Já Paul Zivi deu início à Zivi-Hercules SA, em 1931, na cidade de Porto Alegre/RS. O desenvolvimento da Eberle se mistura à história de Caxias do Sul, já a Zivi-Hercules tornou-se um marco no estabelecimento da tradição cuteleira no Brasil.
Em 1985, a Zivi-Hercules adquiriu a Eberle, criando o Grupo Zivi-Hercules-Eberle. No final de 2003, diante da incorporação da Zivi pela Eberle, a denominação do grupo passou a ser Mundial SA Produtos de Consumo. Desde então, muitas mudanças foram implementadas, novas marcas surgiram, e novos produtos foram lançados.
A Mundial viu suas ações subirem 3.300% entre 6 de abril e 19 de julho de 2011, para depois caírem 86% entre 20 e 22 de julho (só no último dia, a queda foi de 76%). A alta foi impulsionada por uma combinação de uma bela narrativa com movimento orquestrado de investidores comprando as ações e o nome “Bolha do Alicate” foi dado por causa do principal produto da empresa.
Na prática: um investidor que comprou R$ 1.000 em ações da MNDL3 no começo de abril viu seu capital virar R$ 34.000 no ápice da euforia e depois cair até R$ 4.500. Olhando assim, pareceu um bom negócio esse lucro de R$ 3.500, certo? O problema é que o grosso dos investidores entrou na ação na segunda metade de junho, quando os preços já estavam muito inflados. Ou seja: a maioria entrou pra pagar a conta dos poucos que chegaram antes na festa.
No fatídico dia 22 de julho de 2011 (dia que a ação caiu 76%) o desespero era de quem estava comprado e não conseguia vender os papéis. Por causa da enxurrada de vendedores querendo se livrar de MNDL3, a bolsa congelou os negócios com o papel e eles só foram negociados em “três instantes” diferentes do dia – um durante a manhã, outro de tarde e outro no fechamento. A ação não conseguiu ficar 1 minuto inteiro sendo negociada naquele dia, era “abriu, despencou, congelou”. Mesmo quem queria vender ou tinha um “stop loss” na operação não conseguiu evitar o pior. Pior que isso, só as histórias que ouve-se na redação do InfoMoney (Thiago Salomão era repórter de lá na época), de investidores que estavam “termados” no papel (termado: usar o mercado a termo para ficar “alavancado” em uma ação). Por causa da alavancagem, esses aí perderam muito mais do que tinham. É pior do que “game over”, pois agora esse cara ficou devendo para a corretora e teve que entregar o que tinha e o que não tinha para quitar suas dívidas.
Já se ouviu de mais de um investidor que “uma tese de investimento nada mais é do que uma história bem contada”. E a Mundial conseguiu, através de um esforço de “marketing” da própria empresa e de assessores de investimentos, criar uma bela narrativa: promessas de melhorias operacionais, parcerias com investidores internacionais, migração para o Novo Mercado fizeram parte deste roteiro, que foi apresentado em várias palestras para investidores em corretoras (se já existisse Zoom ou Instagram naquela época, talvez essa bolha não tivesse demorado 3 meses pra nascer).
Mas essa linda história não seria nada se não tivesse um público aplaudindo e pedindo bis: é aí que entra a parte braçal do negócio: segundo a CVM, as investigações pós-estouro da bolha revelaram um conjunto de operações com características de manipulação do mercado e negociação com uso de informação privilegiada realizadas por um grupo de investidores.
Isso é o que no mercado é chamado de “Zé com Zé”, quando dois (ou mais) investidores se unem para fazerem vários negócios com uma ação de forma a inflar o preço dela. Mas fazer isso dar certo é quase como fazer um carro “pegar no tranco”: se o carro não ligar, você vai ficar empurrando até não ter mais fôlego. No mercado, o “fôlego” seria o dinheiro dos Zés e o carro ligar seriam outros investidores comprarem a tese.
Na Mundial, o tranco funcionou muito bem. O frenesi em torno da fabricante de alicates (eu gosto de enfatizar isso para lembrar que não estamos falando de alguma empresa disruptiva, mas de uma… fabricante de alicates) era tão grande que a MNDL3 iria tornar-se elegível para entrar no Ibovespa devido ao volume financeiro expressivo em bolsa. Com isso, todos os fundos de investimentos cujo mandato é acompanhar o Ibovespa iam ter que comprar MNDL3, gerando uma demanda extra no papel. Foi aí que finalmente acendeu o alerta da B3 (na época, BM&FBovespa).
Com a Bolsa vetando a entrada da Mundial no Ibovespa, o mercado parece que caiu na real de que uma fabricante de alicates não poderia aumentar em 34 vezes seu valor de mercado em tão pouco tempo. Como toda bolha, o estouro dela foi muito mais rápido do que a velocidade de alguém explicar o que estava acontecendo.
No final de 2012, mais de um ano depois do estouro da bolha, o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul apresentou denúncia contra 10 pessoas por três crimes: formação de quadrilha, manipulação de mercado e insider trading. Entre os 10 acusados, estavam assessores de investimentos e o presidente da Mundial.
Todos foram absolvidos pelo crime de formação de quadrilha. Sobre os outros crimes, a última decisão proferida veio do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) em dezembro de 2019, absolvendo dois envolvidos pelos crimes de manipulação de mercado e uso de informação privilegiada.
Após tudo isso, a Mundial não conseguiu autorização para entrar no tão sonhado Novo Mercado. Ela passou para a categoria “Walking Dead” da bolsa. O valor de mercado da empresa, em 14 de outubro de 2026 era de R$ 168,6 milhões.
Já se ouviu de mais de um investidor que “uma tese de investimento nada mais é do que uma história bem contada”. E a Mundial conseguiu, através de um esforço de “marketing” da própria empresa e de assessores de investimentos, criar uma bela narrativa: promessas de melhorias operacionais, parcerias com investidores internacionais, migração para o Novo Mercado fizeram parte deste roteiro, que foi apresentado em várias palestras para investidores em corretoras (se já existisse Zoom ou Instagram naquela época, talvez essa bolha não tivesse demorado 3 meses pra nascer).
Mas essa linda história não seria nada se não tivesse um público aplaudindo e pedindo bis: é aí que entra a parte braçal do negócio: segundo a CVM, as investigações pós-estouro da bolha revelaram um conjunto de operações com características de manipulação do mercado e negociação com uso de informação privilegiada realizadas por um grupo de investidores.
Isso é o que no mercado é chamado de “Zé com Zé”, quando dois (ou mais) investidores se unem para fazerem vários negócios com uma ação de forma a inflar o preço dela. Mas fazer isso dar certo é quase como fazer um carro “pegar no tranco”: se o carro não ligar, você vai ficar empurrando até não ter mais fôlego. No mercado, o “fôlego” seria o dinheiro dos Zés e o carro ligar seriam outros investidores comprarem a tese.
Na Mundial, o tranco funcionou muito bem. O frenesi em torno da fabricante de alicates (eu gosto de enfatizar isso para lembrar que não estamos falando de alguma empresa disruptiva, mas de uma… fabricante de alicates) era tão grande que a MNDL3 iria tornar-se elegível para entrar no Ibovespa devido ao volume financeiro expressivo em bolsa. Com isso, todos os fundos de investimentos cujo mandato é acompanhar o Ibovespa iam ter que comprar MNDL3, gerando uma demanda extra no papel. Foi aí que finalmente acendeu o alerta da B3 (na época, BM&FBovespa).
Com a Bolsa vetando a entrada da Mundial no Ibovespa, o mercado parece que caiu na real de que uma fabricante de alicates não poderia aumentar em 34 vezes seu valor de mercado em tão pouco tempo. Como toda bolha, o estouro dela foi muito mais rápido do que a velocidade de alguém explicar o que estava acontecendo.
No final de 2012, mais de um ano depois do estouro da bolha, o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul apresentou denúncia contra 10 pessoas por três crimes: formação de quadrilha, manipulação de mercado e insider trading. Entre os 10 acusados, estavam assessores de investimentos e o presidente da Mundial.
Todos foram absolvidos pelo crime de formação de quadrilha. Sobre os outros crimes, a última decisão proferida veio do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) em dezembro de 2019, absolvendo dois envolvidos pelos crimes de manipulação de mercado e uso de informação privilegiada.
Após tudo isso, a Mundial não conseguiu autorização para entrar no tão sonhado Novo Mercado. Ela passou para a categoria “Walking Dead” da bolsa. O valor de mercado da empresa, em 14 de outubro de 2026 era de R$ 168,6 milhões.
Hoje, com mais de 130 anos de experiência, a Mundial SA é, segundo seu site, uma empresa socialmente responsável, apaixonada pelo desenvolvimento de pessoas e processos, que busca sempre inovar e multiplicar soluções.
Suas principais marcas são Impala (esmaltes), Mundial Personal Care, Mundial Hercules (produtos para cozinha), Mundial Crafts (tesouras), Eberle e Syllent (motobombas).
(Fonte: site da empresa / InfoMonmey (Thiago Salomão - 16.02.2021 - partes)
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