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6 de out. de 2011

CSA

          A Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), foi criada em 2005, numa parceria entre o grupo alemão ThyssenKrupp e a Vale para a produção de aço no Brasil. A CSA está situada em Santa Cruz, distrito do Rio de Janeiro, a 75 quilômetros da cidade.
          Em 2009, a ThyssenKrupp mergulhou numa crise financeira, o que obrigou a companhia brasileira a quase triplicar sua participação na usina.
          A empresa começou a operar em junho de 2010, um ano e meio depois do previsto, depois de um investimento de aproximadamente US$ 10 bilhões, em vez dos 2,4 bilhões orçados inicialmente.
Dispõe de capacidade para fazer 5 milhões de toneladas de placas (aço plano semiacabado que é utilização na laminação de chapas).
          Ao inaugurar a companhia, o presidente da Vale, Roger Agnelli, imaginava ter se livrado de uma dor de cabeça que o acompanhou durante cinco anos. Ao longo desse período, a usina colecionou problemas de toda ordem. Durante a construção, a CSA foi advertida pelo Ministério Público por não fornecer equipamentos de segurança aos operários e por causar danos a um manguezal nas proximidades da usina. A esperança era que, quando a CSA finalmente entrasse em operação, tudo isso ficasse para trás.
          Mas, diferentemente do que se esperava, os problemas permaneceram. Uma poeira cinzenta começou a se espalhar pelos arredores da CSA. Causada por defeito em uma máquina, a poeira assustou os moradores e emporcalhou a vizinhança durante seis semanas, até meados de setembro (2010), com direito a uma multa pelo governo do estado do Rio de Janeiro e uma advertência a seus administradores.
          E a contumaz ingerência do governo na Vale, respingou na CSA. Os planos da Vale na área de siderurgia nasceram durante a euforia pré-crise e foram infladas por pressões políticas do Planalto. Em 2008, a produção mundial de aço atingiu o pico de sua capacidade. A possibilidade de a Vale entrar como minoritária em novas usinas, que se tornariam compradoras cativas de seu minério, parecia perfeita. Como se sabe, os tempos de economia exuberante ficaram para traz, mas a pressão do presidente Lula não. Em 2009, quando a Vale demitiu trabalhadores e reduziu o ritmo de investimentos em razão da crise mundial, o presidente declarou publicamente: "Eu disse para o Roger que era para termos começado essas siderúrgicas no auge da crise".
          Em abril de 2016 as empresas anunciam o fim da joint venture. A separação procura criar alternativas futuras para a produção de placas de aço, que tem operado no vermelho desde o começo das atividades em junho de 2010. A iniciativa de dissolver a sociedade teria partido do ThyssenKrupp que tem garantido a sobrevivência das finanças da CSA ao longo dos últimos anos.
          A dissolução culminou com a venda da participação da Vale de 26,87%. Conforme o acordo, a Vale deixará de participar na empresa mantendo algumas garantias, incluindo o contrato de continuação do fornecimento do minério de ferro até 2024.
          A ThyssenKrupp pretende reorganizar a estrutura acionária da CSA, passando a ter 100% do capital da companhia. O acordo foi fechado por um preço "simbólico" e a Vale fica livre de responsabilidade pelo débito estimado em mais de R$ 12 bilhões.
          Em 21 de fevereiro de 2017, após ter investido em torno de € 8 bilhões para erguer o complexo siderúrgico da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), e não ter obtido nada de retorno, o grupo alemão ThyssenKrupp fechou a venda da empresa para a companhia Ternium, sediada em Luxemburgo e controlada pelo grupo ítalo-argentino Techint. O negócio foi fechado pelo valor de € 1,5 bilhão (o correspondente a R$ 4,9 bilhões).
          A Thyssen tentava se livrar da CSA desde 2012, pouco depois de a siderúrgica entrar em operação em 2010, ainda com problemas operacionais e ambientais.
(Fonte: revista Exame - 20.10.2010 / jornal Valor - abril 2016 / 22.02.2017 - partes)

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