Em 1928, o fluminense João Batista Martins Coube resolveu vender sua própria casa e começar seu empreendimento, com uma porta comercial chamada de "Typografia Brasil" na Rua Batista de Carvalho, em Bauru, interior de São Paulo. Em pouco tempo o primeiro prédio ficou pequeno para comportar a expansão da "Typografia Brasil", que passou a comercializar brinquedos, tintas, artigos para escritório e engenharia, e a atividade comercial passou para um prédio bem maior ao lado.
Em meados da década de 1940, o nome da empresa do Sr. João Coube mudou para "Typografias e Livrarias Brasil", a primeira sociedade anônima de Bauru. Em 1949, ocorreu um momento especial com a inauguração de um prédio de quatro andares que ligava a Rua Batista de Carvalho à Avenida Rodrigues Alves. A loja ficava no pavimento de baixo e a gráfica nos andares superiores.
Em 1962, o prédio comercial de quatro andares ficou pequeno para comportar a expansão comercial dos negócios e a gráfica foi transferida para a Rua Aymorés, na Vila Cardia, ocupando uma área de 6 mil metros da área total de 40 mil metros quadrados.
A década de 1970 foi marcada pela morte do fundador João Batista Coube, época em que houve a mudança do nome "Typografias e Livrarias Brasil" para TILIBRA S.A., aproveitando as iniciais de cada uma das palavras do nome anterior. A partir de então, seus quatro filhos deram continuidade aos trabalhos do pai e iniciaram uma nova era na história da empresa.
Quis o destino que num curto espaço de tempo, entre 1981 e 1982, ocorresse a morte repentina de três dos herdeiros do fundador. Isso teria sido motivo suficiente para as boas relações de até então se deteriorarem e, no mínimo, dificultar a sucessão mais à frente. Mas a empresa seguiu seu caminho..
Especialmente no período 1989-2001, a Tilibra teve um crescimento notável. Os anos 1990 marcaram uma época de investimentos em marketing, consolidação da marca, inovação, lançamentos de produtos e distribuição intensiva. A Tilibra passou a agregar valor aos produtos, dando-lhes capas artísticas e com personagens conhecidos do público. A tática tornou a empresa líder de mercado em cadernos e agendas, com mais de 8 mil pontos-de-venda.
Em janeiro de 1994, sob a presidência de Caio Coube, nascido em 1958, foram fincados 1.000 outdoors da empresa por todo o país. "Queremos espalhar nossa marca", disse Coube. Nos anos anteriores, a empresa havia promovido uma espécie de revolução silenciosa do marketing da empresa. Produtos pouco lucrativos foram extirpados dos catálogos. O consumidor virou o principal aliado da Tilibra na hora de fazer novos lançamentos.
Os resultados mostraram-se positivos. A Tilibra concorre com nomes fortes como Caderbrás, Propasa e Melhoramentos. "Não conseguiríamos nada disso se tivéssemos insistido em vender commodities", disse Adriana Ricci Coube, paulistana nascida em 1967 que entrou para o clã dos Coube em 1990 através do casamento com um dos herdeiros e passou a comandar o marketing da Tilibra. Adriana significou sangue novo para a sexagenária empresa, então administrada pela terceira geração dos Coube, sempre em Bauru.
No ano de 2000, por exemplo, a empresa apresentou forte crescimento tanto na receita como em lucros. Acreditava-se que se tinha conseguido superar a paranoia da mudança de geração, que não se falava nem se aceitava.
O cenário, no final de 2001, porém, era dos mais tumultuados. Administrada pela terceira geração do fundador, a empresa corria o risco de ter suas ações transferidas de mãos devido a uma briga de parentes que chegou naquele momento a um impasse. De um lado estavam Ruben Coube, então único filho vivo do fundador, e Maria Sylvia, viúva de seu irmão mais velho. Do outro, estavam Olga, viúva do caçula do clã, e seus cinco filhos - entre eles Caio Coube, o presidente então afastado. Eram vários os motivos da ruptura, entre eles todos os que permeavam relações entre parentes, turbinados pela influência do dinheiro e do poder em uma organização empresarial.
Uma proposta elaborada por Caio Coube, e que, em novembro de 2001 estava sobre a mesa, era uma saída pela qual a empresa seria dividida em duas. As famílias de Maria Sylvia e de Ruben ficariam com o negócio de material escolar, cujos ativos representavam algo próximo a 65% do total. E sua família (de Caio) assumiria as fábricas de agendas, material de escritório, casa e distribuição para terceiros que somavam os 35% que lhe cabiam. O outro lado nem queria falar sobre a proposta. Para Luís Antônio, primo de Caio, e irmão de Pedro (que havia se desentendido com Caio), era preciso dar tempo ao tempo. Um dia, todo o ressentimento de Caio passaria.
Em 2004 a Tilibra passou a integrar a divisão de negócios de papelaria do grupo norte-americano MeadWestvaco, líder global em produção e soluções de embalagens. Conhecido como MWV, o grupo também atua no mercado de materiais para escritório e produtos químicos especiais.
Em 2012, através de um processo de fusão, a divisão de negócios de papelaria do grupo MWV juntou-se à ACCO Brands, uma empresa que em mais de 100 anos de história tem sido um dos maiores fornecedores mundiais de produtos para escritório.Em janeiro de 1994, sob a presidência de Caio Coube, nascido em 1958, foram fincados 1.000 outdoors da empresa por todo o país. "Queremos espalhar nossa marca", disse Coube. Nos anos anteriores, a empresa havia promovido uma espécie de revolução silenciosa do marketing da empresa. Produtos pouco lucrativos foram extirpados dos catálogos. O consumidor virou o principal aliado da Tilibra na hora de fazer novos lançamentos.
Os resultados mostraram-se positivos. A Tilibra concorre com nomes fortes como Caderbrás, Propasa e Melhoramentos. "Não conseguiríamos nada disso se tivéssemos insistido em vender commodities", disse Adriana Ricci Coube, paulistana nascida em 1967 que entrou para o clã dos Coube em 1990 através do casamento com um dos herdeiros e passou a comandar o marketing da Tilibra. Adriana significou sangue novo para a sexagenária empresa, então administrada pela terceira geração dos Coube, sempre em Bauru.
No ano de 2000, por exemplo, a empresa apresentou forte crescimento tanto na receita como em lucros. Acreditava-se que se tinha conseguido superar a paranoia da mudança de geração, que não se falava nem se aceitava.
O cenário, no final de 2001, porém, era dos mais tumultuados. Administrada pela terceira geração do fundador, a empresa corria o risco de ter suas ações transferidas de mãos devido a uma briga de parentes que chegou naquele momento a um impasse. De um lado estavam Ruben Coube, então único filho vivo do fundador, e Maria Sylvia, viúva de seu irmão mais velho. Do outro, estavam Olga, viúva do caçula do clã, e seus cinco filhos - entre eles Caio Coube, o presidente então afastado. Eram vários os motivos da ruptura, entre eles todos os que permeavam relações entre parentes, turbinados pela influência do dinheiro e do poder em uma organização empresarial.
Uma proposta elaborada por Caio Coube, e que, em novembro de 2001 estava sobre a mesa, era uma saída pela qual a empresa seria dividida em duas. As famílias de Maria Sylvia e de Ruben ficariam com o negócio de material escolar, cujos ativos representavam algo próximo a 65% do total. E sua família (de Caio) assumiria as fábricas de agendas, material de escritório, casa e distribuição para terceiros que somavam os 35% que lhe cabiam. O outro lado nem queria falar sobre a proposta. Para Luís Antônio, primo de Caio, e irmão de Pedro (que havia se desentendido com Caio), era preciso dar tempo ao tempo. Um dia, todo o ressentimento de Caio passaria.
Em 2004 a Tilibra passou a integrar a divisão de negócios de papelaria do grupo norte-americano MeadWestvaco, líder global em produção e soluções de embalagens. Conhecido como MWV, o grupo também atua no mercado de materiais para escritório e produtos químicos especiais.
(Fonte: revista Exame - 13.04.1994 / 28.11.2001 / site Tilibra - partes)
2 comentários:
Não é Pedro, mas sim João Batista Martins Coube.
Agradecemos o comentário. Fizemos nova pesquisa e já corrigimos e complementamos o texto.
Postar um comentário