30 de out de 2011

Banco Nacional

     Em anos anteriores a 1988, sempre que surgiam boatos de quebradeira no mercado financeiro, o Banco Nacional era um dos primeiros da lista. de 1988 em diante, essa rotina mudou, e não foi sem razão. De um banco ineficiente, que chegava sempre atrasado ao oferecimento de serviços aos clientes ou à corrida pela informatização, o Nacional transformou-se num modelo. Por trás dessa virada estaria o engenheiro Arnoldo de Oliveira, nascido em 1942, pinçado do Citibank para reestruturar o banco do guarda-chuva. Num período de quatro anos, 1988 a 1992, o número de funcionários do banco caiu de 37.000 para 17.000, enquanto os 350 microcomputadores que existiam em toda a rede multiplicaram-se para 10.000 no período.
     Oliveira, numa entrevista, em abril de 1992, ao chefe da sucursal de Exame no Rio de Janeiro, Guilherme Barros, salientou: "Nunca tranco as portas. Não existe assunto confidencial numa empresa, isso não pode existir. Todos os assuntos têm de ser discutidos até que se ache um consenso".
     Em 1995, a Polícia Federal, através do delegado Paulo Lacerda, mais tarde diretor da Abin, desvendou a fraude das 900 contas falsas do banco sem escutar um só telefonema alheio. A investigação estava à procura de um rombo de US$ 6 bilhões, então o maior crime financeiro do Brasil e um dos maiores do mundo. Para resolvê-lo, doutor Lacerda valeu-se de sua própria experiência como ex-bancário e contou com o apoio do perito contábil Geraldo Bertolo. Tiveram que suar a camisa, mas obtiveram provas robustas para levar à Justiça os controladores do banco, da família Magalhães Pinto, uma das mais poderosas do país.
(Fonte: revista exame - 29.04.1992 - parte)

Nenhum comentário :