubro (2025), dia em que a Ambipar protocolou formalmente o pedido de recuperação judicial. Às 12h27, Quadrado e Vorcaro conversaram por telefone por pouco mais de um minuto. Às 14h31, Quadrado pressionou pela assinatura dos documentos.
          “Daniel. O pessoal está esperando você assinar. Precisamos fechar isso hoje com o Tércio. Ele vai entrar com o pedido de recuperação judicial.” No dia seguinte, porém, Vorcaro reclamou de um documento. “A carta da Ambipar não serve. Ou eles fazem direito, ou vamos desfazer a operação de ontem.”

Respostas ao jornal Valor que solicitou comentários:
          Quadrado respondeu que havia retido a operação até receber todos os documentos, incluindo uma carta da Plena. “Enviei essa cópia apenas para nos proteger caso o Tércio mude de ideia. Ela veio dos advogados dele.”
          Quadrado emitiu a seguinte declaração: “As mensagens referem-se a discussões preliminares sobre uma possível operação estruturada no mercado de capitais envolvendo a aquisição de participação societária, a negociação de créditos e a possível reorganização de garantias. As referências feitas na conversa devem ser entendidas no contexto das instituições e empresas envolvidas nas operações e não indicam, por si sós, benefícios financeiros pessoais para as pessoas envolvidas. A estrutura mencionada não foi implementada nos termos discutidos, e a operação descrita naquela mensagem não foi concluída.”
          Em um comunicado separado, Tanure afirmou que “não tem conhecimento das mensagens supostamente trocadas pelos indivíduos mencionados, uma vez que esse material não foi apresentado em nenhum processo no qual ele seja formalmente representado por seus advogados”. Ele ressaltou, no entanto, que “não participou de nenhuma ação coordenada envolvendo ações da Ambipar, nem se beneficiou de qualquer eventual valorização artificial desses títulos”.
          Ele disse que não havia sido solicitado a comentar o caso, “que também não tem relação com a aquisição da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) pelo Phoenix FIP. A transação foi realizada com recursos privados fornecidos pela XP, que auditou as garantias e financiou o negócio em conformidade com elevados padrões de mercado”. Tanure reiterou que sua relação com a Master e outras gestoras de ativos era de cliente. “Qualquer tentativa de retratar essa relação de outra forma é incorreta.”

13 de out. de 2026

Pix

 

11 de out. de 2026

Harald

   

Harald — página inicial

       

          Em 1891 a empresa Neugebauer Irmãos & Gerhardt foi fundada em Porto Alegre, para a produção de doces e biscoitos, com vendas diretas no balcão da própria fábrica, por meio de ambulantes e pelo atacado.
          Em 1903, a Neugebauer Irmãos & Gerhardt adquiriu equipamentos até então inéditos no Brasil, 
permitindo que tivesse a primeira fábrica de chocolates do país.
          Novas alianças permitiram, em 1932, a ampliação industrial e alteração da razão social para Ernesto Neugebauer & Cia, ampliando os horizontes da indústria que desencadeariam futuramente na fundação da Harald.
          A fundação da Harald Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. ocorreu, porém, somente em 1982, Foi fundada por Ernesto Harald Neugebauer, com foco em iniciar a fabricação de coberturas fracionadas no país. Este era um produto novo no Brasil, e Ernesto viu uma grande oportunidade de 
mercado trazendo um produto pioneiro para desbravar o mercado nacional.
          Em 1987, a Harald entrou no ramo de panificação e confeitaria lançando a linha Confeiteiro, que se tornou um sucesso, pois havia pouquíssimas empresas fabricando coberturas no país. Começou a fabricar barras de 5kg, uma inovação no Brasil.
          Ernesto Ary conheceu Naira De Luca, a culinarista mais antiga da Harald, em 1988, e a empresa percebeu a existência do mercado de pequenas doceiras e lojas de artigos para festas, estreitando uma 
parceria muito bem-sucedida.
          A primeira exportação da Harald foi realizada em 1989. Foram sacos de 25kg de cobertura e barras de Confeiteiro para indústrias estrangeiras, do Uruguai. Essa transação abriu as portas para outros mercados na América Latina.
          Dois anos depois, em 1991, com o crescimento dos negócios, a Harald inaugurou sua fábrica em 
Santana de Parnaíba e mudou sua sede para o Estado de São Paulo.
          No ano seguinte, 1992, foi iniciada a fabricação de gotas para derreter no Brasil, outra inovação que destacou a Harald frente à concorrência. Também foi o ano de início do Programa de Cursos de Culinária Harald, dando o pontapé inicial para o modelo de cursos que são realizados até hoje em todo 
 Brasil.
          Com o contínuo crescimento e visando ampliar seu portfólio de soluções, a Harald lançou, em 1993, a linha de coberturas TOP, produto muito utilizado por doceiras e chocolateiras que o transformam em bombons, trufas, ovos ou barrinhas. Hoje, a marca é líder do segmento e extremamente difundida no mercado profissional.
          Ampliando o leque de soluções, a Harald lançou em 1995 a linha de produtos Raspar & Cobrir, voltada à confeitaria e panificação, ideal para decoração de bolos, tortas e doces em geral, nossa sabores chocolate ao leite, branco e meio amargo.
          Com a crescente meta de diversificar seu portfólio, em 2001 a Harald passou a fabricar o puro 
chocolate Melken, linha ampla e composta por diversas embalagens e gramaturas.
          Em 2005, em mais um movimento pioneiro, a Harald iniciou a fabricação de gotas de chocolate 
Melken, primeira marca a disponibilizar esse formato de produto no Brasil.
          Numa iniciativa para se aproximar mais de seus consumidores, em 2007 a Harald lançou uma 
nova identidade visual: mais moderna e arrojada, com a primeira assinatura corporativa.
          Traçando novos caminhos, em 2010 a Harald apresenta a linha gourmet Melken Unique, trazendo sofisticação com chocolates de alto teor de cacau de origem brasileira.
          Uma nova categoria de produtos, a linha Harald Melken Inovare é lançada em 2014
          Em 2015, a Harald foi adquirida pelo Grupo Fuji Oil, multinacional japonesa com sede no Japão, 
que desenvolve soluções alimentares à base de plantas.
          Em 2022 é lançada campanha que reforça o posicionamento das linhas de produtos da Harald. “#ÉComHarald. Harald é Profissional”
(Fonte: site da Harald)

10 de out. de 2026

Chipotle

          A Chipotle Mexican Grill é uma rede de cafeterias de fast food especializada em tigelas, tacos e burritos feitos sob encomenda.
          Fundada por Steve Ells em 1993, a Chipotle se tornou um símbolo da nova geração de fast food, conhecida por sua comida fresca e preparada na hora, com preços acessíveis.
          A rede mexicana tem escala de compras de ingredientes frescos e relações com fornecedores em diferentes regiões dos Estados Unidos.
          Entre os fatores que pressionam a empresa estão preocupações dos consumidores após a retirada de pimentas jalapeño de um fornecedor relacionado a um surto de salmonela,
          Considerando números de outubro de 2026, a rede possui mais de 4.200 lojas em todo o mundo, com crescimento acelerado e uma forte presença no mercado de fast food. A grande maioria das lojas está no mercado americano. A Chipotle possui valor de mercado de aproximadamente US$ 41 bilhões (outubro de 2026).
(Fonte: InvestNews/Bloomberg - 09.10.2026 - parte)

Rua movimentada com o sinal da Chipotle. Pedestres andam na calçada e atravessam na faixa de segurança.

Restaurante Chipotle em Nova York

9 de out. de 2026

Chris Pitanguy Labs

          A Chris Pitanguy Labs foi criada por volta do mês de setembro de 2026 e contempla marca de skincare premium.
          O sobrenome já entregava alguma coisa. Sobrinhaneta de Ivo Pitanguy, Chris Pitanguy conviveu
bastante com o cirurgião plástico e, quando criança, ia muito à clínica e ao hospital dele, em Botafogo, no Rio de Janeiro. “Via as pessoas que ele operava, sabia das celebridades que ficavam hospedadas na ilha. São memórias que tenho de infância”, conta. A avó também fazia plásticas. “Era meio bonequinha. Fazia plástica direto”, lembra.
          Agora é Chris quem leva o sobrenome para o universo da beleza. Em outubro de 2026, antes de completar um ano, a Chris Pitanguy Labs, marca de skincare premium restrita ao e-commerce, chega ao portfólio da Dufry Shopping.
          Passageiros de voos nacionais que desembarcarem em Congonhas e Guarulhos terão acesso aos séruns Beauty Glow Defense Serum e Advanced Rejuvenation Serum. “Imagina a visibilidade: mais ou menos 50 milhões de pessoas por mês.” A proposta é descomplicar. “A maior parte das pessoas que não conseguem ter uma pele bonita é porque a inflamam passando mil coisas”, explica Chris. Daí as duas fórmulas, uma para a manhã e outra para a noite, pensadas para a pele brasileira e o clima tropical.
          A viagem está só começando: Chris quer chegar aos aeroportos de Brasília, Minas e Rio antes de avançar para os internacionais. A expectativa é levar a marca às prateleiras de Dufry e Duty Free pelo País até 2027.
(Fonte: Estadão - 08.10.2026)

6 de out. de 2026

Robco

          A RobCo, fabricante alemã de robótica, que fabrica robôs utilizados na indústria, foi fundada em 2020 e tem sua sede em Munique na Alemanha.
          Em setembro de 2026, a empresa informou que lançará em março (2027) o Alfie, um robô de dois braços com capacidade de autoaprendizagem, projetado para realizar tarefas em ambientes industriais que não podem ser facilmente executadas com a automação tradicional.
          Em 5 de outubro de 2026, a  RobCo anunciou que ultrapassou valor de mercado de US$ 1 bilhão e que seu presidente-executivo, Roman Holzl, se mudou para os Estados Unidos para se dedicar ao mercado de crescimento mais rápido da empresa.
          A empresa informou que a avaliação se baseou em uma venda secundária de ações, após uma captação de capital de US$ 100 milhões realizada em janeiro com investidores como Lightspeed Venture Partners, Sequoia e Lingotto.
          Na venda secundária, os funcionários da companhia venderam ações para investidores existentes e novos, incluindo a Cherry Ventures e a European Tech Collective.
          A empresa se junta a um grupo pequeno, mas em crescimento, de startups europeias de robótica avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais, que têm como alvo o mercado emergente de robôs humanóides e semelhantes a humanos, incluindo a NEURA Robotics e a Agile Robots, da Alemanha; e a Humanoid, do Reino Unido.
          A Robco, que possui operações nas cidades norte-americanas de Austin e San Francisco, informou que agora conta com clientes em mais de uma dúzia de estados dos EUA.
(Fonte: msn - 06.10.2026)

1 de out. de 2026

Dr. Peanut (Grupo Supley)

          A Dr. Peanut, empresa conhecida pela produção de pasta de amendoim, foi fundada em Curitiba, no Paraná, em 2017.
          Em 2025, a empresa foi adquirida integralmente pelo Grupo Supley.
          A jornada de aquisição da Dr. Peanut pelo Grupo Supley teve início em 2023, quando o grupo identificou a diferenciação de um produto gourmet, o alinhamento com seu portfólio de saudabilidade e a integração comercial de ambos os negócios. A empresa foi categórica ao afirmar que, mesmo após o M&A, o nome será mantido. “É o que tem mais valor: a marca”.
          A transição foi desenhada de forma gradual, em duas etapas, começando com a compra de uma fatia inicial de 50% do capital da empresa curitibana. Entre 2023 e 2025, os fundadores originais se mantiveram na operação, com apoio do conselho do Grupo Supley, para apoiar a transição. Essa decisão permitiu ainda aos fundadores capturar os ganhos de expansão antes da aquisição dos 50% remanescentes.
          Em agosto de 2026, a empresa transferiu sua base industrial do Paraná para São Paulo. Com a transferência da fábrica de Curitiba para o município de Matão, a cerca de 305 quilômetros de São Paulo capital, a empresa adquiriu novos maquinários. Também foram incluídas etapas de controle de qualidade que enquadram automaticamente a operação ao projeto da certificação internacional de segurança de alimentos FSSC 22000.
          A partir da capacidade instalada da nova fábrica, capaz de chegar a 1 milhão de potes de pasta de amendoim por mês, a empresa projeta expansão de 15% em vendas.
          Os novos planos incluem ainda o aumento da diversificação do portfólio. A Dr. Peanut vem apostando nos snacks de consumo rápido, que representam 25% do faturamento da marca. O portfólio inclui a linha de barras de proteína Doctor Bar, wafers proteicos, alfajores zero açúcar e colaborações de whey protein com a Max Titanium, outra label do Supley.
          A Dr. Peanut quer ampliar presença no segmento farmacêutico e no varejo de grande porte no segmento alimentar.
          Para expandir a presença no canal farmacêutico, no grande varejo alimentar e em lojas especializadas, a marca tem feito ajustes estratégicos na precificação do pote de 450g da pasta de amendoim. O tíquete médio baixou de R$ 60,00 para cerca de R$ 39,90 considerando números de outubro de 2026.
          O CEO da Dr. Peanut, Alberto Moretto explica que, no complexo industrial de Matão, a área dedicada às linhas de produção foi otimizada, passando dos cerca de 4 mil metros quadrados das instalações, em Curitiba, para aproximadamente 1,5 mil metros quadrados. “Essa redução reflete o reaproveitamento da infraestrutura de armazenagem e estoque já existente do conglomerado.
          Moretto diz que a Dr. Peanut introduziu o conceito de pasta de amendoim gourmet, unindo a densidade nutricional da matéria-prima (gorduras boas e aporte proteico) à indulgência de sobremesas cremosas e saborizadas. O diferencial, segundo o executivo, está no sabor.
          As receitas das pastas de amendoim incorporam whey protein, mantendo perfil zero adição de açúcares, zero gordura trans e sem glúten. O movimento permitiu à marca atrair tanto praticantes de atividades físicas quanto consumidores em busca de doces saudáveis.
          A estrutura da nova fábrica tem capacidade para 12 milhões de unidades de potes de amendoim por ano, A Dr. Peanut alcançou um faturamento de R$ 154 milhões em 2025.
(Fontre: Pipiline - Jornal Valor - 01.10.2026)

29 de set. de 2026

BlueOak

          Criada em 2022, a BlueOak é especializada em situações complexas ou em crise – nicho conhecido no mercado como special sits –,, segmento que reúne investimentos em empresas com dívidas elevadas, necessidade de capital, disputas societárias ou outras situações que dificultem o acesso a recursos.
          Entre seus fundadores estão executivos com passagem por gestoras e instituições financeiras conhecidas: Meton Morais trabalhou no Starboard, João Junqueira foi executivo da GP Investments e Beny Podlubny comandou a área de private banking da XP.
          Em 2023, a gestora captou R$ 250 milhões para seu primeiro fundo, com a intenção de alcançar R$ 500 milhões. Atualmente, a gestora tem cerca de R$ 1 bilhão.
          Em 2025, ampliando seus investimentos em infraestrutura, a BlueOak financiou a aquisição da Capixaba Energia, produtora de petróleo com ativos no Espírito Santo, por R$ 105 milhões.
          No início de setembro de 2026, a BlueOak divulga que está ampliando sua aposta no setor de saneamento.
          A casa acertou a compra de 100% da São Simão Saneamento Ambiental, concessionária responsável pelos serviços de água e esgoto no município de São Simão, em Goiás. A aquisição será feita pela Clear Ambiental, veículo de investimentos do grupo BlueOak.
          O contrato foi assinado em 3 de setembro (2026), mas a conclusão da operação ainda depende da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O valor acertado entre as partes não foi divulgado.
          Com a transação, a São Simão se tornará a quinta concessão municipal de saneamento sob o guarda-chuva da BlueOak.
          Apesar da expansão, a BlueOak ainda é uma participante pequena no saneamento brasileiro. Antes da aquisição, suas três concessionárias atendiam cerca de 78 mil pessoas com abastecimento de água e 9 mil com esgotamento sanitário. Com São Simão, esses números passarão para aproximadamente 95 mil e 26 mil pessoas, respectivamente.
          A gestora já reúne operações em Pomerode, em Santa Catarina, por meio da Pomerwasser Ambiental, e nas cidades goianas de Buriti Alegre e Ipameri. Recentemente, assinaram a concessão de Andradas, no interior de São Paulo.
(Fonte: InvestNews - 23.09.2026)

27 de set. de 2026

Grupo Scheffer

          O Grupo Scheffer é controlado por um ramo da família do ex-ministro Blairo Maggi e do megaprodutor Eraí Maggi Scheffer, dono do Grupo Bom Futuro. Com sede em Sapezal, no oeste de Mato Grosso, a companhia foi fundada em 1993 por Elizeu Zulmar Maggi Sheffer, primo de Blairo e irmão de Eraí.
          Em 2016, o grupo enfrentou alguns problemas de capital de giro.
          Em 2018, a gestão era dividida entre Elizeu, que assumiu a posição de estrategista, e seus três filhos. O dia a dia é tocado por Guilherme Sheffer, de 36 anos, que também é o diretor financeiro do grupo. Gilliard se concentra mais no planejamento operacional das lavouras e Gislayne é diretora administrativa.
          Em Mato Grosso, o Grupo Scheffer é conhecido por ser competente no plantio e, embora tenha avançado pouco na profissionalização da gestão, também por ser mais "moderno" que outros grupos familiares de produção agrícola do Centro-Oeste no que se refere a alternativas de financiamento. No primeiro semestre de 2017, por exemplo, emitiu um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) de R$ 93 milhões assessorado por Itaú BBA, Rabobank e Santander. No passado, chegou a considerar a possibilidade de abrir o capital.
          As fazendas do grupo - algumas das quais contam também com áreas de pastagens, mas relativamente modestas - são administradas pela Agropecuária Scheffer, controlada pela Scheffer Participações S.A. Essa holding também controla a Scheffer Armazéns e a Scheffer Transportes, duas subsidiárias consideradas estratégicas e bem posicionadas em seus mercados.
          Considerando números de outubro de 2018, a empresa, que negociava a venda de uma participação minoritária de seu capital, era avaliada entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões,
          De acordo com fontes do setor, a empresa contava com 11 unidades produtoras em Mato Grosso, Estado que lidera a produção nacional de grãos, e no Maranhão, com uma área total da ordem de 200 mil hectares onde planta soja, milho e algodão somadas as safra de verão e inverno. A empresa tem ainda escritórios na capital mato-grossense Cuiabá e em Sinop, no norte do Estado, e em Imperatriz, no Maranhão.
(Fonte: Valor - 11.10.2018)