A empresa italiana de design Pininfarina, criada em 1930, é uma das principais empresas de residências de marca, empreendimentos imobiliários de luxo associados a marcas de alto padrão. A Pininfarina é conhecida por projetar carros para montadoras como Ferrari e Alfa Romeo. Ela ainda vê espaço para crescimento no Brasil, um de seus principais mercados.
A empresa já possui mais de 30 empreendimentos assinados no país, trabalhando com 12 incorporadoras, sempre no segmento de alto padrão. Em São Paulo, possui cinco projetos com a Cyrela, incluindo um dos edifícios mais caros da cidade, o Heritage, além de um prédio comercial. Em Balneário Camboriú, existem três projetos adicionais com Pasqualotto & GT, incluindo o Yachthouse, o edifício residencial mais alto do Brasil, com 294 metros. A empresa também possui projetos em capitais das regiões Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, além de Belém (estado do Pará).
Segundo Saulo Suassuna, incorporador e consultor de desenvolvimento de negócios da Pininfarina, os projetos conseguem atingir preços acima da média em seus respectivos mercados devido ao reconhecimento da marca associado à linguagem de design da empresa, que enfatiza formas curvas.
Ainda assim, os projetos têm recebido críticas de arquitetos e defensores do design brasileiro, que questionam a decisão de se apoiar em uma marca ligada ao mundo automotivo para empreendimentos imobiliários. Críticas semelhantes acompanharam a expansão de grifes de moda como Versace, Armani e Dolce&Gabbana para o setor.
“Temos o direito de fazer isso, desde que façamos com coerência e consistência”, disse Paolo Dellachà, CEO da Pininfarina, ao Valor. Ele assumiu o cargo em dezembro de 2025 e visitou São Paulo pela primeira vez no final de maio de 2026.. “A Pininfarina é uma empresa de design, não uma marca de moda, e existe desde 1930. Começamos com carros e mobilidade, mas agora estamos expandindo nosso DNA para diversas áreas”, afirmou.
A expertise que a empresa desenvolveu em aerodinâmica automotiva foi adaptada aos seus projetos imobiliários. “Edifícios são estáticos por definição, mas sempre lhes damos um toque dinâmico, especialmente em termos de curvas”, explicou.
A empresa, listada na Bolsa de Valores de Milão, gera entre 60% e 65% de sua receita com a divisão de mobilidade, que inclui carros, barcos e sistemas de transporte coletivo, como trens. A divisão “moradia” — que engloba arquitetura e produtos como móveis planejados e avulsos — representa de 20% a 25% da receita. A empresa também gera receita com licenciamento de sua marca. Para o futuro, Dellachà espera que a divisão de moradia represente, eventualmente, metade da receita total.
Além do Brasil, a empresa tem avançado com projetos imobiliários no Oriente Médio e na Índia, onde enxerga um significativo potencial de crescimento, segundo o CEO.
Paolo Trevisan, vice-presidente de design da empresa, argumenta que a Pininfarina possui expertise “multidisciplinar” e experiência em trabalhar com formatos de design complexos. “Sabemos analisar novas tendências, cores e materiais”, afirmou.
De acordo com Dellachà, a entrada da Pininfarina no setor residencial já está gerando benefícios para sua divisão de mobilidade, com essa experiência influenciando o trabalho da empresa no design de interiores de carros e barcos.
Os executivos acreditam que a empresa pode continuar se expandindo no Brasil com projetos adicionais, mantendo o foco no luxo, que é tipicamente associado à exclusividade. Suassuna afirmou que a empresa trabalha com apenas uma incorporadora por cidade, selecionando parceiros com base em seu histórico e capacidade de construir projetos “icônicos” em suas regiões.
Seu projeto em Recife, desenvolvido por Suassuna Fernandes, por exemplo, contará com quatro torres conectadas por uma área de lazer na cobertura. Os edifícios incluirão elevadores panorâmicos para carros, permitindo que os veículos sejam estacionados dentro dos apartamentos. Cada unidade terá uma ou duas piscinas na varanda. O lançamento do empreendimento está previsto para o final de julho e início de agosto (2026).
A Pininfarina também possui uma linha de móveis planejados com a Florense e está lançando uma coleção de móveis exclusiva com a Century Brazil. Segundo Julio Samorano, CEO da fabricante de móveis, a ideia é que os edifícios projetados pela marca também apresentem móveis criados pela Pininfarina.
“Você pode gostar ou não, mas isso reflete quem somos e nossa história nesses projetos”, disse Trevisan.
Antes de se tornar CEO, Dellachà liderou a divisão de veículos da Pininfarina. A empresa não esteve envolvida no projeto do primeiro modelo elétrico da Ferrari, apresentado em 25 de maio de 2026. O veículo foi alvo de críticas, inclusive de ex-executivos da montadora, por supostamente se desviar do que se espera de um modelo Ferrari. O veículo foi projetado pela LoveFrom, estúdio fundado por um ex-designer de produtos da Apple.
Dellachà afirmou que os veículos elétricos impõem menos restrições aos designers. Essas restrições, no entanto, são parte do que confere aos veículos tradicionais a identidade que os consumidores reconhecem.
Ele explicou que os motores elétricos são distribuídos de forma diferente, as baterias podem assumir formatos mais variados e a necessidade de aerodinâmica altamente eficiente para dissipar o calor dos motores de combustão interna — particularmente em carros esportivos de alto desempenho — não existe da mesma forma para os veículos elétricos.
Isso, porém, cria um dilema de design: “Devo projetar um carro que se assemelhe a um modelo com motor de combustão interna ou devo usar essa liberdade para criar algo completamente diferente? Qual é o meu ponto de referência?”, questionou o CEO.
Em sua opinião, existe o risco de um carro se tornar “tão diferente” que os consumidores tenham dificuldade em entender ou se identificar com o produto. “Acredito que, pelo menos em parte, é isso que temos visto nos últimos dias”, disse ele.
Trevisan afirmou que é importante que um carro reflita a história de sua marca. “Na arquitetura, também estamos tentando criar essas identidades e histórias por meio da interpretação da Pininfarina”, disse ele.
(Fonte: Valor - 29.05.2026)
O blog "Origem das Marcas" visa identificar o exato momento em que nasce a marca, especialmente na definição do nome, seja do produto em si, da empresa, ou ambos. "Uma marca não é necessariamente a alma do negócio, mas é o seu nome e isso é importante", (Akio Morita). O blog também tenta apresentar as circunstâncias em que a empresa foi fundada ou a marca foi criada, e como o(a) fundador(a) conseguiu seu intento. Por certo, sua leitura será de grande valia e inspiração para empreendedores.
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