O Instituto de Pesquisas Tecnológicas, IPT, foi fundado em 26 de junho de 1899. É um raro exemplo de instituição que atravessou o tempo e está se reinventando - sobretudo num país que conta
com tão poucas empresas e organizações centenárias.
A história do IPT remonta a 1893, ano da fundação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Na época, com a economia do estado em ebulição, a elite e o governo paulista apoiavam e investiam em diferentes tipos de pesquisa nos setores de engenharia e tecnologia. Por isso, a Politécnica resolveu priorizar o ensino em laboratórios. Um dos primeiros, construído em 1899 pelo engenheiro Francisco de Paula Souza, foi o Gabinete de Resistência dos Materiais, responsável pela tecnologia empregada na fabricação de tubos de ferro fundido para os sistema de água e esgoto de São Paulo e pelos estudos de materiais utilizados na construção do Edifício Martinelli, o primeiro arranha-céu de São Paulo, cuja construção foi iniciada em 1924. Com o sucesso dessas iniciativas, o órgão foi rebatizado de Laboratório de Ensaios de Materiais em 1926. Apenas em 1934, o lugar recebeu o nome de IPT.
Desde o início, o instituto cresce à medida que o estado de São Paulo e o país se desenvolvem. O IPT foi responsável pelos ensaios do uso de gás na iluminação de São Paulo e forneceu assistência tecnológica à pavimentação de ruas da capital. Também deu apoio à construção de ferrovias e rodovias em diversos estados, desenvolveu estudos geológicos na área onde futuramente seria construída Brasília e prestou um serviço nas construções de diferentes usinas hidrelétricas e barragens pelo Brasil - ajudou a tornar viável, por exemplo, a construção da Usina de Paulo Afonso, na Bahia, um complexo trabalho de engenharia nos anos 1950 que exigiu controlar e reverter o fluxo do Rio São Francisco.
Um dos laboratórios mais antigos do IPT é o de simulações oceânicas, chamado de tanque de provas. Com 280 metros de comprimento, 6 de largura e 4 de profundidade, o aquário gigante faz estudos de hidrelétricas e engenharia naval. Cascos de navios são imersos na água para avaliação de aspectos como desempenho hidrodinâmico, força e resistência do material. Também são feitos estudos em dutos que ligam plataformas de exploração aos poços de petróleo. Entre os principais clientes do
Tanque de Provas estão a Petrobras, estaleiros e empresas de transporte fluvial.
Nos anos 1940 teve participação no projeto de construção das vias Anchieta e Anhanguera, que estão entre as primeiras autoestradas brasileiras. Nos anos 1970 deu apoio para a construçãokda Ponte Rio-Niterói e da usina hidrelétrica de Itaipu, uma das maiores do mundo.
Hoje, o IPT é o maior centro de pesquisa cietífica e de desenvolvimento tecnológico da América Latina. O campus principal, localizado na Cidade Universitária, na capital paulista, tem mais de 103.000 metros quadrados de área construída. Além disso, há mais dois espaços no interior paulista, um em São José dos Campos e outro em Franca. A sede tem 65 prédios, divididos em 12 centros tecnológicos, como o Núcleo de Bionanomanufatura e o Centro de Tecnologias Geoambientais. Com mais de 40 laboratórios, trabalham ali cerca de 1000 pessoas - 300 com títulos de mestre ou doutor.
Vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação de estado de São Paulo, o IPT atendeu, em 2018, 3000 clientes, sendo 95% empresas privadas. Nessa longa trajetória, o interesse do capital privado cresceu recentemente. Até 2011, quase toda a produção do IPT era voltada para demandas públicas: de estados, municípios e estatais.
(Fonte: Exame - 26.06.2019)
O blog "Origem das Marcas" visa identificar o exato momento em que nasce a marca, especialmente na definição do nome, seja do produto em si, da empresa, ou ambos. "Uma marca não é necessariamente a alma do negócio, mas é o seu nome e isso é importante", (Akio Morita). O blog também tenta apresentar as circunstâncias em que a empresa foi fundada ou a marca foi criada, e como o(a) fundador(a) conseguiu seu intento. Por certo, sua leitura será de grande valia e inspiração para empreendedores.
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12 de abr. de 2026
IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas
11 de abr. de 2026
Sönksen Chocolate
Em um bairro paulistano que não era tradicionalmente fabril, a Liberdade, existiu uma fábrica que mesmo tendo fechado suas portas há quase 30 anos ainda é lembrada por todos: A Chocolate Sönksen.
A Chocolate Sönksen não nasceu exatamente na rua Vergueiro, onde ficou até encerrar suas atividades. A empresa surgiu não muito longe dali na rua Líbero Badaró, como uma pequena loja de doces em 1887, inicialmente chamada de La Bonbonniere quando o Brasil ainda vivia no regime monárquico.
Com o passar dos anos a empresa expandiu-se e mudou sua sede para a Rua Direita, 43. Até que para atender a demanda, abriu sua segunda loja, na Rua 15 de novembro.
Fundada pelo Sr. Alfredo Richter como uma pequena casa dedicada à industrialização e comércio de produtos da “arte açucareira”, a La Bonbonniere foi sem dúvida uma das primeiras lojas de doces da cidade de São Paulo.
Na virada pro século XX, Richter casou-se com a senhora Alwine Sophia Sönksen, mulher de forte visão empreendedora que desde o primeiro momento da união passou a colaborar ativamente com o marido na expansão da pequena empresa em uma grande casa comercial e industrial.
Infelizmente a bela união entre o Sr. Richter e a Sra. Sönksen não durou muitos anos, já que em 1904 Alfredo Richter veio a falecer.
Sozinha na liderança da companhia, Alwine Sophia Sönksen decidiu vender a empresa ao capitalista (nome que se dava aos empresários à época) João Faulhammer.
Com a empresa sob o comando de Faulhammer, teve início a construção da nova fábrica, que deixava a área mais central da cidade para a região que ficaria em definitivo, na rua Vergueiro, 310.
Naquela época o crescimento da empresa demandava um novo local, uma vez que além da loja e sede industrial na região da Sé, já havia uma filial na rua XV de Novembro.
Mesmo sob a direção de outro proprietário desde 1904, a Sönksen ainda voltaria às mãos da família de Alwine.
No ano de 1912, a empresa que pertencia a Faulhammer foi colocada à venda, e os três irmãos Sönksen puderam comprá-la novamente, formando para isso uma sociedade.
Na aquisição, comprava-se a empresa e alugou-se o local onde estava a nova sede, à rua Vergueiro. A empresa passava a chamar-se Christian Sönksen & Cia. O prédio só seria comprado definitivamente em 1922.
Em 1920 ocorre outro fato curioso: A filha do antigo proprietário João Faulhammer, Anna Sophia, casa-se com Augusto Sönksen.
No ano de 1924 a empresa muda mais uma vez a razão social, desta vez para Sönksen Irmãos & Cia. A empresa, moderna desde sua formação ainda no século XIX, sempre teve a participação ativa de mulheres na administração, agora com Anna Sophia Sönksen e Joana Helena Sönksen, esposas respectivamente de Augusto e Christian Sönksen.
A empresa seguiria seu crescimento vertiginoso, perpetuando sua marca e o sabor inigualável de seus chocolates e balas. Em 1948, tornou-se Sociedade Anônima.
À medida que o tempo foi passando, a Sönksen abriu outras lojas da marca por São Paulo e também em outras cidades que eram verdadeiros pontos de peregrinação para os amantes do bom chocolate.
Suas lojas mais concorridas e que estavam sempre abarrotadas de produtos e clientes eram as da Rua Augusta 2310, Avenida São João 223, Rua 24 Maio, 29 (no Edifício Palácio do Comércio) e a concorrida loja de Santo André na Rua Coronel Oliveira Lima, 433.
Esse conceito de sucesso de lojas próprias é seguido à risca até hoje por outros fabricantes de chocolate, como Ofner, Kopenhagen e Cacau Show entre tantos outros.
A qualidade dos chocolates e dos demais produtos fabricados pela Sönksen eram inesquecíveis.
Até hoje costumamos ver pessoas se lembrarem dos famosos chocolates produzidos pela marca com um misto de saudade e nostalgia.
Desde as barras de chocolate simples aos famosos bombons finos vendidos em embalagens luxuosas, com imagens de monumentos históricos paulistas ou de belos locais do Brasil, aos famosos bombons Alpino, de sabor único.
Sem esquecer também dos deliciosos confeitos de conhaque, dragés, língua de gato e os famosos Urso Branco e Urso Marron.
As balas vendidas em latinhas também eram muito saborosas. Até hoje estas latinhas são vendidas em antiquários e feiras de antiguidades.
Os anos 1970 foram decisivos para muitas fábricas estabelecidas na cidade de São Paulo. Nessa época muitas empresas começaram a mudar da capital paulista, rumo a outros municípios com incentivos fiscais mais atraentes.
Enquanto isso, outras indústrias iniciaram um período de declínio do qual não conseguiriam se recuperar. A Sönksen foi uma dessas que entraram em dificuldades.
As razões para a decadência e o fim da Sönksen são várias. Há relatos de que os herdeiros não tinham interesse em prosseguir no mercado, enquanto outros relatos indicam que a compra em plena década de 1970 de um moderno sistema de computadores para a informatização da fábrica teria causado danos irreversíveis na contabilidade da companhia.
No final dessa mesma década, quando a empresa já estava muito mal, alegava-se que o sistema de vendas da empresa pelo país afora era muito deficitário, com apenas três vendedores em todo o estado de São Paulo e uma distribuidora no Rio de Janeiro, para colocar no mercado uma enorme produção de 25 toneladas de produtos.
O mais provável é que a soma de todos esses fatores tenham em conjunto contribuído para o fim da empresa.
Em 1977, no auge da crise, já não havia um Sönksen no comando. Influenciado por um dos diretores da empresa que era seu amigo, o dono de uma das maiores concorrentes da Sönksen, a Casa Falchi, decidiu assumir o passivo da concorrente, cujos bens estavam prestes a ir a leilão.
Os problemas que todos pensavam que poderiam estar acabando, na verdade continuariam. À frente da Falchi, ele não conseguia tocar a empresa como se propunha salvar e optou então por nomear seu filho, chamado José Clibas de Oliveira e Silva Filho para assumir a presidência da Sönksen.
Como não era do ramo de chocolates, inicialmente Clibas Filho veio como uma espécie de interventor, seguindo sugestões de seu pai. Aos poucos, foi tomando conta do negócio.
Uma curiosidade: os donos da Doceria Ofner chegaram a ser acionistas e membros da diretoria da Sönksen até pouco antes de Clibas Filho assumir.
A vasta linha de produtos da Sönksen foi reduzida. Mesmo assim, permanecia com cerca de 150 produtos e detendo cerca de 30% do mercado brasileiro de chocolates.
No entanto, nem isso foi suficiente para salvar a empresa. Juntas, Falchi & Sönksen, caminharam de mãos dadas para o fim. Em setembro de 1983, a primeira fábrica de chocolates de São Paulo de tanta história e tradição requeria sua falência.
Segundo seu então acionista majoritário, Peter Schone (60% das ações), a má situação financeira da empresa era resultado das altas taxas de juros e da impossibilidade de repassar seus custos, em especial matéria-prima.
Foi o fim da linha para a Chocolates Sönsken.
(Fonte: São Paulo ANTIGA)
- Douglas Nascimento 24.04.2011 (artigo revisado e atualizado em 23.08.2022)
Agradecimentos: Christiano Sönksen)
A fábrica da Rua Vergueiro 310, em 1959
10 de abr. de 2026
Bauhaus
Com pensamento livre, moderno e ousado, a entidade foi fundada em Weimar e depois transferida para Dessau e Berlim.
A escola existiu por apenas 14 anos. Foi exterminada em 1933 pelo nazismo na Alemanha. Mas as referências que deixou ainda são muito influentes.
9 de abr. de 2026
Augusta National Golf Club
A tradição do Augusta National e suas normas (escritas ou não) vão na contramão dos esforços do golfe para se reinventar e atrair mais praticantes, como recentes simplificações das regras. Ainda assim, a instituição e seu paletó verde seguem como alguns dos maiores símbolos do esporte mundial - e também um dos mais misteriosos e desejados.
Banco Digimais
Outro fato é que assim como Daniel Vorcaro vendeu uma carteira falsa do Master para o Banco Regional de Brasília (BRB), o Digimais recebe acusações do fundo EXP1.
O fundo alega ter comprado 55 mil contratos da carteira de crédito consignado do Digimais por 650 milhões de reais. No entanto, o fundo explica que dos 55 mil, 22 mil não tinham lastro, ou seja, eram falsos.
Após a descoberta do fundo, o banco Digimais confirmou a fraude e tentou oferecer novas carteiras ao fundo, que recuou da oferta e pediu o dinheiro investido de volta.
O Digimais encerrou o terceiro trimestre de 2025 com prejuízo líquido de 252,6 milhões. Caso o banco quebre, o custo para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) seria de cerca de 8 bilhões de reais,
contando depósitos à vista, como dinheiro em conta corrente, e depósitos a prazo (CDBs).
(Fonte Veja Negócios - 08.04.2026)
8 de abr. de 2026
Shoulder
A empresa de confecções Shoulder foi fundada em 1980, no bairro do Bom Retiro, o coração da indústria têxtil em São Paulo. Ocupa o mesmo prédio desde sua fundação. Não só: a sede engoliu outros imóveis do quarteirão — e hoje concentra escritório, fábrica, estúdio fotográfico, laboratório e
showroom.
Durante a pandemia, a Shoulder passou por um rebranding: abandonou estampas, migrou para peças de cores sólidas e apagou todos os posts no Instagram para recomeçar o perfil do zero.
A empresa cresce à margem dos grandes grupos e investe em lojas de rua. A Shoulder faturou R$ 1,2 bilhão em 2025, mais que o dobro de 2021. Hoje, já supera concorrentes como Le Lis, do Grupo Veste, e Animale, da Azzas 2154, mesmo sem ter recorrido a private equity, IPO ou franquias. Ela opera só com lojas próprias e mantém presença em 25 das 27 capitais.
O próximo passo é ir além dos shoppings e investir em lojas de rua. As oito unidades que a Shoulder vai inaugurar em 2026 incluem pontos estratégicos em bairros nobres de São Paulo, como Moema e Vila
Nova Conceição.
(Fonte: InvestNews -08.04.2026)
5 de abr. de 2026
Orniex
A linha de produtos continuava a mesma havia anos. Eram raros os investimentos em marketing. Esse abandono era recompensado com uma política considerada por muitos suicida, voltada apenas para preços.
Desde que chegou ao Brasil, no começo de 1992, como um dos executivos do grupo Cragnotti & Partners, o italiano Aldo Marsegaglia foi designado para presidente da Orniex - cargo que ocupava também na Bombril, outra empresa do grupo Cragnotti. Marsegaglia comandou mudanças radicais. As embalagens ficaram mais modernas e os preços foram ajustados aos do mercado. As duas marcas de sabão, Pop e Véo, alcançaram 16% de market share em 1992.
Com tecnologias mais modernas, a empresa conseguiu desenvolver e lançar o pinho Verti e também fabricar o Finish, detergente em pó para máquinas de lavar louça cuja marca foi comprada em 1992 pela americana Ecolab.
Num desdobramento de tendência de atuar em mercados específicos, a Orniex comprou também uma marca de esponja para lavar louça, a Sprat/Spumy.
De acordo com a Nielsen, em maio/junho de 1993 a Orniex tinha a seguinte participação de mercado com seus produtos: detergente líquido ODD - 17,9%; detergente para máquina de lavar louça - Finish - 45%; lustra-móveis Brilhol - 22%; Limpa-vidros Brilhol - 40,9%; cola escolar Tenaz - 24,9%; sabão em pó Pop e Véo - 9,7%.
(Fonte: Exame - 29.09.1993)
3 de abr. de 2026
Beacon School
Quando abriu as portas, em 2010, no Alto de Pinheiros, em São Paulo, a bilíngue Beacon School tinha dezessete alunos.
No início de 2018, ao custo de 35 milhões de reais, um novo campus foi inaugurado na Vila Leopoldina, num ex-parque industrial.
"Tínhamos esse patrimônio, e a escola tomou uma decisão pedagógica: iríamos manter a história viva", lembra Vinícius Andrade, do escritório Andrade Morettin, responsável pelo projeto.
Em março de 2018 a escola atendia 780 crianças. Vera Nicol Giusti é socia e diretora pedagógica.
A sustentabilidade passa pelo uso de ventilação cruzada e pelo bom aproveitamento da luz natural. No térreo, as salas de aula têm paredes de vidro, que se abrem completamente e dão acesso ao parquinho.
No almoço, as crianças montm o próprio prto e podem escolher fazer a refeição em espaços alternativos, como a praça de jatobás. Instalações como as tubulações de fios e água estão aparentes, identificadas por cores diferentes.
(Fonte: Veja São Paulo - 14.03.2028)
2 de abr. de 2026
McCormick
Nos jornais gringos, a manchete de negócios da semana iniciada em 30 de março de 2026, é a fusão entre a McCormick e a divisão de alimentos da Unilever – que envolveu US$ 45 bilhões. A notícia deixou muitos brasileiros com uma pulga atrás da orelha: afinal, o que é a McCormick?
Uma parte relevante da receita da McCormick vem da divisão industrial, menos visível, que desenvolve sabores sob medida para os produtos de outras empresas do ramo alimentício.
Desde então, com Hellmann’s e Knorr no portfólio, passa a disputar mercado o Brasil também.
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