A história da Teka - Tecelagem Kuehnrich teve início com o imigrante alemão Hermann Kuehnrich, que fundou a tecelagem em Blumenau, às margens do rio Itajaí Açu no início do século XX. A primeira fábrica da Teka foi contruída pelo também imigrante alemão Paul Fritz Kuenrich no terreno residencial da família. Rolf Kuehnrich nasceu em 1926, um ano depois de seu pai fundar a empresa.
A Teka é um exemplo de resiliência da indústria catarinense, especialmente com as várias enchentes que atingiram a região banhada pelo rio Itajaí-Açu”. A primeira ocorrência foi registrada já em 1927, pouco mais de um ano após a fundação da companhia, quando a água atingiu a parte de confecção e depósito. As mais graves incidências foram as de 1983, quando o rio atingiu um nível 15,37 metros acima do normal, e 1984. Nessas duas enchentes, a indústria perdeu toneladas de insumos, levando à decisão de construir um muro de contenção das águas.
Em 1935, a empresa se tornou uma Sociedade Anônima (SA) e, em 1941, adotou o nome de Tecelagem Kuehnrich, com o logotipo TK. Mais tarde, a sonoridade das iniciais levou a empresa a adotar seu nome definitivo, Teka.
Em 1935, a empresa se tornou uma Sociedade Anônima (SA) e, em 1941, adotou o nome de Tecelagem Kuehnrich, com o logotipo TK. Mais tarde, a sonoridade das iniciais levou a empresa a adotar seu nome definitivo, Teka.
Em 1992, ano em que a recessão bateu duro na indústria têxtil, a Teka acelerou bravamente na curva. Frederico Kuehnrich Neto, nascido em 1953, filho de Rolf, colocou 33% de funcionários a mais em suas fábricas, que operavam 24 horas por dia, sete dias por semana. A produção aumentou 27%. Para dar vasão ao mar de toalhas e lençóis que saiu da Teka, Kuehnrich agiu em várias frentes. Aumentou as exportações, cortou preços no mercado interno e passou a fornecer para hospitais e hotéis.
Em abril de 1993, Rolf passa o timão da empresa para o filho Frederico Kuehnrich Neto, que fixou dois objetivos: voltar a empresa para a satisfação do cliente e reforçar sua liderança de mercado. A construção de uma nova fábrica, em Leme (SP) foi logo colocada na pauta. Frederico começou a trabalhar na Teka como estagiário, quando ainda estava no colégio. Ele se preparou por duas décadas para assumir o lugar do pai. Conseguiu o poder sem conflitos, num raro exemplo de sucessão sem traumas nem briga entre herdeiros.
Tudo soprava a favor da Teka. O fechamento de empresas na Europa, vítimas da concorrência asiática, abria espaço para as exportações brasileiras. Nos Estados Unidos, os investimentos nos anos anteriores a 1994 concentravam-se na fiação, e não na tecelagem. No Mercosul, não havia concorrentes para o setor têxtil brasileiro. E o mercado interno só se fazia crescer após a chegada do Real.
A empresa tinha, em outubro de 1994, duas fábricas em Santa Catarina e, com a de Leme, passou a ter também duas no interior de São Paulo - a outra fica em Arthur Nogueira. E o próximo passo seria rumo ao Norte, com o objetivo de, anos mais tarde, ter uma cobertura completa do país.
Sob a gestão dos herdeiros de , a marca viveu sua era de ouro entre as décadas de 1970 e 1990, consolidando-se como uma das maiores referências em artigos de cama, mesa e banho do país.
Tudo soprava a favor da Teka. O fechamento de empresas na Europa, vítimas da concorrência asiática, abria espaço para as exportações brasileiras. Nos Estados Unidos, os investimentos nos anos anteriores a 1994 concentravam-se na fiação, e não na tecelagem. No Mercosul, não havia concorrentes para o setor têxtil brasileiro. E o mercado interno só se fazia crescer após a chegada do Real.
A empresa tinha, em outubro de 1994, duas fábricas em Santa Catarina e, com a de Leme, passou a ter também duas no interior de São Paulo - a outra fica em Arthur Nogueira. E o próximo passo seria rumo ao Norte, com o objetivo de, anos mais tarde, ter uma cobertura completa do país.
Sob a gestão dos herdeiros de , a marca viveu sua era de ouro entre as décadas de 1970 e 1990, consolidando-se como uma das maiores referências em artigos de cama, mesa e banho do país.
Até o início dos anos 2000, a presença dos produtos da Teka nas residências era algo tão trivial quanto o Nescau no café da manhã ou a camiseta Hering no vestuário casual. Era uma daquelas empresas que os brasileiros acostumaram a usar no dia a dia, quase sinônimo de cama, mesa e banho
Mais do que uma potência industrial, a Teka tornou-se parte da identidade de Blumenau, chegando a motivar passeatas e manifestações populares de funcionários e consumidores em momentos em que o fechamento da fábrica parecia iminente. As transformações do mercado global e dificuldades de gestão levaram a companhia a um pedido de recuperação judicial em 2012. Naquela época, o passivo circulava na casa dos R$ 780 milhões — valor que, após 13 anos de juros, multas e dívidas tributárias acumuladas, superaria os R$ 2 bilhões. Em 2017, a Justiça determinou o afastamento definitivo da família fundadora, e a operação passou a ser assistida por um interventor judicial.
Desde 2024, a empresa quase centenária é protagonista de um dos conflitos mais surpreendentes entre as companhias de capital aberto. Com um enredo digno de seriados de tribunais, a tecelagem Teka faliu, reverteu a falência e hoje vive uma disputa acirrada que vai definir seu destino. Tudo isso em pouco mais de seis meses.
A Teka não resistiu à má administração da terceira geração da família fundadora, muito menos à concorrência de produtos importados bem mais baratos da Ásia. O resultado é que o grupo entrou em recuperação judicial há 13 anos e, desde então, tem lutado para sanear dívidas que já somam R$ 4 bilhões.
Quem está no comando da companhia desde o início de processo de RJ é a figura do interventor judicial – hoje representado pelo escritório Leiria & Cascaes. A família foi afastada da gestão em 2017 por determinação da Justiça, no auge da crise financeira. E, desde então, os netos do fundador da companhia, Hermann Kuehnrich, esperam uma chance de lutar para retomar o controle.
A Teka vive hoje uma situação inusitada: a gestão está a cargo de uma figura que nem possui participação na empresa, o administrador nomeado pelos tribunais. Além disso, o maior acionista individual da Teka não é mais ninguém da família fundadora, mas um fundo de investimentos chamado Alumini, que conseguiu comprar o equivalente a 25% das ações no mercado. E está brigando na Justiça pelo direito de assumir o controle e poder assim sanear a empresa.
O fundo hoje trava um embate com o administrador judicial, que defende a falência da Teka sob alegação de incapacidade de levar adiante a RJ. O Alumni, no entanto, se propôs a assumir a gestão, injetar R$ 100 milhões, reestruturar as dívidas e recuperar o negócio.
Já os herdeiros, que juntos detêm 31% do capital da Teka, assistem à disputa, sem se envolver diretamente.
Do fim do ano passado até maio, os representantes do FIP conseguiram juntar os acionistas minoritários, usaram uma brecha da Lei das SA para conseguir o direito a voto dos detentores dessas ações PNs, retiraram os direitos políticos da família fundadora e elegeram um novo conselho de administração, bem como um CEO e um CFO (diretor financeiro) para a fabricante.
Apesar da resistência do interventor, que impediu o conselho eleito de assumir e pediu a falência do grupo, o fundo também conseguiu reverter na Justiça a decisão decretada no fim de fevereiro. No mais novo capítulo da saga, a Junta Comercial de Santa Catarina referendou no fim de maio a eleição do conselho pela assembleia de acionistas ocorrida em 30 de dezembro. Com isso, a nova administração deve assumir oficialmente a gestão da empresa a partir deste mês.
A maior reviravolta da acidentada história da tecelagem catarinense ocorreu em 30 de dezembro de 2024. Naquela antevéspera de ano novo, os três grupos opositores estiveram presentes na Rua Paulo Kuehnrich, nº 68, em Blumenau, para participar da assembleia de acionistas (AGO). Em jogo estava destino da própria Teka
De um lado, estavam os representantes dos herdeiros. De outro, o administrador judicial, o escritório Leiria & Cascaes – interessado em manter-se o cargo. E a terceira força era o fundo de investimento em participações (FIP) Alumni, representado pelos escritórios Chiarottino e Nicoletti Advogados e Modesto, Carvalhosa, Kuyven e Ronco Advogados.
O Alumni montou desde 2023 uma participação de 25% de ações preferenciais (PNs) negociadas na B3. Para a assembleia, o fundo conseguiu formar um bloco de apoio majoritário. Mas havia um problema: as PNs, usualmente, não podem votar na AGO, direito conferido às ONs, das quais os Kuehnrich formavam o maior bloco.
O Alumni, porém, usou uma brecha da Lei das SA para assegurar que ele e os minoritários pudessem participar das decisões. A legislação estabelece que o estatuto da companhia pode definir o direito de voto para as PNs. E, no caso da Teka, uma cláusula prevê o direito de voto aos preferencialistas no caso de não pagamento de proventos durante um período mínimo.
Com 58% dos votos, os representantes do Alumni usaram a AGO para realizar uma reviravolta completa no grupo. A assembleia aprovou a chapa de novos conselheiros apontada pelo fundo, emplacou novos CEO e CFO, além de se comprometer a injetar R$ 100 milhões no grupo. Para selar a vitória total, conseguiram cassar os direitos políticos dos antigos acionistas controladores, os Kuehnrich.
Mas em como todo drama de tribunal, um novo capítulo iria se desenrolar a partir da assembleia. O administrador da RJ, o advogado Pedro Cascaes Neto, sócio do Leiria & Cascaes, decidiu pedir a falência da Teka, que foi aceita pela Justiça no fim de fevereiro.
Mas, em outra reviravolta, o Alumni conseguiu reverter a decisão. Em março, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina suspendeu o processo de falência até que fosse concluída uma auditoria financeira independente para ver quem tem razão sobre a viabilidade ou não de manter as operações da Teka.
O sócio do Chiarottino e Nicoletti, Leandro Chiarottino, afirma que, por tudo que foi levado aos autos, a empresa é viável. Segundo o especialista, a dívida bilionária, na verdade, é muito menor. A maior parte desse débito, cerca de 80%, refere-se a obrigações tributárias.
De acordo com o advogado, com as negociações e adesão a parcelamentos oferecidos pelos governos estaduais, essa parcela tributária cairia para perto de R$ 329 milhões, com 84% de desconto. O especialista explica que, além da redução, a Teka tem um crédito fiscal relevante, que poderia ser utilizado para pagar a dívida federal.
De qualquer modo, o destino da Teka ainda depende da auditoria determinada pelo desembargador. Ainda não há previsão para uma nova decisão da Justiça. Aos acionistas, só resta aguardar as cenas dos próximos capítulos.
O grupo hoje conta com duas plantas fabris, em Blumenau e em Arthur Nogueira, no interior de São Paulo. As fábricas empregam 2 mil funcionário. A companhia atualmente concentra 70% de seu faturamento em vendas aos segmentos hoteleiro e hospitalar, com atendimento a 5 mil hotéis no país, com clientes como Accor, Slaviero e THG.
Segundo os últimos dados disponíveis, a Teka teve uma receita líquida de R$ 323,66 milhões em 12 meses até setembro de 2024. No período, a companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 170 milhões.
Desde 2024, a empresa quase centenária é protagonista de um dos conflitos mais surpreendentes entre as companhias de capital aberto. Com um enredo digno de seriados de tribunais, a tecelagem Teka faliu, reverteu a falência e hoje vive uma disputa acirrada que vai definir seu destino. Tudo isso em pouco mais de seis meses.
A Teka não resistiu à má administração da terceira geração da família fundadora, muito menos à concorrência de produtos importados bem mais baratos da Ásia. O resultado é que o grupo entrou em recuperação judicial há 13 anos e, desde então, tem lutado para sanear dívidas que já somam R$ 4 bilhões.
Quem está no comando da companhia desde o início de processo de RJ é a figura do interventor judicial – hoje representado pelo escritório Leiria & Cascaes. A família foi afastada da gestão em 2017 por determinação da Justiça, no auge da crise financeira. E, desde então, os netos do fundador da companhia, Hermann Kuehnrich, esperam uma chance de lutar para retomar o controle.
A Teka vive hoje uma situação inusitada: a gestão está a cargo de uma figura que nem possui participação na empresa, o administrador nomeado pelos tribunais. Além disso, o maior acionista individual da Teka não é mais ninguém da família fundadora, mas um fundo de investimentos chamado Alumini, que conseguiu comprar o equivalente a 25% das ações no mercado. E está brigando na Justiça pelo direito de assumir o controle e poder assim sanear a empresa.
O fundo hoje trava um embate com o administrador judicial, que defende a falência da Teka sob alegação de incapacidade de levar adiante a RJ. O Alumni, no entanto, se propôs a assumir a gestão, injetar R$ 100 milhões, reestruturar as dívidas e recuperar o negócio.
Já os herdeiros, que juntos detêm 31% do capital da Teka, assistem à disputa, sem se envolver diretamente.
Do fim do ano passado até maio, os representantes do FIP conseguiram juntar os acionistas minoritários, usaram uma brecha da Lei das SA para conseguir o direito a voto dos detentores dessas ações PNs, retiraram os direitos políticos da família fundadora e elegeram um novo conselho de administração, bem como um CEO e um CFO (diretor financeiro) para a fabricante.
Apesar da resistência do interventor, que impediu o conselho eleito de assumir e pediu a falência do grupo, o fundo também conseguiu reverter na Justiça a decisão decretada no fim de fevereiro. No mais novo capítulo da saga, a Junta Comercial de Santa Catarina referendou no fim de maio a eleição do conselho pela assembleia de acionistas ocorrida em 30 de dezembro. Com isso, a nova administração deve assumir oficialmente a gestão da empresa a partir deste mês.
A maior reviravolta da acidentada história da tecelagem catarinense ocorreu em 30 de dezembro de 2024. Naquela antevéspera de ano novo, os três grupos opositores estiveram presentes na Rua Paulo Kuehnrich, nº 68, em Blumenau, para participar da assembleia de acionistas (AGO). Em jogo estava destino da própria Teka
De um lado, estavam os representantes dos herdeiros. De outro, o administrador judicial, o escritório Leiria & Cascaes – interessado em manter-se o cargo. E a terceira força era o fundo de investimento em participações (FIP) Alumni, representado pelos escritórios Chiarottino e Nicoletti Advogados e Modesto, Carvalhosa, Kuyven e Ronco Advogados.
O Alumni montou desde 2023 uma participação de 25% de ações preferenciais (PNs) negociadas na B3. Para a assembleia, o fundo conseguiu formar um bloco de apoio majoritário. Mas havia um problema: as PNs, usualmente, não podem votar na AGO, direito conferido às ONs, das quais os Kuehnrich formavam o maior bloco.
O Alumni, porém, usou uma brecha da Lei das SA para assegurar que ele e os minoritários pudessem participar das decisões. A legislação estabelece que o estatuto da companhia pode definir o direito de voto para as PNs. E, no caso da Teka, uma cláusula prevê o direito de voto aos preferencialistas no caso de não pagamento de proventos durante um período mínimo.
Com 58% dos votos, os representantes do Alumni usaram a AGO para realizar uma reviravolta completa no grupo. A assembleia aprovou a chapa de novos conselheiros apontada pelo fundo, emplacou novos CEO e CFO, além de se comprometer a injetar R$ 100 milhões no grupo. Para selar a vitória total, conseguiram cassar os direitos políticos dos antigos acionistas controladores, os Kuehnrich.
Mas em como todo drama de tribunal, um novo capítulo iria se desenrolar a partir da assembleia. O administrador da RJ, o advogado Pedro Cascaes Neto, sócio do Leiria & Cascaes, decidiu pedir a falência da Teka, que foi aceita pela Justiça no fim de fevereiro.
Mas, em outra reviravolta, o Alumni conseguiu reverter a decisão. Em março, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina suspendeu o processo de falência até que fosse concluída uma auditoria financeira independente para ver quem tem razão sobre a viabilidade ou não de manter as operações da Teka.
O sócio do Chiarottino e Nicoletti, Leandro Chiarottino, afirma que, por tudo que foi levado aos autos, a empresa é viável. Segundo o especialista, a dívida bilionária, na verdade, é muito menor. A maior parte desse débito, cerca de 80%, refere-se a obrigações tributárias.
De acordo com o advogado, com as negociações e adesão a parcelamentos oferecidos pelos governos estaduais, essa parcela tributária cairia para perto de R$ 329 milhões, com 84% de desconto. O especialista explica que, além da redução, a Teka tem um crédito fiscal relevante, que poderia ser utilizado para pagar a dívida federal.
De qualquer modo, o destino da Teka ainda depende da auditoria determinada pelo desembargador. Ainda não há previsão para uma nova decisão da Justiça. Aos acionistas, só resta aguardar as cenas dos próximos capítulos.
O grupo hoje conta com duas plantas fabris, em Blumenau e em Arthur Nogueira, no interior de São Paulo. As fábricas empregam 2 mil funcionário. A companhia atualmente concentra 70% de seu faturamento em vendas aos segmentos hoteleiro e hospitalar, com atendimento a 5 mil hotéis no país, com clientes como Accor, Slaviero e THG.
Segundo os últimos dados disponíveis, a Teka teve uma receita líquida de R$ 323,66 milhões em 12 meses até setembro de 2024. No período, a companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 170 milhões.
Rolf Kuehnrich faleceu em 2 de setembro de 2023, aos 97 anos. Era um membro remanescente das famílias fundadoras dos grandes complexos industriais catarinenses
(Fonte: revista Exame - 23.12.1992 / 26.10.1994 / Informativo Fiesc - 02.9.2023 / InvestNews - 03.06.2025- partes)
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