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31 de out. de 2011

Adolpho Lindenberg (construtora)

          Adolpho Lindenberg, nascido em 1924, se formou em Engenharia e Arquitetura pela Universidade Mackenzie, em São Paulo, em 1949. Em 1954, abriu um pequeno escritório de engenharia, quando São Paulo comemorava seu quarto centenário.
          A Construtora Adolpho Lindenberg (CAL) já nasceu com foco na construção de casas de alto padrão. As primeiras obras da empresa foram três casas construídas com o dinheiro da herança do pai no então recémprojetado bairro do Ibirapuera, na zona sul da capital.
          Na década seguinte, Lindenberg construiu seu primeiro prédio e provocou uma mudança de conceitos: como não havia mais espaço para mansões nos bairros mais desejados de São Paulo, passou a oferecer apartamentos com o mesmo tamanho e luxo dos imóveis a que sua clientela estava habituada. Ele convenceu a elite paulistana a morar em apartamentos – ou “casas sobrepostas”, como chamou –, alertando que essa mudança era necessária para garantir maior segurança aos moradores.
          Em Janeiro de 1960, a construtora Adolpho Lindenberg lança seu primeiro condomínio residencial vertical e dá nova direção ao mercado imobiliário de São Paulo. Por trás do projeto, estava o conceito de mansões sobrepostas, atendendo à necessidade por espaço das famílias de maior renda que buscavam, além de moradia, mais segurança do que a oferecida nas antigas casas. Também leva a assinatura da empresa o primeiro flat do Brasil e o primeiro edifício com piscina privativa no terraço (ambos no bairro dos Jardins), além de projetos de hotéis e indústrias e lançamentos em outros países, como Chile, Paraguai e Portugal. “A Lindenberg e o Adolpho foram pioneiros numa maneira de lidar com o mercado imobiliário, transformando os lançamentos em produtos organizados e não artesanais”, diz o diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, Valter Caldana, fazendo referência ao engenheiro e arquiteto Adolpho Lindenberg. Morto no início de maio passado, Lindenberg completaria 100 anos neste mês. O cargo de CEO é ocupado por seu filho, Adolpho Lindenberg Filho.
          Nos anos 1970, a construtora lançou o primeiro flat do Brasil e o primeiro edifício com piscinas privativas nos terraços, ambos nos Jardins (zona oeste). No mesmo período, fez a primeira incorporação de Brasília e começou a construir também prédios comerciais, para hotéis (como o Casa Grande, no Guarujá) e indústrias (Texaco, Avon, Petrobras e Philip Morris).
          Durante a década de 1980, a empresa começou a se dedicar a bairros como Morumbi, Panamby e a região da Marginal do Pinheiros, que se tornou o novo eixo comercial paulistano, depois das avenidas Paulista e Brigadeiro Faria Lima. Um ícone foi o lançamento do Edifício Wilson Mendes Caldeira, um dos primeiros prédios da Marginal do Pinheiros.
          Nos anos 1990, para se adequar ao mercado, a construtora mudou seu sistema de customização dos apartamentos.
          Nos anos 1990, Adolpho Lindenberg Filho segue os passos do pai e assume os negócios e ocupa a diretoria de incorporações da construtora. Seu filho Marcos Lindenberg, formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas, atua na área de novos negócios.
No início dos anos 2000, se associou ao Grupo LDI, holding com empresas de incorporação e construção (CAL), comercialização e gestão de vendas dos seus imóveis (LindenHouse), urbanismo (LPU) e desenvolvimento e administração de shopping centers (REP). A parceria se manteve até 2019.
          Adolpho Lindenberg faleceu em 2 de maio de 2024, aos 99 anos. O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, do qual Lindenberg foi fundador e era presidente de honra, em nota, ressaltou o parentesco de Lindenberg com Oliveira (“devotado primo e discípulo do insigne católico de quem nosso instituto leva o nome”) e o fato de ter sido sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP) .
          A Construtora Adolpho Lindenberg S.A. traz em seu portfólio, mais de 700 empreendimentos, com mais de 15 milhões de metros quadrados construídos.
          Uma das frases inspiradoras de Adolpho Lindenberg, era: "clientes são amigos, colaboradores são família".
          No início de 2025, após duas décadas de colaboração marcadas por diversos empreendimentos conjuntos, a Adolpho Lindenberg e a Eztec decidiram unificar suas operações. A Eztec realizou uma capitalização de R$ 130 milhões na Lindenberg, recebendo em troca 47% da empresa. Esse acordo foi oficializado em uma assembleia de acionistas em 31 de janeiro (2025). O negócio não envolveu a injeção de "dinheiro novo", mas sim a integralização de cotas da joint venture criada em 2022. As empresas formaram uma parceria para desenvolver residenciais avaliados em R$ 2 bilhões, superando essa meta ao alcançar R$ 2,3 bilhões em seis projetos. O acordo também concedeu à Eztec o direito de adquirir uma participação na Lindenberg até 2027, um marco que foi antecipado por mútuo acordo. Desde a criação da joint venture, a Eztec foi a responsável pelo aporte de recursos nos projetos, que agora integram o balanço da Lindenberg. Em contrapartida, a Eztec adquire essa participação de 47% na antiga parceira, que agora se torna uma empresa investida. Outros 47% da Lindenberg permanecem sob controle do presidente, Adolpho Lindenberg Filho, e da diretoria, enquanto 6% estão distribuídos no mercado. Eztec e Lindenberg são duas das mais renomadas empresas do setor imobiliário de São Paulo. Os fundadores, Adolpho Lindenberg e Ernesto Zarzur, já falecidos, mantinham uma boa relação, que se estende aos seus filhos, atuais gestores das empresas.
(Fonte: e-mail da Fiesp, contendo convite para palestra com a família Lindenberg, em 17.03.2015 / Estadão - 03.05.2024 / 03.02.2025 - parte)

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