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9 de jun. de 2026

Summit Agricultural Group / JetBio

          A Summit Agricultural Group é uma empresa americana de private equity focada no agronegócio. A Summit fez seu primeiro investimento no país em 2011, quando investiu em um fundo de terras agrícolas que foi vendido quase uma década depois. 
          Em maio de 2026 vem a público que o grupo planeja construir uma planta de combustível de aviação sustentável (SAF) no Brasil. O projeto está estimado em cerca de US$ 2 bilhões, a serem captados junto a investidores dos Estados Unidos, disse Bruce Rastetter, fundador e presidente da empresa, ao Valor. Rastetter cresceu em uma fazenda no estado americano de Iowa, mas é bem conhecido no mercado brasileiro
          Batizada de JetBio, a empresa produzirá combustível à base de etanol derivado da segunda safra de milho do Brasil, área em que a Summit já atua no país, além de cana-de-açúcar. A planta será localizada em Paulínia, no interior do estado de São Paulo. A cidade foi escolhida por estar situada em um corredor industrial com acesso a rodovias e ferrovias. A produção está prevista para começar em 2030.
          A operação marca a entrada da Summit no mercado de SAF e pode se tornar a primeira iniciativa de produção em larga escala do mundo nesse segmento. Em 2025, os combustíveis sustentáveis ​​representaram apenas 0,6% do consumo da indústria da aviação, com a expectativa de que essa participação suba para 0,8% em 2026. Os números ainda são pequenos, mas as companhias aéreas serão obrigadas a cumprir metas de descarbonização a partir de 2027, de acordo com as normas estabelecidas pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI). Essa exigência sustenta as expectativas de um crescimento mais forte no setor.
          “A oportunidade é usar a experiência que adquirimos investindo no Brasil para avançar ainda mais na cadeia de valor do etanol no país”, disse Rastetter. O executivo, que raramente concede entrevistas, conversou com a Valor durante um evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em Nova York em maio de 2026, onde foi homenageado como um dos líderes que fortalecem as relações Brasil-EUA.
          O grupo Summit é acionista da FS, a segunda maior produtora de etanol de milho do Brasil. Fundada em 2017, a empresa é controlada por uma joint venture entre a Summit e a Tapajós Participações e, em maio de 2026, vendeu uma participação de 40% para a Amaggi.
          Segundo Rastetter, a JetBio é uma nova plataforma de investimentos da Summit e não está diretamente relacionada ao veículo pelo qual o grupo investe na FS. O aporte de capital será feito por meio de um fundo separado.
          Mesmo assim, a FS terá um papel significativo no projeto, pois deverá ser uma das fornecedoras do etanol utilizado na produção. A empresa também possui outra característica que Rastetter considera essencial para o sucesso da JetBio e que é um dos motivos pelos quais ele escolheu o Brasil em vez dos Estados Unidos como local para o projeto: a pegada de carbono comparativamente baixa do combustível em relação à produção em outras regiões do mundo. Esse fator é fundamental para tornar o modelo da nova empresa eficiente em termos de escala e custo, afirmou ele.
          A FS deverá dar mais um passo nessa direção no segundo semestre de 2026. A empresa planeja inaugurar uma unidade de captura e armazenamento de carbono em setembro, em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso. Segundo Rafael Abud, fundador e CEO da empresa, o projeto fará da FS a primeira produtora mundial de etanol de milho com emissões líquidas negativas. "Seremos a maior produtora mundial de combustível com emissões líquidas negativas", disse ele.
          A ideia é capturar e armazenar o carbono gerado durante o processo de fermentação por meio da captura e armazenamento de carbono (CCS). Nesse processo, o dióxido de carbono é capturado, comprimido, liquefeito e posteriormente injetado no subsolo. De acordo com a empresa, a combinação do uso de biomassa, milho de segunda safra e sequestro de carbono resultará em emissões líquidas negativas.
          Segundo Rastetter, a JetBio já está em negociações com companhias aéreas para vender seu SAF (Combustível de Aviação Sustentável). “Quando olhamos ao redor do mundo, todas as principais companhias aéreas têm metas para combustíveis de aviação sustentáveis. Por isso, estamos conversando com várias delas e continuaremos assinando contratos de fornecimento à medida que avançamos na construção da usina”, disse ele.
          O executivo também está considerando o fornecimento de etanol de milho da segunda safra para o ainda emergente mercado de biocombustíveis marítimos. Nesse caso, os padrões de descarbonização ainda não foram definidos, mas as discussões estão em andamento e as empresas estão buscando soluções.
          A unidade de captura e armazenamento de carbono da FS exigirá um investimento de R$ 500 milhões. A empresa também está construindo sua quarta usina de etanol, em Campo Novo do Parecis, com inauguração prevista para o final de 2026, em um projeto avaliado em R$ 2 bilhões.
          Os investimentos do grupo Summit no Brasil já somam quase R$ 10 bilhões, considerando números de maio de 2026, afirmou Rastetter.
(Fonte: Valor - 29.05.2026)

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