Camille Faria fez carreira entrando em empresas quando a maioria dos diretores prefeririam sair. Foi diretora financeira da Oi durante a primeira recuperação judicial e ocupou o mesmo cargo (CFO) na Americanas, em que liderou a maior RJ da história do Brasil. De fevereiro a março de 2026, teve uma passagem relâmpago pela Oncoclínicas.
Agora, decidiu transformar essa experiência em negócio próprio. O nome, aliás, significa “cura” em grego.
A Althia pretende se concentrar em sete setores (Óleo e Gás, Telecom, Varejo, Energia, Saúde, Navegação e Infraestrutura) e em companhias com faturamento superior a R$ 1 bilhão e ao menos R$ 500 milhões em dívidas.
A casa poderá investir diretamente ou reorganizar companhias para bancos, fundos e outros credores. Camille disse que a ideia de criar a própria gestora partiu dos pedidos de credores que desejam contar com os serviços dela em empresas de médio porte, que não teriam condições de contratar uma profissional com o mesmo currículo.
“Creio que nossa casa vai misturar um perfil difícil de encontrar hoje no mercado, de pessoas que passaram pelas cadeiras de CEO e CFO e também já foram bankers. Conhecemos as duas realidades”, diz Camille Faria em conversa com o InvestNews.
A chegada de um nome conhecido das maiores recuperações judiciais do país a esse mercado ajuda a dimensionar uma mudança em curso. À medida que crescem as reestruturações, ganham relevância as gestoras dispostas a ir além da renegociação da dívida e colocar a mão na operação.
“As companhias raramente entram em dificuldade só por causa de uma estrutura de capital desbalanceada. Elas têm algum problema operacional para ser endereçado também”, afirma Camille. Isso pode exigir cortes de custos, venda de ativos, mudança de estratégia ou uma transformação completa do modelo de negócio.
Para ela, a demanda continuará elevada mesmo quando os juros começarem a cair. Depois de anos de crédito caro, muitas empresas ainda precisarão reorganizar dívidas e operações. “Infelizmente, a gente ainda está no início de um ciclo”, diz.
Assumir empresas com dívidas elevadas, falta de capital ou disputas entre acionistas já é o negócio de um grupo de gestoras brasileiras. IG4, Mapa, AGI e Geribá, são alguns exemplos. São companhias de setores diferentes, mas às voltas com problemas financeiros ou societários complexos.
Publicidade
Conhecidas como gestoras de situações especiais – ou special situations –, essas casas entram quando acreditam que a operação continua viável. O ativo ideal ainda vende, presta um serviço relevante ou gera caixa.
A complexidade reduz o número de compradores, abre espaço para negociar um desconto e cria a possibilidade de retorno maior. Renegociada a dívida, reorganizado o controle ou trocada a gestão, a aposta é que a empresa volte a valer mais.
Os recursos vêm de investidores institucionais, tesourarias de empresas e famílias endinheiradas. Entre eles e as gestoras que assumem a reestruturação, há casas que funcionam como financiadoras e selecionadoras de negócios.
A Althia começará sem um fundo. Faria diz que investidores já demonstraram interesse em financiar seus projetos, mas a casa avaliará primeiro a necessidade de capital de cada operação. As aquisições poderão ser alavancadas, com o credor trocando um crédito estressado por um novo título.
(Fonter: InvestNews - 22.09.2026)
Nenhum comentário:
Postar um comentário