Total de visualizações de página

5 de out. de 2011

Mitsubishi

          O logo da Mitsubishi é desenhado a partir da junção de três diamantes e expressa o nome da empresa, já que "Mitsu", em japonês, significa "três", e "hishi" é o termo utilizado para expressar algo com formato de diamante.
          O símbolo da Mitsubishi mistura os mons da família do empreendedor Iwasaki Yataro, o fundador, mais a do clã Tosa, que dominava a província de onde ele nasceu e a empresa foi fundada.
          No Brasil, no tocante a modelos, a Mitsubishi Pajero TR4 ficou em linha entre 2002 e 2015, sendo descontinuado sem um sucessor direto; pequeno no tamanho, tem grandes fãs entre a comunidade off-road.
          Na aviação, em 2015, a Mitsubishi lançou o Mitsubishi Regional Jet, que tem capacidade para até 90 passageiros, para concorrer com a Embraer, que se juntou à Boeing e com a Bombardier - que se fundiu com a Airbus.
          A Mitsubishi sempre manteve uma presença mais discreta em comparação com outras montadoras no Brasil. A fábrica inaugurada em 1999 em Catalão, no estado de Goiás, seguiu uma rotina tranquila durante todo esse tempo. A Mitsubishi, representada pelo grupo local HPE, só fazia barulho em corridas de rally e outras competições, o que ajudou a construir uma identidade única para a marca japonesa no país.
          Porém, com o plano de investimentos de R$ 4 bilhões anunciado no primeiro semestre de 2024, a operação deverá ganhar mais destaque. Primeiramente, parte dos recursos seria destinada ao desenvolvimento e produção de veículos híbridos a etanol, decisão já tomada por concorrentes mais agressivos.
          Além disso, a operação ganharia relevância com a estreia no mercado externo. Ainda este ano, a fábrica de Catalão começará a exportar veículos para os mercados vizinhos da América do Sul, atualmente atendidos pela Mitsubishi Japan.
          O engenheiro brasileiro Mauro Correia, que é CEO da HPE desde o início de 2023, destaca a importância das exportações. Ao contrário da maioria dos concorrentes, a HPE não é uma subsidiária. “Somos representantes da marca Mitsubishi no Brasil”, disse. “O Brasil tem potencial para exportar, mas precisa de portos mais eficientes.”
          A empresa japonesa transferiu para o grupo brasileiro a responsabilidade de exportar para os mercados sul-americanos, com a perspectiva de que a operação de Catalão seja competitiva.
          Essas decisões foram influenciadas pela prorrogação dos incentivos fiscais federais até 2032 para as empresas automotivas localizadas nas regiões Nordeste e Centro-Oeste.
          “Sem os incentivos, [produzir em Goiás] seria mais caro do que importar da Argentina”, disse Correia, referindo-se, sem citar nomes, a dois concorrentes de peso com fábricas de picapes na Argentina: Ford e Toyota. “Os incentivos permitem-nos planear e, com o produto certo, chegou a hora de exportar”, acrescentou.
          Segundo o executivo, até 2032, a empresa se esforçaria para reduzir os custos logísticos decorrentes da distância que separa Catalão do Sudeste e do Sul, onde se concentram os fabricantes de peças e a maior parte dos consumidores. São Paulo, por exemplo, fica a cerca de 700 quilômetros de distância.
          Em Catalão são produzidos dois modelos – a picape L200 e o SUV Eclipse. O novo plano de investimentos inclui a produção de novos modelos.
          Executivo com quatro décadas de experiência no setor, Correia passou por empresas como Ford e Volkswagen e deixou a liderança do grupo brasileiro CAOA quando foi convidado para assumir o cargo de CEO da HPE.
          Apaixonado por competições automobilísticas desde jovem, ao aceitar o convite aliou o útil ao agradável. A organização de eventos desportivos e passeios com proprietários de veículos Mitsubishi e seus familiares é uma constante, funcionando como uma ferramenta de marketing e ajudando a fidelizar os clientes à marca.
          A organização de corridas de rally, que reúnem até 800 pessoas em uma única competição, existe desde a fundação da marca no Brasil, desde 1994. Logo se tornou uma peculiaridade local, admirada até pelos japoneses.
          A iniciativa partiu de Eduardo Souza Ramos, sócio majoritário da HPE, empresário discreto e participante regular de competições terrestres e marítimas.
          A HPE também representa a Suzuki e produziu veículos da marca em Catalão até 2020. Desde então, só vendeu veículos importados do Japão.
          Considerando números de maio de 2024, a fábrica goiana conta com 2 mil funcionários diretos e, segundo Correia, 12 mil indiretos moram em Catalão, cidade de 120 mil habitantes, e arredores. Em 2023, a Mitsubishi vendeu 21 mil veículos no Brasil, incluindo importações. Segundo o executivo, a meta é chegar a 23 mil neste ano, 30 mil em dois anos e mais de 40 mil depois.
(Fonte: Revista Aventuras na História - setembro 2015 / Valor - 20.05.2024 - partes)

Nenhum comentário: