A Gestamp, fabricante espanhola de componentes automotivos, produz carrocerias e peças metálicas para chassis. No Brasil, estabeleceu operações em 1997, ano que marcou o início do processo de descentralização da indústria automotiva no país.
Os fabricantes de grandes componentes, como os produzidos pela Gestamp, geralmente precisam se localizar próximos às linhas de montagem de veículos.
No Brasil, seguiu a mesma estratégia de se localizar próximo às montadoras. Suas fábricas estão localizadas em São José dos Pinhais (Paraná), Gravataí (Rio Grande do Sul) e Betim (Minas Gerais), todos grandes pólos automotivos, bem como em Taubaté, Sorocaba, Santa Isabel e agora Piracicaba, no estado de São Paulo, que Riberas descreveu como “um importante pólo”. A cidade de São Paulo também abriga um dos 13 centros de pesquisa e desenvolvimento da Gestamp no mundo.
O avanço da eletrificação e da conectividade está transformando o automóvel de diversas maneiras. Mas um carro sempre será um conjunto de peças que, juntas, devem proporcionar uma estrutura forte e segura. A nova dinâmica está forçando os fornecedores a desenvolverem componentes cada vez mais leves. Nesse contexto, a Gestamp inaugura em16 de junho de 2026 em Piracicaba, São Paulo, sua sétima fábrica no Brasil.
Com investimento de R$ 200 milhões, as novas instalações somam 16,5 mil metros quadrados aos 300 mil metros quadrados de área construída que a multinacional vem desenvolvendo gradativamente desde que se estabeleceu no Brasil em 1997.
A fábrica de Piracicaba funcionará com processos modernos e linha de produção de hot stamping, especialidade da Gestamp que permite redução de peso em componentes. “Precisamos reduzir o peso dos veículos para aumentar a autonomia e ao mesmo tempo proteger as baterias”, disse o CEO da Gestamp, Francisco Riberas. “O veículo do futuro combinará três atributos essenciais: leveza, segurança e sustentabilidade.”
Segundo o executivo, “os veículos elétricos vieram para ficar e se tornarão a opção dominante no futuro, tanto no Brasil quanto no mundo”. Mas até que isso aconteça, acrescentou Riberas, “é essencial que a regulação avance no mesmo ritmo que a realidade industrial”.
Na sua opinião, o ritmo da eletrificação dos veículos depende de diferenças regulamentares, incentivos industriais e subsídios de compra, bem como da infraestrutura de carregamento de baterias. A transição continua rápida na China, que aumentou a sua quota na produção global e “tornou o planeamento mais complexo tanto para os fabricantes de automóveis como para os fornecedores”.
No Brasil, Riberas disse que após um período durante o qual o governo isentou os veículos híbridos e elétricos de direitos de importação para apoiar a descarbonização, “espera-se uma localização gradual da produção por parte das empresas chinesas”.
“Já foram estabelecidas estruturas, incluindo requisitos de conteúdo local para autopeças, para que, a partir de 2027, a produção ocorra dentro do Brasil”, disse o executivo. Acompanhando de perto os planos das montadoras chinesas no país, Riberas disse que a tendência de localizar a produção dessas marcas “poderia criar oportunidades em toda a cadeia de abastecimento”.
A demanda por automóveis no Brasil contrasta com a volatilidade e o declínio da produção observados na Europa, no Japão e nos Estados Unidos, disse Riberas. Ele expressou otimismo com as projeções dos consultores que indicam que até 2030 o Brasil, atualmente o oitavo maior produtor mundial de veículos, atingirá a produção anual de 3,2 milhões de veículos leves, 30% acima do nível de 2025.
Para acompanhar essas projeções otimistas, a nova fábrica de Piracicaba foi projetada com espaço para expansão para até 40 mil metros quadrados e para crescimento do número de funcionários dos atuais 50 funcionários para 150, com potencial para chegar a 500. “As oportunidades aqui são significativas e estamos bem posicionados para aproveitá-las”, disse ele.
A receita da operação brasileira acompanhou a expansão industrial da empresa. Nos últimos cinco anos, as receitas do país aumentaram 80%, atingindo 677 milhões de euros em 2025.
Com receitas anuais globais de 11,34 bilhões de euros e uma força de trabalho de 42.400 funcionários, a empresa espanhola opera 115 fábricas em todo o mundo.
(Fonte: Valor - 16.06.2026)
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