31 de out de 2011

AES Eletropaulo

          Monopólio natural sobre 38.000 quilômetros de redes de luz. Um mercado cativo de 4,8 milhões de clientes (dados de agosto de 2002) no miolo da região mais próspera da América Latina. Clientela garantida. Concorrência inexistente. Produto indispensável. Se é difícil imaginar que negócio poderia ser melhor que esse, é mais difícil ainda acreditar que essa empresa, escapou da moratória por um triz.
          Em 21 de agosto de 2002, a Eletropaulo Metropolitana Eletricidade de São Paulo S.A., a maior empresa de energia do país, estava agonizante. Bem naquele momento, porém, o BNDES tinha começado a liberar 3 bilhões de reais às distribuidoras de energia, a título de indenização pelas perdas sofridas com o racionamento de energia no ano anterior, 2001. O banco veio em socorro na última hora e a companhia escapou da moratória por um fio, sem trocadilho. 
          A empresa, privatizada em 1998, precisava ainda exorcizar uma agenda infernal no curto prazo. Com bilhões de dólares de dívida, e comprando um terço da energia que a empresa distribui da Itaipu Binacional, paga em moeda americana, a Eletropaulo se deparou com a concentração crítica de vencimentos num momento de mercado externo fechado. E, depois do racionamento, a companhia ainda teve que assimilar uma queda média nacional de consumo na ordem de 16%.
          As dificuldades da Eletropaulo poderiam ser resolvidas com um aporte de capital da controladora, a AES Corporation - isso caso o próprio grupo americano não estivesse em maus lençóis. A AES possuía 177 usinas de energia, 722.000 quilômetros de redes de distribuição e 16 milhões de clientes em 33 países. Mas as dívidas eram também superlativas: 35 bilhões de dólares. A Eletropaulo, por sua vez, era uma empresa viável, sob o impacto de uma concentração de fatores desfavoráveis.
          Com dados de novembro de 2016, a AES Eletropaulo conta com 20 milhões de consumidores em 24 municípios do estado de São Paulo. Seu quadro de pessoal conta com 10.400 funcionários.
(Fonte: revista Exame - 04.09.2002 / 23.11.2016)

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