O blog "Origem das Marcas" visa identificar o exato momento em que nasce a marca, especialmente na definição do nome, seja do produto em si, da empresa, ou ambos. "Uma marca não é necessariamente a alma do negócio, mas é o seu nome e isso é importante", (Akio Morita). O blog também tenta apresentar as circunstâncias em que a empresa foi fundada ou a marca foi criada, e como o(a) fundador(a) conseguiu seu intento. Por certo, sua leitura será de grande valia e inspiração para empreendedores.
Em 1865, José Maria Macieira fundou a Macieira & Cª Lda, com o propósito de vender azeite, vinho e destilados. Vinte anos mais tarde a companhia começou a produção do seu próprio destilado, Macieira Royal Brandy, e foi eleito pelo Rei D. Carlos I como fornecedor da casa real.
O destilado foi criado por José Guilherme Macieira, filho de José Maria Macieira, em 1885, após ter estudado enologia na região francesa de Cognac. A sua receita mantém-se tão original e secreta como em 1885. O sucesso de Macieira foi instantâneo, a sua qualidade e reputação ganharam verdadeiros apreciadores leais à marca, como Fernando Pessoa. Macieira foi exibido e premiado em várias feiras internacionais como a Feira Universal de Paris em 1900, Feira Industrial da África do Sul em 1904, Feira Comemorativa da Inauguração do Canal do Panamá em 1915, entre outras. Além disso, foi selecionada para repor os stocks de cognac que foram destruídos durante a II Guerra Mundial.
Elevador da Glória (Lisboa), em 1977, com publicidade do Macieira. Em 1973 Macieira foi adquirida pela Seagram, que por sua vez foi adquirida pela Pernod Ricard em 2000. A Macieira representa mais de metade do consumo de brandy no mercado português. Num primeiro momento, combateu o declínio das vendas com uma aposta na exportação. A Macieira tornou-se na marca do portfólio da Pernod Ricard Portugal com maior volume exportado, apostando na fama de que desfruta junto do mercado da saudade. A marca é exportada para mais de 30 países, nos cinco continentes, estreando em 2012 na Rússia e China.
Macieira continua a ser líder de mercado em Portugal.
A base do Bombarral produz e envelhece ainda a aguardente Aldeia Velha e D'Alma. Em 2014, a produção da Macieira foi transferida do Bombarral para Manzanares, na Espanha. A decisão do conglomerado francês de bebidas Pernod Ricard é uma resposta à queda do consumo de brandy e uma tentativa de recolocar a Macieira na moda. (Fonte: Wikipédia)
Em 1948, depois de ter estagiado na agência de publicidade londrina Mather & Crowther, e estudado publicidade nos Estados Unidos, David Ogilvy inaugura a Hewitt, Ogilvy, Benson, & Mather, que anos depois se transforma na Ogilvy & Mather. Em 1981, a agência já contava com escritórios em 35 países, 1.600 clientes e 1,7 bilhão de dólares em contas.
Para David Ogilvy, publicidade sempre foi um ato de venda. "We sell or else", dizia. E arrematava: "Nenhum fabricante jamais se queixou de que a sua publicidade estava vendendo demais".
Espetacular redator, na opinião de Flávio A. Castro, que foi membro do conselho e do comitê executivo mundial da Ogilvy & Mather, David foi responsável por muitas peças antológicas. O comandate Whitehead para a Schweppes, o homem com tapa-olho para as camisas Hathaway, a campanha do sabonete Dove ("Dove passa creme na sua pele enquanto você se banha"), a inesquecível campanha para Porto Rico e o histórico anúncio da Rolls Royce "A 60 milhas por hora, o único ruído que se ouve é o tic-tac do relógio elétrico") são apenas alguns exemplos do incomparável David Ogilvy.
A NovaAndino Litio é uma joint venture entre a gigante chilena de metais Codelco e a fornecedora de lítio SQM que pretende se tornar a maior produtora mundial do metal para baterias, apostando em produção de baixo custo e baixo impacto ambiental para atender à crescente demanda. Conhecida como NovaAndino Litio, a parceria público-privada planeja apresentar uma proposta aos reguladores em 2026 para aumentar a produção na operação de lítio Salar de Atacama, disse o presidente da Codelco, Maximo Pacheco, durante entrevista em Santiago em 29 de dezembro de 2025. Pacheco, que também presidirá o conselho da joint venture, não detalhou as metas de produção. O acordo marca a entrada da Codelco na produção de lítio e garante ao produtor estatal de cobre a participação majoritária no negócio chileno de lítio da SQM, em troca da extensão das operações por mais três décadas. As empresas planejam implantar novas tecnologias de extração direta para aumentar a produção no maior complexo de salmouras de lítio do mundo, ao mesmo tempo em que reduzem os impactos ambientais. A joint venture SQM-Codelco é peça central da iniciativa do presidente Gabriel Boric de expandir o controle estatal sobre ativos estratégicos de lítio, ao mesmo tempo em que aumenta a oferta para apoiar a transição global longe dos combustíveis fósseis. O Chile busca recuperar a participação de mercado perdida nos últimos anos para Austrália e Argentina. A NovaAndino planeja ampliar a produção atual de cerca de 230 mil toneladas métricas por ano, justamente quando o mercado global de lítio começa a se recuperar de um longo excesso de oferta. As perspectivas de demanda permanecem fortes para veículos elétricos e armazenamento de energia em larga escala, embora os preços ainda estejam bem abaixo do pico de 2022 e possam sofrer pressão de novas ofertas. Após 2030, a Codelco terá 50% da joint venture mais uma ação, enquanto a SQM manterá o controle operacional até então. Um obstáculo ainda persiste: a Tianqi Lithium Corp., importante acionista da SQM, tenta bloquear ou suspender aspectos da parceria no Supremo Tribunal do Chile, argumentando que o acordo deveria ter sido submetido à votação dos acionistas. O regulador antitruste da China concedeu aprovação condicional para a parceria em novembro de 2025, exigindo que as empresas honrem contratos existentes e continuem fornecendo clientes chineses de forma “justa, razoável e não discriminatória”. Historicamente, a Albemarle Corp., única outra produtora no Chile, tem sido a maior fornecedora mundial de lítio. Mineradoras diversificadas, como Rio Tinto, também se tornaram players relevantes nos últimos anos, enquanto os grupos chineses Ganfeng Lithium e Tianqi expandiram significativamente sua capacidade global.
A fusão das empresa Petz e Cobasi aconteceu em dezembro de 2025 por parte do Tribunal do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), mas foi condicionada à venda de um conjunto de 26 lojas das duas empresas em São Paulo. Na ocasião, nos papéis chegaram a disparar quase 5%, após a decisão.
A empresa criada a partir da fusão entre Petz e Cobasi, passou a se chamar União Pet. Em 2 de janeiro de 2026 foi o último dia de negociação das ações da Petz com o ticker (código) PETZ3. Na segunda=feira, 5 de janeiro de 2026, o Grupo Petz Cobasi, fruto da fusão das empresas Petz e Cobasi, passou a ser negociado na bolsa brasileira sob o ticker AUAU3, substituindo PETZ3, a partir da segunda-feira, dia 5 de janeiro de 2026. (Fonte: Valor - 05.01.2026)
A Quinta do Seival, do Grupo Miolo, em Candiota, tem uma história antiga. Fica nas terras onde, em 1836, aconteceu a Batalha do Seival da Revolução Farroupilha, conhecida como Guerra dos Farrapos. Ali as tropas de Bento Gonçalves puseram para correr a guarda imperial. A Miolo comprou a propriedade no ano 2000. São 200 hectares de vinhedos, de onde saem desde o básico Miolo Seleção até o Sesmarias—um vinho que pode custar cerca de R$1.200—, passando por rótulos de qualidade e de custo razoável, como o Quinta do Seival Castas Portuguesas (R$ 157,90). Os preços têm como base dezembro de 2025.
A fabricante de robôs aspirador iRobot foi fundada em1990 por engenheirosdo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).
No início de 2024 quase um acordo foi firmado com uma proposta de aquisição de US$ 1,5 bilhão pela Amazon, que fracassau devido a preocupações de concorrência dos reguladores da União Europeia. Em meados de dezembro de 2025, a iRobot entrou com pedido de Chapter 11 (equivalente a recuperação judicial) nos EUA e será assumida por seu fornecedor chinês após a empresa,que
popularizouo aspirador de pó robô, sucumbir sob o peso da concorrência de rivais mais baratos. O grupo disse em 14 de dezembro que entrou com pedido em Delaware como parte de um acordo de reestruturação com a chinesa Picea Robotics, sua credora e fornecedora principal, que adquirirá todas as suas ações. As ações da iRobot fecharam o pregão de 15 de dezembro de 2025 a US$ 1,27, muito abaixo dos US$ 52 por ação oferecidos pela Amazon. “O anúncio é um marco crucial para garantir o futuro a longo prazo da iRobot”, comentou Gary Cohen, diretor executivo da iRobot
A iRobot vendeu maide 40 milhões de dispositivos, segundo a empresa. Nos últimos anos, enfrentou concorrência de rivais chineses mais baratos, incluindo a Picea, pressionando as vendas e forçando a iRobot a reduzir o número de funcionários. Uma reestruturação em 2024 tirou de seu cofundador do cargo de diretor executivo. Embora a iRobot tenha recebido US$ 94 milhões em compensação pelo término do acordo com a Amazon, parte disso foi usada em taxas de consultoria e para pagar parte de um empréstimo de US$ 200 milhões.
(Fonte: Financial Times San Francisco (Folha de S.Paulo - 16.12.2025
O francês Richard Mille entendeu que existia um grupo reduzido disposto a comprar um relógio pelo preço de um apartamento. Ou melhor: comprar um relógio cujo valor compra dois. E percebeu que, embora pequeno em número, tinha poder aquisitivo suficiente para justificar uma marca criada só para eles. A ousadia fica ainda mais interessante quando lembramos que Mille tomou essa decisão depois dos 50 anos. Numa fase em que muitos reduzem o ritmo, ele resolveu começar seu capítulo mais arriscado. E fez isso em um setor que idolatra tradição. É como tentar reinventar o vinho na terra dos bordaleses. Antes de lançar sua marca, Mille passou décadas na relojoaria tradicional, trabalhando em empresas pouco conhecidas do grande público como Finhor, Matra e Mauboussin. Durante sua carreira como executivo, notou o quanto o setor se acomodava. Ele entendeu que nunca criaria algo realmente novo se continuasse apenas como empregado. A alta relojoaria sempre foi dominada por casas centenárias. Elas veneram história e tratam qualquer desvio como heresia. Mille ousou ao empreender contra os gigantes estabelecidos no setor. E ousou também na estratégia, combinando materiais inéditos como fibra de carbono, titânio aeronáutico e cerâmica avançada com preços estratosféricos. O primeiro relógio, o RM 001, levou mais de dois anos para ficar pronto. Criado em parceria com a Renaud et Papi, rompeu códigos estéticos e técnicos que eram considerados intocáveis. Seu preço superava o dobro do tourbillon mais caro da época. Não era apenas um produto. Era um manifesto. Caio Mesquita, da Empiricus, conta que a primeira vez que ouviu falar da marca aconteceu durante conversa com Felipe Massa, entusiasta da Richard Mille de primeira hora, dentro do podcast Mesa para Quatro. Desde então, acompanha as novidades da marca. "Não gosto do visual dos relógios. São exagerados e quase barulhentos, especialmente quando comparados aos concorrentes elegantes. Mas talvez seja justamente isso que os torna tão potentes. Eles não querem agradar gente como eu", diz Mesquita. A estratégia de marketing seguiu o mesmo espírito disruptivo. Mille colocou seus relógios no pulso de atletas que operam no limite. Rafael Nadal jogando tênis com um relógio de milhões. Pilotos de Fórmula 1, exibindo peças que parecem tão ousadas quanto o próprio esporte. Hoje (fins de 2025), a Richard Mille é a única grande marca de alta relojoaria comandada por seu fundador vivo. O negócio segue refletindo a curiosidade e a teimosia de Mille. Enquanto outras se tornaram departamentos de conglomerados, a dele segue sendo uma ideia em movimento. A história mostra algo incômodo. O valor não nasce da média. Nasce do extremo. Não surge da tentativa de agradar. Surge da coragem de desagradar. E não depende de escala. Depende de escassez. Também desmonta o mito da idade certa. Mille provou que tarde demais é só um rótulo. Quando a convicção não cabe mais na vida antiga, empreender vira consequência. No fim, o mundo premia quem desafia séculos. Quem tenta o impossível. Quem começa tarde e mesmo assim muda tudo. (Fonte: Empiricus 24/7 - 13.12.2025 - autor: Caio Mesquita, com trecho adaptado minimamente, para se enquadrar no estilo do blog Origem das Marcas)
Em 1878, aos 17 anos, Donato Di Cunto partiu de Nápoles com destino a Montevidéu, onde iria encontrar parentes de sua mãe. Porém, por um desses caprichos do destino, Donato desembarca por engano em Santos, com pouco dinheiro, muitos sonhos e a receita de um tipo de pão nunca antes feito no Brasil: o panettone. Sem conhecer ninguém na terra nova, mas com uma determinação inabalável, em 1896 Donato abre no bairro da Mooca a padaria que levaria o seu nome e de cujo forno sairia o primeiro panettone do país. Passados mais de 125 anos da sua fundação, a Di Cunto transformou-se em um centro gastronômico que hoje abriga uma confeitaria, um restaurante, uma rotisserie e um pastifício, além da padaria onde tudo começou. A Di Cunto se orgulha de ter nascido e crescido na Mooca, tendo se transformado em uma das referências do bairro que até hoje conserva a tradição e a alegria de celebrar os bons momentos à mesa. Fábrica de panettone, padaria, confeitaria, rotisserie, pastifício ou restaurante? A Di Cunto é tudo isso em um só lugar. Um verdadeiro centro gastronômico que oferece as delícias e sabores tradicionais da Itália em um dos bairros mais tradicionais de São Paulo, a Mooca. A fábrica de panettones Di Cunto é a mais antiga em atividade no país. Desde 1896 no mesmo endereço e seguindo o mesmo processo de fermentação natural do primeiro panettone produzido no Brasil, o autêntico Panettone Di Cunto. É na confeitaria da Di Cunto que nasceu a icônica Torta Regina, massa de pão de ló, com creme de baunilha, carolina recheada de chantilly e cobertura de caramelo em fios, sucesso entre as famílias paulistanas há mais de um século. Atendendo no mesmo endereço desde sua fundação, no bairro da Mooca, na Rua Borges de Figueiredo, a Di Cunto cresceu e tornou-se uma referência na cidade, sempre fiel ao compromisso com a tradição e a qualidade da boa mesa italiana que o visionário Donato trouxe em sua bagagem. A Di Cunto tem uma filial na Rua Tabapuã, Itaim Bibi, também em São Paulo.
A Torra, que nasceu Torra-Torra, numa alusão aos preços baixos, referindo-se a tíquete-médio de R$ 120. Criada em 1993 pela família Ruiz, a Torra tem como CEO, Marcio Ruiz — um dos quatro irmãos da família fundadora.
A Torra começou a profissionalizar o negócio em 2010, quando chegou a pouco mais de 20 lojas. Além dos irmãos, passou a ter executivos vindos do mercado.
—, diz que esse já era um sonho há pelo menos 8 anos. A rede da família Ruiz colocou o primeiro pé na avenida durante a pandemia: abriu ali, no prédio acima da atual loja, seu escritório administrativo. No início de dezembro de 2025, a Torra chega com tudo à Avenida Paulista em São Paulo. A loja é grande, de quase 600 metros quadrados, e a vitrine já remete às compras de Natal. A fachada neutra deixa os manequins em evidência, e o que diferencia a loja é o letreiro laranja com o nome da Torra — numa espécie de confronto direto com a fachada toda rosa pink da Marisa – praticamente cara a cara com ela do outro lado da avenida. O endereço funciona também como vitrine — pela avenida Paulista passam 1,5 milhão de pessoas diariamente — num momento em que construir marca é especialmente crucial para quem está crescendo e precisa cavar seu espaço num espaço muito maior e mais disputado que é o e-commerce. Em 2024, o faturamento do grupo foi de R$ 2,3 bilhões. A estimativa, agora, é fechar 2025 com as vendas somando R$ 2,6 bilhões. O grupo tem lojas em 17 estados do país e projeta abrir ao menos 10 lojas em 2026, superando as 100 unidades, além de manter dois centros de distribuição. (Fonte: InvestNews - 09.12.2025)