31 de out de 2011

Álcalis

          A estatal Companhia Nacional de Álcalis está instalada em Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro. Em 1992, chegou-se a discutir a possibilidade de fechá-la. Seu leilão de privatização, em julho de 1992, demorou 1 minuto e não pagou nem um centavo a mais do que o preço mínimo, de 78 milhões de dólares.
          O comprador foi o empresário José Carlos Fragoso Pires, dono da companhia de navegação Frota Oceânica e da maior empresa salineira do país, a Cirne. O fato de Fragoso Pires, estabelecido no Rio, ser um produtor de sal é que viabilizou o negócio. É que o sal é a principal matéria-prima para a produção da barrilha, fabricada pela Álcalis. Havia problemas, contudo. Previa-se que no ano de 2004 a Álcalis teria de parar a produção porque suas reservas de calcário, outra matéria-prima importante, estariam exauridas. A menos, claro, que fossem feitos investimentos que o Estado não podia fazer.
          Além de fazer investimentos, a empresa enxugou o quadro de funcionários. Dos 1100 existentes, 250 foram demitidos. Herculano Leal de Araújo, então presidente da Álcalis e da Cirne, notou também inchaços bizarros: a área administrativa da empresa tinha 46 empregados que ocupavam 114 salas (isso mesmo, mais salas que empregados) distribuídas em quatro pavimentos em um prédio no centro do Rio.
(Fonte: revista Exame - 03.02.1993)

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